Praça – [do grego-plateia, ‘rua larga’, pelo latim-platea], lugar público cercado de edifícios; largo; Mercado; feira.1
Existem diversos conceitos referentes ao termo “praça”, porém, todos os autores concordam em conceituá-la como um espaço público e urbano, onde sempre foi celebrada como um espaço de convivência para habitantes urbanos.
Robba e Macedo (2003, p.11) afirmam que: “praças são espaços livres de edificação, públicos e urbanos,
destinados ao lazer e ao convívio da população, acessíveis aos cidadãos e livres de veículos.” Para eles, é isso que difere as praças dos chamados “jardins urbanos”, a existência de atividades de lazer e recreação e acessibilidade aos pedestres.
Para Bartalini (2007), as praças surgiram devido às necessidades de espaços para a realização de qualquer atividade de troca e para tomada de decisões coletivas. É um lugar para encontros e festividades, um símbolo para a comunidade, e, contudo, um “centro” facilmente acessível onde se realizam as mais variadas funções. Ainda segundo o autor, a importância simbólica e referencial que se dá a uma praça, resulta quando o espaço se torna marco referencial local ou é tomado de um significado especial apropriado pelo usuário ou habitante da cidade; ou, ainda, quando carrega algum sentido histórico e característica que, caso fosse extinta, descaracterizaria o ambiente.
A praça, ao mesmo tempo em que é um vazio é uma construção. A praça não é apenas um espaço físico aberto, mas também um centro social integrado ao tecido urbano, e sua importância refere-se tanto ao seu valor histórico, como a
sua participação contínua na vida da cidade. (ALEX, 2008). Quanto a isso, Sun Alex (2008) cita Kevin Lynch (1981) afirmando claramente que a praça é um lugar de convívio social inserido na cidade e que está relacionada com as ruas, arquitetura e pessoas.
Segundo Saldanha (1993) «a praça integra organicamente o conjunto formado pela cidade, mas ao mesmo tempo
está nele como um espaço - quase como uma clareira - surgido pelo distanciamento entre determinadas porções construídas». Porém, a praça não é apenas uma extensão espacial, ela corresponde a um significado social, correlato do próprio espírito da cidade onde se insere.
Para Lamas (2010, p.100):
“A praça é um elemento morfológico das cidades ocidentais e distingui-se de outros espaços, que são resultado acidental de alargamento ou confluência de traçados - pela organização espacial e intencionalidade de desenho. Esta intencionalidade repousa na situação da praça na estrutura urbana, no seu desenho e nos elementos morfológicos (edifícios) que a caracterizam. A praça pressupõe a vontade e o desenho de uma forma e de um programa. Se a rua, o traçado, são os lugares de circulação, a praça é o lugar intencional do encontro, da permanência, dos acontecimentos, de práticas sociais, de manifestações de vida urbana e comunitária e de prestígio e, conseqüentemente, de funções estruturantes e arquiteturas significativas.”
Lamas (2010) afirma que a praça é um elemento urbano ocidental, já que nas cidades islâmicas, a praça não existe. Quanto a isto, Segawa (1996, p.31) ressalta que “a praça é um espaço ancestral que se confunde com a própria origem de
conceito ocidental de urbano.”
De acordo com De Angelis (2000, p.1):
“A palavra praça vêm do latim platea, e esta do grego platys, que resume desde muito, o destino da ágora grega e do fórum romano ao uso público para reuniões e convívio social. Era local de encontros, de tomadas de decisões de interesse da comunidade, de espetáculos, execuções, ofício religioso, comércio, festas, enfim, a vida da cidade tinha, necessariamente, que passar por ela.”
Ao longo da história, a praça teve diferentes formas e funções, mas, como já dito, sempre esteve presente na morfologia das cidades ocidentais.
Como espaço coletivo, segundo Caldeira (2007), a praça envolve questões socioculturais, já que é o lugar de encontro onde se desenvolve a vida social. O uso do termo “espaço público” é recente, parece derivar do conceito de “espaço urbano”e estar vinculado ao conceito de “esfera pública” e “esfera privada”, conceitos estes, que remetem ao direito Romano e que permanecem presentes na organização das cidades medievais.
