• No results found

Informantutvalget, intervjuene, tekstene og forskeren i klasserommet

In document Meningsdannelse og diversitet (sider 51-54)

Kapittel 2: Metodisk del

2.2 Informantutvalget, intervjuene, tekstene og forskeren i klasserommet

Em coerência com os argumentos teóricos avançados, a opção pela metodologia qualitativa ajusta-se bem ao carácter específico desta investigação pelas razões seguintes: em primeiro lugar, a construção teórica subjacente teve sempre a preocupação de compreender e interpretar as dinâmicas dos agentes económicos informais enquanto fenómeno social tanto em Cabo Verde como em S. Tomé e Príncipe, o que justificou a necessidade de utilizar procedimentos que conduzissem a recolha de informação no terreno, e por outro lado, formar uma imagem que pudesse, de algum modo, traduzir a complexidade do todo, sem esquecer o problema da sua heterogeneidade, e fornecer um quadro simplificado de explicações. Foi com base neste objectivo que a opção pelo paradigma qualitativo se fez, do qual as medidas não interferentes constitui, a nosso ver, uma das modalidades do universo das metodologias qualitativas, em oposição ao método quantitativo, porque se adequa melhor às dinâmicas sociais. Contudo, a análise de dados recolhidos no terreno exigiu à transformação da informação qualitativa em quantitativa, através da leitura de frequência dos acontecimentos significativos, para uma melhor compreensão e análise da informação qualitativa previamente

recolhida, e daí a não exclusão do método de investigação quantitativo na abordagem desta investigação.

A problemática do empresariado em África é matéria que só muito recentemente despertou interesse dos investigadores das ciências sociais, sendo, por isso, ainda escassa a produção de documentos escritos sobre esta temática sobretudo em relação a Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. Daí que houve que proceder a um certo número de entrevistas no terreno a partir de um conjunto de opções possíveis para o contexto em análise. Neste sentido, considerou-se uma amostra cuja qualidade parece suficiente para traduzir significados que permitem construir um modelo explicativo comparativo das dinâmicas do empresariado em ambos os países e revelar as suas diferenças e semelhanças em termos de estratégias e práticas dos respectivos agentes económicos informais nos seus contextos.

A estratégia adoptada para a recolha dos dados no terreno consistiu na opção pela diversidade dos agentes abordados que relatam casos e factos, a partir de uma amostragem não probabilística de amostra por selecção racional. A amostra por selecção racional é uma técnica de amostragem não probabilística em que os elementos da população, objecto de estudo, são escolhidos devido à correspondência entre as suas características e os objectivos da investigação (cf. Freixo, 2010: 185). Por conseguinte, este estudo comparado está baseado num conjunto diversificado de entrevistas a agentes económicos informais nos dois países referenciados, cuja análise permitiu detectar linhas de força que apontam para a existência de diferenças de práticas e de estratégias desses agentes económicos em cada um dos dois países cujas dinâmicas parecem influenciar o seu modo de vida com reflexo no desenvolvimento nos respectivos países.

4.1.9. O campo

De acordo com Philipe D’Iribarne (1998: 342), uma estada de curta duração no terreno (algumas semanas) pode ser suficiente para recolher a informação necessária para a realização de um estudo científico em ciências sociais, quer seja exploratório ou aprofundado. Mas para isso, é fundamental saber previamente onde e como recolher os dados, pelo que a existência de uma rede de conhecimentos é essencial, sobretudo quando não se tem o conhecimento empírico da envolvente social sobre a qual se pretende recolher informação. O nosso profundo conhecimento de S. Tomé e Príncipe, de onde somos originários, e alguma

aproximação a Cabo Verde, país com o qual temos importantes afinidades, facilitou a nossa tarefa no terreno. Mas, ainda assim, houve, no início, alguma reacção desfavorável de informantes em Assomada, situação que foi rapidamente resolvida com a pronta ajuda de um jovem local que nos acompanhou durante as entrevistas. Com base na experiência de Assomada, adoptámos metodologias diferenciadas para melhor recolher o material necessário tanto em Sucupira (Praia) como em S. Tomé. Sempre que um potencial respondente manifestasse a sua disponibilidade, seguíamos o plano conforme definido no nosso guião de trabalho. Doutro modo, adoptámos o método alternativo que consistiu em abordar individualmente os inquiridos, deixando-os completamente descontraídos numa comunicação interpessoal informal em que o diálogo discorria sem que o entrevistado soubesse, à partida, que estava a ser entrevistado. Só no fim da conversa, cujo tempo variou mais ou menos entre 20 e 40 minutos, em que todas as questões previamente definidas tinham sido colocadas, procedemos à anotação cuidadosa da informação recolhida. Este método foi adoptado sempre que apercebêssemos que a nossa presença com uma folha de questionário ante o inquirido fosse susceptível de lhe causar inibições às respostas pretendidas, na medida em que podíamos ser interpretados como alguém da polícia ou das Finanças, já que num tal mercado informal existiam práticas de actos ilícitos (venda de artigos furtados, lavagem de dinheiro sujo, etc.).

