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Helhetsvurdering og utfordringer framover

In document Årsrapport om studiekvalitet (sider 97-108)

Segundo Pardal e Correia (1995) as técnicas de recolha de dados são instrumentos de pesquisa que proporcionam a realização e a viabilização desta. Estas técnicas auxiliam na consolidação do método de investigação ao qual se recorreu, de modo a que seja possível a validade empírica tanto do método como das técnicas que o complementam.

Para De Ketele e Roegiers (1999, p. 17), “a recolha de informações pode (…) ser definida como o processo organizado posto em prática para obter informações junto de múltiplas fontes, com o fim de passar de um nível de conhecimento para outro nível de conhecimento”.

A escolha das técnicas a que recorremos para a elaboração deste estudo foi feita através de uma análise do terreno e tendo em conta os objetivos formulados numa fase inicial do estudo de caso, isto é, na fase exploratória deste. Assim sendo, as técnicas e os objetivos estabelecidos para esta investigação estavam congruentes entre si.

Uma vez que o “instrumento é apenas a ferramenta que lhe permite recolher informação” (Bell, 2004, p. 99), torna-se pertinente mencionar as técnicas de recolha de dados selecionadas para o estudo. Estas são a análise documental, a entrevista, o inquérito por questionário e a observação direta não participante.

i. Análise Documental

A análise documental tem como intuito a “busca identificar informações factuais nos documentos a partir de questões ou hipóteses de interesse” (Lüdke & André, 1986, p. 38), sendo que os documentos são todos os elementos físicos ou digitais que permitam estudar e reter informação essencial para o estudo em questão (Lüdke & André, 1986), podendo estes serem “escritos ou não escritos” (Gonçalves, 2004, p. 60). Recorreu-se a esta técnica investigativa no decorrer de todo o processo de investigação.

Uma vez que o processo investigativo decorria numa organização, tornou-se basilar a análise documental relativa a informações sobre a organização em estudo. Assim, fez-se uma investigação algo extensiva sobre a mesma, analisando com particular ênfase o website da

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organização, de forma a compilar informação sobre a sua história, estrutura e máximas. Para além do website, estudou-se os organogramas da organização e do departamento no qual se desenvolveu o projeto investigativo, desta feita recorrendo à Intranet do grupo. Ademais, analisou- se, de igual forma, os documentos existentes na organização, documentos estes empregados no quotidiano da organização.

Partindo do pressuposto que nenhuma investigação começa do zero, pois já existem outras investigações sobre o tema (Coutinho, 2014), tornou-se pertinente a análise de todos os documentos a que tivemos acesso, de modo a apurar quais os documentos que melhor se enquadravam na nossa investigação e discernir os dados de relevância no âmbito da presente investigação.

ii. Inquérito por Questionário

Como uma das principais técnicas de recolha de dados a que se recorreu, encontra-se o inquérito por questionário. Esta técnica foi de grande importância uma vez que este foi aplicado a vários grupos, isto é, uma amostra representativa (De Ketele & Roegiers, 1999; Quivy & Campenhoudt, 2003) de colaboradores que estavam a frequentar formação na organização, tendo por objetivo saber qual a opinião destes com relação à formação que frequentaram, por meio da avaliação. Assim sendo, o inquérito por questionário foi construído com base nos objetivos estabelecidos: estudar a gestão e a avaliação da formação na organização.

Veja-se que o inquérito por questionário é “um instrumento para recolha de dados constituído por um conjunto mais ou menos amplo de perguntas ou questões que se consideram relevantes para o traço, caraterísticas e dimensão sobre o que se deseja obter informações” (Hoz, 1985, p. 58 - adaptado). Por outro lado, segundo Gonçalves (2004, p. 78) o inquérito “consiste numa interrogação sistemática de um conjunto de indivíduos, normalmente representativos de uma população global, com o objetivo de proceder a inferências e generalizações. Grosso modo, as questões podem incidir sobre factos ou sobre opiniões”, bem como sobre questões de caráter pessoal e profissional (Quivy & Campenhoudt, 2003).

