Metodiske og analytiske refleksjoner med utgangspunkt i etnografi og groove
Kapittel 7 Etnografisk analyse av informanter fra Havanna
7.1 Hva er Afrocubansk jazz - fraseringsmønstre og sentrale rytmer?
Os resultados do presente estudo, enquanto investigação quasi-experimental, descritiva e transversal, evidenciam, enquanto ilações mais relevantes, que:
A mastectomia radical, enquanto mutilação da mama, órgão nuclear para o “eu feminino”, tal como referido na generalidade dos trabalhos publicados na literatura internacional, provoca profundas alterações nos domínios da integridade física, social, psicológica e emocional da mulher que comprometem a QDV das doentes.
Os tempos nucleares, em termos de repercussão na condição holística da mulher, são o momento da comunicação do diagnóstico, o impacto do tratamento cirúrgico e as consequências biológicas dos tratamentos complementares.
No momento do diagnóstico imperaram os sentimentos de tristeza, angústia, desespero e medo, sendo claro no nosso estudo que nas mulheres submetidas a mastectomia conservadora os sentimentos foram menos marcantes do que no grupo das mulheres submetidas a mastectomia radical.
Em todos os domínios em que nos baseámos para estudar a imagem corporal e a relação da mulher com o corpo, as doentes do grupo da mastectomia radical apresentaram pontuações muito significativamente e negativamente superiores às submetidas à mastectomia conservadora.
Tal como referido na literatura, pensamos que esse grande impacto e sofrimento é consequência do stress traumático associado à mutilação de um órgão profundamente marcante nos domínios da feminilidade, sexualidade e maternidade.
Emerge do nosso estudo que os domínios da autoestima, dimensão emocional, cognitiva e social, insatisfação com o corpo, atratividade física e satisfação sexual são os sentimentos negativos que marcam, pela significância dos seus resultados, os prejuízos e a vida das mulheres mastectomizadas, comparativamente com o das tratadas conservadoramente.
No domínio da imagem corporal, os nossos resultados revelaram que as mulheres submetidas a mastectomia radical apresentaram, pontuações globais médias que duplicam, negativamente, as das mulheres do grupo da mastectomia conservadora e do grupo controlo.
Além da imagem corporal, função sexual e perspetivas futuras, é ainda a mastectomia radical que deixa maiores e mais profundas pegadas, traduzidas por piores níveis em todas as dimensões de funcionalidade (física, funcional/desempenho, cognitiva, emocional e social).
Igualmente na avaliação da autoestima e autoaceitação, a mastectomia radical traduz-se mais negativamente nos domínios da satisfação consigo própria, quando as mulheres submetidas a mastectomia conservadora e as do grupo controlo apresentaram padrões similares de resposta.
Através da aplicação do índice de satisfação sexual, procurámos avaliar os níveis de satisfação, ou insatisfação, no contexto do relacionamento do casal, tendo constatado que
são ainda as mulheres submetidas a mastectomia radical são as mais insatisfeitas com a sua vida sexual atual.
As mulheres do grupo de controlo foram as que obtiveram as melhores pontuações em todas as escalas, com diferenças estatisticamente muito significativas entre grupos.
Encontrou-se uma forte correlação entre as escalas de autoestima e imagem corporal, desempenho, dimensão social, emocional e cognitiva, relação com o corpo e satisfação sexual, com marcadas repercussões na Qualidade de Vida destas mulheres, como consequência natural da observada não violação da integridade física, bem como da serenidade, imediata e a distância, em relação às perspetivas de saúde.
A muito forte e positiva valorização de todos os domínios e dimensões em estudo, por parte das mulheres do grupo controlo, permite-nos concluir que as mulheres submetidas a mastectomia, radical e conservadora, são objetivamente afetadas pela doença e pelo tratamento. Essas consequências, expressas por alterações físicas, biológicas e emocionais, tradutoras da alteração do estado global de saúde, da imagem e relação corporal, marcam, com forte impacto, a vida e o “eu feminino”, a nível social e sexual.
De qualquer modo, é evidente que a personalidade da mulher, o apoio de companheiros e o tipo de relacionamento conjugal, familiares, amigos próximos, bem como a religiosidade e nível social e cultural são fatores nucleares para o confronto comma a doença, a resiliência e o sucesso da ultrapassagem dos desconfortos próprios do tratamento.
Face aos objetivos definidos, concluímos, afirmando que a mastectomia radical é um fator independente de risco que afeta profundamente, na adaptação biológica e pesadas repercussões na QDV pessoal, familiar, emocional, social e psicossexual das doentes, interferindo de forma negativa na esfera da intimidade destas mulheres.
À semelhança de Barton-Burke & Gustason (2007) constatámos as dificuldades e barreiras que se levantam sobre as intervenções que procuram abordar a sexualidade das mulheres com cancro da mama (Barton-Burke & Gustason, 2007). E, concordamos com estas autoras quando afirmam que o problema reside nos pressupostos implícitos sobre sexualidade, tanto por parte das doentes como dos profissionais de saúde envolvidos no processo (Barton-Burke & Gustason, 2007).
Diremos que há como que o recato do pudor que impede, por um lado a abordagem do tema e, por outro, favorece a profunda inibição em lhe responder. A confessada preocupação de algumas doentes com o constrangimento e relutância que as impedem de discutir o problema os profissionais de saúde, como era seu desejo, não tem encontrado ambientes institucionais favorecedores da ultrapassagem dessa barreira cultural.
Ignorar o problema não deve ser uma atitude de intervenção assistencial nem de eficiente apoio e suporte da QDV de doentes e famílias. Entendemos que é importante investir neste problema que, sendo clínico, tem significativas implicações na dimensão holística das
doentes, vítimas de uma doença tão marcante como é o cancro da mama e de tratamentos vilentos para todas as dimensões da condição humana.
Por assim pensarmos, é nossa intenção prosseguir o estudo sobre o tema, desenvolvendo um programa de investigação, assente num modelo prospetivo, preferencialmente multicêntrico, suportada por sólidos instrumentos que mereçam a consensualidade dos investigadores que se disponham a coloborar no projeto. Eventualmente acrescentar metodologias qualitativas que permitam um aprofundamento das questões, dada a natureza do temas em estudo.
Este estudo deverá ser, necessariamente, uma investigação de tipo exploratório, descritivo e transversal, iniciar-se-á no momento do diagnóstico e procurará conhecer a evolução dos sentimentos, atitudes, comportamentos, reações e adaptações, faseadas no tempo, ao tipo de agressão, médica e cirúrgica, de que a doente individual virá a ser alvo, enquanto processo terapêutico.
Finalmente, acreditamos que este estudo poderá ser um auxílio teórico e prático para quem, na linha da frente da intervenção psicológica e não só (enfatizando que a luta contra o cancro é um trabalho multidisciplinar), trabalha com mulheres com patologia mamária, assim como na avaliação, prevenção e deteção precoce de, por exemplo, aspetos do funcionamento mental, desempenho sexual e intimidade.
Deste modo, esperamos ter contribuído para uma sólida construção científica que possa fazer doutrina, despertar consciências e intervir institucionalmente, de modo ativo e eficaz, neste domínio, em favor de doentes, familias e sociedade, ajudando a promover o acesso à dignidade na hora de tratar o cancro da mama, legitimando, reinvindicando e resgatando o direito à vivência de uma intimidade válida e sã das mulheres com patologia mamária.