1 Innledning
1.2 Teoretisk grunnlag for informasjonskampanjer
1.2.6 Hvorfor er endring av insentivstrukturen mer effektivt?
Dos Grupo Recreativo do Teatro Taborda e Grémio de Santarém…
João António Codina, António Bento Machado, Jaime Pereira, Manuel Maria de Oliveira, João Luís da Silva, Alfredo Barradas, José Governo Martins, João Augusto de Oliveira e Silva, Ajax da Silva Rato fundaram o Grupo Recreativo do Teatro Taborda, em 1895.1A sua récita de inauguração decorreu no teatro da colectividade onde o grupo de amadores apresentou aos restantes sócios e familiares as comédias “Os Sobrinhos do Papá” e “Simplício Castanha”, a 29 de Abril desse ano. Em Agosto, a récita repetiu-se a favor da Banda dos Bombeiros Voluntários.2 No ano seguinte, a 5 de Abril, o grupo apresentou as comédias “A Timidez de Cornélio Guerra” e “Na Boca do Lobo”, enquanto o amador J. Alhandra recitou a cançoneta “Toma lá Pinhões”.3 O grupo dos amadores de teatro era ensaiado por Alexandre Marques Sampaio e constituído essencialmente por trabalhadores no comércio. A proximidade à actividade comercial levou a que a sede da colectividade albergasse a Tuna dos Empregados no Comércio, no início de 1905.4 Apesar de vocacionado para o teatro, o Grupo Recreativo fundou, em 1896, uma orquestra amadora dirigida pelo maestro Augusto de Moura Stoffel e na qual participavam alguns elementos da Banda dos Bombeiros. A partir de 7 de Outubro de 1901, passou a funcionar na sua sede um curso de ginástica sueca, orientado por Benjamim de Oliveira Jardim.5
O Grémio de Santarém foi fundado a 5 de Março de 1895, na sala de sessões da Associação Comercial de Santarém. A comissão instaladora era constituída por Henrique de Gallis, Augusto Montez, Emílio Infante da Câmara (todos ligados à Associação dos Bombeiros Voluntários), João Fagundo da Silva Júnior, António Mendes Cabral, Artur Marques Ferreira da Cunha e Silva e Guilherme Guerra. Os
1Cf. Jornal do Ribatejo, 14/3/1963, p. 4. 2Cf. Correio do Ribatejo, 5/5/1945, p. 6. 3Cf. Idem, 6/4/1946, p. 8.
4Cf. Correio da Extremadura, 22/4/1905, p. 2. 5Cf. Idem, 5/10/1901, p. 2.
primeiros dirigentes do Grémio foram Francisco Cunha e Silva (presidente), José da Silva e Máximo Julião Pais Júnior (secretários), substituídos no ano seguinte por José Tomás Duarte Coelho (presidente da assembleia-geral) e Jacinto Bettencourt (presidente da direcção).6 A sede situava-se na travessa da Misericórdia n.º 46, numa casa alugada ao comerciante de “produtos líquidos”, Manuel Bernardes d’Almeida Topinho7. As secções de tiro, ginástica, esgrima, tiro, pau e outros jogos decorriam no Teatro Taborda, tal como os bailes e outras actividades desenvolvidas pelo Grémio. Elisário de Sousa Reis e Benjamim de Oliveira Jardim dirigiram respectivamente as secções de esgrima e ginástica, fundadas em Junho de 1895, enquanto a partir de Outubro do mesmo ano Luís Ferreira e o maestro Augusto de Moura Stoffel regeram a secção de música que integrava amadores da cidade. No início do século XX, o percurso do Grémio assim como os seus sócios confundiram-se muitas vezes com os do Grupo Recreativo do Teatro Taborda e os da Tuna dos Empregados no Comércio. As três colectividades comungavam do ideário republicano e divulgavam-no nas actividades que desenvolviam. Em Junho de 1903, o tipógrafo republicano e actor amador José Avelino de Sousa8 foi homenageado pelo Grémio, enquanto, no ano seguinte, o advogado e republicano José Montez9 proferiu a conferência “Educação Cívica”. Entre a lista de sócios do Grémio encontrava-se o nome do dirigente do partido republicano em Santarém, Manuel António das Neves10. A 25 de Março de 1904, o Grémio promoveu um sarau literário e musical de homenagem a Guilherme de Azevedo durante o qual inaugurou um retrato do poeta escalabitano que foi encomendado e pago pela colectividade ao pintor lisboeta José Aires.11
O Grupo Recreativo do Teatro Taborda cessou a sua actividade em 1905. Nesse ano, o Grémio reduziu a sua programação a alguns bailes devido a problemas
6Cf. Idem, 18/5/1895, p. 3.
