6 Analyse
6.2 Analyse: Lokalpolitikere i debattinnleggene pluss vekting
A matriz de correção da Redação Enem considera cinco competências cognitivas, que servem de referência para a correção do texto elaborado pelos participantes do exame. O tipo discursivo referido é o dissertativo-argumentativo e deveria ter de sete até o máximo de trinta linhas, conforme apresentado na obra A
redação no Enem 2017: guia do participante.
Essa matriz apresenta as seguintes competências:
I- Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita.
II- Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
III- Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
IV- Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
V- Elaborar proposta de solução para o problema abordado, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.
A partir do tema apresentado para a redação, o participante do Enem deveria ser capaz de demonstrar a sua capacidade de refletir sobre questões sociais, culturais e políticas atuais e de propor intervenções, de acordo com os argumentos que precisam ser evidenciados ao longo do desenvolvimento do texto. Para isso, o participante do Enem precisaria saber ler em sentido amplo, pois é a partir da articulação das informações contextualizadas na proposta de redação que ele deveria construir um texto revelador de um autor crítico e propositivo. Para a correção da Redação do Enem, são considerados seis níveis de proficiência de produção escrita: nível 0 – muito baixa ou ausente; nível 1-40 pontos – baixa; nível 2 – 80 pontos – mediana; nível 3 – 120 pontos – boa; nível 4 – 160 pontos – muito boa; nível 5 – 200 pontos – excelente.
Para essa pesquisa, foram analisadas as Redações Enem quanto às competências dois e três estipuladas na matriz de referência deste Exame. Essa delimitação foi imprescindível, visto que busquei elaborar minha investigação a fim de avaliar os desafios que o aluno enfrenta para ter condições de redigir o gênero solicitado como também de articular interações sócio-discursivas a uma temática específica e para além dela. Diante disso, para desenvolver a avaliação das redações, apresento reflexões conforme norma avaliativa do Enem, ilustrado nos quadros a seguir que contêm os seis níveis de desempenho, utilizados para avaliar as competências supracitadas.
Como eu mencionei na introdução, nesta pesquisa, não foram analisadas as competências I, IV e V, haja vista que o objetivo prioritário deste estudo é analisar a habilidade de o aluno produzir um gênero de texto sem dissociá-lo de seu contexto histórico e cultural. Contudo, podem aparecer apontamentos sobre as demais competências na análise dos textos, visto que elas avaliam critérios como domínio da norma culta, da coesão textual e da capacidade de intervenção nos problemas, os quais auxiliam na análise dos aspectos relativos ao domínio composicional do gênero e discursivo da temática, objetivos centrais desta pesquisa. Nesse sentido, desenvolvi uma investigação que priorizasse os aspectos discursivos e cognitivos dos alunos na construção de um raciocínio e na efetivação dessas ideias em um gênero de texto específico.
Quadro 2 – Os seis níveis de desempenho utilizados para avaliar a Competência 2 nas redações do Enem
Fonte: Guia do participante disponibilizado pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.
Quadro 3 – Os seis níveis de desempenho utilizados para avaliar a Competência 3 nas redações do Enem
Fonte: Guia do participante disponibilizado pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.
Para esta pesquisa, analisei parte das redações dos alunos feitas nas aulas de redação ministradas por mim, como forma de preparação para o Enem. Para isso, centralizei-me no processo de entendimento do gênero Redação Enem, na compreensão das competências dois e três exigidas na matriz de referência desse processo seletivo como também na formação crítica dos alunos concluintes da 3ª série Ensino Médio conforme orientação metodológica do ISD de Bronckart ([1999] 2009).
Como professora de redação da 3ª série do Ensino Médio, ao analisar os textos produzidos pelos alunos desse segmento, percebo a dificuldade que a maioria deles possui para articular o tema de forma crítica e fundamentada em outras áreas do conhecimento. Dessa forma, a dialogia e a polifonia, características do enunciado para Bahktin, são desafiadoras para os alunos desenvolverem, visto que elas pressupõem a mobilização de discursos e de vozes associadas à temática em discussão.
Assim, segundo Kleiman (1998), é importante que os intelectuais e professores assumam posturas morais e críticas a fim de atuar nesse processo de aprendizagem, de modo a orientar e a instigar os alunos a desenvolverem essas capacidades enunciativas. Dessa forma, penso que essas intervenções são possíveis a partir do ensino crítico, o qual pode ser desenvolvido paralelamente ao ensino do gênero Redação Enem. Assim, busquei investigar se isso foi possível a partir da construção de espaços para a exposição, a análise, a lapidação do pensamento e a melhoria da escrita do aluno, isto é, com esta pesquisa, também pretendo refletir, continuamente, sobre a minha prática.
Por isso, busquei analisar os fatores que dificultam a aprendizagem e a escrita da Redação Enem, sobretudo, em relação à habilidade de o aluno produzir um gênero de texto sem dissociá-lo de seu contexto histórico e cultural. Penso que essa busca coaduna com um dos meus propósitos enquanto professora e pesquisadora: buscar caminhos possíveis para uma ação coletiva em sala de aula, pautada em uma metodologia de ensino interdisciplinar que consolide a função sociodiscursiva do gênero de texto, de modo a oferecer recursos para diminuir essa problemática e a auxiliar a construção de textos compostos por um discurso crítico e bem fundamentado, conforme experimentei fazer em um período da minha jornada , como narrei na introdução desta pesquisa.
Essa intencionalidade comunicativa pode ser ilustrada na definição do gênero de texto, conforme orientação da obra A redação no Enem 2017: guia do participante. Portanto, a Redação Enem se organiza na defesa de um ponto de vista sobre determinado assunto e é fundamentada com as sequências argumentativa e explicativa.
É preciso, portanto, expor e explicar ideias. Daí a sua dupla natureza: é argumentativa porque defende uma tese, uma opinião, e é explicativa porque se utiliza de explicações para justificá-la. O objetivo desse texto é sustentar um ponto de vista. Para tanto, mobiliza informações, fatos e opiniões, à luz de um raciocínio coerente e consistente, como orientam os princípios abaixo:
Quadro 4 – Princípios de estruturação da Redação Enem
Fonte: Guia do participante disponibilizado pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.
Essa mobilização de repertório sociocultural pode ser conduzida pela interação do professor e dos alunos a fim de formar uma concepção crítica do assunto como também de desenvolver uma escrita que considere a língua, a linguagem e o contexto histórico-social. Portanto, esses acontecimentos discursivos serão convertidos a uma ação linguística, social e cognitiva que será realizada na produção do texto.