5 Drøfting og anbefalinger
5.1 Hvor er de store samordningsutfordringene?
A rede de produção textual voltada para a produção de um livro, segundo Martins Filho (1997), é constituída por procedimentos complementares como a preparação de originais, marcação de texto, composição e revisão de provas. Da apresentação de um texto “original” por um autor ã publicação do material, portanto, são efetuados diversos processos de reescrita, que variam em função de prazos, equipe disponível e perfil da obra, entre outros fatores.
Ribeiro (2007) aponta variações significativas na literatura sobre a “prática de revisores, preparadores e editores de texto (também chamados de copidesques), em espaços como editoras” (p.4). Em alguns casos, os profissionais estariam habilitados (e autorizados) a propor uma intervenção mais estrutural no texto de um autor e/ou propor ou fazer alterações no conteúdo, enquanto o trabalho de outros se limitaria a ajustes pontuais em uma versão inicial cujo estilo e argumentação devem ser preservados. Em termos gerais, como aponta Salgado (2007), o “tratamento editorial de textos, embora prática corrente desde séculos, é um
conjunto de etapas pouco discriminadas e menos ainda compreendidas na dinâmica do mercado editorial” (p.145).
Se nos basearmos na bibliografia de caráter técnico, cuja função principal é descrever os processos de textualização e dar orientação a profissionais interessados em atuar no setor de edição de livros, podemos identificar que a atuação profissional se situa entre duas vertentes principais: a “revisão” e a “edição”.
Revisores profissionais, geralmente, têm como propósito reescrever um texto para torná-lo mais legível com o cuidado de “manter o respeito ao original” (MEDEIROS, 1995, p. 87). Esta vertente de estudos de texto procura associar a revisão ã correção formal da linguagem, estando a atividade, portanto, restrita ã alteração de questões como “ortografia, estrutura da língua, concordância verbal e nominal, regência, colocação pronominal, pontuação, etc.” (MEDEIROS, 1995, p. 34).
Essa percepção da tarefa do revisor restringe a atividade a uma intervenção pontual e um tanto técnica sobre o texto. Já Queiroz (2008, p.21) apresenta uma definição mais ampla de revisão, que é entendida como um “procedimento de editoração que realiza uma leitura minuciosa do texto a ser publicado, observando o texto em seus aspectos estilístico, informativo e normativo, de modo a identificar e eliminar inadequações”. Segundo a autora, entre as intervenções esperadas na revisão estão a detecção de problemas na “coerência das informações, uso inadequado de pontuação, acentuação, realces gráficos, citações, abreviaturas, bibliografia, erros de digitação, cacofonia, uso incorreto de tempos verbais, redundâncias”. Ainda assim, espera-se que essas ações não sejam o “ponto orientador da revisão”, sob pena de este “tornar-se um trabalho mecânico, de caráter meramente normativo”.
O momento na rede de produção em que atua o revisor depende essencialmente do escopo definido para seu trabalho. Quanto mais intensas forem as modificações propostas pelo revisor, maior a necessidade de diálogo e/ou aprovação por parte do autor, o que torna necessária uma antecipação dessa etapa. Já uma revisão que vise essencialmente identificar problemas pontuais e de caráter microestrutural podem (e, em muitos casos, devem) ser feitas em um momento mais adiantado do processo. No fim da rede de produção, por exemplo, se encontra a “revisão de provas”, que é realizada a partir do texto já diagramado e impresso, quando é possível identificar problemas com hifenação, legendas, relação texto/imagens,
linhas viúvas e órfãs etc. Trata-se de uma etapa de refinamento do texto já inserido na estrutura gráfica da publicação, e por isso permite intervenções mínimas.
Com atuação muito mais ampla do que o revisor, em geral o “editor” é caracterizado como um profissional que atua essencialmente como coordenador de uma equipe responsável pela execução das tarefas ligadas ã feição de um livro. Este profissional pode ser voltado mais para a produção editorial ou para a gestão empresarial, conforme controvérsia nos estudos do tema apontada por Bragança (2005). Quando mais ligado ã execução editorial, pode assumir a função de “editor de texto”, que Morissawa (2008, p.8) define como um profissional que busca “dar ao conteúdo do manuscrito os elementos que o tornarão um livro dentro dos padrões exigidos pela casa editora”.