7Manuel Bernardes d’Almeida Topinho era avô materno de Manuel Ginestal Machado, um dos principais
impulsionadores do associativismo em Santarém durante as décadas de 40 e 50 do século XX. Cf. Carlos Augusto da Silva Campos, Almanach Commercial de Lisboa para 1886, Ano VI, Lisboa, Lallemant Frères Imprensa, 1885, p. 233.
8José Avelino de Sousa envolveu-se cedo no movimento associativo, na defesa das ideias republicanas e
na Maçonaria ao ser iniciado na Loja Liberdade n.º 247 de Santarém, em 1909 e foi director e proprietário do jornal escalabitano republicano O Debate. Sobre a homenagem cf. Correio da Extremadura, 20/6/1903, p. 2; 27/6/1903, p. 2.
9José Madeira Montez (1881-1943) participou nas greves académicas de 1907 quando já era filiado no
partido republicano, foi director de O Debate e tomou posse, a 6 de Outubro de 1910, como presidente da Comissão Municipal Republicana de Santarém.
10Manuel António das Neves (1857-1927) fundou e dirigiu o jornal O Debate, foi membro do Centro
Eleitoral Republicano de Santarém, integrou a Comissão Municipal Republicana de Santarém em 1910 e exerceu funções de presidente da Câmara entre 1918 e 1919.
11Cf. Idem, 19/3/1904, p. 1 e 26/3/1904, p. 2. O retrato de Guilherme de Azevedo encontra-se na sala da
financeiros, vindo a decretar a sua dissolução a 17 de Novembro de 1906.12A comissão para liquidar os haveres do Grémio era composta por Álvaro Peixoto, Fernão Pires e Henrique Pais e a dívida da colectividade foi assumida pelo Grémio Literário Guilherme de Azevedo a 1 de Dezembro de 190613, que “… por escritura lavrada pelo notário desta cidade Joaquim de Aguiar Barradas tomou este Grémio [Guilherme de Azevedo] por trespasse todos os haveres pertencentes ao extinto Grémio de Santarém…”14.
… Ao Grémio Literário Guilherme de Santarém
Um grupo de republicanos, entre os quais Bernardo Pereira, Manuel da Silva Nunes, Máximo Julião Pais Júnior, Manuel António das Neves e José Avelino de Sousa, fundou o Grémio Literário Guilherme de Azevedo, a 8 de Fevereiro de 1905.15 A estratificação social da cidade encontrava-se bem evidenciada aquando da sua constituição, uma vez que à “… grande parte dos elementos que o constituem é vedado o acesso ao Club de Santarém – como sejam o modesto comerciante e homem de negócio, o caixeiro, o operário, o oficial inferior do exército…”16. Durante um comício republicano realizado em Santarém a 16 de Dezembro de 1906, Sebastião Magalhães Lima referiu que “… lhe fora muito grato vir àquela cidade, por ter contribuído para lançar, com os seus velhos amigos Manuel António das Neves e Francisco Canha, a primeira pedra do edifício republicano com a fundação do Grémio Guilherme de Azevedo”17. A nova sede, situada na rua de S. Nicolau, n.º 32, 1.º, foi inaugurada a 6 de Janeiro de 1907, com o descerrar do retrato de Guilherme de Azevedo que pertenceu ao Grémio de Santarém. O espaço era partilhado pela redacção do jornal republicano O
Debate, fundado em Dezembro de 1907, e pelo Centro Eleitoral Republicano de Santarém, inaugurado em Março de 1908. Se na sede funcionavam algumas secções como o bilhar, o local das récitas passou a ser o teatro Taborda, espaço herdado do extinto Grupo Recreativo.18 Em 1912, o Grémio instalou a sua sede no teatro Taborda devido ao aumento de sócios. Aí, durante a década de 10, desenvolveram-se festas de
12Cf. Idem, 24/11/1906, p. 3. 13Cf. Idem, 22/12/1906,p. 3.
