4. EIERSKAP – Politikk eller profesjonalitet og presseetikk?
4.4 Hvem slipper til i de ulike avisene?
As manifestações culturais do espaço angolano encontram-se relativamente divididas em dois períodos pré-definidos pela história que subscreve o país. O primeiro período delimita o Antes da Independência. Neste caso, desde as origens ao longo convívio de influências interculturais entre o colonizador e o colonizado ocorrida entre (1482 e 1975). O segundo período corresponde a Pós-Independência, neste caso, a partir de 1975 até aos nossos dias. Sentida a necessidade de uma periodização menos longa, inclusive cogitámos em aduzir uma proposta incipiente de uma cronológica onde procurámos desassociar algumas fases que marcaram tanto a história do país como das produções artísticas que foram, de alguma maneira, acompanhando a própria história do país. A periodização a propor está dividida em quatro (4) períodos, sendo o primeiro limitado desde a Pré-colonial, das origens a 1481; o segundo desde o Colonial, de 1482 a 1974; o terceiro Pós-colonial, durante a guerra civil
desde 1975 a 2002; o quarto acordos de Paz aos dias atuais.
Descrição periódica:
1. 0 Período, Pré-colonial, das origens a 1481.
Este primeiro período irá corresponder à história geral do folclore angolano antes da chegada dos portugueses a Angola. Dado que, antes da chegada do colonizador, os habitantes do reino do Kongo137, Ngola, Lunda, Matamba eram povos organizados que carregavam nas
veias o batuque da ancestralidade. O canto era uma prática viva acompanhado por um conjunto de instrumentos musicais como dikanza, batuque, pwita, ngoyo, xinhungu, kakoxi, entre outros instrumentos. Logicamente, durante este período o que se cantava eram factos de convívio diário das tribos, e o canto era dirigido em línguas nacionais tipicamente tradicionais, desde os ritmos às danças, sem influências de outros povos.
Uma visão antiga sobre a música, instrumentos musicais aludidos por Alfredo Felner motivou-nos a separar o primeiro período do colonial a fim de referenciar a bela descrição da manifestação artística alusiva à chegada dos portugueses ao Zaire (reino do Kongo) à volta de 1482 e na qual diz o seguinte: “A receção por mais de cem mil pretos, no seu batuque de guerra. Deve ter causado no espírito dos nossos, uma dessas sensações que jamais se apagam”138
.
O texto acima veio a propósito de confirmar que o canto e todas as outras manifestações culturais estavam presentes no território do Kongo. A música, por exemplo, animava as festas, os instrumentos musicais tinham utilidades que se foram perdendo no tempo. Com efeito, muitos destes serviram como meio de comunicação. O ngoma nzuiu, por
137 O Reino do Congo pode ter-se formado através do cruzamento dos eixos comerciais da estrada do
cobre e da estrada do sal presentes naquela região. Este reino se localizava um pouco abaixo da linha do Equador, e hoje os países que compõem essa região são o Congo, Angola e República Democrática do Congo.In Carolina Biaci Pina, et al, O Reino do Congo: Conteúdos de História da África em Sala de Aula, Paraná, Maringá, 2013, p.2.
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exemplo, um tambor cilíndrico comprido formado com apenas um lado com pele de animal era de uso exclusivo dos Reis do Povo para chamar os súbditos, usado frequentemente na província do Zaire, especificamente em Soyo, Kinzau, Ambriz139.
2.
0 Período, Colonial, de 1482 a 1974.O segundo período da música angolana passa a ser o mais extenso e o mais complexo por abarcar o longo convívio de aproximadamente quatro séculos. À chegada dos portugueses e de outros povos em terras do reino do Kongo, muito deixou de ser como o antigamente. José Caiado, através dos seus relatos, dá-nos a conhecer que os instrumentos musicais também acompanharam os navegadores portugueses nas longas viagens aventureiras em busca das novas possibilidades comerciais140. De facto, o autor dá-nos a entender que a música
passou a receber as influências primárias desde os primeiros contactos preservados entre os dois povos.
Os anos 50 e 60 são marcantes para o processo que se assinala dentro da música angolana. Uma vez que foi neste período que o país recebeu um variado número de professores cabo-verdianos, santomenses, brasileiros que lecionavam aulas de canto, piano, violão, entre outros instrumentos141, facto que repercutiu diretamente na maneira tradicional
e ritmada de fazer a arte musical angolana. Dado que o massemba (dança e género musical), por exemplo, recebeu ritmos mais acelerados de variadas batidas e guitarras dando origem a um outro género musical mais acelerado que é o semba142.
