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I MPLIKASJONER FOR KONKURRANSESITUASJONEN

11. IMPLIKASJONER FOR DEN NORSKE BANKSEKTOREN

11.3 I MPLIKASJONER FOR KONKURRANSESITUASJONEN

Esta velha angústia,

Esta angústia que trago há séculos em mim, Transbordou da vasilha,

Em lágrimas, em grandes imaginações, Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,

Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum [...].

Fernando Pessoa/Álvaro de Campos, “Esta velha angústia”.

Os contextos de formação continuada de professores são cenários que contemplam queixas e demandas de acolhimento por parte dos professores. Nesse sentido, faz-se necessário acrescentar às reflexões desta investigação o conceito de “angústia”, que é um ponto nodal nessas discussões, advindo da filosofia existencialista e incorporado pela psicanálise. É de grande relevância investigar e problematizar a forma como os indícios de angústia se presentificam nas vivências de sala de aula de LE, pois essas reflexões podem trazer contribuições para vários fenômenos de ensino/aprendizagem.

Primeiramente, será mobilizado o conceito dicionarizado de angústia: [Do lat. Angustia.] S. f. 1. Estreiteza, limite, redução, restrição. 2.

Ansiedade ou aflição intensa; ânsia, agonia. 3. Sofrimento,

tormento, tribulação. 4. Hist. Filos. Segundo Kierkegaard [v.

kierkegaardiano], determinação que revela a condição espiritual do homem, caso se manifeste psicologicamente de maneira ambígua e o desperte para a possibilidade de ser livre. 5. Hist.

Filos. Segundo Heidegger [v. heideggeriano] disposição afetiva pela qual se revela ao homem o nada absoluto sobre o qual se configura a existência (FERREIRA, 2009).

No ensaio Inibições, sintomas e ansiedade,20 Freud ([1925-1926] 1996)

faz as primeiras elaborações sobre a temática da angústia, adverte sobre sua complexidade, pois a investigava para além da inibição e do sintoma. Resumidamente, Freud diz que a angústia é considerada como um sinal de desprazer. E afirma que a angústia é,

em primeiro lugar, algo que se sente. Denominamo-la de estado afetivo, embora também ignoremos o que seja um afeto. Como um sentimento, a ansiedade tem um caráter muito acentuado de desprazer. Mas isto não é o todo de sua qualidade. Nem todo desprazer pode ser chamado de ansiedade, pois há outros sentimentos, tais como a tensão, a dor ou o luto, que têm o caráter de desprazer (FREUD ([1925-1926] 1996, p. 131).

Lacan faz a recapitulação da trajetória de Freud no rastro da angústia, fazendo a retomada das formulações freudianas, porém, expandindo-as. Lacan afirma que um afeto é aquele que possui relação direta com a constituição do sujeito, determinado pelos significantes. A angústia é da ordem do real,21 por isso,

ela é aquela que não engana, escapa à simbolização. Mas o sujeito não sabe o que lhe falta. Assim, Lacan salienta que elegeu o tema da angústia para seu décimo seminário “porque esse caminho revivifica toda a dialética do desejo, e porque é o único que nos permite introduzir uma nova clareza quanto à função do objeto em relação ao desejo” (LACAN, [1962-1963] 2005, p. 252-253).

A angústia não é considerada uma emoção, mas um afeto. E o afeto não é recalcado, pois “se desprende, fica à deriva [...]. O que é recalcado são os significantes que o amarram” (LACAN, [1962-1963] 2005, p. 23). A angústia aparece quando alguma coisa (unheimlichkeit) surge no lugar do a, como objeto do desejo e, portanto, como imagem da falta. Mas o sujeito não sabe o que lhe falta. Assim, desejo e angústia possuem estreita relação, uma vez que o sujeito

20 Na Edição Standard Brasileira das obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, a

tradução para a palavra “angústia” para o Português foi “ansiedade”, porque foi feita a partir da tradução inglesa de “anxiety”. Mas o título original do ensaio é “Hemmung, sympton und angst” (Inibição, sintoma e angústia).