14“Carta do Grémio Literário Guilherme de Azevedo para o Clube de Santarém assinada por Hermínio
Julião Paes Júnior” in Pasta de Documentos Avulsos do Club de Santarém, Santarém, 17/7/1907.
15 Cf. Correio da Extremadura, 20/1/1906, p. 3 e O Debate, 7/4/1921, p. 3. Durante alguns anos,
defendeu-se que o ano de fundação da colectividade era 1917.
16O Debate, 12/7/1923, p. 3. 17O Mundo, 17/12/1906, p. 3.
confraternização e jantares entre aqueles que defendiam o ideário republicano.19 Os primeiros estatutos conhecidos do Grémio datam de 1914 e previam a criação e organização de uma biblioteca e de um gabinete de leitura a fim de “… promover e auxiliar o desenvolvimento físico, moral e intelectual dos associados e de seus filhos…”20. A direcção nomeava um bibliotecário que devia “… administrar o todo inerente à biblioteca, redigir o regulamento privativo (…) propor à direcção, nas suas reuniões, a compra de livros e demais despesas da biblioteca (…) preparar índices, catalogação, numeração e arrumação das obras, organizar um livro especial para movimento de entradas e saídas, escriturar o livro de inventário da biblioteca…”21. O Grémio foi homenageado em 1918 juntamente com a Associação Comercial, a Associação Fraternidade Operária, os Bombeiros Voluntários, o Grupo de Empregados no Comércio e o Grémio Ribeirense, em prol dos actos de altruísmo praticados durante a epidemia de gripe asiática.22A 27 de Março de 1921, realizou-se uma sessão solene na sede da colectividade para a inauguração de retratos dos sócios fundadores Bernardo Pereira e Manuel da Silva Nunes, sendo presidida pelos sócios Agostinho Pereira e António da Conceição Ferreira. Os discursos ficaram a cargo de José Avelino de Sousa que testemunhou o facto de ter acompanhado os homenageados nos tempos em que serviram o Grémio e a justiça da homenagem prestada em prol dos serviços e dedicação destes, e do seu filho, o estudante de direito, Luís Vaz de Sousa que acentuou “… o apreço em que devem ser tidos os esforços de quem, com afinco e a maior tenacidade se dedica ao meio associativo…”23.
Um incêndio destruiu toda a colectividade incluindo o espaço do teatro Taborda, assim como toda a documentação, em 1922.24 A primeira reunião da assembleia-geral decorreu a 16 de Dezembro desse ano, na sede da Associação de Empregados no Comércio onde passaram a decorrer algumas das actividades desenvolvidas pelo Grémio. Conscientes do desafio que os esperava, os novos dirigentes eleitos, José Avelino de Sousa (presidente da assembleia-geral) e João Codina (presidente da direcção), pretendiam transformar “uma acanhada sociedade” em “uma das primeiras do
19Cf. O Debate, 9/5/1912, p. 2.
20Estatutos do Grémio Literário Guilherme de Azevedo, Santarém, [s. n.], 1914. 21Idem.
