6 Urban Farming and the Potential in Urban Informality
6.3 Informal Arrangements in Temporary Spaces
dia:__ de Maio de 2006 e cujos comentários aos artigos foram extraídos no dia 15 de Setembro do jornal eletrónico LIBERAL, na secção Cultura e Lazer do dia 11 de Setembro 2006. A data destes comentários é do dia 22 de Agosto de 2006.
Segundo Ondina Ferreira, em Cabo Verde tem vindo a insinuar-se, paulatinamente e vergonhosamente82, mas sempre crescendo, uma nova língua, que ela chama de crioulês, por comodidade de expressão; surge então uma forma particular de comunicar e de se fazer entender, utilizada, sobretudo, nos media, pelos técnicos, pelos políticos e pelos professores da terra que, parecendo não querer expressar-se nem em crioulo, nem português (…)
Sorocaba (Parceria RondaMundo-Liberal), 22 Agosto- A cultura de Cabo Verde está a ser acompanhada atentamente no Brasil, onde algumas polémicas são lidas e comentadas. Eis um exemplo que, de Sorocaba, Margarida Castro fez chegar a “Acontece em Sorocaba” A atenção que mereceu um texto de Ondina Ferreira ”
“Em Cabo Verde são duas as línguas oficiais: o crioulo e o português. Mas agora surge, parece, uma “terceira língua”? Leiam as palavras abaixo a transcrição de excerto de fala e escutada, no parlamento cabo-verdiano, por Ondina Ferreira em seu artigo “crioulês – o novo veículo de comunicação dos quadros”, pg 7, in “Expresso das Ilhas 10-Maio-2006 e a opinião da cabo-verdiana Ondina Ferreira: “…nês contexto e mediante as razoes que o
senhor ministro apresenta, é inegável qui nu stá perante um situação de grande complexidade de tal forma, que qualquer solução encontrada pode reverte em desigualdade que tá desacreditá nós sistema democrática…”
Segundo Ondina Ferreira, em Cabo Verde tem vindo a insinuar-se, paulatinamente e vergonhosamente, mas sempre crescendo, uma nova língua, que ela chama de crioulês, por comodidade de expressão; surge então uma forma particular de comunicar e de se fazer entender, utilizada, sobretudo, nos media pelos técnicos, pelos políticos e pelos professores da terra que, parecendo não querer expressar-se e nem em crioulo nem em português, ou fugindo a isto, optem e fazem-no através desta espécie híbrida, de compromisso, para uma fala situada entre o crioulo e o português. Por vezes, diz Ondina Ferreira, ao ouvir nos meios de comunicação os discursos, fica “ na dúvida sobre qual a
82 A autora do texto “crioulês, o novo veículo de comunicação dos quadros?” mandou um esclarecimento- corecçao à redaçao do jornal Liberal (…atenção que há uma diferença semântica das palavras em contexto: vergonhosamente e envergonhadamente. Foi este último que empreguei, no meu texto, o que dá sentido completamente diferente.”
língua veicular, se português, se crioulo.” Dúvida que permanece até ao fim. E aí deduz que se trata de crioulês.
Mais adiante, Ondina pergunta: terá o dito crioulês, nascido sob o signo de uma hesitação onde uma indefinição dos seus talentos, na utilização de uma das suas línguas de uso público em Cabo Verde?
Finalizando, Ondina sugere que um sociolinguista e estudioso destas questões preste atenção a este novo fenómeno de comunicação erudita, a terceira (?) língua, ouvia de comunicação oral, que vai ganhando forma e existência, pública e mediática, em Cabo Verde.
Realmente, a estratégia da importância da (s) língua (s) no desenvolvimento do sentimento de Nação, pátria ou identidade cabo-verdiana ainda tem muito o que avançar. No caso da piada da articulista, adoptando o nome “crioulês”, para “ terceira língua” , o problema ou questionamento que ela põe, é que seus falantes são da camada social detentora de alta literacia, que transmitem mensagens e enunciados cujos conteúdos estão relacionados com temas científicos, técnicos ou políticos.
Um tema complexo, talvez, para maioria de nós, mas que vale acompanhar.
