4. PRESENTASJON AV FUNN
4.1 Hvilken type oppfølging får de nytilsatte nyutdannede lærerne?
A oportunidade de expressão durante as atividades do projeto apareceu com bastante freqüência nas conversas com os/as alunos/as como um fator que contribui para suas aprendizagens.
“(...) tem um diálogo maior, debate sobre tudo, todos os temas tem debate, então achei super interessante (...)” (adolescente UIP F, 17/10/03).
“(...) aqui tudo a gente aprende (...) a gente socializa as idéias, conversa (...)” (adolescente UIP F, 03/06/04).
“(...) o que eu aprendi? Saber ter diálogo pra conversar com as pessoas entendeu? (...) conversar, ter união com o próximo entendeu?” (adolescente UIP F, 03/06/04).
“Ah pra mim eu penso que é importante porque pelo menos aqui tão dando valor no que eu penso, na minha opinião” (adolescente, UIP M, 08/03/04). “(...) aqui dentro eu desenvolvi meu lado critico das coisas entendeu? Ter a minha própria opinião” (adolescente, UIP M, 08/03/04).
Alguns adolescentes falaram sobre o conteúdo das atividades, mas justificaram seus aprendizados, na medida em que esses conteúdos possibilitaram que eles se expressassem.
“(...) uma oficina que eu gostei foi de poesia porque é o momento assim que você pode... Aqui a gente não pode ter um diário, alguma coisa parecida né? Aí então foi um momento assim que você podia expressar o que você sente (...) eu fiz um poema sobre separação (...)” (adolescente UIP F, 03/06/04). “Ah eu gostei de todas [oficinas], mas tem uma que eu mais gostei que foi a de criar um meio e fim da história (...) nossa eu achei muito divertido, muito legal, mostrar que eu posso também pensar né? Que às vezes eu realmente não pensava que eu podia criar coisas e nessa oficina eu vi que eu podia criar também. Achei super interessante e gostei muito” (adolescente UIP F, 03/06/04).
“Eu lembro do tema Saúde, do corpo humano (...) nós vamos fazer até um rap dos órgãos do corpo humano” (adolescente UIP M, 10/11/03).
De acordo com os depoimentos pode-se inferir que a possibilidade de dialogar, defender opiniões, usar criatividade para expor idéias, enfim, ouvir o que os/as alunos/as pensam a partir dos conteúdos trabalhados em sala de aula, é um fator que contribui para que eles/as aprendam na escola.
Interessante que havia momentos nas entrevistas, em que os/as jovens comparavam o projeto com o ensino regular, o qual, de acordo com eles não possibilitava esses momentos.
"(...) eu acho a escola [da UIP] 33 muito bacana, muito interessante que é bem
diferente da escola lá fora (...) [o que é diferente] o tratamento, as atividades, tudo, praticamente tudo tem um diálogo (...) debate sobre tudo, todos os temas tem debate, então achei super interessante" (adolescente UIP F, 17/10/03).
Como, segundo os/as jovens, não há diálogo nas salas de aula do ensino regular; a maneira pela qual os conhecimentos são transmitidos faz com que a escola se torne desinteressante.
"(...) as professoras do mundão (...) querem ensinar daquele jeito, empurra e fala: Aí oh! Pode copiar” (adolescente UIP F, 03/06/04).
“(...) [o professor] vai passa na lousa e dá uma explicação, vai copiando (...)" (adolescente UIP M, 10/11/03).
"(...) prefiro estudar aqui dentro (...) porque lá na rua os professores (...) só querem saber de passar lição na lousa, explicou uma vez só e acabou" (adolescente UIP F, 03/06/04).
A prática do professor de "passar lição na lousa para copiar" é comum nas escolas e bastante criticada pelos/as alunos das FEBENS.
Essa prática é aquela em que os educandos tornam-se os depositários e os educadores depositantes. Segundo Freire (1987) estaria ligada a uma concepção bancária de educação, em que o educador detém o saber e o educando é o que nada sabe, ou seja, não considera seu conhecimento prévio para construção de outros conhecimentos num processo de busca.
