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limitada de publicações relacionadas aos temas “redes de cooperação” e “agricultura familiar”, o que reforçou a motivação para a realização da presente pesquisa. Assim, considera-se relevante a pesquisa científica, esperando-se contribuir com o avanço da ciência e o debate acadêmico, e aperfeiçoar as iniciativas públicas voltadas ao desenvolvimento rural.

Diante do exposto, a pergunta a ser respondida pela presente pesquisa é:

Como as redes de cooperação podem favorecer o desenvolvimento da agricultura familiar?

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Analisar a contribuição das redes de cooperação no Programa SC Rural como subsídio para o desenvolvimento da agricultura familiar.

1.2.2 Objetivos específicos

- Identificar as estratégias utilizadas nos Programas Microbacias e SC Rural que favorecem o uso do conhecimento no âmbito da agricultura familiar;

- Identificar e descrever os mecanismos de cooperação estimulados pelos Programas Microbacias e SC Rural;

- Mapear as redes de cooperação apoiadas pelos Programas Microbacias e SC Rural.

1.3 JUSTIFICATIVA

As estratégias do Programa SC Rural para promover as mudanças no ambiente rural passam pelo uso do conhecimento, na medida em que propõem a

inclusão de parcela de agricultores familiares em mercados competitivos, por meio de apoio à implantação e à melhoria de negócios, processos, produtos e serviços inovadores. Ao adotar como elementos centrais a cooperação e a competitividade para o desenvolvimento da agricultura familiar catarinense, o Programa estabelece o conhecimento como principal fator facilitador para o alcance desse objetivo.

É possível perceber que, apesar dos esforços e dos resultados alcançados pelos Programas Microbacias 1 e 2 e pela pujante agricultura do estado catarinense, o processo de esvaziamento do campo e de envelhecimento de sua população continua em curso.

O SC Rural tem como uma de suas principais metas o apoio financeiro e técnico a 500 projetos estruturantes5 de agricultores familiares, que deverão envolver, direta e indiretamente, em torno de 20.000 famílias. Os projetos estruturantes são elaborados por equipes técnicas especializadas e envolvem a melhoria ou implantação de empreendimentos e planos de negócios agrícolas e não agrícolas (SANTA CATARINA, 2010). O Programa aposta na agregação de valor e na inovação visando à diferenciação de produtos e serviços, adoção de processos ambientais, econômicos e sociais sustentáveis, melhorando a renda e as oportunidades dos agricultores familiares. A diferenciação, a inovação e o conhecimento serão peças-chave para a conquista de mercados consumidores exigentes.

A gestão de empreendimentos e o apoio a redes de cooperação são parte da estratégia do SC Rural, tanto na fase embrionária de novos empreendimentos como na consolidação dos já existentes. Com base em estratégias desenvolvidas pelo Programa, espera-se que as organizações do setor se desenvolvam com base na cooperação e se tornem mais competitivas.

As ações executadas no escopo do SC Rural são desdobramentos do desenvolvimento dos Programas Microbacias, que, em suas distintas fases, tiveram como base de suas ações as relações sociais, técnicas e institucionais. Viabilizando experiências inéditas para a agricultura familiar e o Estado de Santa Catarina, tem- se a percepção de que as iniciativas públicas se tornam um pano de fundo para o

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Projeto Estruturante: projeto que contribua para a superação de problemas abrangentes que dificultam a competitividade da agricultura familiar. Deve contemplar no mínimo um plano de negócio e abranger um ou mais setor da cadeia produtiva, visando superar dificuldades estruturais de inserção no mercado.

desenvolvimento desse segmento da agricultura no Estado. O foco dessas ações é o desenvolvimento comunitário, ampliando as possibilidades de inclusão das famílias rurais e elevando suas condições de vida. Portanto, pode-se dizer que o Programa SC Rural procura criar condições para esse desenvolvimento.

Por sua vez, como todo trabalho de pesquisa acadêmica deve ter uma motivação pessoal, este trabalho é marcado pela experiência vivida pelo pesquisador em iniciativas públicas relacionadas ao meio rural nas últimas duas décadas, o que lhe permitiu acompanhar de perto a evolução dessas experiências relacionadas ao desenvolvimento da pequena agricultura, mais recentemente denominada “agricultura familiar”.

O autor é colaborador da Epagri, organização pública com mais de 50 anos de atuação no Estado. Atua na coordenação estadual do Programa SC Rural, executado pelo governo do Estado em parceria com o Banco Interamericano para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). Nos anos 1980, iniciou sua vida profissional como extensionista rural no Microbacias do governo do Paraná. Nos anos 1990, já em Santa Catarina, realizou pesquisas de avaliação do Microbacias 1, e no início dos anos 2000 atuou junto à equipe técnica do Microbacias 2.

Em 2009, diante da oportunidade de um “namoro” com o Programa de Pós- Graduação de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC, passou a frequentar como aluno participante (ouvinte e atuante) de disciplinas que contribuíram para a preparação para o processo seletivo do PPGEGC. Em 2012 conquistou o acesso ao mestrado e vislumbrou a oportunidade de aprofundar as reflexões acerca das mudanças verificadas no ambiente rural catarinense, em especial o relacionado à agricultura familiar, com base nos preceitos acadêmicos.

Tendo a convicção de que iniciativas públicas têm importante papel para o desenvolvimento rural e de que isso está estreitamente relacionado não só com os objetivos, mas também com sua forma de operacionalização, e ante a necessidade de apresentar um projeto de pesquisa para o PPGEGC, definiu-se como temas principais de proposta a agricultura familiar e as redes de cooperação, relacionadas ao Programa SC Rural.

O ingresso no PPGEGC, as disciplinas cursadas, os conteúdos estudados e trabalhos realizados, as atividades dos grupos de pesquisa como o da atividade de pesquisa programada (APP de empreendedorismo) e as orientações recebidas

proporcionaram elementos e reflexões que consolidaram o tema e o objeto de estudo da presente pesquisa. Tais reflexões passam pela análise e compreensão das estratégias preconizadas pelo Microbacias e pelo SC Rural e de sua contribuição para o desenvolvimento da agricultura familiar.

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