/ Margarida Castro/ E sobre isto, a opinião dos próprios locutores cabo-verdianos é variada :
“Até que enfim, alguém já deu conta deste fenómeno. Devemos sacudir complexos e usar a língua portuguesa, como deve ser ou usar o crioulo, também como deve ser e evitar esta “djagacida” que, afinal só os letrados entendem. Ou será que o crioulês já é um indicador do alta posição social?”
2. “Nha opinion sobre falantes di “creoles” eh o seguinte: Es tem prubulema de identidade di língua y di kultura. Maioria di falantes di “creoles” studa na Portugal y Brasil. Es ka sabi ses “ta identifika ku língua y kultura di ex-colonizadores o ses ta identifika kompletamente ku língua nasional di Kabo Verde, kriolu. Paxenxa pa es!!!” ou
3. (…) A nossa língua caiu no esquecimento e a minha tamanha “burreza” pergunta a quem de direito porque é que quando se discutem problemas do povo todos se entendem excepto o povo que na sua maioria não percebe do que se fala e muito menos do que se está fazendo para melhorarem os seus níveis de vida. Pamodi!
4. “Liberdade e terra”. Terra temos, mas liberdade JAMAIS!Conformados, resposta, continua sendo SIM senhor. O criolo, é belo sem contendas, não está em extinção, que eu saiba. Péricles O.Tavares
Nos últimos dias ao viajar pelas páginas dos jornais cabo-verdianos, notei que em Cabo Verde, os “alguens” estão a ficar um pouco perturbados paranóias) em relação à língua portuguesa – Língua que na altura da independência foi posta à margem. Mas verifica-se que essa mesmas língua vista como algo de valor e que serve para classificar quem é, e
quem não é – um que chegou de Cabo Verde tinha comentado: quem qui cata fala português na Cabo Verde é ca ninguém. Será Verdade?
Não se preocupem com esta particularidade. Que falem e se desenvolvam o português de Cabo Verde. Brazil, Angola, Mozambique, Madeira, São Tomé, todos têm cada um o seu dialecto, é a variante da língua. A língua é a portuguesa e cada um dos falantes apresenta- se com a sua variedade. Verifiquei uns mandabocas (porque não passam disso) aos Editoriais do Dr. Jorge Fonseca, que há “pessoas” que estão rebuscando, como à procura de agulha na areia, erros que não existem, pois caso existem, duvido muito que haja muitos do seu calibre intelectual, em Cabo Verde, que terão essa felicidade de ser o sorteado com tal agulha. Camaradas, para que Cabo Verde desenvolva, (não crescimento, isso sei que existe) nhos djunta moncu apelo de Nho Bispo, nhos po mãos à obra, menos conversa e críticas de xáxá e comecem a produzir ou caso não sabem como, apanhem duma vasoura e comecem na limpeza do nosso governo) e da vossa capital e terra que tanto necessitam. Que me perdoem os meus erros de português (eu falo e escrevo português dialecto di merca) cabo-verdianamente.imigrante. Língua é algo colonial. Não sejam extremistas.)
5)Ainda em reação ao artigo em causa, temos um artigo do colunista do jornal electrónico liberal Adriano Miranda Lima, intitulado O crioulês, o português e o crioulo
“O crioulo não é apenas o instrumento idiomático” que acompanha o ilhéu desde o berço até à tumba”, como bem disse Baltasar Lopes, é também uma das marcas inconfundíveis da sua cultura. Só que a situação de bilinguismo em que o cabo-verdiano vive cria-lhe um conflito psicológico permanente, em que o crioulo é o refúgio natural e imprescindível e a língua portuguesa um vizinho com quem se tem de conviver. Este problema parece irresolúvel, porque a língua cabo-verdiana, qualquer que seja, e mesmo que venha a tornar-se oficial, nunca poderá abdicar-se da estreita convivência com o português, até porque, segundo parece anunciado este continuará como segunda língua oficial. Esta salvaguarda configurará certamente uma das condições estatutárias, ou pelo menos de ordem cultural, para que Cabo Verde possa continuar a ser membro natural dos PALOP, ainda que com alguns traços dissonantes, com todo o seu significado real e simbólico. Mas uma comunidade com cerca de 200 milhões de falantes em português, veiculando a sétima ou oitava língua hoje mais falada no mundo, pode gerar uma acção centrípeta cujo efeito não será certamente despiciendo. Só o futuro o dirá, mas os sociolinguistas têm de estar atentos.
