7 Analyse: Hvem kommer til orde i nyhetssakene?
7.1 Hvem utgjør kildegrunnlaget i nyhetssakene?
Brown e Rodgers (2002) defendem que, para se realizar uma pesquisa dentro de uma abordagem qualitativa, é necessário delimitar o contexto: espaço, tempo, participantes e dados, o que, na visão do ISD, conforme assegura Bronckart (2003), equivaleria à comunidade linguística que situa a qualidade dos textos a serem analisados, isto é, os parâmetros do mundo físico e do mundo sociossubjetivo que colaboraram para a constituição do texto. Mais precisamente, faz-se necessário o corte epistemológico para a realização do estudo segundo um recorte temporal-espacial (período, data e lugar).
Em relação a esse contexto, esta pesquisa foi realizada no ano de 2017, em uma escola da rede privada de Uberlândia (MG), localizada na área central dessa cidade. Nesse ano, atuei como professora de Redação em duas turmas da terceira série. Foram ministradas duas aulas, em sequência, por semana em cada turma, com a duração de 45 minutos cada aula conforme orientação pedagógica que orienta o planejamento da disciplina de Redação para o Ensino Médio. São propostas duas aulas de redação contínuas devido à sequência didática estabelecida no planejamento da disciplina: no primeiro tempo, discute-se e problematiza-se o tema de produção textual selecionado para aula, bem como orienta-se o gênero que comporá o entendimento dessa temática; no segundo momento, solicita-se ao aluno que produza, individualmente, em sala de aula, a redação orientada.
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Assim, organizei o planejamento anual da minha disciplina baseado tanto nessa carga horária como nessa forma de execução das aulas, conforme a orientação da escola onde realizei esta pesquisa. Para efetivar o que idealizei nos meus planos do curso, sempre elaborei os materiais fotocopiados que utilizei a partir da autorização e do acompanhamento da minha coordenadora pedagógica, visto que a apostila adotada pela instituição não contemplava a sequência didática que executei durante o ano letivo.
No intuito de trabalhar a Redação Enem, construí, portanto, o material teórico que continha as características composicionais como também marcas de textualidade desse gênero. Como indica Bakhtin (1997), são três aspectos que compõem o gênero: “construção composicional”, ao lado do “conteúdo temático” e do “estilo”. Além disso, fundamentada no pressuposto de que o gênero deve representar uma “ação social”, selecionei trinta temas motivadores – trabalhados um por semana ao longo do ano letivo – para os alunos mobilizarem o repertório sociocultural construído ao longo do Ensino Médio e as características composicionais do gênero em questão. Assim, penso que foi possível que eles contribuíssem para a discussão promovida da temática indicada para a aula e tivessem condições de analisar criticamente a questão apontada na proposta de redação.
Como mencionei na introdução deste trabalho, compõe o corpus desta pesquisa parte dos textos Redação Enem produzidos pelos participantes quando cursaram a 3ª série do Ensino Médio. Dos 65 estudantes que compuseram esse nível de ensino, selecionei dois alunos para constituírem esta investigação. Um dos participantes desta pesquisa, denominado como A, cursou todo o ensino médio (1ª, 2ª e 3ª séries) na escola privada de Uberlândia em que trabalho e obteve, ao longo do ano letivo, a média de 85% a 90% das notas de redação dispensadas para cada trimestre. Já o outro participante, denominado como B, cursou a 1ª e a 2ª séries do Ensino Médio em escola pública e apenas a 3ª série nessa escola particular; diferentemente do participante A, ele obteve a média de 70% a 92% das notas de redação.
Assim, os participantes de pesquisa foram definidos a partir do contexto vivenciado por eles. Fiz a escolha destes alunos tanto para contrastar a média de notas obtida durante cada trimestre, como também pela experiência e vivência na prática de produção de textos que tiveram antes de cursar a 3ª série do ensino médio, sendo que vieram de realidades distintas: o participante A continuou no mesmo contexto pedagógico: inserido na mesma escola, produzindo, em média, um texto por semana; já o B não havia experimentado a oferta da disciplina Redação em sua grade curricular,
pois, como ele me relatou, essa matéria escolar estava inserida na disciplina Língua Portuguesa ( não havia separação para a disciplina Redação), por isso produziam poucos textos quando estudara na escola pública, localizada no mesmo munícipio.
Como mencionei na introdução, auxiliei os alunos a criarem os portfólios de Redação, os quais foram instrumento de organização e de motivação para a maior parte dos alunos a fazerem as pesquisas prévias da temática a ser trabalhada em sala (eu sempre entregava a fotocópia do tema a ser trabalhado posteriormente), os textos solicitados, como também a reescrita dessas redações corrigidas. A partir dessa constatação, presumo que essa motivação também foi resultado do acompanhamento sistemático que eu fiz das pastas, já que, em todas as aulas, no momento em que produziam o texto, eu sempre verificava o material dos alunos, intervinha nas dúvidas que, eventualmente, perguntavam-me e auxiliava-os na produção dos textos.
Isso posto, posso afirmar que a escolha desse contexto foi motivada pelas circunstâncias pessoais e profissionais que me impulsionaram a investigar os questionamentos relativos à habilidade e à competência apresentadas por alunos da 3ª série do Ensino Médio ao produzirem um texto. Isto é, ao ler os textos que, sequencialmente compunham a pasta, eu tinha condições de refletir sobre a evolução ou não do meu aluno na escrita de uma redação como também de analisar se ele ampliava ou não o seu próprio repertório sociocultural a partir das pesquisas feitas como atividade extraclasse e dos debates realizados em sala de aula.
Portanto, a realização desta investigação me trouxe subsídios e reflexões que tornaram possível a revisão de minha atuação em sala de aula a fim de que eu propusesse intervenções na minha prática e no meu planejamento de aulas para adotar medidas mais coerentes e efetivas aos meus objetivos na condição de professora de Redação da 3ª série do Ensino Médio.
Para que alguém produza conhecimento sobre o ensino é necessário que esta pessoa, se não estiver atuando nesse contexto, tenha um vasto conhecimento desse processo. Alguém que se dedica ao estudo de um assunto e procura conhecê-lo profundamente sabe que os livros não são suficientes, é preciso voltar-se para a realidade do que se pretende compreender. (BORELLI, 2001, p. 4)
Assim, o fato de eu direcionar o meu olhar para a minha ação como professora de Redação permitiu-me, posteriormente à realização desta pesquisa, intervir na minha
prática e na organização da disciplina e das aulas que a compõem, consequentemente, na formação escrita dos alunos.