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Cinco Forças proposto por Porter (1986), tendo como fio condutor as atividades principais de um provedor de acesso, no contexto de mercado exposto anteriormente.

Avaliação da Rivalidade na Indústria

Em vista das observações realizadas e dos dados coletados, verificou-se que a rivalidade entre os participantes dessa indústria era bastante intensa, apresentando um alto índice de fragmentação, o qual foi se modificando como resultado das transformações ocorridas, até atingir a configuração atual, com a indústria concentrada num pequeno número de players.

Com apenas 25% dos provedores mantendo o modelo de negócio baseado, exclusivamente, no acesso gratuito, percebe-se uma clara necessidade de criação de novas

fontes de receita, as quais estavam baseadas na venda de publicidade. Esta parece ser a principal razão para o abandono, quase que integral, do modelo inicial.

De um modo geral, os serviços oferecidos apresentam baixa possibilidade de diferenciação, fazendo com que a utilização de estratégias com foco em custos, seja quase uma necessidade.

Embora não tenha feito parte desse estudo, observou-se, também, ainda que com menor influência, alguma competição regional, uma vez que diversos provedores de acesso atuavam localmente. De qualquer forma, pôde-se perceber que os participantes dessa indústria dependem, intensamente, de economia de escala, como forma de criar uma massa crítica que possibilite diluir custos, bem como aumentar o valor de uso do serviço. Tal situação, em tese, tornaria um determinado site mais atraente como canal de marketing, uma vez que concentraria um maior volume de usuários. Nessa linha raciocínio, os players locais estariam em desvantagem, por não conseguirem atender a esta necessidade.

Avaliação dos Substitutos

Os provedores de acesso sofrem com uma ampla gama de substitutos em cada uma de suas áreas de interesse. Esta influência pode variar em maior ou menor grau, dependendo do segmento ao qual a área está relacionada.

No acesso a informação, a influência se manifestou de maneira mais branda, uma vez que os mecanismos de busca apresentam um alto grau de eficiência. A questão da assimetria de informação foi, até certo ponto, mitigada pelos benefícios proporcionados por estes mecanismos, que se traduziram, não apenas num maior número de fornecedores, mas, também, em termos de preços mais competitivos.

Já no campo do comércio eletrônico, a alternativa continuou sendo as lojas do “mundo real”, principalmente quando são levados em consideração aspectos como imediatismo – ter o produto no ato da compra - e segurança, além da própria questão cultural.

No quesito entretenimento, as opções são diversas e, raramente, inferiores em termos da experiência proporcionada pelo “mundo real”. Neste sentido, as boas e velhas formas de diversão continuam a ser uma opção muito mais atrativa. Com exceção do segmento de jogos e pornografia, os demais ainda representam negócios de pequena monta.

A comunicação tem sido um dos principais pilares da tecnologia Internet e os provedores souberam capitalizar este benefício que se tornou uma das maneiras mais rápidas, baratas e eficientes de se estabelecer contato no mundo moderno. Provavelmente, o único meio que ainda se rivalize com os recursos habilitados pela Internet seja o telefone. Contudo, quando se considera a telefonia via rede, esta vantagem deixa de existir.

As comunidades representaram outra das grandes oportunidades sobre as quais os provedores capitalizaram e que, de certa forma, significou outro importante pilar, principalmente, por funcionar como um mecanismo de retenção de clientes, num segmento, onde essa tarefa é de difícil execução. Provavelmente, esta seja a área onde os substitutos tenham o mais baixo índice de influência. Como principais substitutos pode-se citar: as associações de classe, clubes de interesse, aluminies, etc.

Por último, mas não menos importante, o conteúdo, área em que os tradicionais meios de obtenção de informações, cultura e educação, tais como: revistas, jornais, livros, televisão e rádio, continuam a figurar como elementos quase que obrigatórios.

Avaliação dos Clientes

Uma das mais difíceis tarefas na arena dos negócios eletrônicos está ligada à retenção dos clientes, dada a facilidade de busca e mudança de fornecedores por parte dos mesmos. No que diz respeito aos ISP’s, com seus produtos de baixa capacidade de diferenciação, a questão da retenção se torna ainda mais crítica, uma vez que a base da competição se dá, quase que exclusivamente, no campo do preço, como já foi dito. Com isto, no que se refere aos clientes usuários, os mesmos estão sempre propensos à mudança, em busca de melhores alternativas de preço, fazendo com que seu poder de negociação seja cada vez mais intenso. Uma característica marcante da indústria de provedores de acesso, ao qual o email gratuito está fortemente relacionado, demonstra esta situação, visto os usuários manterem contas em mais de um provedor, ou, simplesmente, transferirem-se para o provedor que apresente o plano mais barato ou um pacote de serviços mais atraentes.

Para os provedores de acesso gratuito, cujo foco competitivo se baseia em preço, os mecanismos de retenção transferem-se, quase que integralmente, para os valores de comercialização dos espaços publicitários, uma vez que este representa sua principal fonte de receitas, fazendo com que os clientes corporativos tenham, também, um alto poder de negociação.

Avaliação dos Entrantes Potenciais

Nesse item, certamente, a principal ameaça vem das operadoras de telefonia, as quais foram, provavelmente, as únicas a lucrarem no jogo do acesso gratuito. Contudo, os movimentos até agora realizados têm sido na direção da compra de participação ou no estabelecimento de algum tipo de acordo com provedores já estabelecidos.

Paralelamente, diversas empresas dos segmentos de cabo e wireless têm se mostrado propensas a explorar este segmento, como forma de obter novas fontes de receita para seus modelos de negócio.

Adicionalmente, percebeu-se um movimento de players de outras indústrias como, por exemplo, portais, bancos e produtores de conteúdo – jornais e revistas –, dentre outros, no sentido de oferecer o acesso gratuito, como forma de fidelização de clientes, ou mesmo, de geração de tráfego. Essas iniciativas, embora não representem a atividade fim dessas empresas, acabam por estratificar o público usuário, diminuindo as chances dos provedores estabelecerem uma base de clientes mais ampla e se beneficiarem de ganhos de escala.

De um modo geral, os investimentos a serem realizados para iniciar a operação nessa indústria não são proibitivos, o que gera uma certa facilidade de ingresso. Paralelamente, a ausência de empresas líderes, na figura de marcas estabelecidas, detentoras de parcelas de mercado dominantes, faz com que a propensão de investida de novos players não seja baixa. Tal fato pode ser verificado pelo número de players atuantes ou que atuaram, nessa indústria, no mercado brasileiro.

Avaliação dos Fornecedores

Visto que os provedores têm como atividades mais importantes àquelas ligadas ao acesso à informação, comércio eletrônico, entretenimento, comunicação, manutenção de comunidades e disponibilização de conteúdo, apresentam-se como fornecedores chave empresas de hardware, software, entretenimento, agências de notícias, bem como de infra- estrutura. Como já foi dito, alguns desses podem representar uma ameaça como um potencial provedor de acesso, principalmente, em se tratando de empresas de infra-estrutura.

Os fornecedores dos ISP’s, geralmente, apresentam um baixo nível de fragmentação, com boa capacidade financeira e reconhecimento de marca, o que lhes confere um alto poder de negociação. Em alguns casos, este poder pode ser amenizado pelas próprias características dos produtos fornecidos, no sentido de se comportarem como commodities, ou ainda, por terem sofrido uma forte influência da própria tecnologia Internet, principalmente, por meio das aplicações de procurement, as quais aumentaram, de maneira contundente, o número de fornecedores, ocasionando, assim, uma forte competição de preços.