Chapter 5 – Analysis of data
5.3 Does a professional identity, aligned with a mission statement, influence the
5.3.2 Identification with the mission statement
Dos meios de administração de proteínas citados anteriormente, as rotas orais ainda são os mais aceitáveis clinicamente. Porém, no caso da insulina, menos de 0.1% da insulina ingerida oralmente atinge a corrente sangüínea intacta, devido às condições severas de pH do estômago, que desnatura a proteína. Além disso, uma barreira de mucosa existente no intestino impede que a insulina seja absorvida no tempo necessário (FOSS et al., 2004).
Em vista disto, várias estratégias são empregadas para suprir os problemas da rota oral- gastrointestinal para insulina. Métodos comuns são: facilitadores de transporte da insulina através da mucosa do intestino; revestimento polimérico para proteger a insulina das condições severas do estômago e também para promover uma adesão às paredes do intestino; uso de inibidores de enzimas proteolíticas; ou o uso combinado de um ou mais destas estratégias (CARINO e MATHIOWITZ, 1999).
Essa procura de novas rotas de administração de insulina tem o objetivo de reduzir ou até acabar com a necessidade de injeções diárias. A combinação destas rotas, juntamente com o uso de sistemas de liberação controlada de medicamentos, mais especificamente, mecanismos auto- reguladores, ou inteligentes, estão sendo muito empregados. Esse tipo de mecanismo tem a capacidade de adaptar a taxa de liberação de insulina em resposta às mudanças de concentração de glicose no sangue, mantendo-a dentro da faixa normal de concentração. Para esse tipo de sistema a estabilidade e o tempo de resposta do mecanismo são muito importantes e essenciais, pois apenas os sistemas estáveis poderão assegurar a confiabilidade do tratamento, e uma rápida resposta às mudanças no meio pode assegurar o controle de liberação de insulina durante a variação da concentração de glicose (CHU et al., 2004).
Muitos desses mecanismos auto-reguladores baseiam-se na reação da glicose no sangue com a enzima glicose oxidase. Esta enzima pode ser imobilizada em polímeros que formam o dispositivo de liberação. A reação da enzima com a glicose produz ácido glucônico que causa uma diminuição no pH do microambiente do dispositivo. Se o polímero usado for pH-sensível e um polibásico, a redução no pH causará um aumento da repulsão eletrostática entre as cadeias do polímero, levando à sua expansão e, conseqüentemente, a liberação de insulina. Caso o polímero pH-sensível usado for um poliácido a redução no pH causará a protonação dos grupos carboxílicos e a redução da repulsão eletrostática entre os grupos ácidos e entre os grupos ácidos e os íons da solução, contraindo assim o sistema, devido à força elástica exercida pela cadeia ser maior que as forças de repulsão eletrostática. Este último tipo de dispositivo é muito usado em membranas contendo a enzima glicose oxidase e um poliácido que, ao sofrer a protonação abrirá os poros da membrana permitindo uma maior difusão da insulina para fora do dispositivo (http://www.devicelink.com; CHU et al., 2004; ZHANG e WU, 2004; ZHANG et al., 2004b). Outra forma de liberação de insulina baseada na reação da glicose com a glicose-oxidase é o estudado por Brown e colaboradores (BROWN et al., 1996), onde um sistema composto de partículas de insulina, juntamente com a glicose-oxidase, é incorporada em uma matriz polimérica de etileno-vinil acetato. Nesse sistema, quando a glicose entra no dispositivo ocorre a reação da enzima com o açúcar causando a redução no pH do microambiente da matriz. Essa queda no pH aumenta a solubilidade da insulina e, conseqüentemente, há um aumento da liberação da mesma através da matriz polimérica. Uma restrição de tais dispositivos é que não podem ser usados por via oral.
O uso de polímeros contendo um poliácido como monômero também é muito pesquisado em DDS para insulina usando a rota oral-gastrointestinal como rota de administração. Esses dispositivos, contendo o poliácido seja na forma gel ou de compósito, tem a capacidade de
proteger a insulina das condições severas do estômago evitando assim sua desnaturação. Ou seja, como em pH’s baixos o poliácido forma complexos devido à redução da repulsão eletrostática, ocasionando a contração da cadeia polimérica, a insulina fica protegida no interior do dispositivo que impede a penetração do suco gástrico e das enzimas para seu interior. Ao chegar na região do intestino, onde o pH local é maior que o pH do estômago, na faixa de 5 a 7,5, o dispositivo expande devido à repulsão eletrostática da cadeia polimérica, liberando a insulina no trato intestinal. Alguns dos poliácidos usados nesse tipo de dispositivo são o ácido acrílico e o ácido metacrílico (NAKAMURA et al., 2004, WHITEHEAD et al., 2004; NHO et al., 2005; FOSS et al., 2004, MORISHITA et al., 2002).
Exemplo desse tipo de dispositivo é o estudado por Ramkinsson-Ganorkar e colaboradores (RANKINSSON-GANORKAR et al., 1999), onde foi verificado a influência da massa molar de um copolímero pH/termossensível para a regulação e liberação de insulina. Nesse estudo foi observado que dependendo da massa molar do copolímero em questão, a liberação da proteína é controlada pela dissolução da matriz (baixa massa molar), ou pelo grau de expansão da matriz e pela difusão da droga (massa molar mais alta). Ainda, com os resultados obtidos, pode-se prever o local onde a droga irá ser liberada em maior quantidade.
Apesar de muitos sistemas de liberação de fármacos já serem comercializados e usados no dia a dia, eles ainda podem ser considerados novos pelo fato de que, cada vez mais, é necessário o desenvolvimento de novos tratamentos terapêuticos e de dispositivos para que estes sejam eficazmente aplicados ao paciente, com o mínimo de efeito colateral. Sem contar que, por exemplo, há pessoas que necessitam de dispositivos especiais para que possam tomar o medicamento via oral. Para essas pessoas, o desenvolvimento de novas drogas com sistema de dissolução e dispersão rápida se faz necessária. Nesse sistema a droga se desintegra e se dissolve rapidamente na boca do paciente, acelerando a sua absorção. Esse tipo de tratamento também é importante para pessoas com dificuldade de engolir comprimidos sólidos tradicionais, no uso pediátrico e para aquelas pessoas com difícil acesso a água (GARCIA, 2002).