21 Recorrendo à topologia do nó borromeano (Real, Simbólico e Imaginário), lembramos que

Lacan busca situar, através da figuração do real, o ponto central do desejo, impossível de simbolizar. O simbólico possui um meio de representação via linguagem e o imaginário é formado pelas imagens acerca das coisas do mundo.

passa pela angústia para chegar ao desejo; dito de outro modo, para haver desejo, tem de haver angústia, uma vez que o desejo do ser falante é o desejo do Outro. E é ele que gera a angústia; portanto, sem angústia o sujeito não anda.

Por isso, “angústia” e “desejo do Outro” possuem uma estreita relação (LACAN, [1962-1963] 2005). A angústia não é a dúvida, mas sim sua causa. “É esse surgimento da falta sob uma forma positiva que constitui a fonte da angústia. [...] é sob o efeito de uma demanda que se produz o campo da falta” (LACAN, [1962-1963] 2005, p. 72). Mas o sujeito não sabe o que lhe falta.

Nesta tese, o conceito de angústia não será tomado somente para falar daquilo que paralisa as ações do sujeito, mas também do que mobiliza o sujeito a continuar tentando, mesmo que ele não saiba o que e como mudar, esse momento de hesitação, de incômodo, porque algo não vai bem, faz parte do discurso pedagógico de um modo geral, tanto por parte dos professores quanto por parte dos alunos. Desse modo, vale investir nas elaborações psicanalíticas sobre a angústia, refletindo sobre sua natureza e sua incidência na vida do sujeito como uma tensão mobilizadora e tensão que paralisa, e que pode ser de caráter intra e interpessoal pessoal. No que tange à angústia do discurso pedagógico, pode ser um problema psicossociológico, conjuntural, não somente das pessoas em geral, mas dos coletivos na escola. Nesse sentido, a angústia é vista como causa e consequência da inevitável maneira de o homem ser no mundo. Segundo Lacan, “não existe um modo de chegar ao desejo sem passar pela angústia”. Na psicanálise, a angústia é considerada um afeto, porque é um pré-sentimento, que está desamarrado, “vai à deriva”. (LACAN, [1962-1963] 2005, p. 23).

Enfim, é esse afeto que se apresenta, muitas vezes, no discurso pedagógico. Como o sujeito não sabe ao certo o que o angustia, ele escapa pela via da busca de nomeações para o que sente. Esse processo de deslizamento de nomeações, muitas vezes por meio de predicações, se presentifica na fala do sujeito. Ao tratar da situação da análise psicanalítica, Lacan (1998, p. 248) distingue dois tipos de falas que o sujeito utiliza: “fala vazia” e “fala plena”. A primeira é a fala em que o sujeito encadeia ideias, relata fatos, mas “parece falar em vão”. Já, na segunda, a realização da “fala plena” do sujeito leva o analista a depreender o sentido do fato original. O autor afirma que é na fala que é possível

“encontrar o que o sujeito não diz” (LACAN, 1998, p. 249), pois ela constitui a verdade do sujeito. Por fim, o autor ressalta que, no processo de historicização do sujeito e reprodução de ações do passado no presente, é imprescindível reconhecer a importância da relação entre o inconsciente e a história do sujeito, e é nesse sentido que o autor afirma que, “o sujeito é mais falado do que fala” (LACAN, 1998, p. 284).

Nessa perspectiva, vale lançar luz sobre a discussão acerca da responsabilidade/implicação do sujeito (no caso o professor e o aluno de inglês) sobre suas ações para ensinar/aprender a língua. Considerando a descentralização do saber na contemporaneidade, é necessário que os envolvidos na situação de aprendizagem coloquem um pouco de si nesse processo. Desse modo, será trazido à baila na próxima seção uma discussão sobre o princípio responsabilidade e seus desdobramentos na formação de professores.