Para Habermas (1984), a relação entre o termo “espaço público” e um espaço geográfico aparece na formação da cidade-estado grega, a
polis. Era ali na Ágora onde acontecia a manifestação da esfera da vida pública. Essa praça era formada por um pátio aberto, circundado por edifícios públicos administrativos e o mercado.
Na Ágora, os cidadãos livres exerciam a política por meio de ação e do discurso e ela podia ser visualizada por toda a comunidade, era o lugar do domínio público. Seguindo esse contexto, Saldanha (1993) afirma que
a ágora, mais do que praça de mercado, era o centro dinâmico da cidade grega, tornando-se historicamente o símbolo da presença do povo na atividade política.
Figura 01: A Ágora, plano e reconstrução. Fonte: ZUCKER (1959, p.32).
Zucker (1959) afirma que a Ágora, tanto do ponto de vista sociológico, como do ponto de vista arquitetônico, baseou-se nas potencialidades do crescimento gradual da democracia. Como ponto focal das cidades, era localizada no centro, quando a topografia permitia. No início a Ágora era primariamente o lugar para encontros políticos e assembleias legislativas. Foi mudando gradualmente em um centro de comercialização e finalmente se tornou o único, considerando que a função política da Ágora foi assumida pelo representante em reuniões da área sagrada da Acrópole o que restava das atividades governamentais, administrativos e judiciais no âmbito da Ágora agora foi atendida em edifícios fechados especiais.
Portanto, pode-se dizer que a Ágora é antecessora remota de nossas praças e, assim como a Ágora, na antigüidade greco-romana, também, existia o Fórum, sendo ambosos espaços públicos de maior importância da cidade e funcionavam como seu centro vital. Materializada na figura da Ágora ou do Fórum, a praça, com seu conjunto arquitetônico, desempenhava um papel crucial na vida citadina.
Figura 02: Discurso na ágora grega.
Fonte:http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/aulas/6802
/imagens/pericles1.jpg. Acesso: 20/08/2010.
Figura 03: Ágora e construções representativas do poder público. Fonte:www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/socrate
Conforme Zucker (1959), o Fórum era o espaço urbano principal, cercado por edifícios administrativos, religiosos e comerciais. Decorado com esculturas, arcos e colunas, escadarias, representava um contraste com o denso tecido urbano. Tais elementos, também, criavam a integração da arquitetura com o espaço urbano. Semelhante a polis grega, a cidade romana caracterizava-se pelo contraste entre o vazio do Fórum e o denso tecido urbano composto de edificações
homogêneas e edifícios de caráter monumental. Porém, diferentemente da Ágora grega, no Fórum, as discussões políticas aconteciam no interior dos edifícios, e não nas praças abertas.
Figura 04: Fórum Romano: fonte: Roma Ântica (GABUCCI apud
CALDEIRA, 2007).
Figura 05: planta dos Fóruns Romano.
Fonte: http://helenadegreas.files.wordpress.com/2010/03/forum-romano.jpg.
Portanto, tanto a Ágora como Fórum eram espaços coletivos por excelência, o lugar de “vida cívica”, verdadeiro centro vital da cidade e como tal permaneceram presentes na estrutura das cidades ocidentais, sendo o centro da vida social.
No entanto, Segundo Lamas (2000), só na Idade Média se começa a esboçar o conceito de praça europeia, que atingirá o apogeu a partir do renascimento. Daí a importância de um breve estudo desses espaços na idade média. Pois, nesta época praça tem um papel fundamental na cidade, pois, era nela que desenvolvia os principais acontecimentos coletivos da vida cotidiana. Conforme Sitte(1889,p.32):
“Na Idade Média [...], essas praças eram o orgulho e a alegria detoda cidade independente; aqui, concentrava-se o movimento, tinham lugar as festas públicas, organizavam-se as exibições, empreendiam-se as cerimônias oficiais, anunciavam-se as leis, e se realizava todo tipo de eventos semelhantes. De acordo com o tamanho de cada comunidade ou o tipo de sua administração, serviam a essas necessidades práticas duas ou três das praças principais, raramente uma só, pois as praças também eram manifestação da diferença entre autoridade secular e eclesiástica, distinção que a Antigüidade não fazia da mesma maneira.”
