4 Det sosiale aspekt ved eiendomsmarkedet 1686–1802
4.4 Huseierkartlegging og eie- og leieforholdene i rode 3, 14, 19
Da mesma forma que ocorreu com a Educação Matemática, ao se constituir em um campo científico e de atividade profissional (FIORENTINI; LORENZATO, 2006), a Educação Estatística também vem dando passos no sentido de buscar a constituição desse campo. Prova disso é que o mais recente grupo de trabalho (GT) criado na Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM) é o GT de Educação Estatística.
Discutir a constituição do campo da Educação Estatística é relevante, pois, se falamos em Estatística a partir do contexto do nível da Educação Básica e se tal campo de estudo como conteúdo escolar está inserido nos currículos de Educação Básica e na disciplina de Matemática, então entendemos a necessidade de uma discussão, em nível nacional e internacional, a respeito da Estatística a ser ensinada — uma prática social absolutamente diferente da prática social da Estatística como ciência.
Com a inserção do bloco Tratamento da Informação no currículo da Educação Básica, os conteúdos de Estatística vinculados aos livros didáticos tornaram-se algo crescente; a produção de materiais de suporte ao professor também vem ganhando espaço, gerando assim a necessidade de uma análise e discussão mais crítica dos mesmos. Além disso, constata-se o início de pesquisas acadêmicas nessa área. Esse
movimento justifica a existência de um GT para discussão, análise e avaliação dessas produções.
O apoio dos institutos de Estatística a uma maior atenção dada à Educação Estatística vem acontecendo, em nível mundial, de forma gradativamente intensa. Em primeiro lugar, devido aos avanços da Educação Estatística no campo da pesquisa, onde inicialmente se apresentava de forma pulverizada e confusa por estar a Estatística dentro da disciplina de Matemática e também por tratar-se de um conteúdo presente nas mais diversas áreas. Batanero (2003, p.3) destaca que nos últimos anos a investigação sobre a Educação Estatística tem vivido um grande crescimento. Ainda, segundo a autora:
A educação estatística tem sido um importante foco de interesse do Instituto Internacional de Estatística (ISI) desde sua fundação em 1885, que se concretizou oficialmente em 1948, quando o ISI cria o Comitê de Educação, encarregado de promover uma formação estatística a nível internacional, colaborando para esse fim com a UNESCO e outros organismos internacionais e marcando o início de um programa sistemático de apoio à educação.10 (BATANERO, 2003, p.4)
Essa autora destaca os principais espaços de pesquisa, estudos e divulgação da produção em Educação Estatística:
• ISI – Instituto Internacional de Estatística, que estabeleceu o Comitê de Educação, encarregado de promover a formação estatística em nível internacional, além do desenvolvimento das licenciaturas em Estatística (que formam professores e profissionais estatísticos). O Instituto foi fundado em 1885.
• IASE – International Association for Statistical Education, criado em 1991 pelo ISI com o objetivo de desenvolver a melhoria da educação estatística em âmbito
10 “La educación estadística ha sido un importante foco de interes del Instituto Internacional de
Estadística (ISI) desde su fundación em 1885, que se concretó oficialmente em 1948, cuando el ISI establece el Comitê de Educación, encargado de promover la formación estadística a nível internacional, colaborando, para este fin, com la UNESCO y otros organismos internacionales, y marcando el comienzo de um programa sistemático de apoyo a la educación”.
internacional em qualquer nível, além do desenvolvimento de softwares estatísticos e do ensino da Estatística nas empresas e na indústria.
• ICOTS - International Conference on Statistical Education iniciado em 1982 na Universidade de Sheffield. Trata-se de uma conferência criada para estimular a produção e a difusão do tema Estatística voltado para o ensino.
• ISG – International Study Group for Research on Lerning Probability and Statistics, criado no congresso ICOTS 1 por Joan Garfield, David Green, Michael Shaughnessy, Efaim Fischbein e outros. Esse grupo criou em 1999 um jornal, a princípio impresso e logo depois eletrônico, que serviu de impulso para difusão, divulgação e investigação estatística, chamado SERN (Statistics Education Research Newsletter).
Além dos espaços de pesquisa e estudos existem os meios específicos de divulgação da produção em Educação Estatística, merecendo destaque o Teaching
Statistics e o Journal of Statistics Education, orientados principalmente aos professores que trabalham com essa disciplina tanto na Educação Básica como na Secundária ou Universitária. Além disso, cabe destacar que revistas de Educação Matemática, como o
Journal for Research in Mathematics Education, com grande freqüência, apresentam temas sobre Educação Estatística.
Ainda com relação aos grupos de pesquisa, é importante destacar que alguns deles estão inseridos nos eventos de Educação Matemática, como é o caso do grupo de Estocástica no PME (Psycholoy of Mathematics Education), que existe desde 1976, ou mesmo a presença dos grupos de Estatística em congressos como o ICME (International Congress on Mathematics Education).
Assim como na Educação Matemática, o grande desafio da Educação Estatística é, além de investir na formação de professores, criar subsídios para levar para a sala de
aula uma proposta curricular instigante e interessante, e não conteúdos totalmente desligados da realidade. .