Relativamente às perguntas mais sensíveis em que há o risco de os inquiridos se sobrevalorizarem, quando formuladas directamente e ou na presença de terceiros, como, por exemplo, a pergunta acerca do nível escolar dos inquiridos, procuramos colocar a pergunta de forma indirecta no contexto de uma conversa que se desenrolava do tipo: por que razão não estudou um pouco mais para ter um emprego melhor, ser professora, médica, … . As respostas eram variadas, mas surgiam mais ou menos imediatamente, umas vezes a seguir a um pequeno sorriso, como que lembrando o passado: “estudei só até ao 6º ano de escolaridade porque fiquei grávida aos 14 anos de idade; parei no 5º ano devido à falta de condições para continuar os estudos, a família era muito numerosa e o pai não ajudava porque tinha outra mulher”; etc. Por conseguinte, apesar do problema da subjectividade presente em todo o processo de investigação que utiliza metodologias qualitativas, estamos confiantes nos dados recolhidos porque recorremos às medidas não interferentes para captar informações necessárias para o objectivo deste trabalho. Por consequência, procuramos realizar as entrevistas e colocar questões que não produzissem retraimento nos inquiridos nem condicionassem a obtenção da informação pretendida. O nosso trabalho de campo não se

ficou apenas nas entrevistas. Estendeu-se também a uma observação exaustiva não só no local onde decorreram as entrevistas mas também a toda a vivência durante a permanência nos locais visitados, com o objectivo de captar os comportamentos dos agentes objecto de estudo. Mas todo esse esforço de cuidados não afasta a presença de uma certa subjectividade inerente à natureza específica desta investigação.

A escolha de indivíduos objecto de inquérito foi previamente definida em consonância com os objectivos deste trabalho. Assim, em relação a Cabo Verde, escolhemos a ilha de Santiago, por ser a maior das ilhas deste arquipélago e concentrar nela a maior base dos rabidantes cabo-verdianos. Focalizamos nas cidades de Assomada e Praia. Assomada é uma cidade do interior e, por conseguinte, próxima do meio rural enquanto Praia, que é a cidade capital, constitui o maior centro urbano de Cabo Verde com maior número de rabidantes.

Na Assomada, excepto aqueles que vendiam animais vivos e quinquilharias, os quais eram em número muito reduzido e, além disso, eram vendedores ocasionais de bens próprios, todos os restantes comerciantes informais eram do género feminino, daí que o grupo objecto de inquérito fosse exclusivamente mulheres em número de treze. Aqui, as condições de trabalho eram iguais para todos os agentes informais, pois vendiam no chão, não tinham módulos (lojas) nem bancas.

Na Praia, embora o género feminino fosse largamente o grupo social dominante, havia alguns rabidantes masculinos, entre os quais estrangeiros de origem africana da costa fronteira próxima do arquipélago. Seleccionámos nove rabidantes masculinos e dezassete do género feminino. A escolha de duas cidades mais importantes de Santiago foi feita para permitir estabelecer alguma comparação entre cidade e campo e fornecer pistas do ponto de vista heurístico.

Os candongueiros são-tomenses concentram-se na sua quase totalidade na cidade capital de S. Tomé, na ilha com o mesmo nome. Aqui, embora as mulheres apresentam-se em maior número, a presença masculina é incomparavelmente muito superior ao que encontrámos em Santiago. É constituída essencialmente por jovens com idade inferior a 33 anos de idade. Tanto em Santiago como em S. Tomé, procurámos diversificar a amostra de maneira a recolher um maior número de informação para o propósito desta investigação.

O nosso plano inicial de estudo incluía os feirantes tanto de bens de produção doméstica como de artigos importados. Contudo, depois de constatarmos que as características das duas categorias eram muito diferentes, como mais adiante explicaremos, optámos por nos concentrar naqueles feirantes que se dedicam ao comércio de bens de importação. Na verdade,

esta categoria de feirantes constitui o essencial e a parte mais importante dos agentes económicos do sector informal urbano desses países, cujas dinâmicas parecem acelerar mudanças socioculturais locais.

Procurámos escolher os agentes mais jovens e não jovens de forma mais ou menos equilibrada, na medida em que, os mais novos podiam constituir um indicador de crescimento do sector (novas entradas), embora tivéssemos constatado a existência de pessoas não jovens (mais em Cabo Verde e menos em S. Tomé e Príncipe) que iniciaram o negócio informal. Um maior número de jovens foi entrevistado em S. Tomé em ambos os géneros porque o seu peso no conjunto dos candongueiros é enorme. Como nos mercados informais dos dois países em análise existem alguns comerciantes que são grossistas e um número muito grande dos retalhistas, procuramos entrevistar uns e outros para uma melhor compreensão do problema. Constatámos que alguns grossistas dispõem já de uma estrutura e disciplina organizativa que ultrapassam algumas empresas do sector formal.

O número dos agentes entrevistados obedeceu às recomendações de Laurence Bardin (2004: 62) ou de Freixo (2010: 187) que sugerem uma dimensão mínima de amostra de trinta efectivos. A escolha de 39 entrevistas para cada país visou simplesmente estabelecer um critério de repartição igualitária em termos de informação recolhida tendo por base o propósito enunciado de comparação entre os dois países. O tempo utilizado para cada entrevista, como já se referiu anteriormente, foi variável, bem como a forma de abordagem dos inquiridos e dos temas considerados, em adaptação às condições específicas de terreno.

In document Meningsdannelse og diversitet (sider 51-54)