De acordo com Caldeira (2007), ao analisar as práticas e o comportamento social da cultura medieval, em seu trabalho sobre a obra de Rabelais, Bakhtin(1987, p. 132) assim se manifesta sobre a importância da praça:
“Apraça pública no fim da Idade Média e no Renascimento formava um mundo único e coeso onde todas as “tomadas de palavra” (desde as interpretações em altos brados até os espetáculos organizados) possuíam alguma coisa em comum, pois estavam impregnadas do mesmo ambiente de liberdade, franqueza e familiaridade. [...] A praça pública era o ponto de convergência de tudo que não era oficial, de certa forma gozava de um direito de “exterritorialidade” no mundo da ordem e da ideologia oficiais, e o povo aí tinha sempre a última palavra.”
Articulada à escala urbana, a configuração da praça medieval definiu-se pelo contraste do vazio com a densa paisagem, compondo uma diversidade de espaços. De acordo com Zucker( 1959) ela se estruturava em vários espaços:
praças de mercado, onde acontecia toda a atividade comercial da cidade, geralmente instalada em lugar de maior movimento; praças no portal da cidade, normalmente praças triangulares, de onde partiam duas ou três ruas para o centro. Eram áreas de passagens e distribuição de tráfego; praças centrais, praças fundadas no centro do povoado, em comunidades novas; praças de igrejas, espaços em frente às igrejas, onde os fiéis se reuniam paras as atividades religiosas, procissões, missas ao ar livre, e onde ficavam os cristãos-novos, que não podiam entrar na igreja; praças agrupadas, pequenos espaços que ligavam praças de mercado e praças de igrejas (adros).
Como se pode ver na imagem 07 (ao lado), o contraste espacial, juntamente com o papel desenvolvido pela praça, determinariam a noção de marco urbano e visual adquirida por esse espaço nas cidades medievais.
Durante o Renascimento, a praça adquire nova função estética e social. O crescimento urbano, o desenvolvimento do mercantilismo e das pequenas
Figura 06: Praça Medieval (Praça de Mercado)
Fonte:cidademedieval.blogspot.com/ Acesso: 02/11/2010.
Figura 07: Piazza Del Campo e Piazza Del Catedral – Siena. (o contraste
entre os grandes espaços das praças com as estreitas ruas medievais).
indústrias, e a reestruturação da sociedade com o surgimento da burguesia acarretaram novas atitudes em relação ao espaço citadino (CALDEIRA, 2007).
A praça passa a ser elemento estruturante do desenho urbano, definido por uma rígida geometria. Como afirma ZUCKER (1959:99), “design arquitetônico,
teoria estética e princípios de urbanização voltam-se para ideias idênticas”: a busca pela ordem e disciplina, em contraste com a espontaneidade do espaço medieval. Praças, ruas e avenidas transformam-se nos principais elementos de reformas e intervenções urbanas.
Na palavra de Segawa (1996, p.48): «o
emaranhado tecido de estreitas e abafadas vielas e ruas do passado vai, gradativamente, sendo substituído por largas, luminosas e arejadas vias de comunicação – o espaço urbano ganha novas referências com as perspectivas inéditas de avenidas retas e praças formais.» A geometria e a perspectiva tornam-se a base da ordenação espacial, conforme se pode observar nas figuras 08 e 09:
Figura 08: – A Praça Ideal na Cidade Renascentista, Século XV
Fonte:La cité idéale en Occident. (VERCELLONI, 1996 apud CALDEIRA, 2007).
Figura 09: Place de Vogues, Paris.
Nos séculos XVI e XVII, segundo Segawa (1996), com o fortalecimento da burguesia mercantil surge um novo espaço diferenciado das praças vistas até agora: os jardins públicos, que diferenciam das praças tradicionais pela inserção da vegetação no ambiente urbano com elemento constituinte da paisagem. Apesar de “público”, ainda conforme Segawa, esses jardins no momento de seu surgimento, eram espaços segregados na cidade, construídos por e para uma elite econômica e social. Esses locais nasceram como lugares que evitavam a alegre desordem das praças e estabeleceram elegantes e comportados cenários para um grupo social diferenciado, como é o caso da Place de Vogues em Paris (ver imagem 09).