Só agora pude ler um interessante artigo da autoria de Ondina Ferreira, intitulado “crioulês”, publicado no jornal “ Expresso das Ilhas”, de 10 de Maio do corrente. Escreve a autora: “ Tem vindo a insinuar-se, discretamente, paulatinamente, diria, quase envergonhadamente, mas sempre crescendo, uma nova língua – chamemo-la “crioulês”, por comodidade de expressão – uma forma particular de comunicar e de se fazer entender, utilizada, sobretudo, nos “media”, pelos técnicos, pelos políticos e pelos professores da terra, que, parecendo, não querer exprimir-se nem em crioulo, nem em português, ou fugindo a isto, optem e fazem-no através desta espécie, híbrida, de compromisso, para uma fala situada entre o crioulo e o português.”
Contudo, esta revelação não constitui qualquer surpresa para mim, apesar de não estar a viver em Cabo Verde há longos anos. É que, em 2003, estando de visita à minha ilha natal, S. Vicente, acompanhei pela rádio nacional uma mesa redonda em que esteve presente o Director Geral das Alfandegas e um representante do Ministério das Fazendas confirmar se é fazendas ou finanças). Estava em discussão a implementação de um novo regime fiscal e aduaneiro e recordo-me bem de que a língua veicular utilizada pelos intervenientes foi mais ou menos o “crioulês”, conforme a designa a Ondina Ferreira. O debate destinava-se a esclarecer o público e a terminologia técnica predominava na interlocução, como o impunha a natureza específica dos assuntos em presença. Em consequência disso, os vocábulos resultavam na sua quase totalidade em português, só fugindo, de um modo geral, à norma idiomático, as particulares de ligação, os prenomes83 e artigos, normalmente invariáveis em género, e as flexões verbais. Contudo, quem distraidamente estivesse a ouvir o debate e não conhecesse a origem dos intervenientes, seria à partida induzido a identificar uma conversação em língua portuguesa, e só instigando mais a audição notaria as destoantes particularidades do acessório linguístico. Isto porque mesmo que não quisesse, a matéria em discussão, predominantemente técnica, não podia evitar o uso alargado do vocabulário técnico português, porquanto o crioulo, até agora, não lhe encontrou qualquer tradução ou sucedâneo.
Tenho de confessar que acompanhei o debate com atenção porque o Director Geral das Alfândegas foi um estimado colega de liceu e a oportunidade de o ouvir servia para eu matar as saudades daquele que foi um bom companheiro de carteira. Mas houve um momento em que pensei: “que diabo, se o intuito é facilitar a compreensão do cidadão comum menos instruído, consegue-se o mesmo desiderato falando integralmente em português. Porque a dificuldade da percepção radicava, não no acessório formal da linguagem, mas sim naquela terminologia técnica, que em princípio seria inacessível a grande parte dos ouvintes. É claro que tive oportunidade de assistir nos “media” a outras mais intervenções em “crioulês”, mas o referido debate, pela sua duração, funcionou para mim como uma espécie de ensaio revelador de uma nova forma de comunicar, daí que, repito, não me tenha surpreendido o conteúdo do artigo de Ondina Ferreira.
A autora refere que o “crioulês” resulta de um processo iniciado há, sensivelmente, 30 anos, vindo no entanto, à luz, com mais notoriedade e…(ver o artigo na net) por alturas dos anos quentes de 1974 e 1975, quando se tornaram correntes os comícios políticos. Concordo efectivamente que o período da afirmação revolucionária possa ter determinado a eclosão do que já estava em fase larvar algum tempo antes. Mas sou inclinando a situa-lo em data muito mais recuada, visto lembrar-me perfeitamente de que, já no meu tempo do liceu, era comum utilizarmos um recurso linguístico similar ao crioulês para abordar algumas questões escolares. Por exemplo, as seguir às provas escritas de qualquer disciplina, era frequente confrontarmos as respostas e soluções dadas por cada um e, nessas alturas, libertes do formalismo impositivo da sala de aula, o português puro deixava de ser a língua veicular dos nossos pontos de vistas porque o crioulo logo se encarregava de tomar conta de algumas particularidades do discurso, ainda que o vocabulário presente fosse maioritariamente em português, por razoes que são óbvias como as que se aplicam aos exemplos citados por Ondina Ferreira e ao acaso do debate por mim referido. Também lembro de estudar filosofia com um colega e de, a espaços, interrompermos a leitura do Manuel escolar e dado texto para expormos o nosso
próprio pensamento, fazendo-o algumas vezes em linguagem algo idêntica ao “Crioulês”. É por este motivo que sou levado a situar a origem do crioulês em data provavelmente muito anterior à independência, se bem que a necessidade imediata de comunicação pública possa ter ocasionado o momento decisivo para libertá-lo da timidez, emprestando-lhe uma roupagem pseudo-formalizante.
