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Ikke lett å være “bleikfis potet” - om tillit og samarbeid med moskeer

3. POLITIETS FOREBYGGENDE STRATEGIER

7.1 P OLISIÆR VIRKSOMHET SOM METODE

7.1.3 Ikke lett å være “bleikfis potet” - om tillit og samarbeid med moskeer

Este estudo sugere que os expatriados portugueses em meio urbano em Angola e Moçambique (maioritariamente Luanda e Maputo) tem bom estado geral de saúde e bem estar psicológico. Este resultado vai de encontro ao fato de os expatriados serem considerados

à partida uma população presumivelmente saudável. No entanto, é provável a ocorrência de problemas de saúde, relacionados ou não com os riscos para a saúde associados ao destino, e, a doença crónica é cada vez menos um obstáculo à expatriação.

Num período de 3 meses, 1 em cada 5 indivíduos referiu novos problemas de saúde e necessidade de assistência médica, sendo cerca de 5% hospitalizados. Para além disso, cerca de 1 em cada 3 indivíduos tinha provavelmente doença psiquiátrica não psicótica (ex. ansiedade e depressão) e 1 em cada 4 indivíduos tinha doença crónica, mais frequentemente hipertensão arterial, dislipidemia e diabetes mellitus, reconhecidos fatores de risco cardiovascular, que surgem frequentemente em combinação.

Trata-se de um estudo, baseado numa amostra de conveniência, em que a distribuição do tempo de expatriação está desviado no sentido de expatriações prolongadas (mediana 3 anos, média 5 anos). Apenas 15% da amostra se encontrava no primeiro ano de expatriação, sendo critério de seleção ter pelo menos 6 meses de expatriação (definição de expatriado). Isto pode significar auto-seleção no sentido de indivíduos já adaptados e completamente integrados no país de expatriação, não capturando aqueles que regressaram antecipadamente ao país de origem por problemas de saúde ou dificuldades de adaptação, mas, mostrando o estado geral de saúde dos que permanecem expatriados. Por outro lado, apesar de tempos de expatriação mais curtos se associarem a maior ocorrência referida de sintomas psicológicos, a frequência de morbilidade psiquiátrica não psicótica e a ocorrência de novos problemas de saúde não foram influenciadas pelo tempo de expatriação. Está também implícito um viés de seleção inerente a uma estratégia de recrutamento através da internet, em bola de neve por mailing

lists e em redes sociais, limitando a população alvo aos utilizadores de internet e não sendo

possível a quantificação da população alvo. No entanto, o acesso a internet está relativamente vulgarizada nesta população. A análise da ocorrência de problemas de saúde pode incluir viés de recordação, sobretudo quando aplicada a todo o tempo de expatriação, razão pela qual houve o cuidado de tentar traçar limites temporais definidos (atualmente, nas últimas 2-4 semanas para o GHQ-12, nos últimos 3 meses, desde o início da expatriação).

Ser expatriado significa estar destacado, de forma temporária, num país ou cultura distinta do país em que foi educado, predominantemente por motivos profissionais, trabalhando em entidades/organizações governamentais, não-governamentais ou privadas, sediadas ou não no país de origem, regressando à pátria quando completada a sua tarefa profissional [105]. Implica permanência prolongada no destino, recurso a infraestruturas locais, integração na comunidade e adaptação à língua e cultura locais. Estão cumulativamente expostos aos diversos riscos para a saúde associados ao destino, passam pelo processo ajustamento pessoal e sociocultural (às condições de vida e ambientais do país anfitrião, ao meio e atividade profissional, às relações sociais e pessoais) inerente à expatriação, a somar às habituais e/ou eventuais necessidades em saúde associadas ao género, idade e comorbilidades. Mantém elos sociais, familiares e económicos com o país de origem que incluem viagens regulares entre o país de origem e o país hospedeiro. Estes aspetos devem ser tidos em conta na preparação do indivíduo para a sua expatriação e no providenciar nomeadamente os recursos que podem ser necessários tanto no país de origem como no país hospedeiro, contribuindo assim para o sucesso da expatriação.

A saúde do expatriado é uma área que envolve o sistema de saúde no país de origem e no país hospedeiro, implicando a preparação e mesmo articulação de ambos na prevenção, promoção e intervenção em saúde, o que pode ser um desafio quando se consideram os contrastes em saúde em países desenvolvidos e em desenvolvimento. A entidade empregadora deve estar comprometida na promoção de saúde do expatriado, acautelando a devida preparação e garantido uma rede de suporte que garanta acessibilidade eficiente e sem constrangimentos técnicos ou logísticos a cuidados de saúde de qualidade no país de destino e no país de origem, salvaguardando evacuação/repatriamento e contemplando cuidados de saúde primários, cuidados de saúde secundários e saúde ocupacional.