3.3.1.2 Trabalho em grupo
Outro aspecto que aparece nas conversas com os/as alunos/as como mobilizador de aprendizagens é o trabalho em grupo.
“A gente tem aprendido a conviver em grupo” (adolescente UIP F, 10/03/04).
“Eu acho que a gente trabalhando em grupo fica tudo mais esclarecido porque ali a gente tira dúvidas, ou seja, eu sei uma coisa, o rapaz sabe outra que eu não sei, eu posso tirar uma dúvida com ele. Aqui tudo é em grupo nas salas de aula (...) e eu acho muito importante porque além de ajudar a gente trabalhando em grupo, a gente pode tá conversando, esclarecendo uma dúvida um com outro (...)” (adolescente UIP M, 10/11/03).
“É nas oficinas mesmo [do projeto] que nós aprende mais a trabalhar em grupo, a dividir as coisas, eu gosto (...)” (adolescente UIP F, 10/03/04). “(...) os módulos ensinam a gente (...) trabalhar em grupo. Eu não gostava de trabalhar em grupo (...) agora sei lá, acho diferente (...) procuro dividir o que eu sei com as outras meninas, é legal” (adolescente UIP F, 03/06/04). “É a forma diferente. Aqui [no projeto] a forma da professora dar aula para nós é a forma mais em grupo. Cada um tem a sua opinião, cada um fala o que quer, respeita a opinião do próximo. Isso daí já deu a cidadania (...) isso daí é uma cidadania, estamos aprendendo aqui dentro mesmo” (adolescente UIP F, 03/06/04).
“Como os colegas disseram em grupo a gente aprende mais né senhora? Se entende, debate, até chegar uma união” (adolescente UIP M, 10/11/03). “(...) aqui a professora passa pra nós a união, se unidos todos juntos. Aqui a professora passa várias atividades, ela trabalha em grupo (...) o que mais nós sempre mais procura é trabalho em grupo, nós nunca faz individual é sempre em grupo, quando um não sabe outro vai lá explica. A professora sempre trabalha com nós em grupo assim; então fica uma aula interessante que você não sabe só a sua opinião, vê a opinião da classe inteira é assim que ta desenvolvendo o trabalho” (adolescente UIP M, 08/03/2004).
Com base nos depoimentos é possível perceber que os/as alunos/as se interessam e aprendem com os saberes dos colegas e também ao compartilhar seus próprios saberes sobre assuntos trabalhados nas aulas.
Segundo Charlot (2001) apropriar-se de um saber é introduzir-se nas relações que permitiram produzi-lo. É adotar, durante a atividade de aprendizagem a postura (relação com o mundo, com o outro e consigo) que corresponde a essa atividade e dominar as operações específicas de tal atividade.
Assim, para os/as adolescentes o projeto os ensinou a estabelecer relações com outras pessoas para produzir saberes coletivos.
3.3.1.3 Trabalho com grupos heterogêneos
Uma das características do projeto é a realização de um trabalho desseriado, no qual são discutidos assuntos de diferentes áreas do conhecimento num mesmo tema. Assim, na mesma sala havia alunos que estudavam no ensino médio antes de ingressarem na UIP e alunos não alfabetizados ou com muitas dificuldades de leitura e escrita.
Um grupo assim tão heterogêneo para alguns professores tornava-se um complicador, pois eles diziam que era preciso um atendimento quase que individual para aqueles alunos com muitas dificuldades, o que prejudicava o restante da sala.
Os professores que conseguiam desenvolver uma proposta com o grupo heterogêneo estimulando questões como oralidade e a solidariedade entre os/as alunos/as mobilizavam aprendizados como apontam os depoimentos.
“(...) quando ela não sabe ler a professora fala: “Oh você não sabe ler então você desenha”. Então ela desenha tudo e ela pega e fala (...) porque a gente faz oficina aí explica um pouco, cada um fala o que fez né? (...) que nem hoje foi a oficina do que a gente mais gosta, os pequenos prazeres do que a gente mais gosta. Aí, ela [aluna não alfabetizada] pegou falou assim: “Ah eu gosto da minha casa, eu gosto do parquinho, eu gosto de ficar um pouco na rua e eu gosto disso e daquilo” (...) e assim ela participa” (adolescente UIP F, 10/03/04).