Segundo a autora, um dos profissionais ligados ao editor é o “preparador de originais”, para quem o editor “dita as particularidades de linguagem, normalização, detalhes técnicos, problemas de anotação, bibliografia, etc., necessidades específicas em termos do tratamento geral da obra”. Cabe ao preparador “realizar a normalização do texto de acordo com as exigências do conteúdo e o estilo da casa, e eliminar aparas, constituindo com seu trabalho uma espécie de controle de qualidade” (MORISSAWA, 2008, p. 9-10). Citando Pinto (1993), Ribeiro (2007) afirma que a preparação muitas vezes é vista como uma atividade que, além das questões gramaticais, requer um domínio sobre “questões discursivas e de gênero, além de fatos sintáticos e ao menos os rudimentos da produção editorial”.
A atuação do preparador de originais parece se aproximar das atribuições descritas por Bueno (2005, p. 360) para o “corretor de estilo”, que é
o profissional do texto, com formação filológica, bibliológica e cultura enciclopédica, que se ocupa de emendar, de maneira coerente e unificada, as incorreções ortográficas, ortotipográficas, ortotécnicas, léxicas e gramaticais, assim como os problemas de coesão (correção de frases e dos conteúdos no texto) que apresenta um original.
Já a “copidescagem” é uma atividade exercida por um “profissional que reescreve, edita o texto original, sempre em negociação com editor e autor”, visando, em última instância, “que o original seja legível” (RIBEIRO, 2007, p. 10). Já para Medeiros (1995, p. 34), copidescar é “dar nova redação a um texto com o objetivo de publicá-lo. O trabalho de copidescagem implica adequação do texto ãs convenções e normas editoriais”, por isso
“envolve uma formalização textual, correção gramatical e reescritura do texto”. Para o mesmo autor, copidescar não pode ser confundido com normalizar, segundo convenções da editora, ou com corrigir gramaticalmente um texto. Como aponta Salgado (2007, p.146) após consultar as definições de copidesque nos dicionários Aurélio e Houaiss: “não se trata apenas de correção, mas de aperfeiçoamento e adequação de um texto escrito” (grifos da autora).
Embora seja necessário, neste esforço para delimitação das atribuições de cada profissional parece- nos inviável identificar ou propor um consenso sobre as terminologias e atribuições mais comuns para cada profissional ligado ao tratamento de textos. O trabalho do revisor, do copidesque, do preparador de originais etc. varia em função das diferentes estruturas empresariais, dos perfis profissionais e da própria dificuldade de se mensurar o impacto das atividades de reescrita.
Importa aqui concluir que, em comum, estes profissionais têm a função de interferir em um texto sem deixar marcas autorais visíveis, independentemente de quem seja o autor do “original” submetido ã casa editora. Por outro lado, parece-nos inevitável - e, de algum modo, esperado - que os editores, revisores e outros profissionais gerem “efeitos de autoria (ou seja, singularidades que impliquem na unidade, autenticidade, coerência, responsabilidade)” (SALGADO, 2007, p.184) sobre os textos por eles manuseados. Trata-se, portanto, de uma tensa e rica relação na busca pelos limites concedidos a cada profissional responsável pela reescrita dos textos nas variadas etapas das redes de produção editorial. Como afirma Muniz Jr. (2010), a revisão de textos (e, de certa forma, qualquer uma das atividades profissionais que descrevemos anteriormente) pode ser vista como uma “instância de análise fundamental para compreender que os textos em circulação na sociedade quase nunca são do esforço individual de um sujeito”. Por isso, afirma o autor, “sob a superfície do texto acabado, ocultam-se conflitos, silenciamentos, resistências e insistências” (p.278).
O esforço para caracterizar o processo e os profissionais responsáveis pelo tratamento do texto na rede de produção de um livro parte de um reconhecimento da importância dessa tecnologia na cultural ocidental dos últimos séculos. Para nos aproximarmos mais do propósito e das possibilidades editoriais da Wikipédia, no entanto, faz-se necessária uma caracterização das especificidades de uma das configurações historicamente mais importantes de um livro: a concepção e elaboração de uma enciclopédia.