Tal como Bell (2004, p. 117) assevera, “há que atentar na seleção do tipo de questões, na sua formulação, apresentação, ensaio, distribuição e devolução dos questionários”. No que diz respeito à distribuição dos inquéritos esta pode ser de forma direta e indireta, isto é, se o inquérito for entregue em mãos ao inquirido e for este a preencher o inquérito, este é de distribuição direta. Se, por sua vez, for feito via telefónica ou email e/ou se for o investigador a preencher o inquérito pelo inquirido, este é de distribuição indireta (Quivy & Campenhoudt, 2003). Este último tipo de

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distribuição pode influenciar o tipo de devolução dos inquéritos numa maior percentagem que o primeiro tipo de distribuição mencionado.

O inquérito por questionário, uma das técnicas a que recorremos que se pode classificar como quantitativa, para além das notas de campo, pode conjugar meios quantitativos com os meios qualitativos – questões de caráter aberto. Partindo do anteriormente dito, o inquérito aplicado tinha por base o caráter misto, isto é, era possuidor de questões abertas e fechadas. Estas questões estavam subdividas em blocos de questões, ou categoriais de análise, de modo a facilitar a interpretação desta por parte daqueles que iriam responder ao inquérito. Existe uma ligação entre este instrumento de recolha de informação com a entrevista, apesar do público-alvo dos instrumentos ser diferente.

Antes da aplicação do inquérito, deve-se fazer um pré-teste, de modo a que caso haja algum problema na formulação das questões ou da estrutura do inquérito, se possam efetuar alterações (Pardal & Correia, 1995; Bell, 2004; Coutinho, 2013).

iii. Entrevista

Uma outra técnica a qual recorremos no desenrolar desta investigação foi a entrevista. Esta foi um importante meio de recolha de informação sobre as diversas subcategorias da investigação, tornando-se, assim, indissociável dos objetivos estabelecidos.

A entrevista consiste numa conversa em que um entrevistador questiona um ou mais entrevistados, de modo a obter informação. Esta técnica conjetura que o investigador pretende obter informações sobre um determinado tema sobre o qual não tem determinadas informações (Albarello et al, 2005). Assim sendo, a entrevista visa a interação entre o entrevistador e o entrevistado, de modo a que se crie um ambiente confortável e possibilitar a troca de informação entre os intervenientes de forma reciproca e livre, apesar do seu caráter intencional (Hoz, 1985; Lüdke & André, 1986; Amado, 2013). Assim sendo, o principal objetivo da entrevista é a “transferência de uma pessoa (o informante), para outra (o entrevistador) de pura informação” (Amado, 2013, p. 207).

Esta técnica foi escolhida pois permite captar muita informação, quer esta entrevista seja diretiva ou estruturada – guião pré-definido, sem dar azo a outras respostas por parte dos entrevistados sem ser aquelas que se pretendam; semidiretiva ou semiestrutura – apesar de ter um guião, o entrevistador pode retirar, ao longo da conversa com o entrevistado, informação que lhe possa parecer relevante, o que faz com que possa vir a perguntar e comentar aspetos que não estavam presentes no guião, bem como não obedecer à ordem das questões; não diretiva ou não

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estruturada – que não possui qualquer guião e na qual o entrevistado está livre para responder às perguntas feitas pelo entrevistador no decorrer da entrevista (Pardal & Correia, 1995; Quivy e Campenhoudt, 2003; Albarello et al, 2005; Amado, 2013; Coutinho, 2014).