Durante o longo do convívio entre o colonizador e o colonizado num processo de intercâmbio cultural, miscigenação, opressão, várias temáticas foram cantadas e várias vozes ou agrupamentos musicais foram ouvidos. Exemplos de Alfredo Lopes, Voto Neves Álvaro, Belita Palma, Lurdes Van-Dúnem, N´gola Ritmos (1947), São Salvador (1948), Gesto (1950), Melodias Angolanas (1953), Kisweya (1957), Ngola Dimuka (1958), Negoleiros (1959). Assim, podemos compreender que, desde 1940 a 1975, os músicos angolanos conseguiram preservar e lutar num ideal firme sobre a angolanidade, mantendo, portanto, viva a cultura dentro das composições musicais mesmo que isto lhes custasse a vida. De facto, durante este período de descolonização, “a música fez aquilo que as armas não podiam fazer”143.
3.0 Período, Pós-colonial, durante a guerra civil desde 1975 a 2002.
O período pós-colonial é uma fase da história para Angola. Porém, é período relativamente curto. Os desacordos entre os principais movimentos de libertação, FNLA, UNITA e MPLA, mergulharam o país numa guerra civil que durou mais de 25 anos. Assim, durante o terceiro período o país descrevia uma história que envolvia o período de descolonização e a luta pela paz e predominam canções políticas de sentido “brigadista”. As
139 Cláudio dos Santos, op. cit., 2007, p. 82. 140 Idem, ibid.
141 Dionísio Rocha, “O Desenvolvimento da Música Angolana: O Surgimento da Musica Urbana em Angola
e a Luta Pela Independência ” S/a, p. 1-2.
142 Jomo Fortunato, “Reconstituição Histórica da Música Popular Angolana: Da Música Tradicional ao
Processo de Consolidação do Semba (1945-1977) ”, S/a.
143 Matadi Makola, “Angola, 40 anos-Cantor Santocas: A Música Fez Aquilo que as Armas não Podiam
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letras revelam as influências político-ideológicas de alguns compositores inspiradas no marxismo, matriz ideológica adotada pelo MPLA144. O conflito armado de disputa pelo
território nacional foi marcado por profundas mudanças que provocaram ruturas significativas entre o tradicional e as novas formas sonoras da chamada “época da canção política”: mobilização, conceitualização política, intervenção social. Outrossim, o terceiro período também é marcado por novos géneros musicais, entre estes o kizomba, o kuduro, a tarraxinha, que resultam de várias influências provenientes das Antilhas e dos EUA, como zouk e hip-hip. Tal como também foram notórias outras influências na maneira de fazer a arte e introdução de outras línguas por artistas que, após a proclamação da independência, regressaram a Angola145. Do mesmo modo, foi também justamente durante este período que a
música ganhou uma projeção nacional através de concursos, como do “Top dos Mais Queridos”, que marca a sua primeira edição em 1984146. Desta feita, conquistada a
independência e a paz nacional, voltou-se a reconquistar a identidade nacional representada pela versatilidade de géneros musicais, ritmos, danças, instrumentos musicais, línguas que levaram a música angolana para outras fases.
4.0 Período, Acordos de Paz, 2002 aos dias Atuais.
O fim da guerra civil simboliza um marco indelével na história do país, as artes ganharam pujança e popularidade como nunca. O canto passou a ser o alimento diário dos ouvidos dos angolanos. De facto, as produções musicais tornaram-se práticas diárias e constantes entre cantores, intérpretes e amadores. As temáticas cantadas ganharam outros horizontes e novas esperanças. A música ganhou uma projeção nacional e internacional. Os géneros musicais, como o Kizomba e o Kuduro, deixam de ser apenas produtos nacionais. A maior liberdade nas misturas de géneros, ritmos, composições influenciadas pela globalização, passou a ser grande a prevenção dos ritmos nacionais. Com efeito, o perigo destes serem difundidos e confundidos é uma realidade. Pois, tal como afirma Jomo Fortunato, neste momento a música angolana está “completamente aberta, globalizada e a influenciar outros sectores”147