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I MPLIKASJONER FOR BANKENES KAPITALTILPASNING

11. IMPLIKASJONER FOR DEN NORSKE BANKSEKTOREN

11.2 I MPLIKASJONER FOR BANKENES KAPITALTILPASNING

A sociedade está em crise? Sim! A educação está em crise? Também! E, certamente, podemos localizar na contemporaneidade uma aceleração dos ciclos em cada um dos casos, já que as crises tornam-se cada vez mais visivelmente constantes.

Leny Mrech e Mônica Rahme, Psicanálise, educação e diversidade.

Esta seção aborda algumas reflexões acerca das novas formas de educar e a implicação dos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem na pós-modernidade, especialmente o professor (foco desta investigação). Conforme enfatiza o professor Marcelo Ricardo Pereira (2013), em comunicação pessoal, a formação moral do professor contemporâneo se constitui a partir da genealogia contraditória da profissão, na qual “os professores devem ser deuses e mortais ao mesmo tempo”; nesse paradoxo, a formação moral é que cerca a intelectual. De maneira geral, o professor se vê diante de uma grande apatia discente e, muitas vezes, acaba se evadindo de seu lugar e deixando o aluno à deriva. Com isso, as decisões em sala de aula são tomadas conforme as circunstâncias. Como consequência, paira a grande dúvida: como educar em tempos incertos?

Sendo assim, é legítimo investir nas problematizações apresentadas pela psicanálise aplicada ao campo da educação, no intuito de contribuir para as investigações sobre diversas questões que afligem os contextos educacionais.

Entre essas numerosas questões, destacam-se aqui a desautorização docente, os impasses da relação pedagógica, as condições de trabalho. Enfim, o desafio maior é buscar “entender a formação moral do professor contemporâneo, seu contexto, bem como a relação entre a pedagogia moderna e a atual crise de autoridade” (PEREIRA et al., 2011, p. 129). Vale pontuar que, para considerar uma intervenção pertencendo ao campo da psicanálise aplicada,

é preciso considerar-se, inicialmente, que a operação analítica se produz para além do enquadramento clínico, muitas vezes tomado restritamente, como ocorre, no espaço de um consultório, entre o paciente e o psicanalista que o escuta e intervém em seus ditos. Os efeitos do discurso analítico ultrapassam esse espaço e decorrem da instalação de determinadas coordenadas simbólicas, que pode ser feita por alguém que, a partir de sua própria experiência de análise, se tornou analista (SANTIAGO, 2009, p. 68).

Nessa direção, Mrech (2005) apresenta várias considerações sobre o que é educação, no viés da psicologia educacional, e quem é o professor. Pautados no dizer de Freud de que educar e ensinar é algo da ordem do impossível, alguns psicanalistas se atêm apenas à forma redutora desse dizer, quando, na verdade, seria necessário situar as condições de produção desse discurso de Freud, à que tipo de educação e à que ensino ele se referia. Dessa forma, as inquietações de Mrech vão se ampliando no que se refere ao interesse de professores pela aplicação da psicanálise na educação. A autora cita três aspectos fundamentais na transmissão da psicanálise, a saber: “a importância do conteúdo”; “a necessidade de privilegiar o inconsciente [...] estruturado pela singularidade de cada sujeito, privilegiando o específico de cada relação”; “a importância do aluno tecer um laço social com o mundo [...]” (MRECH, 2005, p. 15-16).

A partir dessas considerações feitas para a psicanálise, a autora estende suas reflexões para a educação. Segundo Mrech (2005), Freud e Lacan criticam a educação que se pauta no modelo transmissivo e prescritivo. Nesse sentido, ela apresenta uma discussão valiosa sobre a necessidade de repensarmos a forma como nossas sociedades se prendem aos modismos, ao materialismo e a uma objetividade ilusória. Assim, Mrech ressalta a importância da problematização da “subjetividade, individualização, obsolescência e

diversificação” (MRECH, 2005, p. 17). Essa discussão pode ser exemplificada na área de formação de professores, desde a graduação, na qual, muitas vezes, são seguidos os modismos dos métodos de ensino, sem qualquer reflexão, guiados por binarismos (novo/velho, tradicional/contemporâneo, etc.) e em uma visão de professor de línguas idealizado (professor-astro, aulas-show, etc.). Para evitar que isso aconteça, a autora sugere algumas mudanças na educação contemporânea e reforça “a necessidade de estabelecer novas leituras em relação ao que tem acontecido com a Educação” (MRECH, 2005, p. 18) e premência do investimento em pesquisas que partam da prática educacional.