22Cf. Jornal de Santarém, n.º 63, 22/5/1926, p. 5. 23O Debate, 7/4/1921, p. 3.
género e com todas as comodidades”25. Segundo José Avelino de Sousa, necessitavam de “… resolver a melhor forma de adquirir receita para complemento das obras de reconstrução do nosso Grémio…”26. João Codina apresentou a proposta de se “… emitir um ilimitado número de acções de dez escudos, que serão cobráveis em duas prestações, as quais pensa em favor distribuir por indivíduos sócios e não sócios, mais explica que a indemnização dessas será feita por meio de sorteio e com preferência aos não sócios.”27. A proposta foi aprovada por unanimidade, tal como a sugestão do sócio José Fragoso “… para que se torne obrigatório a cada sócio a posse de uma acção e que em caso de recusa seja eliminado o sócio recusador.”28. Em Maio de 1923, o senhorio das instalações da colectividade, Hélio Guimarães, aumentou o pagamento mensal da renda de 300$00 para 500$00, o que representava mais um rombo nas precárias finanças do Grémio. Mudar de instalações estava fora de questão devido aos investimentos feitos após o incêndio e porque na opinião de José Avelino de Sousa o “… Grémio teria de acabar, pois dificilmente se encontrará casa onde o mesmo possa ser instalado…”29. A solução foi encontrada no aumento do pagamento da quota dos sócios que passou para 2$50 e na recomendação para que a direcção se entendesse com o senhorio “… para de futuro não vir novamente com exigências e que depois de estarmos cá instalados, não faça o complemento das obras como deve ser.”30. Perante todos os compromissos assumidos em nome da colectividade e pessoal, a direcção de João Codina foi reeleita para o ano seguinte. A reabertura da sede do Grémio ampliada e transformada decorreu em Outubro de 1923 com uma récita e um baile. A sede tinha um salão de festas com palco adornado pelo pintor e bombeiro amador Francisco Vilela e um terraço no piso térreo, enquanto no andar superior funcionava a biblioteca, o gabinete de leitura, o bufete, as salas de jogo e os sanitários.31 A revista de propaganda regionalista Portugal
Anunciador apresentava a nova sede como “… um amplo edifício com um esplêndido
salão de festas…” 32 que servia os quatrocentos sócios. Em 1931, a colectividade já tinha setecentos e quarenta e oito sócios.33
25 Livros de Actas da Assembleia-Geral do Grémio Literário Guilherme de Azevedo, Santarém,
16/12/1922. 26Idem, 28/2/1923. 27Idem. 28Idem. 29Idem, 26/5/1923. 30Idem. 31Cf. O Debate, 20/9/1923, p. 2.
32 Portugal Anunciador. Ilustração de Turismo e Propaganda Regionalista. Santarém, Novembro de
1927.
A necessidade de equipar a nova biblioteca da colectividade levou a direcção de José Coelho, na reunião de 7 de Fevereiro de 1928, a apelar aos editores, escritores e sócios para oferecerem livros. Muitos dos sócios, como João Arruda, Romeu Neves, Américo Rodrigues de Passos e Silva, Manuel Neves, Carlos Borges, José Avelino de Sousa e António Braz Ruivo, responderam ao pedido doando livros. Também a viúva do professor de liceu, João Maria da Silva ofereceu livros e fotografias do marido. A Câmara ofereceu livros que se encontravam em triplicado na Biblioteca Municipal Camões.34 O Grémio procedeu a obras na sua biblioteca e adquiriu duas estantes com torcidos em mogno, seis cadeiras e uma secretária para instalar o espólio oferecido e abrir o espaço aos sócios.35 A biblioteca Guilherme de Azevedo foi formalmente inaugurada a 8 de Novembro de 1930, com discursos de José Avelino de Sousa e Artur Proença Duarte, um “Porto de honra” e um animado baile.36
Os estatutos do Grémio foram alterados em 1932 a partir das sugestões da comissão composta por Guilherme Pereira, José Fragoso e António José de Almeida. As alterações focaram-se na definição de sócio que podia ser efectivo ou extraordinário variando as quotas entre os 3$50 e os 10$00 respectivamente. Estes podiam ser sócios individuais e/ou colectivos sendo o direito de frequência extensivo à família com quem viviam. O papel do bibliotecário saía reforçado nesta alteração pois passava a ser eleito para o cargo juntamente com os outros corpos gerentes, deixando de ser atribuído o cargo ao segundo secretário da direcção. O artigo 20.º definia as competências do cargo: “Ao bibliotecário compete administrar privativamente todo o serviço inerente à biblioteca: redigir o regulamento privativo em harmonia com os estatutos e regulamento geral interno; propor à direcção, nas suas reuniões, a compra de livros e demais despesas da biblioteca; dar parecer sobre todas as consultas que a direcção lhe faça respeitantes ao cargo; preparar índices, catalogação, numeração e arrumação das obras; organizar um livro especial para movimento de entrada e saída dos livros; escriturar o livro de inventário da biblioteca.”37. A importância de ser a única colectividade que possuía uma “sala de espectáculos”, o antigo teatro Taborda, levava a estabelecer regras mais precisas sobre o seu empréstimo e aluguer no artigo 18.º: “A direcção pode alugar a sua sala de espectáculos a qualquer companhia, grupo ou empresa – eventualmente e
34Cf. Idem, 11/10/1930, p. 2.