Segundo a análise de Sennet(1988,p.32 apud CALDEIRA 2007, p.196) :
“Observa-se que o papel da praça entra em processo de declínio, em relação à sua dimensão social, sobretudo com o desenvolvimento dos parques públicos. Esses espaços ajardinados, geralmente protegidos das áreas de intensa circulação, juntamente com os jardins, representaram para a classe burguesa o ambiente ideal para o estabelecimento de novas condutas e hábitos sociais, como, por exemplo, o footing. Outros estabelecimentos como cafés, grandes magazines, mercados e teatros também se estabeleceram como alternativas de práticas sociais burguesas em substituição a antigas práticas urbanas, acolhendo os novos hábitos citadinos.”
A partir do séc. XIX, a paisagem urbana das cidades europeias passou por reformas urbanas significativas depois do impacto causado pela Revolução Industrial. O crescimento acelerado da cidade exige intervenções gerais e não pontuais na morfologia urbana (CALDEIRA, 2007). A cidade moderna deveria refletir o avanço tecnológico, resultado do desenvolvimento social, com riqueza de informações, e os parques franceses absorveram este novo modelo de incorporação da natureza ao tecido urbano, com destaque para os grandes parques que se constituíram em elementos chave da reforma urbana de Paris: Bois de Boulogne e Bois de Vincennes (ver imagens 10 e 11).
No tempo pós-renascentista, a praça é utilizada como um elemento urbanístico de grande importância. Surgem, então, as praças de confluência de vias como no plano de intervenção de Paris executado pelo Barão de Haussmann na segunda metade do século XIX. O modelo da rua tradicional é substituído por um sistema de circulação de fluxo contínuo e a praça assume o papel de elemento de composição do sistema viário: lugar de passagem e entroncamento. A praça perde suas características tradicionais e se esvazia (FAVOLE, 1995). Os boulevards parisienses, com sua arborização ordenada, a concepção de cidades e bairros-jardim, os hortos botânicos, os parques públicos, as vias-parque, as praças ajardinadas, a residência isolada no lote e cercada de jardins são figuras urbano-paisagísticas que se consolidam durante o século XIX e início do século XX, caracterizando uma forma nova de projetar o espaço e a paisagem urbana. (MACEDO, 1999).
Figuras 10 e 11: Bois de Boulogne e Bois de Vincennes Fonte: imagens:http://www.panoramio.com/photo. Acesso em 18/11/2010
Portanto, os crescimentos acelerados das cidades exigem soluções adequadas aos problemas urbanos, modificando a estrutura formal da cidade e fazendo com que os espaços simbólicos e tradicionais percam o signifcado. É o caso da praça que entra em declínio como local de sociabilidade e se tornam vazios urbanos ligados ao sistema viário e ao abrigo de monumentos(CALDEIRA, 2007). Exemplo disso tem-se, no Brasil a Praça da Sé em São Paulo. A implantação do Plano de Avenidas, proposta de uma nova estruturação viária, afetou o entorno da Praça da Sé. Esta iria transformar-se no maior terminal paulistano de bondes e ônibus. O novo perfil da praça demonstraria o processo de submissão imposto aos espaços públicos centrais em favor da remodelação do sistema viário.(BARTALINI, 1988). Edifícios, quadras, praças seriam destruídos, demolidos e reorganizados para se efetivar a adequação do tráfego à escala do crescimento urbano.
Figuras 12 e 13 – Le Boulevard Haussmann
O modelo do boulevard torna-se símbolo da metrópole moderna. A intervenção de Haussmann rasga o tecido da Paris medieval propondo uma nova experiência do espaço urbano.
Fonte: expositions.bnf.fr – dex/2005 e Paris-Haussmann (CARS e PINON, 1991 apud CALDEIRA, 2007).
Figura 14 – PLACE De L’ETOILE, PARIS. Adequando-se
à nova escala urbana, a praça perde a força de sociabilidade.
