• No results found

Increasing the accuracy by considering the minimum delay . 27

3.6 Tiny-Sync and Mini-Sync algorithms

3.6.2 Increasing the accuracy by considering the minimum delay . 27

Gestada nos primeiros fóruns de educação ambiental, no início da década de 90, a REBEA foi formada principalmente por professores universitários e ONGs ambientais reunidas pela militância nos fóruns paulistas de EA. Essa dupla formação, acadêmica e social, é característica da modernidade reflexiva na medida em que “a modernidade é constituída por e através de conhecimento reflexivamente aplicado” (GIDDENS, 1991:46). A origem universitária da REBEA é simultânea ao aparecimento e difusão da comunicação global mediada por computadores, que ocorreu em larga escala entre pós-graduandos e corpo docente de universidades no início dos anos 90 e o acesso à rede mundial de

computadores possibilitou, em grande medida, a organização de uma rede de educadores ambientais brasileiros.

Se fôssemos datar o processo de constituição da Rede Brasileira de Educação Ambiental – REBEA, poderíamos retroceder aos fóruns de educação ambiental promovidos em São Paulo nos anos 90, pelo Grupo Interinstitucional de Educação Ambiental (formado pela Universidade de São Paulo, 5 Elementos, Instituto Ecoar para a Cidadania, Central Única dos Trabalhadores, Clube Alpino Paulista, Colégio Santa Helena, Cetesb, Cesp, Cepam, Fundação Santo André, Grupo de Estudos da Serra do Mar, Prefeitura Municipal de Garulhos, Prefeitura Municipal de São Paulo e Rede Paulista de Educação Ambiental) e ao contexto da ECO-92.

Seguindo a pista dos fóruns paulistas, situamos no II Fórum de Educação Ambiental, em março de 1992, no clima que antecedia a ECO-92, o lançamento da idéia de uma rede brasileira de educação ambiental.

Era também o momento de uma intensa articulação mundial de educadores ambientais pela elaboração da Carta de Educação Ambiental. A Carta, um documento coletivo elaborado em rede sob a coordenação da educadora Moema Viezzer, foi apresentado no Fórum de ONGs, evento paralelo à conferência oficial como um tratado, e foi entregue às autoridades governamentais presentes na Rio-92, juntamente com os outros documentos produzidos pela sociedade civil.

Aos poucos, uma estrutura de funcionamento e gestão foi gerada, com a formação de uma instância de coordenação, a Facilitação Nacional, que procurava ser representativa das regiões geográficas brasileiras e que tinha como apoios regionais, os elos locais. Neste período a estrutura da rede tinha um desenho referenciado nas regiões geográficas do país, o que era muito mais um desejo de abrangência nacional que uma realidade de interiorização.

A idéia de trabalho em rede era muito nova e vaga, um campo de atuação em fase bastante inicial de constituição.

A rede funcionava apoiada pelas instituições-membro. Fazem parte desta fase inicial da REBEA, entre outros, Cristina Guarnieri (Cecae-USP), Marcos Sorrentino (Instituto Ecoar/ Cecae-USP), Gabriela Priolli (Instituto Ecoar- SP), Haydée de Oliveira – (Rede de Educação Ambiental de São Carlos), Luis Afonso Vaz de Figueiredo (Fundação Santo André-SP) Martha Tristão (UFES-ES), Lilite Cunha (Gambá-BA) Claudia Macedo (Roda-Viva- RJ) (AMARAL, 2004b: 134).

Inicialmente a REBEA se propôs a ser uma rede de articulação nacional de educadores ambientais, mas foi sendo aos poucos substituídas pelas redes locais. Em 2000, na Reunião Culturas de Redes e EA, surgiu a proposta de que ela fosse também uma rede de redes de educação ambiental, assumindo a função de tecer uma malha nacional que conectasse as redes estaduais e locais (AMARAL, 2007).