Como interpretar o fenómeno de “crioulês” numa altura em que vem ventilada a oficialização do crioulo e sua ascensão a língua do Estado! Trocar com o ponto exclamação) o “crioulês” pode considerar-se um elemento de real ineresse no laboratório de ensaio onde decorrerão os estudos e as ponderações de ordem linguística que irão propiciar os primeiros contornos da nova língua oficial do Estado de Cabo Verde? (…) Não me parece. Esta nova linguagem, que tanto pode designar-se “crioulês” como “portucriol”, por mais próxima do português que do crioulo, não tem a integridade denética da língua de berço cabo-verdiano e, portanto, pouco relevo deverá assumir na definição da personalidade morfológica, semântica e fonética daquela que, como é pretensão de alguns, poderá vir a ser, ou não, a principal língua oficial do país. Caso contrário, pouco sentido faria banir o português como língua oficial, ou secundarizar-se a sua importância, já que entre ele e o crioulês não existe um diferencial linguístico significativo.
Estará o “crioulês” próximo de alguma linguagem de compromisso que Baltasar Lopes ou Teixeira de Sousa, além de outros, podem ter insinuado em algumas formas de expressão, respectivamente, nos romances de “Chiquinho” e “Ilhéu de Contenda” ? Também não me parece. Por exemplo, o “crioulês” apenas se tem limitado à comunicação verbal, ao passo que nos citados romances ganha forma fala popular, ou seja da raiz crioula, que é algo distinto do “crioulês” e aquilo que é uma manifestação diatópica. Naqueles romances, o que existe é, pois, algum vocabulário e expressão de matriz regional, que surgem apenas em determinados contextos sócio-culturais, não tendo lugar na comunicação erudita. Neles, o diálogo entre os personagens de estratos culturais mais altos é sempre em português padrão e nas circunstâncias apropriadas com doses de conveniente erudição. Mas em caso algum, se nora deriva à norma do português, como no “crioulês”.
A propósito, pergunto a razão por que o cabo-verdiano de entre os PALOP que parece ter, como sempre tece, um certo constrangimento em utilizar de forma natural a língua portuguesa, encarando-a apenas como aquilo que ela é: uma simples língua veicular. E isto acontece mesmo nos casos em que se domina a língua com natural desenvoltura. Tem graça recordar-me agora das cartas que em criança o meu pai me escrevia do estrangeiro e em que não se cansava de advertir: “Adriano, procura falar sempre em português., ,as falar sem receio, sem vergonha e com à vontade.”
É evidente que a recomendação era perfeitamente inútil porque não me via em circunstância alguma a conversar em português com os meus companheiros de escola ou de brincadeira. Mas a resposta à questão atrás aflorada bem sabemos qual é. O crioulo não é apenas o instrumento idiomático.” Que acompanha o ilhéu desde o berço até à tumba, ” como bem disse Baltasar Lopes, é também uma marca das marcas inconfundíveis da sua cultura.
Provavelmente, o “ crioulês” pouco vem acrescentar ao panorama linguístico cabo- verdiano, porque é mais fácil antevermos cenários, ou hipotéticas resoluções administrativas, visualizando o comportamento da língua apenas ma esfera da
comunicação verbal. Por enquanto, é onde apenas medra o crioulo e o “crioulês”. O imbróglio surge quando entramos no terreno da escrita.
(II) : Reacções de falantes nativos do crioulo de Cabo Verde a uma 84entrevista dada por Donaldo Macedo, linguista de origem cabo-verdiano residente nos Estados Unidos da América, a propósito de um debate sobre a oficialização do crioulo e o ensino bilingue onde ele concluiu a entrevista dizendo «A nossa língua é viável como instrumento pedagógico»;
6. “… e pa mi un grandi orgulhu tem un konpatriota ku tantus konkistas na ária di saber num pais stranjeru sim anho dja nhu konsigi.