Atualmente, a educação contemporânea se pauta na cultura da imagem, na qual “a informação se tornou a ponta de lança de um mundo em transformação contínua” (MRECH, 2005, p. 19). Desse modo, exigem-se do professor novas estratégias para estabelecer laços sociais, que são mais complexos porque ocorrem “via inconsciente, via corpo, via imagem, via símbolo, via registro do real, a partir de um novo tipo de mercado – o mercado de saber”, que vende ideologias de ensino e aprendizagem (p. 19). Sendo assim, ressalto a importância de se investir em estudos que levem em conta questões da ordem do inconsciente.

A pós-modernidade exige que a educação seja repensada. O termo pós- modernismo é utilizado para caracterizar uma época em que visíveis mudanças ocorrem na sociedade em suas múltiplas faces: política, arte, economia, ciência, técnica, educação, relações humanas, etc. No entanto, não significa que a humanidade tenha abandonado a modernidade – são tênues divisórias imaginárias que marcam o que é moderno e o que é pós-moderno –; o pós- modernismo, em seus vários aspectos que o distinguem da era moderna, carrega também a modernidade. Não houve a reinvenção de uma nova moral, uma nova ética. Um dos princípios do debate pós-modernista é a liberdade, de tal forma que ela sorri abertamente para as divergências; o efêmero, outro princípio pós- moderno, também necessita do debate de opiniões, mas a ordem é não manter nenhuma ordem, nenhum valor que seja fixo. Instaura-se, portanto, a efemeridade das coisas, tudo se apresenta como líquido, fluido, por isso Bauman inaugura o termo modernidade líquida em contraposição à modernidade sólida do

período moderno, em que o mundo era criado conforme uma ordem universal (BAUMAN, 2001).

Desse modo, essa reflexão deve ser feita primeiramente pelas políticas públicas, que deveriam rever as propostas normativas, as concepções de sociedade, educação e sujeito. A educação é reduzida à visão mercadológica e adapta-se o indivíduo à sociedade, ao conteudismo, ao imediatismo, etc. É nessa fissura que a psicanálise aplicada pode contribuir, investigando “a maneira como o psiquismo dos professores tem sido marcado pela sociedade e pela cultura contemporâneas” (MRECH, 2005, p. 24). No caso do ensino de LE, o efeito do discurso imediatista é bastante marcante, pois promete uma aprendizagem rápida e sem falhas ou descompassos, como se a aprendizagem se desse em um passe de mágica.

A psicanálise pode subsidiar reflexões sobre temas relacionadas à educação, problematizando questões do tipo: a ilusão da completude, a objetividade (tentativa de apagamento da subjetividade), o sonho de uma educação plena (educação para todos – quem seria esse “todos”), a singularidade (o inconsciente), a complexidade das metodologias e estratégias de ensino, o desejo de aprender e ensinar, etc. Em suma, é nessa direção que o estudo aqui proposto segue; por meio de um campo de investigação no qual a linguagem é vista como “meandros de luz e sombra” que fazem emergir “as resistências, os questionamentos, os impasses, os silêncios, etc.” (MRECH, 2005, p. 26).

Nesta seção, foi apresentada uma breve reflexão sobre a educação na pós-modernidade, focalizando os desdobramentos desta na subjetividade do professor. Focalizar tais questões retira da sombra várias inquietações da LA sobre as posições discursivas ocupadas pelos professores de LE, no contexto brasileiro. Assim, faz-se necessário ampliar na LA os estudos que focalizam questões sociais e individuais (o inconsciente), não apenas o cognitivo,19 sem

excluir a sua relevância.

19 Como processos cognitivos, “as operações intelectuais ativas podem ser organizadas de três

maneiras: (i) Dedutiva, em que se combinam conhecimentos previamente obtidos, retirando-se deles uma conclusão; (ii) Indutiva que parte do conhecido, formulando-se novas hipóteses acerca do que as observações futuras podem revelar; e (iii) Avaliativa ou crítica que se pauta pelo julgamento de uma ideia ou produto”(OLIVEIRA, 2009, p. 29):

Sendo assim, será apresentada na seção que se segue uma breve discussão sobre a angústia no discurso pedagógico, uma vez que, conforme salienta Azenha (2006, p. 241), “a angústia é o pão-nosso-de-cada-dia de todo educador”.