Composição da rede em 2000:

a. Facilitação Nacional: Roda-Viva - RJ; Bioconexão – MT; Ecoar – SP; SubPrefeitura de Paranapiacaba; Instituto Mangue Verde /Movida – AL; UFES – Universidade Federal do Espírito Santo; Apremavi-SC – Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí; Cecae /USP – SP; Semasa – Serviço de Saneamento Ambiental de Santo André;

b. Elos locais e regionais: Instituto Ecoar– SP; REA / PB – Rede Educação Ambiental da Paraíba; Remtea – Rede Mato-grossense de Educação Ambiental; RMEA – Rede

Mineira de Educação Ambiental; Reabri/SC – Rede de Educação Ambiental da Bacia do Rio Itajaí; Repea – Rede Paulista de Educação Ambiental; Rede EA de S. Carlos; Gamba/BA – Grupo Ambientalista da Bahia; Universidade Regional de Erechim – RS; WWF – Fundo Mundial para a Natureza; Univali – Universidade do Vale do Itajaí; Universidade Federal da Paraíba; Ecomarapendi – RJ; Faor – PA.

Apresentamos a primeira proposta de mudança no desenho da rede, alterando o desenho de elos, por região geográfica, com a incorporação de muitas das redes de educação ambiental existentes e cujos coordenadores ou articuladores haviam sido convidados para a reunião, como elos da REBEA, que passava a ser uma rede de redes.

A mudança no desenho correspondeu uma mudança na forma de atuação:

a REBEA passava a ser uma facilitadora da criação e desenvolvimento de novas redes, promovendo sua articulação nacional e tendo como eixo

maior de sua atuação a coordenação da ação macro de articulação de todas as redes, como um processo de comunicação, com a difusão de informações estratégicas para a EA e para o trabalho em rede.

A rede assumia, sem medo, seu caráter virtual, já que ação presencial, no sentido de execução de ações localizadas, seria o campo de atuação das redes locais (estaduais ou temáticas) (AMARAL, 2004b:137,

grifo meu).

Na ocasião, percebeu-se que a criação e atuação de novas redes de educadores ambientais criavam um novo cenário para a atuação da Rede Brasileira. O objetivo do encontro proposto era refletir sobre os problemas da REBEA, sua relação com as outras redes, discutir sobre o V Fórum e II Encontro da Rede Brasileira, e sobre a implantação da Política Nacional de Educação Ambiental. Nessa reunião foram identificadas como principais demandas: estruturação da secretaria executiva; fortalecer os elos regionais; implantar e manter projeto de comunicação que contemple ações on-line, impressas e presenciais; difusão da cultura de redes; capacitação para facilitadores (REBEA, 2004b).

Os problemas comuns às redes também foram assinalados: a formalização; a manutenção de fluxo regular de informação de qualidade; a gestão horizontal; a realização de parcerias e ações conjuntas, a necessidade de trabalho profissionalizado. Outra constatação importante da reunião foi a necessidade de capacitação para o trabalho de facilitação, envolvendo não só aspectos relacionados à mobilização e difusão de informações, mas incluindo o domínio de ferramentas eletrônicas para a comunicação (idem:p.4).

Pela natureza imaterial de seus resultados: articulação, difusão de cultura organizacional, difusão de valores, construção de cidadania e pela sua composição de abrangência nacional, a REBEA tem na comunicação eletrônica sua ferramenta preferencial de trabalho, o que explica as tentativas recorrentes de criação e manutenção de site, listas, fórum eletrônico.

Neste campo, a maior dificuldade tem sido a falta de recursos financeiros para manter um fluxo regular e qualificado de informações que efetivamente interessem e apóiem o educador ambiental (REBEA, 2004b:4).

A REBEA adotou como carta de princípios o "Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global10" e como padrão organizacional uma estrutura horizontal em rede, formato que apresenta possibilidades inovadoras no campo relacional, político e operacional e tem surgido como uma alternativa da sociedade organizada para enfrentar situações complexas, onde ações isoladas não apresentam resultados (REBEA, 2004b:4). Inicialmente são objetivos da REBEA:

• Difundir e implantar o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.

