2.2 Search techniques
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A insuficiência de convergência tem vindo a ser associada a uma redução da performance académica e da leitura em vários estudos (Rouse et al., 2009; Shin; Park; Park, 2009; Dusek; Pierscionek; Mcclelland, 2011; Borsting et al., 2012).
Estudos recentes em crianças com insuficiência de convergência reportam comportamentos escolares de perda de concentração na leitura e leitura lenta
(Rouse et al., 2009). Devido a esses comportamentos serem semelhantes aos observados no Défice de Atenção e Hiperatividade (ADHD), um grupo de investigadores estudou os comportamentos reportados pelos pais de crianças com insuficiência de convergência sem ADHD reportado, de modo a tentarem perceber se existem alterações na performance académica. Os resultados deste estudo indiciam que as crianças com insuficiência de convergência com ADHD reportado pelos pais apresentam mais comportamentos de evitamento da leitura do que as crianças com insuficiência de convergência sem ADHD reportado (Rouse et al., 2009). Por sua vez, as crianças com insuficiência de convergência sem ADHD reportado também apresentam scores superiores de evitamento da leitura quando comparadas com as crianças com visão binocular normal (Quadro 11). No entanto, é necessário ter alguma reserva quando se analisam os dados deste estudo, na medida em que as crianças com visão binocular normal foram incluídas mesmo quando a sua estereopsia era de 500”, assim como a amplitude fusão em convergência para perto foi considerada normal a partir de 10Δ.
Dificuldades de leitura sem aparente ligação a problemas intelectuais ou psicológicos podem estar relacionados com anomalias da visão binocular, como a insuficiência de convergência (Dusek; Pierscionek; Mcclelland, 2011).
Quadro 11 – Estudos que indiciam uma relação entre desempenho académico e na leitura em crianças e insuficiência de convergência, amplitudes de fusão, ponto próximo de convergência e
acomodação
Autores N e caraterísticas Idade Métodos Resultados
Rouse et al. (2009)
212 Pais de crianças com IC: 34 com ADHD; 49 com VBN (3 com ADHD). IC: 11.8 VBN: 12.5 Questionário para avaliação de comportamentos de leitura na escola. Quanto mais elevado o score mais dificuldades na leitura existem.
Score > no grupo com IC e ADHD que no grupo com IC sem ADHD e o grupo com VBN. Grupo com IC sem ADHD apresentou um score > ao grupo com VBN. As crianças com VBN apresentaram uma tendência significativa para erros de refração miópicos quando comparadas com as crianças com IC sem ADHD. A
hipermetropia estava associada a maiores scores. Dusek; Pierscionek; Mcclelland (2011) 134 com DL e IC 7-14 Avaliação visual, da velocidade de leitura e número de erros.
Ambos os tratamentos (51 usaram lentes com prismas de 8Δ base interna e 51 efetuaram terapia computorizada em casa) melhoram os parâmetros visuais e de leitura.
Shin; Park;
Park, (2009) 114 9-13
Avaliação da função visual e da performance académica.
82% das crianças apresentava alterações acomodativas (35,4%) e das vergências (34,1%), sem diferenças entre géneros, e baixo score académico. Borsting et al., (2012) 218 Crianças com IC 9-17 Questionário para avaliação de comportamentos escolares.
O score diminuiu (melhorou) após tratamento da IC (p <0,001).
Morad et al.,
(2002) 66 Crianças 8-10
Avaliação da convergência.
A amplitude convergência correlaciona-se com as aptidões de leitura. Grisham; Powers; Riles (2007) 461 com DL 14-19 Acuidade visual, ppc, vergências, amplitude de acomodação e movimentos oculares.
80% dos estudantes apresentam alterações das funções binoculares (masculino=feminino), maioritariamente das amplitudes de fusão. Palomo-
Álvarez; Puell (2010)
87 com DL
32 Controlos 8-13
Cover teste, vergências, AC/A, ppc, estereopsia, velocidade de leitura.
Divergência para longe 2Δ inferior nas crianças com dificuldades de leitura. Não existem diferenças para o ppc, heteroforias, AC/A e estereopsia. Dusek; Pierscionek; Mcclelland (2010) 825 com DL 328 Controlos 6-14
Erro refrativo, AV, acomodação, vergências, ppc e leitura.
<AV para longe, <amplitude acomodação e vergências e >ppc e exoforia para perto.
Kulp; Schmidt (1996) 90 Crianças - pré- escolar* 91 Crianças do 1º ano** Média*=5,73 Média**=6,76 Acomodação, estereopsia e performance na leitura.
A aptidão acomodativa e a estereopsia (>100”) correlaciona-se com a performance na leitura.
Palomo- Álvarez; Puell (2008) 87 com DL 32 Controlos 8-13 Amplitude de acomodação e leitura.
A amplitude de acomodação é inferior nas crianças com dificuldades de leitura.
