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I hvilken grad kan det brukte varemerket avvike fra det registrerte

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4 I HVILKEN FORM KAN VAREMERKET BRUKES

4.1 I hvilken grad kan det brukte varemerket avvike fra det registrerte

A história da educação, por meio de diversos autores (SEVERINO, 1986; SAVIANI et al, 2004; SAVIANI, 2007; GHIRALDELLI JR, 2001; entre outros), nos mostra que a educação é um processo social, na medida em que reflete as crenças, a ideologia, as verdades de um determinado momento cristalizado no tempo.

Desse modo, penso que é possível vislumbrar nas bases epistemológicas da educação insumos para a formação de professores, o que nos traz a possibilidade de repensar essa formação.

Para os objetivos a que me proponho, convém destacar que o período histórico estudado está concentrado em meados do século XX e início do século XXI, em virtude de ser esse o contexto de produção dos DOPLE-inglês e do discurso educacional subjacente a eles, escopo desta tese.

Severino (1986) afirma que a educação passou “por um trabalho teórico de cientificização”, quando a ciência moderna tem impacto sobre os modelos que buscavam explicar as ciências humanas, o que faz com que a teoria da educação passe a significar “teoria científica da educação”, caracterizada como “síntese de leis de regularidade, necessidade e universalidade que sistematizam e unificam a dispersão dos fenômenos empíricos” (op.cit., p. 40).

Essa fase de cientificização pode ser evidenciada na educação quando, a partir dos anos 30, foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública (SAVIANI et al., 2004), atual Ministério da Educação, responsável pela articulação de um plano institucional em nível nacional.

A título de ilustração, transcrevo um dos “considerandos” do Decreto nº 27, de 12 de março de 189016, que “Reforma a Escola Normal e converte em Escolas Modelos as Escolas annexas”:

Considerando que, sem professores bem preparados, praticamente instruidos nos modernos processos pedagogicos e com cabedal scientifico adequado ás necessidades da vida actual, o ensino não póde ser regenerador e eficaz [...]. (SÃO PAULO, 1890, grifos meus). Pelo excerto acima, é possível compreender que o sentido de cientificização está relacionado ao uso de processos pedagógicos modernos, ou seja, métodos que perpassam as práticas pedagógicas a partir de um ideário de educação, qual seja, o iluminismo. É interessante analisar como o discurso do moderno reverbera através do tempo e é recuperado pelo discurso dos DOPLE-inglês, quase um século depois, conforme análise no capítulo 2 desta tese.

Sobre essa cientificização, importa traçar um panorama de fundo a respeito do pensamento iluminista, corrente fundada no século XVIII na Europa Ocidental, cujos reflexos no Brasil alcançam o início do século XX, em que a crescente industrialização deixa para trás o modo feudal de produção para apostar em um modo capitalista de produção, marcado pelo surgimento de uma nova classe com ideário de desenvolvimento econômico. Assim, encontra solo fértil, no Brasil, principalmente o estilo americano de produção ligada ao poder do capital, ou seja, a escola formando

16 Para o acesso ao texto completo do Decreto, ver <http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/decreto/1890/decreto-27-12.03.1890.html>. Acesso em 27 mai. 2015.

para o exercício do mercado de trabalho e mão de obra especializada. Há que se destacar que as ideias tecnicistas, mais próximas dos ideais de eficiência e produtividade originários do Taylorismo, foram influentes no cenário brasileiro até a década de setenta.

Dessa maneira, a influência americana, especialmente entre as décadas de 1940 e 1960, se faz sentir com a perspectiva que descrevia o currículo como um instrumento de circulação do pensamento tecnicista e ideias pragmáticas de autores americanos com o objetivo do controle social.

Nesse sentido, Bobbitt (1918) foi o precursor, nos EUA, a buscar respostas para os contornos da escolarização de massas e o melhor gerenciamento da sociedade industrial, em franco desenvolvimento. Suas concepções podem ser consideradas bastante conservadoras, pois se estabeleciam sob uma forte base econômico- empresarial, uma vez que visavam a produzir um bom (obediente) aluno, moldado com as características desejáveis de aprendizagem pautada pela eficiência, regularidade, pontualidade, silêncio e diligência.

