2 TEORI
2.1 M OTIVASJON
2.1.3 Indre motivasjon
Como pôde ser observado, foram diferentes as explicações das causas que levam os indivíduos a estados de saúde e de doença. A variação na crença, inicialmente, e no conhecimento, com o passar do tempo, levou a medidas diferentes de proteção à saúde e combate à doença, proporcionando o surgimento de modelos explicativos tanto para as causas quanto para as intervenções.
2.5.1 A Unicausalidade
A teoria miasmática ficou ultrapassada com o impacto da revolução pausteriana, que trouxe uma nova compreensão sobre a saúde e a doença. Iniciou-se a era bacteriológica e, com ela, uma grande transformação científica no campo da saúde. O agente causador da doença passou a ser visível e, com isso, a doença ganhou um caráter objetivo. O pensamento médico referenciou-se na fisiologia, na anatomina, na imunologia e na farmacologia de forma mais consistente.
De acordo com Czeresnia (1997), firmou-se no pensamento médico a hegemonia do orgânico. A racionalidade científica na medicina estruturou a explicação dos fenômenos com base no estudo de mudanças morfológicas, orgânicas e estruturais. Criou-se o modelo unicausal para explicar a doença, baseado na existência de um agente causador da enfermidade, dotado de especificidades.
Numa perspectiva positivista de ciência, o modelo unicausal traz um lugar privilegiado de cientificidade. Com a microbiologia, a doença tem relação direta com os aspectos biológicos. Já os fatores externos, como os sociais, econômicos ou políticos, são excluídos do processo explicativo. O tipo de intervenção proposto por esse modelo tem como foco a cura.
O modelo da unicausalidade não foi suficiente para explicar todos os agravos à saúde do homem e foi complementado com conhecimentos da epidemiologia, os quais evidenciavam a multicausalidade na determinação da doença e não apenas a presença exclusiva de um agente etiológico.
2.5.2 Multicausalidade ou História Natural da Doença
O Modelo da História Natural da Doença, proposto por Leavell e Clark (1976), é reconhecido por considerar a interação entre três elementos: o ambiente, o agente e o hospedeiro. A doença seria resultante de um desequilíbrio da auto-regulação entre eles, interligados conforme figura abaixo.
Figura 3 – Modelo multicausal: a tríade ecológica Ambiente Agente Hospedeiro Idade,sexo, raça, costumes, etc Biológico, Químico, Físico Clima, Água, Solo, Presença de insetos, etc
Fonte: LEAVELL e CLARK (adaptado), 1976
Trata-se da descrição da progressão ininterrupta de uma doença num indivíduo desde o momento da exposição ao estímulo patológico no meio ambiente, passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um problema crônico, à invalidez, recuperação ou morte. São marcados dois períodos na história natural da doença: o da pré-patogênese e o da patogênese propriamente dita.
O primeiro período da história natural, o da pré-patogênese, é a evolução das inter- relações dinâmicas, que envolvem, de um lado, os condicionantes sociais e ambientais e, do outro, os fatores próprios do suscetível, até que se chegue a uma configuração favorável à instalação da doença. Diz respeito às inter-relações entre os agentes etiológicos da doença, o indivíduo e outros fatores ambientais que estimulam o desenvolvimento da enfermidade e as condições sócio-econômico-culturais que permitem a existência desses fatores.
A patogênese inicia-se com as primeiras ações que os agentes patogênicos exercem sobre o ser afetado. Seguem-se as alterações bioquímicas em nível celular, continuam com as alterações na forma e na função, evoluindo para problemas permanentes, cronicidade, morte ou cura.
Na criação do modelo, os autores Leavell e Clark (1976) trouxeram níveis de aplicação de medidas preventivas. O período pré-patogênico possibilita ações de prevenção primária, com as quais se atua sobre o meio ambiente ou protege-se o indivíduo contra
agentes patológicos. O período patogênico possibilita ações de prevenção secundária ou terciária, pois a doença já apresentou manifestação. As ações devem ser voltadas para o diagnóstico precoce e a limitação da invalidez, no nível secundário, ou para a recuperação e reabilitação do indivíduo, no nível terciário.
Esse modelo representou um significativo avanço no tocante à proposição de intervenção sobre o processo saúde-doença. Houve o reconhecimento dos aspectos sociais e ambientais envolvidos, mas o aspecto biológico ainda foi o grande guia dessa proposta.
2.5.3 A saúde e a doença numa perspectiva social
O paradigma que conceitua a doença como um fenômeno biológico individual teve questionamentos intensificados no final dos anos sessenta, com discussões acerca da manutenção da ênfase no caráter biológico e críticas ao modelo da história natural da doença. Foram propostas novas formas de compreensão da doença que consideram a produção social e econômica da sociedade.
O desenvolvimento da medicina e da própria sociedade com a qual se articula foram as razões para o ressurgimento da polêmica entre o caráter biológico e social da doença. O contexto da sociedade à época era de crise política, econômica e social, o qual inspirou o fortalecimento de lutas sociais que colocaram sob suspeita o modo dominante de resolver a satisfação das necessidades das massas trabalhadoras e, consequentemente, influenciou a criação de uma base social para as novas correntes.
Buscou-se a construção de modelos que superassem a concepção biologicista e o modelo de causa e efeito, fossem uni ou multicausais. Na explicação da saúde e da doença, aumentaram os aspectos considerados, como os modos de produção, a organização social e o estilo de vida, que carregam consigo aspectos pessoais, sociais e culturais. Esses elementos foram integrados numa perspectiva histórica e de grupos, pois as condições coletivas de saúde nas sociedades mostram o caráter social da doença.
Diferente do modelo multicausal, que não apontava para nova prática médica, o modelo da produção social da saúde implica uma profunda revisão do objeto, dos sujeitos, dos meios de trabalho, das formas de organização das práticas, visando não apenas deter o avanço das doenças, mas sim, à promoção da saúde (PALMEIRA et al., 2004; TEIXEIRA, PAIM e VILLASBÔAS, 2002). Na atualidade, muitas abordagens sistêmicas tratam do processo saúde-doença, considerando dimensões sociais. Dentre elas, o modelo social estruturalista, o
modelo do campo da saúde, o enfoque ecossistêmico de saúde e o modelo de determinação social da saúde, o qual será destacado neste trabalho.
A seguir, trataremos do paradigma de promoção da saúde, por considerá-lo resultante das críticas ao modelo biomédico e alternativo no que toca à revalorização das dimensões amplas do processo saúde-doença, ultrapassando a dimensão de cura da doença depois de instalada nos organismos.