35O mobiliário para a biblioteca custou 2300$00 e foi adquirido a José Pinto da Silva, de Gondomar. Cf.
Livros de Actas da Assembleia-Geral do Grémio Literário Guilherme de Azevedo, 10/6/1930.
36Cf. Correio da Extremadura, 15/11/1930, p. 2.
nunca por temporada – para realização de espectáculos, conferências ou outras diversões que não briguem com os fins desta colectividade e seus estatutos; devendo as condições ser observadas na defesa de interesses morais e materiais dos associados.”38. No entanto, reservava para si a promoção de “… espectáculos cénicos extensivos a sócios e não sócios deste Grémio, com entradas pagas, embora com preços módicos, a título de cobrir as despesas de organização dos referidos espectáculos ou em benefício do cofre do Grémio.”39.
Ao longo da sua história, a colectividade foi-se debatendo com problemas financeiros agravados pelo facto de nem todos os sócios honrarem os seus compromissos pagando atempadamente as quotas, o que se alastrava a alguns dirigentes. Na reunião de 18 de Janeiro de 1936, os sócios José Pedro e Rogério Martins contestaram o número elevado de sócios em débito, nomeadamente da direcção, e o facto dos corpos gerentes o permitirem ao contrário do que era referido nos estatutos.40 As soluções passavam pela realização de sorteios41 e pela introdução de quotas suplementares anuais em determinados períodos e com fins específicos, como para a aquisição de um novo piano, em 1928, ou para a reparação da mesa de bilhar e compra de um jogo de bolas, em 1929.42 Alguns corpos gerentes obtiveram empréstimos ou contraíram dívidas, o que levou à sua manutenção na gestão do Grémio, pois segundo José Avelino de Sousa se tinham “…contraído dívidas que se encontravam por liquidar (…) só a eles cabia o dever da sua liquidação”43. Só através de alguns desses empréstimos ou da boa vontade de alguns dirigentes se conseguiram fazer obras como uma sala de fumo ou “a escada de salvação”, em 1934.44
O grupo cénico do Grémio apresentava récitas anuais no teatro Taborda. As comédias e o teatro musicado, preferencialmente de autores portugueses, constituíram o reportório apresentado. A encenação encontrava-se, inicialmente, a cargo dos sócios e dirigentes João Codina e José Avelino de Sousa e mais tarde passou para as mãos de
38Idem.
39Idem, artigo 19.º. 40Cf. Idem, 18/1/1936.
41A 8 de Fevereiro de 1932, a colectividade sorteou um “objecto de arte”. Cf. Correio da Extremadura,
6/2/1932, p. 2. Outros sorteios se seguiram na década de 40, como “O Trevo de Quatro Folhas” que tinha como objectivo angariar fundos para melhorar as instalações do Club e oferecer mais comodidade aos sócios. Cf. Idem, 21/12/1946, p. 23.
42 Cf. Livros de Actas da Assembleia-Geral do Grémio Literário Guilherme de Azevedo, 10/2/1928;
18/1/1929.
43Idem, 13/1/1931. 44Cf. Idem, 12/1/1934.