“Eu acho legal essa mistura assim de classe porque eu to na 5ª vamos supor se a A. fosse da minha sala ela ia ser da 7ª, a outra do 1º [ano do ensino médio], a outra do Magistério. Então coisas que a gente não sabe elas sabem, então elas passam pra gente” (adolescente UIP F, 10/03/04).
“(...) que eu não sei ler nem escrever, mas sempre fico ali procurando saber, fazer, me interesso pelas fichas (...)” (adolescente UIP F, 17/10/03).
“(...) tem muitas meninas na minha sala que tem um pouco de dificuldade e é gratificante você estar ensinando pra ela, você estar explicando pra ela e ela saber fazer (...)” (adolescente UIP F, 03/06/04).
“(...) se a professora tiver ocupada e se o menor não entender aquilo, pergunta. Nós ensina, nós que lê, nós que sabe ler e escrever, nós vai lá” (adolescente UIP M, 10/11/03).
“Se alguém não entendeu a professora tá explicando pra outra pessoa, o aluno que não entendeu não precisa chamar a professora. Chega no rapaz que tiver do lado, fala: “Não entendi tal coisa”. O rapaz que ta do lado não nega de ensinar (...)” (adolescente, UIP M, 08/03/04).
Durante as conversas tanto com adolescentes da UIP F, como da UIP M foi possível perceber que existe uma certa disponibilidade dos alunos em ensinar àqueles que têm mais dificuldades. Mais que isso: os/as jovens, na medida em que assumem o papel de quem ensina se sentem bem, sentem prazer.
“(...) aprendi muitas coisas com esse projeto saúde (...) saber que eu posso ajudar alguém, falando às vezes as mesmas coisas que eu aprendi” (adolescente UIP F, 17/10/03).
“(...) porque eu tenho filho (...) tudo que eu aprendi aqui eu vou falar pra ele também” (adolescente UIP F, 17/10/03).
“(...) gostaria de passar o que eu aprendo aqui dentro lá fora” (adolescente UIP F, 03/06/04).
“(...) eu queria muito passar (...) lá pro pessoal da escola aquilo que eu aprendi aqui (...)” (adolescente UIP F, 03/06/04).
Desta forma, criar situações nas quais os/as jovens explicitem seus saberes e os utilizem para ensinar outras pessoas, talvez seja uma forma interessante de possibilitar aprendizados.
“O sujeito que aprende apropria-se de uma parte do patrimônio humano que se apresenta sob formas múltiplas e heterogêneas: palavras, idéias, teorias, mas também técnicas do corpo, práticas cotidianas, gestos técnicos, formas de interações, dispositivos relacionais (...)” (Charlot, 2001, p.21).
3.3.1.4 Os temas interdisciplinares
Outro aspecto que chamou atenção nas falas dos/as alunos/as foi referente ao trabalho com temas interdisciplinares.
“(...) no mundão; no mundão tem matemática, português, história, agora aqui não; aqui a gente aprende tudo junto, tudo misturado e fica mais fácil pra gente aprender” (adolescente UIP F, 03/06/04).
“Tudo de uma maneira só [as disciplinas], tudo envolvido num conteúdo só. Melhor do que lá [na escola regular] que era separado, tipo era mais carregado e você não aprendia nada, aqui é tudo unido, você aprende bem melhor do que lá senhora” (adolescente UIP M, 10/11/03).
Assim, a oportunidade de conhecer assuntos de diferentes áreas do conhecimento ao discutir um tema foi um modo de trabalhar conteúdos em sala de aula que mobilizou interesse nos jovens.
Segundo Giroux (1988) nas escolas os estudantes são freqüentemente treinados pelos professores para compartilhar técnicas que visam o domínio da disciplina.
Assim, o desenvolvimento de projetos temáticos interdisciplinares com os alunos não é prática comum dos professores nas escolas, mas, de acordo com os/as jovens das Unidades da FEBEM, é uma possibilidade mobilizadora do aprendizado.