8 Oppsummering og konklusjon
8.1 Forslag til videre forskning
De acordo com o Manual do Candidato do Enem, o papel dos textos motivadores da prova de redação é o de motivar, de inspirar e de contextualizar o candidato em relação ao tema proposto. Segundo orientação desse guia, o candidato deve aproveitar as informações presentes no texto sem copiar, pois as provas que contêm cópias terão as linhas desconsideradas no momento da correção e podem, quando em excesso, levar à nota zero na produção escrita. Contudo, ao analisar criticamente essa consideração do Enem acerca da coletânea, penso que os textos de apoio não estão ali por acaso ou apenas para motivar o aluno; pelo contrário, acredito que informações disponíveis sobre o tema podem reduzir a quantidade de zeros na prova de redação, visto que muitos alunos, que não tenham argumentos para produzir o texto, podem recorrer à paráfrase dos textos motivadores. Em decorrência disso, possivelmente, ele não alcançará um resultado satisfatório na redação, mas infiro que a chance de a zerar seja menor.
É importante salientar também que a proposta do Enem não é que o aluno reproduza as informações contidas nos textos motivadores. A banca de redação deseja que ele leia os textos, interprete-os e reelabore-os, conectando-os à sua discussão a fim de revelar indícios de autoria; todavia, penso que muitos alunos apresentam dificuldade em fazer essa interpretação, pois, geralmente, sentem-se “presos” a essas ideias devido ao direcionamento argumentativo proposto no enunciado da redação como também aos possíveis pontos a serem argumentados conforme o conteúdo que constitui os textos da coletânea, logo, ficam receosos de fazerem uma abordagem crítica para além dos textos de apoio com receio de tangenciar a temática da prova de redação.
Além desse percurso argumentativo, a matriz de referência do Enem também espera que o aluno mobilize conhecimentos de outras áreas, como sociologia, história, filosofia, literatura, dentre outros, para sustentar o posicionamento argumentativo requerido pela proposta. Porém, observei que muitos alunos tinham dificuldade ao trazer o repertório sociocultural para o texto, devido a diversos fatores como:
a) não sabem o que é considerado repertório sociocultural para o Enem; b) não se lembram de onde a informação ou o dado foram retirados;
c) desconhecem algum conteúdo de outra área do conhecimento para relacionar ao tema;
d) não sabem articular o conteúdo ao tema, isto é, possuem a informação, mas não conseguem associá-la ao argumento.
Dessa forma, entendo que os textos de apoio precisam ser interpretados criticamente pelo aluno; caso ele não o faça, a tendência é a produção de uma argumentação limitada, previsível e sem autoria, isto é, o aluno tende a parafrasear as informações da coletânea sem fazer uma avaliação crítica delas. Nesse contexto, também acredito que o professor de redação precisa auxiliar na leitura crítica da coletânea, por exemplo, após a leitura de um texto, supondo que é uma determinada lei, direcionar perguntas aos alunos, como: Você conhece esta lei? Pode-se deduzir que a
população brasileira a conhece ou não? Por quê? Esta lei tem sido efetivada na sociedade? Sim? Não? Por quê? Acredito que fazer esses questionamentos
constantemente pode auxiliar o aluno a explorar o conteúdo disponibilizado nos textos de apoio para que ele possa analisá-los criticamente no decorrer da redação.
Embora a redação do Enem direcione um caminho para ser percorrido na produção escrita, a matriz de correção de redação solicita que o aluno apresente indícios de autoria ao fazer o texto, o que, a meu ver, seria essa análise crítica da proposta que
conduz a Redação Enem, o que caracteriza o tipo discursivo dissertativo-argumentativo: reconhecer e explicar as relações argumentativas. Nesse contexto específico da análise da coletânea, acredito que a presença de textos com informações sobre o tema e, eventualmente, até mesmo argumentos já construídos, interfere na avaliação da originalidade das marcas de autoria na redação. Assim, dependendo do modo como o aluno utiliza essas informações e argumentos já dados, sua marca pessoal pode não se construir discursivamente, pois o seu texto não apresentaria originalidade, por isso, acredito que é importante a intervenção do professor de redação como sugeri no parágrafo anterior.
Compreendo, portanto, que a questão dos indícios de autoria no texto escolar revela a própria consciência da escrita, isto é, a autoria é revelada, na combinação entre forma (gênero de texto – estrutura composicional e linguística) e conteúdo, ou seja, pela existência de um projeto para o texto que determina desde a seleção das informações até a escolha das palavras, passando pelo modo como elas se arranjam no texto. Em um texto autoral, cada um dos elementos selecionados para a escrita (fatos, informações, opiniões, vocabulário, sintaxe) tem como objetivo provocar um efeito no leitor à medida que desvela essa autoconsciência e consegue recompor o chamado “ser de razão” no projeto que justifica as escolhas de quem escreve, delineando, desse modo, discursivamente, a figura do autor.
Possenti (2002) considera o autor como o sujeito capaz de expor a sua particularidade no discurso, extrapolando os aspectos formais e as regras que condicionam o texto, o que, para a Redação Enem, não se consegue realizar, pois, como mencionei no capítulo 01, o aluno está condicionado a uma série de regras para desenvolver a produção escrita, logo está cerceada essa liberdade de ir para além do texto. É importante mencionar também que, para Possenti (2002, p.89), a autoria está onde há a “explosão do sujeito”, isto é, onde ele imprime, no texto, suas marcas, as quais seriam “indícios de autoria”, o que é desafiador dadas as condições de direcionamento da proposta da Redação Enem e das características que compõem esse gênero.
Para esse autor, os indícios da autoria estão presentes no discurso, e não no texto ou na gramática. Nessa perspectiva, ele considera que a autoria passa a ser a atitude de alguém que, em um texto, é capaz de dar voz a outros enunciadores. Ao associar esse ponto de vista à Redação Enem, percebo que o aluno deveria ser um locutor que, em seu texto, fizesse uma escolha linguística para apresentar e organizar seu ponto de vista
diante do problema apresentado. Isto é, esse locutor, para cumprir seu projeto argumentativo conforme o Enem, faria surgir, em seu texto, outros enunciadores, outras vozes, com pontos de vista e atitudes usadas para corroborar a linha argumentativa desenvolvida por ele em seu projeto de texto. Todavia, noto que muitos alunos têm dificuldade em associar esse repertório sociocultural e discursivo na produção da redação, geralmente, pelo fato de o texto motivador já apresentar conteúdos que poderiam ser mobilizados no texto. Em vista da relevância dessa questão, ao fazer a análise dos dados nesta pesquisa, explico melhor essa problemática.