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Hos Miriam, Deman og guttene – tryggheten i det somaliske

4.3 N ETTVERK OG TILHØRIGHET I EKSIL

4.3.3 Hos Miriam, Deman og guttene – tryggheten i det somaliske

Durante o Treinamento intensivo, em momento algum, como podemos observar nos trechos abaixo, a orientadora-docente orientou os estagiários em direção ao ensino produtivo de língua, cujo ponto de referência, ressalta Leurquin (2008) deve ser o texto/discurso e não mais palavras isoladas; a produção de gêneros e não mais redações escolares, pois não têm mais propósito comunicativo compatível com os objetivos hoje definidos.

(1) Situação de sala de aula. Tema: treinamento intensivo. OD: também tem uma coisa aqui/que eu achei interessante/você/predicativo do sujeito/prontinho de lá do livro/que tal se de quando em vez vossas excelências preparassem vossas aulas///

(2) Situação de sala de aula. Tema: treinamento intensivo. OD: Deverias ter exercitado melhor esta questão de verbal de nominal e verbo-nominal/devias ter preparado melhor/ter trazido exemplos mais complicados que a língua oferece/que a situação de comunicação oferece/sempre preocupado com a situação de comunicação pra mostrar ao aluno que às vezes as coisas complicam//Mas que elas não são complicadas/é só prestar atenção às situações de comunicação pra você se posicionar mais favorável///

(3) Situação de sala de aula. Tema: treinamento intensivo. OD: Mas eu vou apontar umas coisas que eu penso podemos sugerir não é /você aceita ou não/ por exemplo o verbo disse/não existe o verbo disse/existe a forma verbal disse/esta forma verbal é o verbo conjugado/então/não vá dizer pro aluno coisa que ele não deve dizer depois///

Pelo contrário, boa parte de suas orientações enfatizava os gestos profissionais de como apagar a lousa, de como gerir o tempo para o cumprimento do horário ou dos conteúdos ministrados, conforme podemos constatar nos trechos abaixo.

(4) Situação de sala de aula. Tema: treinamento intensivo. OD: Bom G a primeira coisa que eu observei aí quando você for apagar o quadro/ você deveria apagar o quadro todo//[...] Então você tem que apagar o quadro/ e nunca deixar a metade do quadro/ e apagar o quadro com a mão/pro aluno vê isso//Você vai se sujar/mas também vai sujar a roupa dele (referindo-se ao aluno)//Então você tem que se organizar//Você chegou/limpa o quadro/divide o quadro nas posições que você quer/em duas partes/três partes/pra você dá sua aula// “Aqui eu poꜜho a teoria/ aqui eu poꜜho os exeꜛplos”//Não sei coꜛo você vai

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decidir/tou dando uma sugestão só né / Mas você quem vai decidir como fazer tá bem /// (Situação de sala de aula – Treinamento Intensivo).

(5) Situação de sala de aula. Tema: treinamento intensivo. OD: Bom J/foi CURTÍSSIMA tua aula/tem que preencher o horário minha filha// Não pode dar uma aula e deixar o resto da aula à deriva/pra não prejudicar os colegas e depois não é o correto né ///

(6) Situação de sala de aula. Tema: treinamento intensivo. OD: Nossa amiga T/T ocupou o horário muito bem ocupado//pode até tá nervosa mas fez um esforço danado pra não demonstrar//Isso é bom/significa que você tá buscando a intimidade de uma profissão/mas não precisa ficar nervosa/ou você sabe ou você não sabe/se você sabe apenas distribuir no horário/se não sabe/lamentavelmente não vai fazer nada///

(7) Situação de sala de aula. Tema: treinamento intensivo. OD: Muito bem/ a aula excelente/agora/a aula foi ótima/ em relação ao contexto daqui/ a este contexto aqui/ tá bem explicado e tal/mas/o que esta acontecendo contigo/é um descaso com as explicações com o texto/tem muita preocupação com a aula em si/dá logo o assunto que tem que ser dado///

Retomando Machado e Guimarães (2009), outro problema em relação à TD, diz respeito à compartimentalização dos conhecimentos selecionados das teorias. Segundo a autora citada, não temos uma única teoria de linguagem ou das línguas (um paradigma estável e, consensualmente, reconhecido), mas sim, vários sistemas teóricos em concorrência, estando nosso campo científico cindido em numerosas subdisciplinas que tratam de objetos delimitados a priori (sociais, fonológicos, sintáticos, semânticos, pragmáticos, textuais, discursivos etc.). E, no interior de cada uma dessas subdisciplinas, existem várias correntes, cujos conceitos, se forem solicitados, ao mesmo tempo, para a realização da TD, podem levar à construção de propostas de ensino global ou, localmente, incoerentes e confusas, concluem as autoras. Daí, a necessidade de, nesta relação entre teoria e prática, ser imprescindível, que os professores em formação inicial dominem os conceitos e conteúdos substantivos da área do saber que irá ensinar. Sua formação precária determinará, na maioria dos casos, uma prática de ensino improdutiva, longe do alcance dos objetivos desejados.

Nos trechos seguintes, observamos que a orientadora-docente orienta a estagiária a ensinar estruturações de frases isoladas, sem levá-la a perceber sua importância para a construção do sentido do texto. Ao enfatizar que é dever da estagiária ensinar seus alunos a articularem as palavras, ela externaliza a concepção de linguagem tradicionalista, carregada de preconceito com relação aos alunos da escola pública, que segundo ela desconhecem a língua culta.

