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II. Appendix: Individual contributions from participants

II.2 SARex Exercise 23 – 27 April 2016

II.2.12 Winterization of rescue vessel launchers

Conjunto de pessoas trabalhando juntas é apenas um conjunto de pessoas, de acordo com Vergara (2005). Para se transformar em uma equipe, necessário se torna um vínculo definível que una as pessoas. Necessário existir a consciência de grupo – as pessoas percebem o grupo como uma unidade e buscam a identificação, consciente, de uns com os outros.

Por outro lado, há nos grupos a presença de um inconsciente coletivo. A história comum vivida pelo grupo é fonte de pontos sensíveis que fazem parte da vida e das reações do grupo, mas ele não tem consciência de que fenômenos psicológicos determinam as condutas de seus membros, os quais, por sua vez, não estão cônscios de que fenômenos deste tipo determinam suas condutas no grupo.

Enriquez distinguiu o que pode ser a essência do grupo:

A criação de uma comunidade. Por comunidade entende-se uma associação voluntária de pessoas que experimentam em comum a necessidade de trabalharem em conjunto ou de viverem juntas de maneira intensa, a fim de realizarem um ou diversos projetos que assinalam sua razão de existir (1997: 103).

O autor assevera ser a comunidade o local onde é possível a coexistência simultânea da união e das diferenças, dos acordos e dos desacordos, onde as contradições não geram sofrimento e as tensões são os pontos de partida de novas criações e onde lógica e afetividade não são mais antagônicas.

Estudando a respeito da reeducação de indivíduos que perderam contato com a sociedade, a exemplo dos alcoólicos e criminosos, Lewin disse que:

Um dos importantes meios utilizados para efetuar a aceitação em reeducação (...) é estabelecer o que se denomina um grupo solidário (in-group), isto é, um grupo cujos membros tenham consciência de a ele pertencer. Nessas circunstâncias, o indivíduo aceita o novo sistema de valores e crenças quando aceita pertencer a um grupo (1948: 82).

E Lewin segue adiante, ensinando que a distância entre professor e aluno, médico e paciente, líder e liderado, pode constituir um obstáculo real à aceitação da conduta postulada. Mesmo se considerando a diferença de status que possa existir entre eles, as partes devem sentir-se como membros de um grupo nas questões que envolvam seu senso de valores:

(...) as oportunidades de reeducação parecem aumentar sempre que se cria um forte sentimento grupal. O estabelecimento desse sentimento, de que estamos todos no mesmo barco, passamos as mesmas dificuldades e falamos a mesma língua, é ressaltado como uma das principais condições para facilitar a reeducação do alcoólico e do delinqüente (1948: 83).

Poder-se-ia fazer uma analogia ao processo reeducativo de Lewin, comparando-o ao compartilhamento do conhecimento, postulado no discurso dominante das organizações? Caracterizar-se-iam como solidárias as equipes de trabalho, isto é, seus membros teriam a consciência de a ele pertencer? E quanto à distância entre líderes e liderados, estariam minoradas pelo sentimento coletivo de ambos em relação ao senso de valores?

Os fenômenos psicológicos, portanto, constituem-se em elementos significativos nos projetos de GC, especialmente aqueles que pressupõem o compartilhamento do conhecimento.

A existência de propósitos comuns – noção clara dos propósitos a atingir em conjunto ao engajamento nos processos que conduzam à sua realização – é aspecto basilar da constituição das equipes. Assim como há dependência mútua na satisfação de necessidades, existe auxílio entre as pessoas com o objetivo de atingirem, juntas, os propósitos comuns, embora possam ocorrer inúmeras vezes divergências de propósitos, na medida em que não impere no grupo a aceitação e a compreensão entre seus membros.

Nos grupos vistos como equipes há interação, ou seja, intercâmbio, mas não somente verbal. Os membros se influenciam e reagem reciprocamente, na busca de realização dos propósitos comuns. Surge, então, a ação unificadora. Os membros do grupo, por meio de uma percepção coletiva de unidade, atuam como um organismo (MUCCHIELLI, 1979).

Como os indivíduos, os grupos têm necessidades e aspirações, as quais procuram satisfazer convertendo-as em objetivos. A escolha destes e dos meios para alcançá-los resulta da interação de muitas forças interiores de cada membro do grupo e do produto de pressões externas (MINICUCCI, 1982):

ü As forças interiores se originam de experiências passadas e conhecimentos, de necessidades, motivações e expectativas diferentes dos membros, de ojetivos pessoais, valores, padrões e percepção da realidade e de funções diferentes que os membros desempenham no grupo.

ü As pressões externas, por seu turno, surgem das relações de conflito, cooperação ou competição com outros grupos ou pessoas, das pressões e exigências das autoridades superiores, das limitações ou estímulos vindos da estrutura social, da

situação econômica, política ou institucional e da lealdade dos membros a outros grupos.

Enfim, o grupo pressiona os indivíduos que o compõem para deles obter comportamentos uniformes. Os padrões estabelecidos visam a obter uniformidade de comportamento dos participantes. Esta, por sua vez, ajuda o grupo a atingir seus objetivos. A força coercitiva das normas é maior se o grupo é importante para o indivíduo. São aceitas com mais rapidez as normas que parecem relevantes para alcance dos objetivos.

O grupo costuma aceitar bem o conformista, tolerar o inconstante e rejeitar o dissidente. Dois aspectos considerados fundamentais na constituição de qualquer grupo referem-se à coesão e aos objetivos comuns perseguidos pelo grupo. O compartilhamento do conhecimento necessita coesão e uniformidade na definição dos objetivos que se pretende alcançar.

O quadro 8 sintetiza alguns dos pensamentos dos autores estudados.

Quadro 8: Pressão e uniformidade de comportamento Pressão e uniformidade de comportamento

Comunidade: associação voluntária de pessoas Enriquez, 1997 Grupo solidário: aceitação das crenças e valores do grupo Lewin, 1948

Interação e ação unificadora Mucchielli, 1979 Forças interiores x pressões externas Minicucci, 1982

A próxima seção encarrega-se de abordar ambos os aspectos, assim como o papel fundamental da liderança no embasamento do grupo.