4. EIERSKAP – Politikk eller profesjonalitet og presseetikk?
4.5 Hvordan vinkles ulike saker i de ulike avisene?
Ironia é a palavra comum adotada pelos estudiosos, analistas e investigadores da literatura angolana ao se referirem ao golpe dado pelos estudantes africanos reunidos na Casa dos Estudantes do Império (CEI). A Casa foi criada em 1944 para responder ao reforço do convívio dos estudantes universitários das ex-colónias portuguesas, que não possuíam instituições universitárias para continuar o ensino superior180. A agremiação académica
desempenhou importantes funções socias, culturais e de formação e cívica ideológica dos estudantes oriundos de Angola e do resto do Império Colonial Português181. O Império
173 Kaluanda relativo ou pertencente a Luanda, cidade capital de Angola. 174 Carlos Ervedosa, op. cit., 1963, p. 14.
175 Idem, ibid., p. 34. 176 Idem, ibid.
177 Tomás Lima, op. cit., S/p. 178 Carlos Ervedosa, op. cit., p. 34. 179 Tomás Lima, op. cit., S/p.
180 Martins Pimente, Brancos de Angola: Autonomismo e Nacionalismo (1900-1961), Coimbra: Minerva,
2005, pp. 138-139.
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Português era vasto, inicialmente os Estudantes encontravam-se a residir em Casas que tinham um funcionamento independente. Por exemplo, a Casa dos Estudantes de Angola, Casa dos Estudantes de Moçambique e as Casas dos Estudantes de Cabo-Verde e da Índia, que funcionavam de forma dependente182. Com o propósito de controlar o movimento associativo
dos Estudantes vindos das colónias e por ordens do Marcelo Caetano, então Ministro das Colónias, as várias instituições de apoio foram unificadas numa única instituição imperial, com a designação de Casa dos Estudantes do Império, que tinha a sua sede em Lisboa, Porto e Coimbra183.
O grande objetivo do então Ministro das Colónias em controlar os estudantes e reforçar a mística imperial portuguesa havia falhado. A Casa dos Estudantes do Império deixou de ser um lugar preparado para albergar e controlar as ações diárias dos estudantes do Ultramar. Aos poucos, iniciou-se uma intensa discussão sobre temas políticos, culturais, que terminaram em resistência, tomada de consciência, independências das colónias184.
Naturalmente, no caso de Angola, o projeto que havia sido começado nos primeiros textos da imprensa livre agora estava a caminho da sua concretização com a plêiade de jovens angolanos que foram profundamente tocados pelo espírito nacionalista, a liberdade da terra que lhes dera o ser passou a ser o respirar de todos. O que motivou esta atitude? Efetivamente, os estudantes faziam jogos comparativos do encontrado e o deixado. Donizeth dos Santos, ao procurar levantar as razões que motivariam a tomada da consciência nacionalista dos ex-alunos do liceu Salvador Correia, levados à metrópole para uma missão especial de ensino, a autora escreve:
[…] Ao chegarem lá, entraram em contato com as ideias libertárias e as modernas correntes literárias em voga na Europa, como o Renascimento Negro norte-americano e a Negritude francófona, ambos de ideologia pan- africanista, e também com o Neorrealismo português e o Modernismo brasileiro. Essas descobertas intelectuais seriam as principais responsáveis pela mudança de direção e postura político-cultural que eles sofreriam185.
Assim, a partir de 1948, as letras tomaram outros rumos, os filhos da terra decidiram estudar novas estratégias reunindo-se à volta do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola (MNIA). Qual seria a motivação daquele nome atribuído ao movimento: «Novos Intelectuais»? O que tinham em mente? O primeiro movimento literário autenticamente angolano obviamente foi influenciado pelos «Velhos intelectuais de Angola», que desde mais cedo clamavam pelo espírito nacionalista procurando fazer valer, entre pequenos textos, a situação político-social em que o país estava embutido. Dado este pormenor, os «Velhos Intelectuais» seriam por eles reconhecidos como motivadores do Movimento Cultural. Quem foram os «Velhos Intelectuais» que viriam influenciar os «Novos Intelectuais»? A literatura é uma obra continuada e são vários os nomes antecedentes do primeiro movimento entre