Fonte: Plazas of Southern Europe (KATO, 1990apud
De acordo com Ferrara (2007), a Sé sofreu um processo de descaracterização, não de degradação: de adro da igreja de São Pedro da pedra (1860), largo da Sé, onde estacionavam os fiacres (1910), largo da Sé e passagem obrigatória de bondes (1915), Praça da Sé e a nova catedral em construção (1933), a Praça da Sé se amplia(1952) e em(1975) com um projeto da superpraça da sé, o edifício Mendes Caldeira é demolido, e a implantação da nova praça segmentada se adequa à Companhia do Metropolitano de São Paulo.
A praça moderna transforma-se num vazio perdido no meio da cidade, cercada pelo ruído dos automóveis e intensos tráfegos de pedestres e veículos, enquanto os cidadãos se recolhem cada vez mais aos lugares fechados em busca de um ambiente mais seguro e tranquilo. Segundo Sitte (1889:23): “A praça moderna, recortada no movimento
Figura 15: Praça da Sé com a nova caetdral em contrução ao fundo-1937 Fonte: www.aprenda450anos.com.br.Acesso 02/12/2010.
Figura 16: Praça da Sé nos dias atuais. Área modificada para se efetivar a
adequação do tráfego à escala do crescimento urbano.
protocolar de uma régua, não tem o menor conteúdo espiritual, somente uma superfície vazia, de tantos por tantos metros quadrados.”.
O papel da praça, atendendo às obras de infraestrutura urbana, está condenado à escala monumental, desempenhando somente a função de grande vazio. Contudo, uma mudança nas políticas de intervenção urbana recolocou em foco a questão da retomada do espaço público. Nesse contexto, a praça contemporânea parece estar ressurgindo como o protagonista dos espaços coletivos, principalmente nas ações de resgate de qualidade urbana concretizadas em intervenções de áreas centrais, de locais históricos, e mesmo de espaços reabilitados de pequenas praças.
Essa tendência de intervenção pontual parece alinhar algumas das propostas urbanas contemporâneas. Como exemplo, no Brasil, podemos citar o projeto da Praça Victor Civitta em São Paulo, cujo projeto foi determinado e realizado em função da recuperação de uma área publica degradada, que serviu como depósito de lixo.
Favole (1995,p.10) define a praça contemporanea:
“A praça contemporânea é um espaço que quase nunca tem uma função específica, nem depende, estritamente,de um edifício ou de um monumento. Sua finalidade é a de constituir-se em um lugar atrativo de encontro e reunião; Assim, agora o objetivo do projeto é a praça em si. O lugar onde a comunidade se reunia para realizar uma atividade coletiva(religiosa, comercial, política), é substiuido por um espaço que reune individuos isolados.um espaço, no entanto, unificado e definido por meio de desenho.”
Figura 17: FREEDOM PLAZA, WASHINGTON. Fonte: La Plaza em la Arquitectura Contemporânea
De certa forma, a praça na sua origem caracterizou-se como um espaço multifuncional, sujeito ao desenvolvimento de todo e qualquer tipo de atividade. Na sua trajetória até a concepção contemporânea, a praça foi sofrendo alterações morfológicas e funcionais, acarretando a formação de um espaço setorizado.
Renegando a possibilidade de sobreposição de funções, esses espaços se tornaram empobrecidos se comparados à riqueza de uso estabelecida anteriormente.
Por outro lado, a busca pela qualidade de vida urbana tem originado projetos de intervenção cujo objetivo principal é a retomada da convivência citadina nos espaços coletivos. Nesse contexto, verifica-se uma releitura do modelo da praça tradicional como foco central das políticas urbanas contemporâneas. Contudo, como já visto, a cidade carrega o potencial de ser o lugar que pode oferecer mudança e
variedade para as pessoas. Daí, a importância dos espaços urbanos que congregam e dão valores a essas mesmas cidades. (GOMES, 1997). É desse modo que: “Não se pode
chamar de cidade um lugar onde não existam praças e edifícios públicos.” (PAUSÂNIAS apud SITTE, 1992:32).
Figura 18: Imagem da Praça Victor Civita. Fonte:
Arquivo pessoal. Foto tirada pela autora em 20/11/2010.