Legenda: AC/A=Relação acomodação/convergência; ADHD=Défice de Atenção e Hiperatividade; AV=Acuidade visual; DL=Dificuldades de leitura; IC= Insuficiência de convergência; ppc=Ponto próximo de convergência; VBN = Visão binocular normal;
Foram detetadas melhorias nos parâmetros visuais e de leitura após aplicação de dois tratamentos para a insuficiência de convergência, sistema computorizado para tratamento ortótico HTS (n=51) e correção ótica com adição de prismas de 8Δ base interna (n=51) em crianças com dificuldades de leitura e escrita não atribuíveis a uma dificuldade de aprendizagem.
Shin, Park e Park (2009) detetaram que crianças (9-13 anos) com insuficiência de convergência (82%) apresentavam pior performance na leitura, mas não demonstraram diferenças significativas em relação aos controlos em três áreas académicas (matemática, ciências e ciências sociais). Enquanto Borsting et al., (2012) detetaram melhorias dos comportamentos escolares reportados em crianças que receberam tratamento para a insuficiência de convergência.
A alteração das amplitudes fusionais também tem vindo a ser associada a uma redução da performance académica e da leitura (Morad et al., 2002; Grisham; Powers; Riles, 2007; Shin; Park; Park, 2009; Palomo-Álvarez; Puell, 2010; Quaid; Simpson, 2013).
Morad et al. (2002) observaram 66 crianças com 8 a 10 anos de idade e verificaram que a amplitude convergência (com a acomodação controlada) se correlacionava com as aptidões de leitura (velocidade a precisão) (Quadro 11).
Grisham, Powers, e Riles (2007) testaram a visão binocular de 461 estudantes com dificuldades de leitura (idade média de 15,4 anos) e detetaram que 80% dos participantes apresentavam pelo menos um dos parâmetros da visão binocular alterados: amplitudes de fusão, acomodação e ponto próximo de convergência (≥9cm). A maioria dos estudantes apresentava alterações das amplitudes de fusão (38% apresentava um ponto de rutura em convergência inferior a 18Δ). Uma acuidade visual diminuída foi detetada em 17% dos estudantes.
De acordo com Palomo-Álvarez e Puell (2010), existe evidência de que os leitores em dificuldades (tradução de poor readers) apresentam uma função binocular alterada. No entanto, a descrição exaustiva do comportamento de
cada função nessas crianças ainda não existe. Na tentativa de caracterizar pormenorizadamente a função binocular em leitores sem dislexia mas com dificuldades de leitura, os autores desenvolveram um estudo transversal com 87 crianças com dificuldades de leitura e 32 crianças no grupo de controlo, recrutadas de 11 escolas em Espanha. Os resultados do seu estudo demonstraram que existiam diferenças significativas nas amplitudes de fusão entre os dois grupos na divergência para longe, que era 2Δ inferior ao grupo de controlo. No entanto, embora esta diferença seja estatisticamente significativa, não parece à partida ser uma diferença clinicamente relevante (Quadro 11).
Num estudo recente desenvolvido em Ontário (Canada), Quaid e Simpson (2013) compararam 50 crianças ao abrigo do plano educativo individual (PEI: abrange crianças com dificuldades na leitura) com 50 controlos de idades compreendidas entre os 6 e os 16 anos. Os autores concluíram que existem associações significativas entre a velocidade de leitura, o erro de refração e as vergências. Por essa razão, recomendam que todas as crianças que sejam propostas para o PEI recebam uma avaliação oftalmológica e da visão binocular atempada.
Um aumento do ponto próximo de convergência tem vindo a ser associado a uma redução da performance académica e da leitura em alguns estudos (Grisham; Powers; Riles, 2007; Dusek; Pierscionek; Mcclelland, 2010). No entanto, os resultados dos estudos publicados são conflituantes, pois também existem estudos em que não foi detetada uma relação entre o ponto próximo de convergência e a leitura (Morad et al., 2002; Palomo-Alvarez; Puell, 2010).
Porém, embora as alterações da convergência possam interferir com a concentração da criança na leitura prolongada, não interferem com a descodificação/compreensão da mensagem (Morad et al., 2002; Handler et al., 2011).
Uma reduzida amplitude de acomodação tem sido frequentemente associada a crianças com dificuldades na leitura (Kulp; Schmidt, 1996; Grisham; Powers; Riles, 2007; Palomo-Álvarez; Puell, 2008; Dusek; Pierscionek; Mcclelland, 2010).
Kulp e Schmidt (1996) verificaram num estudo desenvolvido com crianças do pré-escolar e do 1º ano de escolaridade que a aptidão acomodativa e a estereopsia (>100”) correlacionam-se com a performance na leitura. Na mesma linha de investigação, Palomo-Álvarez e Puell (2008) estudaram a amplitude de acomodação em crianças com dificuldades de leitura e descobriram que estas apresentavam uma amplitude de acomodação inferior aos controlos (Quadro 11).