Pela amplitude da comunidade acadêmica destacada anteriormente, pode-se pressupor a existência de avanços teóricos e metodológicos tanto no campo da pesquisa quanto no campo profissional.
No entanto, constatamos que no Brasil a grande dificuldade em escrever algo sobre Educação Estatística é o pequeno número de teses e dissertações com relação a esse assunto, justificado, talvez pelo fato de ser um novo campo de estudo no nosso país. A Educação Estatística poderá contribuir para a melhoria do ensino da própria Estatística e até mesmo da Matemática, se partir uma prática escolar diferenciada daquela que temos acompanhado no ensino da Matemática. Lopes (2006, p.3) destaca a importância da Educação Estatística na formação e no direcionamento do ensino da disciplina:
A Educação Estatística apresenta atualmente, em suas linhas de pesquisas, investigações sobre currículos da escola básica e da universidade, formação inicial e continuada de professores, erros e dificuldades dos estudantes e novas tecnologias. A Estatística é uma ciência que não se restringe a um conjunto de técnicas. Ela contribui com conhecimentos que permitem o lidar com a incerteza e variabilidade dos dados, mesmo durante a coleta, possibilitando tomadas de decisão com maiores argumentos.
No caso dos pesquisadores brasileiros, o desafio posto consiste não apenas na divulgação das pesquisas, mas na elaboração de materiais acessíveis aos professores e formadores que, por motivos diversos, não possuem, muitas vezes, os saberes necessários a um trabalho pedagógico pautado na investigação e na reflexão.
A prática reflexiva é que possibilitará o enfrentamento dos desafios trazidos pelas transformações e pelos avanços tecnológicos e científicos. Sem dúvida, a Educação Estatística é uma poderosa ferramenta que pode conduzir o aluno para a sua inserção no mundo globalizado.
No prefácio de Carzola e Santana (2006, p.7) deparamo-nos com argumentos de Carmem Batanero sobre o reconhecimento da importância da Estatística e de seu ensino desde a escola primária:
• A Estatística é uma parte da cultura geral que se deseja para os futuros cidadãos adultos, precisam adquirir a capacidade de leitura e interpretação de tabelas e gráficos estatísticos que com freqüência aparecem nos meios informativos.
• Ajuda aos estudantes a compreender os demais temas do currículo, onde com freqüência aparecem idéias estatísticas.
• Seu estudo auxilia no desenvolvimento pessoal, contribuindo com o raciocínio crítico baseado nos valores da evidencia objetiva.
• É útil para a vida profissional, onde muitas profissões requerem conhecimentos básicos do tema11.
Assim, há necessidade de promover a capacidade de comunicação dos alunos desde a Educação Infantil, desenvolvendo seu espírito crítico e a busca por decisões a partir do uso de métodos estatísticos quantitativos inspirados em situações da realidade, como forma de permitir uma visualização do problema e de todos os níveis de aplicação das técnicas estatísticas. Acreditamos que as contribuições das pesquisas e dos demais estudos na área de Educação Estatística – não somente a normatização de conteúdos específicos para professores que atuam nas salas de aula – contribuirão para a implementação dessa área de conhecimento, pois há uma carência enorme de leituras específicas para professores. A promoção da Educação Estatística na Escola Básica não deve ter como objetivo futuro habilitar o aluno no desenvolvimento de cálculos mais complexos, mas sim, apresentar a ele alguns conceitos, como forma de aproximá-lo de importantes conceitos de Estatística, além de ajudá-lo a avançar para o pensamento estatístico.
• 11 “La Estadística es uma parte de la cultura general deseable para los futuros ciudadanos
adultos, quienes precisan adquirir la capacidad de lectura e interpretacion de tablas y gráficos estadísticos que com frecuencia aparecen en los medios informativos.
• Ayuda a los estudiantes a comprender los restantes temas del currículo, donde com frecuencia aparecen ideas estadisticas.
• Su estúdio ayuda al desarrollo personal, fomentando um razonamiento crítico, basado em valoración de la evidencia objetiva.
• Es útil para la vida profesional, donde muchas profesiones requieren uns conocimientos básicos del tema”.
O problema é que, na realidade, essa iniciação ao pensamento estatístico não ocorre, gerando outros problemas e também grandes dificuldades no ensino da Estatística nas salas de aula, o que se agrava muito mais com o “despreparo dos alunos em Matemática e a carga horária reduzida das disciplinas de Estatística no currículo dos cursos [que] dificultam a sua aprendizagem” (VENDRAMINI, 2006, p. 241).
Nesse sentido, entendemos que o GT 12 da SBEM tem o desafio de trabalhar com Educação Estatística desde os níveis mais elementares até o nível superior, justamente para subsidiar o professor – como profissional formado e também como agente construtor de conhecimento em sala de aula – para trabalhar os conteúdos de forma significativa, fazendo as devidas conexões com conteúdos interdisciplinares, com conceitos matemáticos, numa perspectiva crítica. Trata-se de colocar em prática as comunidades de investigação propostas por Shaughnessy (1992) e Gal e Garfield (1997).
Essa criticidade só será possível se Educação Estatística e Educação Matemática Crítica dialogarem. Esse será o tema do próximo capítulo.