Riason di pesoas a entrevistas di nho ta mostra kuantidadi di ekivukus y invensons ki sa ta atrazanu na afirmason di nos alma ki e kabu-verdianu, na se rikeza ki ta konstitui sees diferentis variantis.
En vez di bem tenta atraza afirmason di nos lingua pur kauza di proteson di un dadu varianti, pessoas debia tenta influensia desizoris scientifiku y pulitiku na sentidu di apruveita lisons di Esperanto di manera a valoriza, na justa medida, tudu varianti di nos terá.
Prusesu di afirmason di nos língua debi ser un prusesu xeiu di amor y di alegria, um prusesu ki ta uninu y ta intxi tudu kabuverdianu di orgulhu. Nu ka debi bai pa kaminhu ki ta dexa un parti di nos povu maguadu, ta xinti inferiorizadu. Tudu opson debi ser ser justu y splikadu pa tudu alguen ntendi...
(…)
Mestre em economia y Inspetor Principal das Finanças em Cabo Verde.
7. Esta conversa mais parece uma conversa de café do que uma entrevista com um discurso científico de alguém que tem um PHD. Desculpe-me doutor, mas o seu discurso peca com as suas inúmeras contradições. Vejamos: o senhor diz que os cabo-verdianos nascidos no estrangeiro não falam crioulo. Mas ao mesmo tempo diz que os seus pais não falam a língua do país onde estão. Logo, come que os pais e os filhos se entendem? A mãe que não fala, por exemplo o inglês nos states, tem de falar crioulo com o seu filho ou não? Logo, o filho mesmo que se recuse a falar a crioulo percebe o que a mãe lhe diz. Temos a impressão que o doutor não tem conhecimentos na área de neuro-linguistica ou de psicolinguistica. Nem tão pouco sabe como funciona o cérebro de alguém que é bilingue naturalmente e que fala várias línguas.
Quanto à sua anedota desse intelectual cabo-verdiano que num colóquio insistiu em falar português porque se sentia mais à vontade em exprimir nessa linha ideias e conceitos, enquanto o senhor replicou em inglês só para o contrariar, tal não passa disso mesmo: anedota.
Anedota pois, são duas coisas diferentes já que o nosso intelectual aprendeu em português e não em inglês, enquanto o senhor aprendeu primeiro em português e depois e inglês.
(…)
Quanto à Lura, o seu exemplo não serve igualmente já que a Lura nasceu em Portugal e sempre se recusou a falar crioulo por complexo de inferioridade, como acontece com a maioria dos miúdos nascidos em Portugal. Só que a maioria insiste em falar portugues, mas fala mal e é por isso que a maioria tem fracassos escolares. Mas toda a gente sabe que a Lura falava portugues, mas no recreio tinha que brincar com os seus colegas que falam em crioulo.
O paradoxo dos putos e Lisboa é que falam mal português, mas insistem em falar português com os pais que lhes respondem em crioulo porque não sabem portugues. (…) conclusão: Lura sempre soube falar crioulo no seu subconsciente ou no seu inconsciente, somente se recusava a falar por uma série de razoes que tem explicações psicológicas, mas que não queremos abordar aqui.
Quanto a isso de aprendermos crioulo é um disparate. Não precisamos de aprender aquilo que já sabemos desde o berço mas sim de aprender uma língua com uma arquitectura do saber e da cultura. Cabo Verde fica a ganhar mais se a malta aprender inglês ou francês, línguas de comunicação. Crioulo é uma língua muito restrita para um pequeno povo, sem expressão nenhuma no mundo. Tanto mais que não há livros escritos em crioulo. O senhor devia começar por reduzir Shakespeare e Milton. Cabo Verde ficaria a ganhar mais. Vamos traduzir por exemplo primeiramente os clássicos universais e depois já conversaremos.
Sr. Ministro de Cultura, desculpa-me, mas isto que o senhor disse é uma comparação “besta”. Em Cabo Verde as pessoas que não falam português é porque não quiseram ir para escola ou talvez não quiseram ir para a escola ou talvez porque os pais não importavam em por os seus filhos na escola, ou talvez porque fomos infelizes em, ser