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Localizada na Avenida do Estado, nº 300, no bairro do Bom Retiro, a Coopere Centro é uma das 20 cooperativas cadastradas pela prefeitura de São Paulo. Atualmente esta estação de triagem de resíduos recicláveis divide o terreno com a estação de transbordo da Ponte Pequena e, devido a obras de melhorias do bairro, conforme informado pela cooperativa, a entrada para a estação foi deslocada para dentro da estação de transbordo (seta amarela da figura abaixo), que também está passando por reformas. Por conta destas intervenções, todo o resíduo coletado pela concessionária Loga está sendo operado no pátio de entrada da estação de transbordo, causando incômodo para os funcionários da cooperativa que precisam atravessar o pátio onde os resíduos que vão para o aterro sanitário de Caieiras estão sendo descarregados.

Figura 3.25 – Foto aérea - localização da estação de triagem de materiais recicláveis Coopere- Centro. Fonte: GOOGLE, 2012.

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Na foto aérea da figura 3.25, é possível observar a dificuldade dos funcionários de chegar à estação de triagem de materiais recicláveis, pois precisam passar entre os caminhões de coleta e as carretas que levarão os resíduos até o aterro sanitário de Caieiras.

Os números 1, 2 e 3, na figura 3.25, representam a estrutura da cooperativa que é formada por:

1 – Área da primeira triagem de materiais; 2 – Área da segunda triagem e administração;

3 – Edifício composto por refeitório, vestiários e sanitários e área para palestras e cursos.

Figura 3.26 – Fachada da Estação de Transbordo Ponte Pequena em reforma e caminhões da Loga descarregando no pátio em frente à estação que ainda não está concluída. Fonte: POLZER, 2012.

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O fluxograma acima descreve como é o fluxo de resíduos dentro da estação de triagem de materiais recicláveis: a cooperativa recebe o material reciclável trazido pelas concessionárias da prefeitura de São Paulo e também de doações particulares. O material primeiramente é descarregado no primeiro galpão, onde é realizada a triagem dos materiais em vidro, metal, papel e plástico. Esses resíduos são colocados em tambores e depois são encaminhados para a segunda seleção, na qual os materiais são qualificados por seus subtipos.

No caso do papel, a separação é feita da seguinte forma: papel misto (coloridos, de embalagens de presente, cartolinas etc.), papel branco, jornal e papelão. Com o plástico, a separação é ainda maior: PET, copos descartáveis, plástico transparente, sacolinhas, plásticos duro, PVC etc. Os metais são separados em alumínio, latas de zinco e outros metais. Já os vidros são separados em transparentes e coloridos.

Depois de selecionados, os materiais são prensados e transformados em fardos para diminuir o volume e facilitar o transporte - no caso do papel, plástico e metal. O vidro é triturado e transportado em caçambas ou em barris.

O que não é separado na primeira seleção é considerado rejeito e é acumulado em um fosso no final da esteira para, posteriormente, ser encaminhado para o aterro sanitário. Durante a visita, foi observada uma grande quantidade de resíduos recicláveis que

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estavam no fosso e que poderiam ter sido separados. Isso ocorre porque uma parte desse material vem acompanhada de material orgânico, e cabe aos funcionários decidirem o que pode ser selecionado ou não; sendo assim, muitos materiais deixam de ser reciclados.

Sobre a infraestrutura da cooperativa, foi possível observar que a cobertura da primeira etapa de triagem foi reformada, pois a antiga caiu durante um temporal - por sorte não havia ninguém no local no momento da queda. A segunda área da triagem está sem cobertura de um lado e, do outro, há risco de cair.

Nas fotos da figura 3.28, é possível observar a quantidade de materiais recicláveis acumulados que ainda não foram triados, assim como os barris e sacos com os materiais já separados, prontos para serem encaminhados para a segunda triagem.

Figura 3.28 – Estação de triagem de material reciclável. A – Vista do galpão da primeira triagem; B – Vista da esteira de triagem; C – Plástico triado; D – Vidros triados. Fonte: POLZER, 2012.

A B

177 Figura 3.29 – Estação de triagem de material reciclável. Fotos da armazenagem improvisada

de papelão e da cobertura do segundo galpão. Fonte: POLZER, 2012.

A visita aconteceu em um sábado, no período da manhã. Embora os caminhões das concessionárias Ecourbis e Loga trabalhem durante o fim de semana, o expediente na cooperativa termina no sábado ao meio dia, o que faz com que os resíduos se acumulem durante todo o fim de semana.

A quantidade de materiais recicláveis que chegam às estações de triagem é muito grande comparada à estrutura física para realizar a primeira e a segunda triagem, o enfardamento e o armazenamento dos fardos para a comercialização. Além disso, alguns dos materiais enfardados que não têm muita procura não são vendidos e acabam sendo encaminhados para o aterro sanitário. Um exemplo disso são os copos descartáveis de plástico. No dia da visita, a cooperativa mostrou os fardos contendo copos descartáveis e informou que ainda não tinham encontrado um comprador; como não há muito espaço, estes fardos acabariam tendo como destino o aterro sanitário. A estação de triagem Coopere-Centro necessita de reforma e equipamentos. Com cerca de 120 funcionários cooperados, opera apenas com uma esteira pequena e uma prensa para metais. A prensa de papelão estava quebrada no dia da visita, por isso, o papelão estava sendo vendido solto, em caçambas, o que desvaloriza o produto, pois os compradores querem recebê-lo enfardado, com um volume menor. A balança também estava quebrada e, embora a cooperativa tenha recebido uma balança nova, ela estava encostada num canto, pois necessitava ser instalada e configurada.

A cooperativa foi inaugurada em 24 de abril de 2003 numa parceria do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, da OAF (Organização de Auxílio Fraterno), da Província Franciscana da Imaculada Conceição e da prefeitura do município de São Paulo. Os 120 cooperados trabalham em dois turnos, um das 6h às 14h e o outro das 14h às 22h. (COOPERE, 2012)

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A precariedade das instalações denuncia também as condições de trabalho dos funcionários que fazem a segunda seleção. Por não possuir estrutura para realizar a triagem, eles retiram os materiais do chão. Além disso, há risco de desabamento da cobertura do local, como se pode constatar na figura 3.29.

A B

C D

E F

Figura 3.30 – Exemplos de materiais enfardados prontos para serem comercializados. Fotos: A – Latinhas de alumínio; B – Garrafas PET; C – Vidro transparente; D – Plásticos finos coloridos; E – Plásticos finos transparentes; F – Copos descartáveis de plástico. Fonte: POLZER, 2012.

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É possível observar, nas fotos da figura 3.30, alguns exemplos de materiais que foram enfardados e que podem ser comercializados para empresas de reciclagem, responsáveis por transformar esses materiais em matéria prima para outras indústrias.

O local da segunda triagem dos materiais recicláveis é um pátio sem cobertura, que interliga as áreas 1 e 2 (vide números indicados na figura 3.25); essa área também serve de armazenagem. Durante a visita, foi verificado que, por conta da falta de cobertura, os fardos e os materiais já separados ficam expostos ao tempo, acumulando água de chuva e recebendo umidade e radiação, o que pode vir a prejudicar a qualidade dos materiais e comprometer sua comercialização. O ideal seria que os fardos fossem armazenados em local coberto.

A Coopere-Centro também recebe sucata eletrônica por meio de doações de particulares que a entrega no local. Os equipamentos eletrônicos são armazenados em duas salas fechadas e, depois, são entregues para outra empresa; esta irá desmontá-los e reutilizar suas peças na fabricação de outros equipamentos.

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