Guilherme Pereira. Todos desenvolveram projectos de encenação e representação noutras colectividades da cidade. Os cenários encontravam-se a cargo do pintor, professor de Liceu, Frederico Aires, e do seu discípulo Francisco Vilela, secundados pelo fotógrafo Carlos Gomes (1881-1933). Os números musicais eram acompanhados por uma orquestra constituída por amadores entre os quais se encontravam alguns membros da Banda dos Bombeiros. Por vezes, o grupo tinha dificuldade em recrutar entre os sócios mulheres que quisessem ou pudessem representar. Assim, convidavam senhoras que tinham participado em récitas diversas e que nem sempre se encontravam vinculadas a colectividades ou em alternativa os homens representavam os papéis femininos. A maioria dos actores masculinos provinha do mundo operário, amanuense e comercial, enquanto as actrizes eram jovens que pertenciam a famílias abastadas que apreciavam a arte de Talma. “A Frasqueira do Convento” (1910), música de Wenceslau Pinto e argumento de Joaquim Romão Duarte; “Valentes e Medrosos” (1910); “O Comendador Aleixo” (1910); “Maria do Amparo” (1925), de José Rui de Pina; “A Traviata” (1933), ópera “bufa” com música de Verdi, a revista “Pequenos Delitos” (1933), de Pedro Bandeira e Luís Zamara, com música de Camilo Rebocho e orquestra de amadores escalabitanos dirigida por Francisco Silveira e Luís Silveira; “O Grande Homem” (1934); “No Pico de Regalados” (1934); “A Tia Mariana” (1935), de Pedro Bandeira e Luís Zamara e música do maestro Vasco de Macedo; “Enredos de Amor”, de Diogo Soromenho (1938), foram alguns dos sucessos apresentados por este grupo cénico. Durante o Carnaval de 1916, o Grémio apresentou a opereta “O Sonho de Luísa”, escrita propositadamente por José Avelino de Sousa e musicada pelo maestro capitão João Carlos Pinto Ribeiro, de Lisboa, e representada por um grupo infantil dirigido por Jacobetty Rosa e João Codina. Esta récita, promovida pela direcção do Núcleo de Santarém da Liga Nacional de Instrução em benefício da Cantina Escolar, foi interpretada por alguns dos futuros actores e músicos amadores da cidade como Guilherme Monteiro Pereira e Alexandre da Fonseca Tavares (1900-1987). Alguns frequentaram a escola de música fundada em 1912 para os filhos dos sócios. Os adereços ficaram a cargo de Joaquim Matta, mecenas e dirigente associativo, e de Francisco Vilela. A orquestra de amadores do Grémio, fundada em 191245 e composta por vinte e oito elementos, abrilhantou o espectáculo com a execução de diversos números musicais sendo dirigida pelo autor da partitura por deferência do seu regente João Lopes.46 O grupo cénico acompanhou a Banda dos Bombeiros nas suas
45Cf. O Debate, 9/5/1912, p. 2.
deslocações pelo concelho durante 1939. Este apresentou a comédia “O Barão de Marvila”, de Artur Horta, e a revista “Conchinhas do Mar”, de Jaime Santos, ensaiadas por João Codina Albertina Melo e Luís Fernandes. A estreia da tournée decorreu no Cartaxo, a 25 de Maio.47 O grupo cénico da Juventude Escolar Católica apresentou no Club, a 16 de Dezembro de 1939, a comédia “Os Médicos”, relativa aos costumes locais e inspirada em Moliére. A orquestra de amadores foi dirigida pelo autor da música, Luís Fernandes, enquanto os ensaios estiveram a cargo do padre Fernando Duarte.
Para além das récitas teatrais, o Grémio desenvolveu outras actividades como os bailes que se realizavam com frequência e dos quais os mais apreciados eram os de Carnaval, do “micarême48e da passagem de ano, a que se associavam, por vezes, os de Natal e da Páscoa e, a partir de 1935, o “baile das chitas”. A 23 de Março de 1927, realizou-se uma festa tradicional da Meia Quaresma abrilhantada por um quarteto do