182 Idem, ibid., p. 138. 183 Idem, ibid.
184 João Pinto, “Literatura e Identidade Nacional”, Revista Hydra, 2007, P. 112.
185 Donizeth dos Santos, Da Rutura À Consolidação: Um Esboço do Percurso Literário Angolano de 1948 a
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jornalistas, escritores, poetas de nacionalidade angolana ou não, mas que, de alguma maneira, estavam unidos pela mesma causa. Citam-se Paixão Franco, Alfredo Troni, Augusto Silveiro, António de Assis Jr. (primeiro romancista angolano), Óscar Bento Ribas (etnólogo de todos os tempos), Geraldo Bessa Victor, Tomaz Vieira da Cruz (poeta épico), Arantes Braga (fundador do jornal Pharol do Povo), Cordeiro da Matta (peça importante da literatura), José Maia Ferreira (marca o início da literatura angolana), entre outros que desenharam o princípio da literatura angolana.
Estudar a terra que lhes fora berço fazia parte do movimento que tinha como lema: “Vamos Descobrir Angola!”186 Será que Angola estava de facto perdida? Os Novos Intelectuais
à volta do movimento estudaram toda a cultura a portuguesa, recitavam sem menor esforço a geografia completa de Portugal, as crenças religiosas, os hábitos e costumes, sabiam todas as datas, feitos, reis e rainhas de Portugal, mas nada sabiam sobre a Nzinga que se tornara Dona Anna De Sousa, sobre os afluentes do rio Kwanza, nada sabiam sobre o seu povo, da beleza do seu continente. A grande missão passou a ser escrever e descrever a beleza e os encantos das paisagens de Angola, dos seus rios e mares, do seu batuque e o vibrar da música, falar das brincadeiras dos musseques. Toda a literatura estaria virada para a Angola que fosse verdadeiramente angolana e que viesse acabar com a mania dos falsos “escritores angolanos que de Angola só tinham uma falsa imagem de turistas apressados”187. Assim, para superar
essa ignorância em relação à sua terra, o Movimento estava virado para a redescoberta dos valores culturais angolanos sufocados pela assimilação cultural188. Como também neutralizar
“[…] o respeito exagerado dos valores culturais do Ocidente, por vezes caducos189. Ele exigia
a expressão dos interesses populares e da autêntica natureza africana”190.
Quem foram os Novos Intelectuais de Angola, os responsáveis pela formação da literatura angolana de expressão portuguesa? Efetivamente foram vários os nomes do período fulcral na formação da literatura191 que se reuniram à volta do Movimento e das Revistas.
Citam-se: Viriato da Cruz, Agostinho Neto, António Jacinto, Mário António, Mário Andrade, Tomaz Jorge, José Luandino Viera, Henrique Abranches, Alda Lara, Ermelinda Pereira Xavier e outros.
186“«Vamos Descobrir Angola!» foi um grito poético de quem, sendo de Angola e estando em Angola,
propõe a sua descoberta. Pois o grito correspondia ao desejo mais querido e à necessidade mais premente do homem angolano se reencontrar consigo mesmo. Do homem angolano raspar com vigor o verniz duma lusitanidade assimilada para, na sua subjacência, «descobrir» a angolanidade alineada e fazê-la emergir liberdade”. In Salvato Trigo, Introdução à Literatura Angolana de Expressão Portuguesa, Porto: Brasília Editora, 1977, p. 31.
187 Carlos Ervedosa, op. cit., pp. 33-34. 188 Idem, ibid., p. 33.
189 Salvato Trigo, op. cit., p. 17. 190 Idem, ibid.
191 Pires Laranjeira, Literatura Africana de Expressão Portuguesa, Lisboa: Universidade Aberta, 1995, p.