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E NGASJEMENTSKATEGORIER UNDER B ASEL «IV»

13. APPENDIKS

13.1 E NGASJEMENTSKATEGORIER UNDER B ASEL «IV»

Esta pesquisa foi desenvolvida por meio dos seguintes instrumentos de formação do corpus: questionários, entrevistas, narrativas autobiográficas e observação acompanhada de filmagens de aulas.

No primeiro momento, 162 professores aceitaram participar da 1ª fase da pesquisa. Explicitei o tema a ser investigado e expliquei a esses participantes que seria um trabalho individual e coletivo, e que haveria várias etapas, com prazos previamente estabelecidos. Também expliquei que, para todas elas haveria roteiros de elaboração e explicação de cada etapa. Solicitei a leitura e assinatura do “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido de Pesquisa” (TCLE) e expliquei sua função. Enviei-lhes um questionário para ser respondido (ANEXO A) por e-mail. Dos 162 professores contatados, 2525 retornaram os questionários.

24 Daqui em diante, são utilizadas, também, informações sobre o EDUCONLE baseadas no site

do projeto, <http://www.letras.ufmg.br/educonle/>, e no documento do Programa “Interfaces da Formação em Línguas Estrangeiras”.

25 Os respondentes dos questionários foram: Ana, Alice, Mary, Julia, Lu, Clara, Bernadete,

Helena, Elisa, Bilu, Ciça, Nina, Cibele, Alba, Keila, Laura, Naltiva, Guete, Cacau, João, Dedé, Talita, Charlote, Esperança, Juliana. Utilizarei recortes discursivos de Ana, Alice, Mary, Julia,

Todos os participantes deste estudo são aqui identificados por nomes fictícios, escolhidos por eles mesmos, exceto uma professora, que preferiu usar o próprio nome. Posteriormente, a amostra foi reduzida, aleatoriamente, por meio de sorteio, para sete professoras. Essas etapas do estudo serão detalhadas no decorrer deste capítulo.

Num segundo momento, convidei as sete professoras participantes a elaborar uma narrativa sobre suas trajetórias pessoal e profissional; para a produção dessas narrativas, apresentei e discuti com elas um texto subsidiário (ANEXO D). Nessa modalidade, as histórias pessoais e profissionais dos envolvidos funcionaram como contextos de produção de significados para os fatos ocorridos no contexto profissional e na vida. Para Paul Ricoeur (1988), o uso de narrativas pode ser considerado uma categoria valiosa de mediação, cujas origens vêm da Poética de Aristóteles e das Confissões de Santo Agostinho. O autor utiliza essas duas referências para estabelecer relações entre a narrativa e o caráter temporal da experiência humana, para a qual o narrar seria uma operação mediadora da experiência viva e do discurso. Dessa forma, podemos considerar o uso de narrativas como mecanismo de superação da distância entre compreensão e explicação, pois, ao narrar, o sujeito cria um eu ficcional para falar de si.

2.3.1 Delineando as três etapas do estudo

Para um melhor detalhamento das etapas deste estudo, explico como este se dividiu no que considero um desenvolvimento em três etapas. Na primeira, após receber o retorno de 25 questionários respondidos, foi realizado um estudo-piloto que norteou essa primeira fase da pesquisa. Na segunda etapa, após a redução da amostra para sete participantes, solicitei às professoras que respondessem a uma entrevista semiestruturada, contendo questões sobre concepções de ensino/aprendizagem de línguas, seus alunos e a escola em que

Lu, Clara, Bernadete, Helena, Bilu, Nina, Cibele, Alba, Charlote, Juliana, Cacau, Ciça, Keila, Guete, João, Naltiva, Talita e Laura. Dentre esses 25 professores, apenas dois são do sexo masculino. Sendo assim, será utilizado o feminino para se referir aos participantes.

lecionavam, e elaborassem uma narrativa sobre suas trajetórias na profissão e no projeto de EC EDUCONLE. As entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas. Na terceira etapa, observei e filmei cinco aulas de três professoras de inglês, com as quais finalizei a produção do corpus. É importante destacar que, das sete participantes, selecionadas aleatoriamente para participar das segunda e terceira fases do estudo, uma professora se aposentou, outras duas estiveram em greve na ocasião da coleta e uma não se dispôs a continuar participando da pesquisa. Assim sendo, devido a essa questão contingencial, o procedimento da filmagem foi realizado em três escolas. As aulas observadas e filmadas foram transcritas para viabilizar a análise do material discursivo.

Esse desdobramento fortuito acabou sendo muito positivo, uma vez que, devido ao tamanho do corpus, não teria sido possível realizar o estudo da forma pretendida com um número tão grande de participantes. Nesse sentido, imperou o desejo de completude da pesquisadora, que acabou sendo barrada pelo que é de ordem contingencial. Vale lembrar que, conforme as abordagens teóricas que ancoram esta investigação, o contingente é constitutivo do sujeito e lhe escapa sempre, pois, tudo que é contingencial está no terreno do indeterminado, do incontrolável, do “indecidível”, do acaso e da incerteza. Conforme afirmam Carmen Agustini e Ernesto Bertoldo (2011a, p. 132):

É com essa realidade desafiadora que lida o pesquisador que, longe de administrar certezas, lida com aquilo que, na construção de um

corpus, se apresenta sempre como (im)possibilidade de um saber

que abarca contingencialmente seus limites.

Tanto é assim que o objetivo da filmagem das aulas foi tentar investir em uma análise que, sob o ponto de vista da psicanálise lacaniana, leva em conta o corpo, não somente no sentido biológico, mas como uma matriz fundante do sujeito, onde se articulam Imaginário-Simbólico-Real. Consideramos, a partir de Lacan, que o sujeito se constitui a partir do olhar do outro, está submetido à relação fala-linguagem-corpo, e experimenta várias formas de satisfação nas situações vivenciadas (o que se explicita como gozo) (CUKIERT e PRISZKULNIK, 2002). E, as filmagens possibilitaram, também, uma visão mais global dos fatos ocorridos no espaço de sala de aula, facilitando, ainda, a análise do material

discursivo, justamente por ter sido gravado, tornando-se passível de ser reanalisado. Desse modo, seria possível afastar-me do corpus e revisitá-lo quando necessário. Ao final das filmagens, foram enviados os DVDs contendo as gravações das aulas a cada uma das professoras envolvidas, para sua apreciação pessoal. É válido ressaltar a relevância das filmagens26 para esta investigação,

por ser algo praticamente inédito nos estudos que se apoiam nas perspectivas discursiva, psicanalítica e desconstrutivista.

26

As filmagens foram gravadas em DVDs, que estão sob os cuidados da pesquisadora, conforme Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Possíveis consultas a esse material estarão disponíveis após o consentimento dos participantes e aprovação por um Comitê de Ética em Pesquisa.

2.4 Uma breve descrição do perfil