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IMPACT  OF  CHINESE  FDI  IN  AFRICA

Goleman (1998, p. 239) afirma que o cérebro humano não está, de modo algum, completamente formado no nascimento, mas que continua moldando-se durante a vida toda, idéia essa que vem sendo comprovada por estudos contemporâneos que versam sobre a neurogênese adulta. Essas pesquisas atestam que cérebros adultos conseguem amenizar, suprir perdas, fazendo novas conexões neurais, assim como gerando novos neurônios:

O cérebro adulto consegue, ocasionalmente, contrabalançar perdas bastante bem, ao fazer novas conexões entre neurônios sobreviventes [...] Continua a gerar neurônios regularmente em pelo menos um local – o hipocampo, área importante para a memória e a aprendizagem (a memória não fica armazenada no hipocampo, porém ele ajuda a formá -la após receber contribuições de outras partes do cérebro) ( KEMPERMAN; GAGE, 2004, p. 92).

Percebe-se que essas idéias, relativas à flexibilidade da organização e do funcionamento neural, relacionam-se, estreitamente, com as questões sinestesiológicas, atestando a possibilidade do desenvolvimento ou retomada da condição sinestésica em qualquer fase da vida.

Cabe expor que, embora se considerando, inclusive na fase adulta, a capacidade de geração e regeneração neural, recorda-se que a convocação de alguns circuitos neurais pode dar-se esporadicamente, com isso havendo a desarticulação dessas conexões. Pode-se entender que alguns grupos neurais, acometidos pela inércia ou ócio, sentem-se

anestesiados, assim como se dá no concernente à potencialidade sinestésica, o que não significa - vale ressaltar - que não possam ser chamados e treinados novamente, de modo a assumir suas próprias funções ou outras que, pela adaptabilidade da matéria cerebral e por sua inteligência agapista (em nova menção à idéia peirceana de evolução por amor criador), poderão vir a desenvolver.

Goleman (1998, p 239) explica que o ser humano nasce com uma quantidade muito maior de neurônios do que seu cérebro maduro reterá. Isso se dá por ocorrer uma espécie de “poda”, que faz com que o cérebro desconecte ou anestesie as ligações neurais menos usadas e fortaleça outras nos circuitos mais utilizados. Em linhas gerais, as mudanças que favorecem a sobrevivência ou uma melhor adaptação àquele ambiente ou período são admitidas e fortalecidas; já as características menos vantajosas àquela civilização, àquele tempo ou àquele estilo de vida são enfraquecidas e engessadas. Ocorre, então, uma espécie de adaptação a um determinado quadro cultural e ambiental.

As explanações acima podem, portanto, contribuir para a elucidação da modalização sensorial e do decorrente “congelamento ” da condição sinestésica. Mas, por outro lado, essas mesmas explanações, por enfatizarem a incidência concreta dos processos mentais na modificação da materialidade e funcionalidade do cérebro, possibilitam inferir sobre a fiação e a ativação cruzadas, idéias arroladas, respectivamente, nos itens 1.3.5.1. e 1.3.5.2., do primeiro capítulo desta dissertação.

A proposição, acima articulada, de que a recorrência dialógica entre determinadas regiões cerebrais pode resultar no fortalecimento do circuito interativo entre essas regiões remete à idéia de “fiação cruzada”, estudada por vários cientistas, dentre eles Ramachandran e Hubbard (2003). Recorda-se que a “fiação cruzada” , como a própria denominação revela, prevê um intercruzamento entre áreas cerebrais. Vale observar que a

ligação de zonas cerebrais, consideradas segregadas ou conectadas de forma esparsa, quando entendida como fundamental ou interessante, incita o fortalecimento de circuitos neurais responsáveis por esses elos de comunicação. Os padrões sensoriais anteriores são, então, alterados, demonstrando uma mudança de hábito, ou novas sintaxes sensoriais se sobrepõem àquelas, retratando a aquisição de novos hábitos. Graças à substituição de padrões sensoriais ou à coexistência de antigos e novos padrões, há uma variação na materialidade cerebral. A intensa comunicação entre as mais diversas regiões cerebrais produz uma espécie de fiação cruzada, que pode resultar, por exemplo, em uma ou em múltiplas manifestações sinestésicas.

Para o entendimento da ativação cruzada, devem ser considerados os mesmos pressupostos estabelecidos em face da fiação cruzada, porém, fazendo-se o aparte de que, ao invés de haver a intersecção de regiões cerebrais (em geral, entendidas como separadas) por tessituras conectivas entre os neurônios, ocorre a interpenetração por desequilíbrio químico. Grosso modo, note que há neurônios com sinais estimuladores, e outros, com sinais inibitórios. Caso ocorra um desequilíbrio fortuito ou impulsionado por questões adaptativas, esses sinais podem mostrar-se conturbados e desencadear a correspondência não habitual entre determinadas áreas cerebrais, havendo, então, uma ativação cruzada, devido a fatores químicos. A fiação e a ativação cruzadas acentuam, portanto, o caráter arbitrário dos processos mentais, assim como o faz o estabelecimento ou restabelecimento de novos circuitos neurais comunicativos pela freqüência de uso ou variação fortuita.

Vale ressaltar que as considerações feitas apontam para o fenômeno da sinestesia adquirida, cabendo, nesse particular, reiterar que ao se desenvolver um tipo de sinestesia, parece haver a propensão ao desenvolvimento de outros tipos, fato que reforça a

mutabilidade cerebral e o caráter flexível dos processos mentais. Em se apresentando promissora uma conexão comunicativa, outras fiações e ativações cruzadas podem ser efetivadas, formando, seqüencialmente, redes neurais amplificadoras da percepção sensorial.

Outro ângulo da sinestesia adquirida a ser aqui retomado é seu caráter, muitas vezes, compensatório (tratado no item 1.3.3.1.). Quando da perda ou da diminuição da capacidade funcional de uma das modalidades sensoriais, o cérebro pode prover, como alhures mencionado, recursos para uma compensação do sentido em deficiência. Ao contrário do que se pensava há algum tempo atrás, viu-se que o cérebro adulto está apto à neurogênese, muito embora se deva explicitar que as crianças têm uma maior capacidade de produzir, reorganizar e treinar novos neurônios. De forma ampla, essa afirmação permite pressupor que, em face de uma lesão cerebral, a criança obtém melhores e mais rápidos resultados na reabilitação do que um adulto. Vale acrescer que seu organismo, ainda em fase de pleno desenvolvimento, responde de forma mais apropriada aos estímulos e tratamentos. Segundo dados constantes da reportagem O Cérebro Devassado60, a partir da análise de imagens

cerebrais, pesquisadores apontam que as regiões do cérebro responsáveis pelo aprendizado se desenvolvem mais rápido até os cinco anos de idade e que, na faixa dos três aos seis anos, detecta-se um crescimento na região frontal do cérebro, especializada em organizar e planejar novos comportamentos.

Com vistas a tais informações, divisa-se que o desenvolvimento ou o restabelecimento da condição sinestésica, como forma compensatória ou mesmo como uma manifestação fortuita (tiquista) da mente, torna-se mais suscetível em crianças. Deve-se

acrescer que elas, ainda sem muitos hábitos e crenças arraigados, apresentam maior liberdade para subverter regras e convenções que ainda nem conhecem muito bem. Por isso, permitem-se as crianças vivenciar, rotineiramente, experiências sinestésicas. Por levarem tudo à boca, por exemplo, podem conhecer as formas, as texturas e até os sabores de seus coloridos brinquedos.