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Hva skyldes veksten?

Em seguida ao canto de abertura da gira, canta-se para Missarandê, um Exu de muita força. Cantar para é diferente de cantar com: quando se canta para o Exu ele não está incorporado, é apenas uma saudação, um chamado. Cantar com o caboclo ou orixá implica o fenômeno do transe de possessão. Há ainda um meio termo, vinculado especialmente aos médiuns desenvolventes, quando não se está completamente em transe mas a consciência não é plena. Diz-se, então, que o médium está sombreado com a entidade.

Os poderes mágicos e a mística que envolve a fumaça remonta a épocas longiquas, não sendo de forma alguma exclusiva da Umbanda e demais religiões afro brasileiras.

O cântico da defumação diz "defuma com as ervas da Jurema, defuma com

arruda e guiné...". A referência à Jurema explicita uma forte influência desta prática

apresentam-se de forma semelhante e são citadas constantemente nos pontos cantados, bem como as referências ao catimbó.

Embora possam ser considerados como práticas diferenciadas, o catimbó e a jurema guardam, em geral, muita semelhança. Bastide (1945) afirma que, para os índios, a fumaça possui poderes sobrenaturais, capazes de induzir o transe, efetivar curas e possibilitar a comunicação com os espíritos. Ele afirma que o catimbó é uma reformulação da jurema, que ao entrar em contato com o catolicismo absorveu alguns de seus elementos e continuou presente em especial nas camadas mais pobres do nordeste. O catimbó-jurema, então, abusa dos poderes da defumação, do fumo absorvido ou expelido para a realização dos trabalhos, tal como ocorre com as entidades do centro pesquisado.

Assim como entre a magia e a religião, é tênue a linha que cruza a casa de caboclo e uma mesa de jurema.

No sertão nordestino, antes da difusão das ideias umbandistas e da institucionalização das federações de umbanda, com seu papel doutrinador, existia um contexto religioso popular que propiciava a prática de diversas tradições, principalmente do catolicismo popular, que se mesclava com outras expressões de fé. […] Do encontro de um conjunto de crenças e práticas existentes e da abertura da umbanda para absorver práticas diversas, surge o universo religioso afro-brasileiro desenvolvido atualmente no sertão nordestino. […] Qual a ideia formada e a imagem construída no pensamento e na prática sobre a “jurema” para os juremeiros umbandistas do sertão nordestino? Estamos nos referindo àqueles praticantes de “jurema” que também se identificam como umbandistas, espiritualistas, católicos. Essa pluralidade de possibilidades de identificações aponta para a ideia que permeia suas falas ao apresentar a umbanda como um universo que permite a existência de diferentes práticas religiosas (ASSUNÇÃO, 2010, p.112).

O autor continua sua argumentação em consonância com o que sucede em nosso campo, chamado a partir de agora de Casa de Zé, em alusão ao seu guia maior que é Zé Pelintra. “Jurema”, para nós, representa o poder vindo de mestres encantados habitantes das cidades da Jurema, espécie de universo paralelo onde residem seres poderosos, conhecedores de muitas magias, ervas e encantos. São curandeiros e feiticeiros que podem inclusive atuar na esquerda, ou seja, são comuns nos trabalhos ditos de

quimbanda11, magia negra ou bruxarias.

A linguagem da umbanda ao longo do território nacional é plástica, podendo assumir traços do local onde se encontra sem dificuldade alguma. No Ceará, por

11 Quimbanda é uma modalidade de difícil descrição, uma vez que nenhum adepto se orgulha em denominar-se como exclusivamente quimbandeiro, ao que pesa muito mais preconceito que qualquer outro culto afro-brasileiro. Para maiores informações, ver o artigo de FERNANDES, 2012.

exemplo, nas rodas de macumba foram introduzidos instrumentos “como o maracá, o tambor e o triângulo, um dos aspectos indicadores da linguagem cearense da religião” (PORDEUS, 2002, p.12).

Junto com a defumação vem o cruzo do terreiro. Segundo o Pai de Santo, em entrevista realizada no dia 14 de setembro de 2012, cruzar o terreiro simboliza limpá-lo, assim como a defumação. Se esta retira as impurezas do ar e das pessoas que estão presentes, aquele retira as impurezas da terra, pois o cruzo é realizado no chão do terreiro. A água de Oxalá, colocada no altar antes da gira por um dos cambones ou pela mãe pequena, é derramada em quatro locais: em frente ao altar; na extremidade oposta, onde fica o cruzeiro das almas; e nas laterais esquerda e direita - "O quê que eu fiz? Cruzei o terreiro (sic)", explica o Pai de Santo.

Após a defumação e a cruzada, é hora de realizar as orações da casa. Pede-se luz, força e proteção, pode ser reforçado algum pedido já realizado, ora-se por um pai de santo amigo e por fim é rezado um Pai Nosso e uma Salve a Rainha.

Ocasionalmente, essas orações podem ser modificadas. Às vezes é incluída a Ave Maria, por vezes o Credo - que é rezado até o trecho "foi crucificado, morto e sepultado". Isto devido ao Credo referir-se diretamente à Jesus, sincretizado com o Orixá Oxalá. Na Umbanda, Oxalá somente é reverenciado quando em terra, encarnado. É raro estar presente em um terreiro um Cristo crucificado, ele está sempre de braços abertos, simbolizando sua passagem iluminada pela terra. Por ser um espírito bastante evoluído, Oxalá, seguindo a doutrina espírita, vive eternamente como no catolicismo, porém seguindo a lógica da reencarnação - Cristo não mais encarna por ser de muita luz, devendo seus bons atos serem valorizados em detrimento de sua morte trágica, daí a interrupção do Credo no momento que sua morte é descrita e é professada a fé católica.