(8) Situação de sala de aula. Tema: treinamento intensivo. OD: Você faz exatamente isso /no exemplo Raros são os verdadeiros líderes/o sujeito tá invertido na língua portuguesa/eles não são acostumados assim/eles são acostumado na ordem direta/sujeito não é predicado complemento e não sei mais quê/então/você falha exatamente aí/ quando era uma dificuldade que você tinha que levar/ até pra eles conhecerem que eles não sabem/eles têm que

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estudar/eles têm que prestar atenção/eles falam tudo isso/mas não sabem o que é/então/eles vêm pra escola exatamente pra quê /pra sistematizar/pra estruturar/pra entender a partir da sistematização de frases as estruturações oferecidas/pois minha filha vai falhar exatamente aí///

(9) Situação de sala de aula. Tema: treinamento intensivo. OD: não se esqueça de que na casa dele (referindo-se ao aluno da escola pública) ninguém sabe disso (do assunto estudado na aula) é você que tem esta responsabilidade de exigir que ele articule a palavra/ “leia aí ꜛeu filho articule a palavra”/e ꜜão sei que e tal///

Esses exemplos, por si só, demonstram que os novos pressupostos teóricos que reformularam e reconfiguraram o ensino de LP, há 15 anos, ainda são pouco compreendidos e assimilados pela orientadora docente. Se nas teorias da Linguística Moderna, traduzidas no discurso dos PCN, avançamos, como diz Leurquin (2008), na sala de aula do curso de licenciatura de Letras, pouco mudou e, consequentemente, irá influenciar as opções dos futuros professores perante os fatos da língua e na realização da TD dos conhecimentos para os diferentes níveis de ensino.

2.4 As primeiras cenas – Escola-campo de estágio

Durante o período em que acompanhamos os estagiários na escola-campo de estágio, observamos que somente a coordenadora de estágio esteve com eles para uma reunião, ocasião em que seriam apresentados aos professores-regentes com os quais iriam estagiar. No entanto, ficou definido, neste dia, apenas suas turmas e seus respectivos horários, que permaneceram assim11: durante uma semana da segunda quinzena de maio E1 ministrou aula para o 2º ano (T-202), na segunda-feira (dois horários), terça-feira (dois horários) e na quarta-feira (um horário); E2, durante a segunda semana de junho, ministrou aula para o 1º ano (T-107), na terça-feira (dois horários); na quinta-feira (dois horários) e na sexta-feira (um horário) e durante a primeira e segunda semanas de junho, E3 ministrou aula para o 1º ano (T- 105), na terça-feira (dois horários); na quarta-feira (um horário) e na quinta-feira (um horário) e na sexta-feira (dois horários). Além dessas, cada um possuía mais duas turmas de Português e ainda as de Língua Estrangeira.

Antes do início das aulas, cada estagiário observou, durante uma semana, a professora-regente em sua respectiva turma. Este foi o momento em que eles tiveram a oportunidade de conhecer cada uma e os alunos com os quais iriam trabalhar, como também deveriam receber das mãos delas, o rol de conteúdos, o livro didático adotado etc. Este

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momento deveria ser intermediado pela orientadora-docente de estágio, no entanto, conforme o depoimento do estagiário E1, isso não aconteceu:

Depois que a Coordenadora nos trouxe para o campo / o papel dela (referindo-se à orientadora-docente) seria fazer a observação de pelo menos duas aulas e normalmente / ela deveria ficar aqui / pelo menos no início / um pouco com a gente dando uma certa orientação /// (E1, turma 202).

Em seu depoimento, E1 deixa transparecer sua insegurança por necessidade de suporte no seu processo de formação, proporcionada pela ausência de orientação adequada e de construção das relações entre os sujeitos envolvidos (orientadora-docente, professora- regente, estagiário e alunos). O papel do orientador-docente e dos professores-regentes é possibilitar o contato do estagiário com o espaço real de aprendizagem. Sentindo-se, também, inseguraa estagiária E2 avalia o modo como foram recepcionados pela escola.

A gente percebe que eles não têm / não dão atenção pra gente / tratam a gente até de forma grosseira / e eles não procuram nem / eh / esconder que eles estão insatisfeitos com nossa presença aqui na escola / pelo menos é isso o que eu sinto/ que a nossa presença neste momento não é bem vinda / não é agradável /// (E2, turma 103).

Observamos que as professoras-regentes, em questão, ainda, possuem uma visão tradicional de estágio, onde o futuro professor é colocado ao seu lado para observar as suas ações em sala de aula para depois repeti-las. Em seu depoimento, a professora G, não se reconhece como formadora e responsabiliza a orientadora-docente pelas questões gerais do estágio. Isso demonstra uma relação não tão bem sucedida entre universidade e escola, considerados parceiros no processo de estágio e para o qual não existe, ainda, uma política nacional para a formação desses professores-colaboradores.

Aqui eu dou o meu ponto de vista como professora de sala de aula / acompanhando a minha turma e vendo como ele se saiu na minha turma / mas alguém da UFMA / professora do estágio supervisionado deveria vir pra a partir daí observá-lo e ver o que ela também pode opinar e dar mais dica pra ele / né / porque eu dou aqui pelo meu ponto de vista / dos meus alunos / mas aí ela tem que dar a forma geral (referindo-se à orientadora-docente) /// (G, professora-regente).

No próximo Capítulo, faremos uma reflexão ligada às questões acerca da transposição didática, comumente mencionada, porém pouco aprofundada, mas cujo entendimento influirá positivamente o desenvolvimento das atividades de LP em sala de aula.

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