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Hva motiverer lederne

Ilka Labarthe fez parte da primeira equipe que realizou experiências em radioescola no Brasil. Na PRD5 comandada por Roquette-Pinto compartilhou com Augusta Queiros e Marina de Pádua a tarefa de elaborar programas que pudessem tanto ser utilizados em nossas escolas, quanto ser acompanhados por estudantes em seus lares, em um sistema de educação à distância. Na Rádio Escola Municipal, as lições, em sua maioria, eram desenvolvidas a partir do diálogo travado com as perguntas enviadas por ouvintes. Assim, a radioeducadora respondia as perguntas e inseria novos assuntos e novas questões, que deveriam ser respondidas no programa seguinte. O relatório elaborado pela professora Augusta Queirós de Oliveira sobre suas lições na PRD5 dá detalhes da concepção dos programas:

Evitando sempre que possível o ensino por autoridade, supunha a partir da criança a pergunta ou a observação relativa ao assunto de que íamos tratar. Assim, pois dando aulas sob a forma de perguntas e respostas limitava a minha dissertação ao imprescindível tornando-me apenas um guia.

Ao fim de cada aula, para cientificar-me do aproveitamento dos radiouvintes, formulava um questionário composto de cinco itens, os quais ao fim das 16 aulas dadas perfizeram o total de 80 (QUEIRÓS, apud SALGADO, 1946, p.65).

O Tapete mágico da Tia Lúcia guarda semelhanças com a concepção da Viagem através do Brasil, identificação esta que pode ser atribuída ao fato de terem ambos os autores compartilhado das experiências na PRD5. A idéia de narrativa de viagem, transportando-o a um lugar desconhecido, e assim transmitindo informações sobre história e de geografia é comum. No entanto, diferente da Viagem elaborada por Espinheira, o programa de Labarthe tinha a participação de vários personagens. As gravações revelam a atuação das crianças, da

narração da autora e de outros radioatores que desempenhavam os papéis de figuras históricas. Neste aspecto, se nota a intenção de Labarthe em evitar a monotonia. Ainda que sua narração ocupasse a maior parte do tempo da atração, era sempre interrompida pelas questões das crianças ou pelas vozes do diálogo, que simulava um acontecimento histórico.

Ao elaborar o Tapete mágico, Ilka Labarthe tentou adaptar noções mais abstratas. Este exercício é necessário a todos os autores dedicados ao rádio. A ausência das imagens faz como que se recorra à descrição ou à comparação com aspectos do cotidiano, de forma a possibilitar a compreensão do ouvinte. Uma destas ações se traduz no esforço em diminuir o caráter abstrato de algumas noções, como por exemplo, a distância, que a autora tenta tornar mais concretas por meio da comparação com os dias de viagem necessários para chegar ao destino desejado, no caso o Egito:

Se em vez de viajarmos no nosso Tapête Mágico, tivéssemos tomado um grande transatlântico, daqui do Rio de Janeiro iríamos ter a Recife, em Pernambuco; e ao fim de dez dias de viagem estaríamos em Vigo, na Espanha; depois de atravessar o estreito de Gibraltar e navegarmos pelo Mediterrâneo, pararíamos no porto de Marselha, no sul da França, onde tomaríamos um dos navios que fazem a linha de carreira para a Síria, chegando a Alexandria na manhã do 16º. Dia. Nós, porém, vamos no nosso Tapête, que é mágico e como tal fará esta mesma viagem em minutos. Segurem-se bem! Atenção! Um, dois e três! (LABARTHE, 61, 1937).

No Tapete mágico, observa-se a participação de crianças o que não ocorre no programa de Espinheira. As crianças desempenharam o papel de formuladoras de perguntas, dúvidas, capazes de incitar a curiosidade. Que perguntou você, Mary? Eles construíram esses túmulos altos? Para guardarem neles, quando morressem, os seus corpos (LABARTHE, 1937, p.77). As gravações demonstram que as interlocuções infantis ditavam o ritmo do programa. As questões evocadas por estes personagens envolviam os vocábulos e noções com maior grau de dificuldade, que eram lidos devagar, e repetidos pela Tia Lúcia, que por sua vez, dava as explicações sobre o assunto.

Ao analisar as fontes, é possível perceber que, ainda que o Tapete mágico da Tia Lúcia, apesar de permanecer um longo tempo no ar, apresentou sempre o mesmo formato. A crítica

publicada no Diário de notícias nos fornece alguns indícios sobre as versões do Tapete mágico exibidas na PRD5, na Rádio Mayrinck Veiga e na Rádio Nacional:

A Mayrinck Veiga, comprehendendo a sinceridade e o afan que a professora Ilka Labarthe pôs na obra educativa que vem realizando na PRD5, convidou-a em boa hora para dirigir em seus studios a secção da petizada. E as palestras da Tia Lucia da Mayrinck com o serem menos didacticas que as da Tia Lúcia das escolas não são menos instructivas. Ainda hontem assistimol-a a contar uma historia por ella imaginada a qual não era senão uma boa aula sobre a pesca do pirarucu.

Achamos tão interessante esta sua meia hora das quintas-feiras na PRA9 que vamos tomar a liberdade de lhe suggerir que dicte uma três perguntas sobre a lição no fim de cada palestra para que alumno responda escripto e lhe envie para a estação a fim de aproveitar mais a lição dada com tanta ternura (Diário de notícias, 12/05/1935, p.12).

Com base nessa avaliação, é possível perceber que o formato da programação da Mayrinck Veiga difere pouco daquele originalmente elaborado. Na PRD5, os ouvintes eram estimulados a enviar desenhos, resumos e responder questionários. Os melhores trabalhos recebiam prêmios, que eram distribuídos em uma solenidade. Havia uma cobrança na carta, para que fossem elaboradas perguntas ao final do programa, remetendo ao modelo da PRD5. A gravação do programa quando irradiado pela Rádio Nacional atesta que as perguntas continuavam sendo elaboradas. As questões, sempre ao final do programa, eram tidas como um recurso para que os ouvintes prestassem mais atenção no conteúdo transmitido, em uma tentativa de assegurar uma boa audiência.

Outra característica que marcou o Tapete mágico da Tia Lúcia, em todas as suas versões, foram os concursos. Os ouvintes eram convocados a enviar desenhos e redações, que também eram comentados ao final do programa. Os melhores trabalhos recebiam menções de honra.

Tanto na PRD5, como na Mayrinck Veiga quanto na Rádio Nacional, há referência ao estímulo à imaginação do ouvinte, o que caracteriza a concepção de programação educacional de Labarthe. O próprio nome do programa é uma alusão ao imaginário: um tapete mágico. Estamos já voando por sobre o Nilo, o grande rio que fertiliza toda região nordeste da África ou agora vocês já podem respirar: aqui há luz do sol. Observaram como foi rápida a mudança? A gravação do programa revela que nesse momento era simulado o barulho de um vento forte. Tia Lúcia recomendava que todos segurassem firme em uma alusão à velocidade. Desta forma,

os ouvintes eram estimulados o tempo todo a se transportar a uma terra desconhecida, e imaginar diferentes sensações: alegrias, tristezas, admiração.