Embora outras visões coexistissem, essa acabou por prevalecer em vista da necessidade de a educação tornar-se científica, conforme a visão modernista da Ciência, para que pudesse ser levada a sério como campo de pesquisa e com instrumentos que pudessem medir os resultados de seu objeto de análise. Assim, tal pensamento foi capaz de disseminar um enfoque neocolonialista.

A concepção pedagógica tecnicista, assim, perpassa as práticas pedagógicas de ensino de inglês, calcadas em uma visão estruturalista da língua, segmentando-a e fragmentando-a em categorias gramaticais. Grosso modo, a formação de professores absorve esse ideário com uma formação instrucional, cujo objetivo precípuo é prescrever o passo a passo a ser seguido pelo professor, em especial a prescrição de conteúdo e respostas.

Esse tipo de formação ainda está fortemente cristalizado na escola, haja vista a configuração da PCLEM-inglês (2008), cuja divulgação se faz pela página da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, na web17:

17 Conforme disponível em: <http://www.educacao.sp.gov.br/caderno-professor>. Acesso em 13 mar. 2015.

Por meio do programa São Paulo Faz Escola, os educadores que atuam nas unidades da rede estadual de ensino recebem o Caderno do Professor para auxiliar os docentes no preparo das aulas e direcioná-los quanto ao desenvolvimento de atividades com os alunos dentro das disciplinas de matemática, língua portuguesa, história, filosofia, química, física, biologia sociologia, inglês, geografia e educação física.

O material pedagógico foi desenvolvido por especialistas da Educação com a proposta de unificar o ensino oferecido nas mais de cinco mil escolas da rede estadual. O conteúdo corresponde às bases estipuladas no Currículo Oficial do Estado de São Paulo.

O discurso pedagógico oficial, então, reverbera um já-dito, constituindo o interdiscurso calcado na noção de que o sujeito-professor necessita ser direcionado a fim de cumprir um currículo organizado e desenvolvido por especialistas. Saviani (2007, p. 382) nos diz:

Se na pedagogia tradicional a iniciativa cabia ao professor, que era, ao mesmo tempo, o sujeito do processo, o elementos decisivo e decisório; e se na pedagogia nova a iniciativa se desloca para o aluno, situando-se o nervo da ação educativa na relação professor-aluno, portanto, relação interpessoal, intersubjetiva; na pedagogia tecnicista o elemento principal passa a ser a organização racional dos meios, ocupando o professor e o aluno posição secundária, relegados que são à condição de executores de um processo cuja concepção, planejamento, coordenação e controle ficam a cargo de especialistas supostamente habilitados, neutros, objetivos, imparciais. (SAVIANI, 2007, p. 382, grifos meus).

É interessante observar que a prescrição de conteúdo, assentada em uma teoria educacional tecnicista com viés de massificação, se apoia no desejo de homogeneização expressa pelo significante unificar; no entanto, a homogeneidade é ilusória já que não há garantias de que todos aprendam o mesmo conteúdo da mesma forma.

Assim, coaduno com o que Braga (2008, p. 9) afirma ao dizer que “a homogeneização, que não permite o fluir da heterogeneidade, não contribui com o processo de aprendizagem de língua inglesa por limitar o aprendizado à repetição de modelos impostos” [...]. A autora defende, ainda, que a individualidade e a diversidade, considerados elementos que nos permitem ser singulares e únicos, são apagadas pelo processo que busca garantir a homogeneidade ilusória.

Da mesma forma que alunos são limitados por um modelo de aprendizagem centrado na repetição de estruturas, os professores também são limitados em sua autonomia de planejar, de decidir sobre o conteúdo, enfim, de exercer sua prática docente, que fica restrita à execução de procedimentos elaborados por outros, supostamente mais preparados ao exercício desse saber e, consequentemente, exercendo mais poder sobre o sujeito-professor.

Diante do exposto, a formação de professores fica impactada, em especial, com receitas prontas para a condução do processo de ensinar e aprender.

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