Conhecer e monitorizar o estado de saúde geral e psicológico e a morbilidade no expatriado permite antever necessidades em saúde, contribuindo para preparar adequada e fundamentadamente o viajante, assim como para o planeamento no âmbito da prevenção e da gestão e tratamento de doença, garantido acessibilidade eficiente a cuidados de saúde de qualidade no país de destino e no país de origem. Este estudo exploratório foi um ponto de partida, contribuindo para identificar e quantificar morbilidade em expatriados portugueses em Angola e Moçambique. Trata-se de uma população com elevada mobilidade, mal conhecida, mal quantificada e pouco estudada, nomeadamente no âmbito da saúde. O conhecimento e compreensão desta realidade e população torna-se ainda mais importante em face da crescente expatriação civil e popularização de países tropicais e subtropicais como países de expatriação em Portugal, estando Angola e Moçambique entre os principais destinos fora da Europa [11,128]. Para além disso, podem atuar como sentinelas no país de expatriação, podendo fornecer informação para vigilância em saúde.

Na ausência de uma rede de saúde vocacionada para o expatriado e tendo em conta a provável dispersão nos contatos com o sistema de saúde, uma vigilância centrada no expatriado, ainda que baseada na morbilidade referida ou percecionada, permite ganhos em sensibilidade. Recorrer a instrumentos como o GHQ-12 para medir bem estar psicológico, traduzido e validado para a língua portuguesa, confere objetividade, fiabilidade e replicabilidade da informação decorrente de auto-perceção de estado de saúde geral. Este questionário já foi utilizado em diversos contextos e populações, mas não na população expatriada portuguesa, de acordo com a pesquisa bibliográfica efetuada. A utilização de plataformas digitais pode ser uma forma de chegar ao expatriado e obter a sua colaboração, podendo abrir caminho ao desenvolvimento de uma vigilância participativa, como fonte suplementar de informação para estimativas de impacto de doença. A vigilância participativa, independente do contato com o sistema de saúde, pode conduzir a ganhos em sensibilidade, oportunidade, flexibilidade e abrangência, face à vigilância convencional, com menos custos associados [196].

Discussão Final – O viajante na vigilância em Saúde

A Globalização resultou num incremento exponencial nas viagens e no comércio, vulgarizando, massificando e democratizando a circulação internacional de pessoas, animais e bens. Conceptualmente, o mundo tornou-se mais tangível, com distâncias temporalmente mais curtas, com relativização das fronteiras e sociedades interdependentes. No entanto, também facilitou a dispersão e disseminação global de doenças, nomeadamente, com emergência e re- emergência de doenças infeciosas nas mais diversas regiões, independentemente da sua distância geográfica às áreas endémicas. Este contexto reforça a importância de uma vigilância da saúde global e salienta o papel do viajante na vigilância em saúde.

Os viajantes são uma população epidemiologicamente importante devido à sua mobilidade e ao potencial de exposição a doenças e outros riscos para a saúde, com a possibilidade quer de importação de doenças não endémicas no seu país de origem ou de exportação doenças não endémicas para o país de destino. A infeção/doença nos viajantes, assim como a transmissão a outrem, pode ocorrer em qualquer fase da viagem, incluindo na origem, no destino e durante todo o itinerário da viagem.

Assim, o viajante é uma fonte de informação do que se passa no mundo e deve ser encarado como um elemento essencial de vigilância em saúde global. Pode atuar como sentinela, permitindo identificar tendências ou modificações no padrão de doenças infeciosas ou permitir a identificação e deteção precoce de epidemias e de doenças emergentes e re- emergentes. A informação assim obtida tem impacto tanto na área de origem do viajante, como na área onde foi contraída a doença. Se, por um lado, esta informação pode conduzir à emissão de alertas que permitem, a nível mundial e local, uma intervenção precoce e estruturada, que faculte a gestão e a contenção de uma epidemia emergente, por outro lado, e, atendendo a que as manifestações de determinada doença no viajante podem ser diferentes das manifestações no autóctone, esta informação caracteriza riscos para a saúde associados a áreas geográficas específicas, conduzindo assim, à otimização da preparação e aconselhamento ao viajante nas suas diversas vertentes, incluindo na abordagem do viajante com doença após o regresso da viagem.

Perspetivando o viajante e a vigilância em saúde, nesta dissertação de doutoramento, propõe- se uma reflexão não exaustiva nos seguintes pontos e questões, como um contributo para o conhecimento nesta área em Portugal.

1. Repensar e otimizar a vigilância da malária importada em Portugal: