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Implikasjoner for ledelse og fremtidig forskning

7. Konklusjon

7.4. Implikasjoner for ledelse og fremtidig forskning

A Educação Popular define-se através da sua prática, ou seja, a própria teoria cresce a partir da prática (Hurtado, 1993), podendo-se declarar a consciencialização crítica e solidária do formando como objeto primário.

A temática do conteúdo da educação popular baseia-se no quotidiano, na vida familiar, social ou comunitária dos educandos; logo, os formandos devem estar inseridos na prática e na realidade do estudo. Esta temática está relacionada com a funcionalidade da aprendizagem, e Freire (1965) demonstrou que a aprendizagem é tanto mais efetiva quanto maior for a proximidade com o objeto de estudo. Assim, a Educação Popular tem uma estreita ligação com conteúdos políticos relacionados com a cidadania e com movimentos populares.

Os programas pedagógicos ou didáticos da Educação Popular são geralmente mais dinâmicos, sendo um processo contínuo e sistemático que funciona em três fases: implica, primeiramente, uma reflexão sobre o objeto de estudo, para permitir ao sujeito ver assertivamente a sua realidade; de seguida implica uma ação intencional sobre o objeto, individual ou coletiva; e, por fim, uma reflexão sobre a ação efetuada sobre o objeto (Freire, 1965).

26 O educador, ao estabelecer uma relação dialógica com o educando, tem o papel de orientador e consciencializador, devendo possuir boas capacidades críticas e solidárias para manter a autenticidade (Freire, 1965). Cabanas (1995) reforça o valor do educador ao indicá-lo como exemplum: ao valorizar a sua capacidade argumentativa na moderação de debates éticos e morais, ao estimular uma relação empática entre o próprio e o educando, e ao motivar os educandos para a transformação da realidade.

Contudo, não se pode fazer uma caracterização completa da Educação Popular sem se definirem os conceitos, que consequentemente se interligam, de educação formal, não- formal e informal. Este tipo de educação provou conter em si todas estas modalidades.

Canário (2006) baseia-se nos estudos de vários investigadores, para afirmar que a maior parte do conhecimento adquirido pelo Homem não é transmitido pela escola.

O autor distingue processos educativos formais, não-formais e informais. Os processos educativos formais são considerados os processos tradicionais, como o ensino dispensado na escola. Os não-formais verificam-se quando existe uma flexibilidade em relação a horários, programas ou locais, os programas educativos têm um caráter voluntário, podem carecer de certificação, e são específicos para uma determinada situação ou público em particular. Os informais caraterizam-se por ocorrerem em quaisquer situações educativas cuja estrutura ou organização é praticamente inexistente. Canário (2006) também chama a atenção para o reconhecimento do ensino não-formal e informal, valorizando a aprendizagem através da experiência, e reforçando essa ideia ao afirmar que “não é sensato pretender ensinar às pessoas aquilo que elas já sabem” (p.161). Enquanto a educação formal é estruturada e tem por base as finalidades a atingir, ou seja, tem um princípio de intencionalidade, Canário (2006) dá enfoque aos efeitos, ou consequências, de ações que não tinham finalidades educativas prévias; efeitos esses que se obtêm através de meios de informação e comunicação, e de espaços comunitários ou laborais.

Perspetivamos a Educação Popular como um meio para o progresso porque esta oferece opções que permitem ao educador trabalhar com um espetro de participantes vasto e heterogéneo; pois, para além de se poder tornar num complemento válido à educação formal, adequa-se, também, a grupos marginalizados.

Portanto, por valorizarmos as suas características, consideramos que a Educação Popular se veicula como uma alternativa sustentável para a Educação de Adultos e para a ALV.

27 De seguida iremos abordar ligeiramente os conceitos de Educação Global e de Folkbildning, que, relacionados com a Educação Popular, influenciaram as práticas interventivas desta investigação referidas posteriormente.

3.1. Educação Global

A Educação Global é, igualmente, um paradigma e uma prática educativa que importa referir e clarificar, por se interligar, implicitamente, à Educação Popular, mesmo sendo um conceito independente. Cabezudo et al. (2010) definem a Educação Global como uma prática social que tem como base uma perspetiva educativa hoje necessária devido à vivência e interação desta sociedade globalizada, visando a oferta de oportunidades e competências de reflexão e partilha aos alunos, para que estes descubram, por si, novos modos de agir e pensar. Para tal, são incentivadas a inovação curricular, com maior flexibilidade e liberdade; as oportunidades para debates; a exploração de novos conteúdos, de novos métodos ativos e de novos recursos (Cabezudo et al., 2010)5.

A Educação Global tem como finalidades: estimular o conhecimento mútuo e a consciencialização coletiva e promover a participação coletiva e dinâmica, tendo como objetivos:

(...) educar os cidadãos sobre a justiça social e o desenvolvimento sustentável; (...) abrir uma dimensão global e uma perspetiva holística na educação para ajudar as pessoas a compreenderem as realidades e processos complexos do mundo de hoje; (...) desenvolver comunidades de aprendizagem em que os aprendentes e os educadores são encorajados a trabalhar de forma cooperativa sobre as questões globais; (...) motivar aprendentes e educadores para a abordagem das questões globais através de um ensino e pedagogia inovadores; (...) desafiar os programas e práticas da educação formal e não-formal, introduzindo os próprios conteúdos e metodologia; (...) aceitar a alteridade e interdependência (Cabezudo et al., 2010, p. 18).

5 Importa referir que a Educação Global resvala para o campo da aprendizagem transformativa (Cabezudo et al., 2010), a que oportunamente nos referiremos no presente relatório.

28 3.2. Folkbildning

Também consideramos importante referir o Folkbildning porque influenciou primordialmente a nossa pesquisa, incutindo-nos o interesse para as áreas da educação não-formal e informal.

O Conselho Nacional de Educação de Adultos Sueco (2011) esclarece, em linhas gerais, o que é a prática educativa Folkbildning6

: consiste numa participação voluntária; os participantes têm a oportunidade de escolher conteúdos de atividades, canalizando assim os seus próprios interesses; a aprendizagem e a interação social são paralelamente consideradas essenciais; as circunstâncias e experiências de cada pessoa são levadas em consideração; e funciona em cooperação com organizações voluntárias ou associações. Os objetivos comuns entre o Folkbildning e a Educação Popular – comuns porque está patente um espírito de partilha transdirecional entre educador, educandos e sociedade –, são: o desenvolvimento de uma sociedade humanista, viva e literada; o desenvolvimento de cidadãos ativos e cultos; e a promoção de comunidades locais, da solidariedade social, da sustentabilidade ambiental, da saúde pública, da igualdade entre pessoas e sexos, da justiça global, e da cultura (Conselho Nacional de Educação de Adultos Sueco, 2011).

Considerámos também, no âmbito do presente trabalho, fazer referência à influência do Folkbildning por esta se tratar de uma influência educativa pertinente na sociedade de hoje em dia, particularmente em Portugal, porque reagiria ao estado de latência em que nos encontramos ao interligar exigência, aprendizagem transformativa e reflexão crítica.

6 Folkbildning é um sistema escandinávo liberal de educação de adultos não formal e voluntária, utilizado nas escolas superiores populares, e respetivas associações estudantis (Conselho Nacional de Educação de Adultos Sueco, 2011).

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Capítulo III – Cinema

“Toda a Arte é política... e todos os artístas têm algo a dizer.” (Emmerich, 2011)