Deve-se ter em consideração que a entrevista, aquando da sua conceção, deve servir um propósito. No caso particular desta investigação, existiam dois guiões similares, mas possuidores de particularidades que variavam consoante o público-alvo selecionado. Tal como o inquérito, estes tinham uma estruturação e subcategorização pré-definida. Posto isto, um dos dois guiões de entrevista tinha como função a avaliação da formação, desde a sua conceção à sua avaliação, por parte dos responsáveis dos colaboradores da organização que frequentaram formação e que a estes foi-lhes aplicado o inquérito por questionário por nós elaborado. No que diz respeito ao outro guião de entrevista, este foi aplicado ao gestor da formação, tendo como objetivos a abordagem de todo o processo de Gestão da Formação, bem como o processamento da formação na organização.

A entrevista que assistiu a nossa investigação foi uma entrevista semidiretiva, como se poderá ver no capítulo IV, pois esta teve a capacidade de criar no entrevistado uma “introspeção” sobre o tema (Amado, 2013, p. 212). Para além do anteriormente dito, gozou da capacidade de explorar questões que por outras técnicas não seriam colocadas, pois estas foram questionadas diretamente ao público-alvo desejado, obtendo deste as suas opiniões de forma direta e espontânea, apesar de haver um guião de questões (Pardal & Correia, 1995).

Ao analisar os guiões das entrevistas e os inquéritos por questionário, chegou-se à conclusão que estes tinham um elo de ligação e de correlação propositado, de modo a que se pudesse fazer uma comparação entre os dois instrumentos.

iv. Observação Direta e Notas de Campo

A observação direta foi uma das outras técnicas utilizadas no decorrer desta investigação. Esta consiste no registo de dados recolhidos no momento presente por parte do investigador aquando da relação com os investigados (Coutinho, 2014), sendo que é uma técnica fundamental e com vária afluência nas Ciências da Educação. Para De Ketele e Roegiers (1999), observar requer que o investigador tenha sempre em mente qual os objetivos estabelecidos, bem como o alvo da sua investigação, sendo que para este processo é imperativo o recurso constante da inteligência e atenção do investigador.

A observação direta que, tal como a entrevista, possibilita o contato mais concreto com os investigados ao longo do percurso nas várias etapas da investigação. Permite, também, tirar notas

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de campo importantes para, num período tardio, as analisar e estudar com mais profundidade (Lüdke & André, 1986), elaborando, desta forma, um diário de bordo. Estas notas podem ser de variadas caraterísticas, desde a observação e caracterização de uma atividade e/ou conversa que possa acontecer e no qual o investigador tenha particular interesse, recorrendo a estas notas para fundamentar a sua investigação (Lessard-Hébert, 1996).

Pode destacar-se a existência de dois tipos de observação direta. O primeiro tipo carateriza-se por ser uma observação de caráter participante pois ocorre por meio da transmissão de informação direta entre o ator da investigação e o individuo em estudo (Bell, 2004). Por outro lado, a observação não participante consiste na intervenção passiva por parte do investigador, de modo a que a sua participação na investigação se cinja somente ao ato de observar. O investigador é parte integrante da observação, pois ele é quem a realiza, estando no mesmo meio das situações ou indivíduos que pretende investigar. Todavia, este não deve perder a objetividade, isto é, o investigador deve sempre ter presente que é um observador de uma investigação e que pretende dela retirar ilações do que está a observar.

Esta técnica tornou-se de grande relevância no decorrer da investigação, uma vez que permitiu observar o contexto real da organização, quer a nível do departamento no qual o projeto teve o seu desenvolvimento, bem como os diversos departamentos da organização num todo. Esta observação, quer participante como não participante, permitiu a recolha de informação que, mesmo recorrendo a um outro tipo de instrumento não seria possível recolher, pois a informação recolhida foi feita de forma espontânea, não planeada, o que fez com que se pudesse fazer uma caraterização da organização e do público-alvo da investigação, bem como da problemática. No caso da organização, a título de exemplo, ao realizar atividades como o pedipaper e o OpenDay fez com que se fomentassem conhecimentos acerca da organização, desde a sua história à sua estrutura, bem como os seus colaboradores, a sua disposição interna, as políticas que adota e práticas que atualiza.

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