• Difundir e experienciar a cultura organizacional de rede.

• Propiciar a difusão de informações relacionadas aos temas presentes no exercício da Educação Ambiental.

• Potencializar estratégias de atuação conjunta que apontem para uma maior definição do campo de atuação da EA.

• Contribuir para o fortalecimento da atuação dos educadores e educadoras ambientais no país, através do incentivo e apoio à comunicação e à troca de informações.

• Mapear iniciativas de EA, identificando métodos e técnicas bem sucedidas.

• Identificar os principais setores (por área temática e/ou geográfica) fomentando o surgimento de redes temáticas/geográficas que funcionariam articuladas a REBEA, dando corpo a ela.

• Contribuir para uma maior visibilidade e socialização de projetos e experiências da área de Educação Ambiental.

• Promover os Fóruns de Educação Ambiental em nível nacional, descentralizando ações e propiciando o exercício presencial da Rede.

• Avaliar e propor políticas públicas relacionadas à Educação Ambiental.

Apoiar a implantação da Política Nacional de Educação

Ambiental (REBEA, 2004a:2, grifo meu).

Para dar respostas a questões consideradas estratégicas para o desenvolvimento e o cumprimento dos objetivos da REBEA foram criadas instâncias descentralizadas, os Grupos de Trabalhos. São eles:

• GT Cultura Digital;

• GT Educação Ambiental & Empresas;

• GT Agenda 21;

• GT Avaliação em processos e projetos de EA;

• GT Desdobramentos da CNIJMA;

• GT Formação de educadores e educadoras ambientais;

• GT Sustentabilidade REBEA;

• GT Informação e Comunicação Ambiental;

• GT Observatório da Política Pública de EA;

• GT Formação de facilitadores e difusão da cultura de redes;

• GT Programas Universitários de Educação Ambiental;

• GT Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global; • GT Centros de EA; • GT Acordo de Convivência; • GT V Fórum; • GT Captação de recursos; 10 O texto integral do Tratado está disponível no ANEXO I.

• GT Sistema Brasileiro de Informação sobre Educação Ambiental – SIBEA (cf. REBEA, 2004a:11).

Os primeiros foram criados na reunião da Facilitação Nacional, em outubro de 2003. Alguns grupos são temporários, encerrando suas atividades após o cumprimento dos objetivos e outros são permanentes. Na dinâmica da Rede surgem novos grupos a partir do interesse dos educadores como é o caso da ativação do GT sobre Avaliação a partir de iniciativas na lista aberta da REBEA, em 2005. Alguns GTs possuem seus documentos disponíveis no site da Rede Brasileira, mas atualmente todos estão inativos. De acordo com os gráficos temáticos11, os GTs foram tópicos de discussão na lista de Facilitação até 2006.

EI01

Os GTs foram uma tentativa frustrada de descentralização e de estímulo a novos focos de iniciativa. Poucos funcionaram e se reuniram além da oportunidade presencial do Fórum Brasileiro de EA. (...)

A avaliação de porque os GTs não funcionaram é em parte devido a cultura de uso do trabalho virtual que é baixa na REBEA, a não ser em lista de discussão. As pessoas têm muita resistência de sair da lista de discussão e irem para um AVA – ambiente virtual de aprendizagem -, que oferece mais ferramentas para a produção coletiva. (...)

Outra coisa que influiu é que o espírito de rede, da produção coletiva ainda é baixo e a cultura de subordinação ainda é forte, as pessoas ficam numa zona de conforto e esperam que alguém tome a iniciativa então a descentralização e a horizontalidade não tem oportunidade de acontecer. E também é muito forte o fato de não haver recursos financeiros para realizar reuniões presenciais dos GTS.