4 Drøfting av resultatene fra de seks delrapportene
4.6 Hvilken omstilling er gjennomført og hvordan?
Antes de qualquer outra afirmação, queremos anotar que os sujeitos desta pesquisa, entrevistados, trouxeram uma contribuição sem tamanho para a construção mais cuidadosa desta Dissertação.
É importante registrar, também, antes de apresentar as três participantes, que para cada uma delas foi dado um nome fictício, respeitando a ética da pesquisa científica. Os nomes fictícios foram retirados do programa Heróis de Todo Mundo, uma coletânea de vídeos com a vida e a obra de trinta importantes personalidades negras brasileiras ao longo da história, encenadas por atrizes e atores contemporâneos. O programa Heróis de Todo Mundo é parte integrante do kit pedagógico do projeto A Cor da Cultura, o qual apresentaremos mais adiante com mais acuidade.
Cada nome fictício foi escolhido a partir da leitura da biografia destas personalidades negras brasileiras, de modo que tivesse alguma relação com a personalidade de cada entrevistada.
2.1 Antonieta18
Antonieta tem trinta e sete anos. Apresenta-se como: nordestina, mulher, filha de mãe de santo e de pai machista; já foi capoeirista e é membro de uma “família diversa”.
Há dezesseis anos trabalha na rede municipal de educação de Santo André como estatutária, sendo que já atuou como professora, diretora,
17 Esses roteiros podem ser apreciados no Apêndice B.
18 Nome referente à Antonieta de Barros (1901-1952). Natural de Florianópolis, em Santa
Catarina, foi professora, escritora, jornalista e militante política (a primeira deputada estadual negra do Brasil). Destacou-se “pela coragem de expressar suas idéias dentro de um contexto histórico que não permitia às mulheres a livre expressão; por ter conquistado um espaço na imprensa e por meio dele opinar sobre as mais diversas questões; e principalmente por ter lutado pelos menos favorecidos, visando sempre a educação da população mais carente”. (A COR DA CULTURA, 2009a)
assistente do CADE, Gerente19 do Ensino Fundamental. Até a data da entrevista atuava como Gerente de Articulação de Projetos.
Conta que seu interesse pela diversidade vem de muito antes do magistério e que o seu percurso humano a levou a “olhar para todas essas coisas de uma maneira muito carinhosa e muito preocupada também”.
Ela foi a representante da Secretaria de Educação e Formação Profissional responsável pelas formações Gênero e Raça e A Cor da Cultura20. Também atuou como elo entre a Secretaria de Educação e as professoras para a discussão da temática étnico-racial na rede municipal.
2.2 Lélia21
Lélia está na educação e na educação infantil há trinta anos. Desses, dezesseis anos são contados na rede municipal de ensino de Santo André, como estatutária. Atua há uma década, como professora, na mesma creche. Trabalha com crianças do primeiro ciclo, ou seja, de quatro e cinco anos de idade.
Contou que sempre quis ser professora, mas primeiro se formou como técnica em Contabilidade, para agradar ao seu pai; somente depois é que prosseguiu para cursar o Magistério e a Pedagogia.
Quanto à sua raça, considera-se negra, pois “meu pai é negro, minha mãe tem uma mistura grande também”.
19 Na Prefeitura do Município de Santo André todos os cargos de chefia (função gratificada ou
comissionada), inclusive na área da educação, são denominados de gerentes. A esse respeito, Vitor Henrique Paro, no livro Administração escolar: introdução crítica, faz duras e críticas considerações. Segundo ele, a gerência tem a função de controlar o trabalhador, pois, na produção capitalista, valoriza-se o capital e a exploração da mão-de-obra. Como a escola é parte da sociedade capitalista, muitas vezes o tipo de administração escolar assemelha-se à administração empresarial. Para ele, “o tipo de gestão escolar constituído à imagem e semelhança da administração empresarial capitalista se mostra incompatível com uma proposta de articulação da escola com o interesse dos dominados” (1993:150). Assim nos apresenta que somente uma administração escolar que visa a transformação social será capaz de dissociar o modelo escolar do modelo empresarial.
20 Mais detidamente apresentadas no Capítulo IV desta Dissertação.
21 Nome referente à Lélia Almeida González (1935-1994). Natural de Belo Horizonte, em Minas
Gerais, foi professora universitária e militante política (candidata a deputada estadual e federal). Participou da fundação do Movimento Negro Unificado (MNU) e de outras instituições ligadas à questão racial. “Até a metade dos anos 80, Lélia talvez tenha sido a militante negra que mais participou de seminários e congressos dentro e fora do Brasil. Suas contribuições de maior impacto foram as que buscaram articular as questões de gênero e racismo”. (A COR DA CULTURA, 2009b)
Segundo ela, a diversidade “é um conjunto entre diferentes”. Conceitua racismo como um “câncer” e ainda acrescenta: “não adianta dizer que não existe, existe, não só com relação à raça, mas com relação a várias coisas, a nível social, religioso, até com relação aquilo que eu gosto, não gosto, existe a questão do racismo”.
Participou da formação Gênero e Raça, sendo escolhida pela equipe da escola, de modo que foi a representante responsável por multiplicar os conhecimentos adquiridos nessa formação.
Teve contato com a formação A Cor da Cultura por meio de sua Assistente Pedagógica e conheceu o material do kit pedagógico.
2.3 Carolina22
Carolina tem quarenta e dois anos. É casada e tem dois filhos, que “são os seus amores”.
É formada em Pedagogia, com especialização em Educação Infantil, e está cursando a especialização em Gestão.
Trabalha na rede municipal de ensino de Santo André há dezoito anos, mas está na educação há vinte e dois. Atuou como professora de ensino fundamental, mas atualmente trabalha como professora de educação de jovens e adultos e professora de creche (com crianças de quatro e cinco anos).
Se autodeclara como branca, mas diz que também tem “o sangue negro”, por conta de a sua avó ser negra.
Conceitua diversidade como a “multiplicidade”. Para ela, as relações étnico-raciais “são as relações que envolvem as diferentes culturas”. Segundo ela, racismo é “a desvalorização de um em detrimento do outro, por conta da cor, da cultura”.
Foi escolhida, segundo ela, “de comum acordo com as outras professoras”, para ser a representante da escola na formação Gênero e Raça,
22 Nome referente à Carolina Maria de Jesus (1914-1977). Natural de Sacramento, em Minas
Gerais, foi moradora de favela e catadora de papel. Descoberta por um jornalista, suas anotações deram origem ao livro “Quarto de Despejo”; daí em diante escreveu muitas outras obras. “Carolina foi uma das duas únicas brasileiras incluídas na Antologia de Escritoras
Negras, publicada em 1980 pela Random House, em Nova York. Também está incluída no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis, publicado em Lisboa por Lello & Irmão”. (A COR DA
pois sempre teve uma identificação com a questão ambiental23.
Assim como a professora Lélia, Carolina teve contato com a formação A Cor da Cultura por meio de sua Assistente Pedagógica e também conheceu o kit pedagógico.