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Hjertesvikt krever spesialkompetanse

In document Røyking + operasjon = dobbel risiko (sider 68-71)

Em Portugal, a investigação sobre o raciocínio proporcional e o ensino- aprendizagem da proporcionalidade direta, é recente e diminuta. Na sua maioria, os estudos realizados respeitam a dissertações de mestrado que envolvem uma experiência de sala de aula e assumem um carácter pontual, isto é, a experiência de ensino é desen- volvida uma única vez num determinado momento do ano letivo e sob determinadas condições. Por exemplo, Silvestre (2006) procura conhecer como se desenvolve a aprendizagem da noção de proporcionalidade direta no quadro de uma unidade de ensi- no com ênfase em tarefas de investigação/exploração, resolução de problemas contex- tualizados e uso da folha de cálculo. Entre outras questões, visa perceber se os alunos reconhecem a existência ou não de proporcionalidadedireta numa dada situação e iden- tificar as estratégias de resolução de problemas e representações dos alunos. A unidade de ensino foi lecionada numa turma do 6.º ano e envolve 7 tarefas inspiradas no livro Uma Aventura no Palácio da Pena. Entre os 21 alunos da turma (11 a 13 anos), três foram escolhidos para estudos de caso. Este estudo mostra que os alunos distinguem

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situações em que existe proporcionalidade direta daquelas em que tal relação não existe. Os alunos mobilizam o conhecimento adquirido na unidade de ensino, isto é, procuram regularidades dentro e entre grandezas (ou seja, estratégias de natureza escalar e funcio- nal) para verificar a existência de proporcionalidade. A realização das tarefas de inves- tigação/exploração parece ter contribuído para o desenvolvimento desta sua capacidade de analisar estas regularidades. A eficiência e rapidez na identificação de regularidades parece depender do conhecimento dos alunos sobre números e relações multiplicativas. Além disso, os alunos utilizam eficientemente tabelas e usam-nas para representar os dados e interpretar problemas.

Noutro estudo, Costa (2007) procura conhecer quais os tipos de estratégias os alunos utilizam, em que situações têm tendência para utilizar estratégias mais formais e como identificam situações em que existe ou não proporcionalidade direta. O estudo foi desenvolvido numa turma do 6.º ano com 28 alunos. Para a recolha de dados foi utiliza- do um teste inicial, reflexões das aulas, um teste final e entrevistas realizadas a 6 alunos. Os resultados mostram que, mesmo antes do ensino formal do tema os alunos são capa- zes de utilizar diferentes tipos de estratégias de forma a resolver tarefas envolvendo raciocínio proporcional. As estratégias apresentadas nos vários momentos foram bastan- te diversificadas – com destaque para a composição e as estratégias multiplicativas com procedimentos escalares ou funcionais. À medida que as aulas foram avançando, num clima de troca de ideias e partilha de experiências, os alunos foram adotando estratégias mais formais como o produto cruzado. De um modo geral, os alunos distinguiram situa- ções em que existe proporcionalidade direta daquelas em que não existe.

Por seu lado, Rocha (2007) desenvolveu um estudo com alunos do 6.ºano com o objetivo de analisar o modo como se desenvolve raciocínio proporcional e as dificulda- des que os alunos manifestam em conceitos ligados à proporcionalidade direta. Neste estudo foi desenvolvida uma proposta pedagógica em que se privilegiou a resolução de problemas e se procurou confrontar os alunos com uma diversidade de situações envol- vendo o raciocínio proporcional. A análise realizada indica que os alunos usam raciocí- nio aditivo no início do estudo e o raciocínio multiplicativo à medida que os alunos reconhecem similaridades estruturais em problemas de proporcionalidade direta. As dificuldades encontradas dizem respeito ao estabelecimento de relações de primeira ordem e à utilização de representações numéricas.

Sousa (2010) analisa o raciocínio proporcional dos alunos de um curso de for- mação profissional, na resolução de tarefas contextualizadas envolvendo os de conceitos

37 proporcionalidade direta e inversa. A realização da proposta pedagógica decorreu ao longo de várias aulas das disciplinas de Matemática Aplicada e Manutenção e Repara- ção de Estruturas de Madeira, Metálicas e Alvenaria. Os alunos revelam preferência por tabelas para representar os dados, tendo em vista não só organizá-los mas também inter- pretar os problemas. Os resultados mostram também que, antes do ensino formal, os alunos são capazes de utilizar diferentes tipos de estratégias de forma a resolver tarefas envolvendo raciocínio proporcional e que, de um modo geral, os alunos distinguiram situações em que existe proporcionalidade direta daquelas em que não existe.

O estudo de Marques (2006) compara o tópico da proporcionalidade direta em manuais escolares de diversos países (Portugal, Espanha, Brasil e Estados Unidos da América). A análise incide sobre a natureza da abordagem e na exigência cognitiva, estrutura e contexto das tarefas. Os resultados mostram que os livros didáticos tendem a apresentar as tarefas em um nível intermediário de exigência cognitiva e com uma estru- tura fechada. Os contextos não-matemáticos predominam em três dos quatro livros didáticos analisados. No entanto, há diferenças marcantes no modo como os livros abordam os aspetos conceptuais e processuais de proporção. A forma didática de tratar o assunto também varia, indo de um estilo de questionamento/resolução de problemas, a um modo explicativo/prático.

O estudo de Cabrita (1998), desenvolvido no âmbito de uma dissertação de dou- toramento em duas turmas do 7.º ano de escolaridade, embora tendo foco na resolução de problemas apoiada num documento hipermédia envolveu também a noção de pro- porcionalidade direta. A autora refere que o grupo experimental tem um desempenho consideravelmente melhor, a longo prazo (dois meses e um ano depois), na resolução de problemas de proporcionalidade direta. Para além disso, salienta a criação de uma ima- gem mais positiva da Matemática pelos alunos, o que considera um aspeto fundamental para a aprendizagem da disciplina constituindo também um meio para desenvolver a autonomia, a cooperação e a reflexão dos próprios alunos.

Um outro estudo, realizado por Monteiro, Serrazina e Barros (2002), revela as estratégias dos alunos do 4.º ano na resolução de problema que envolvem a relação de proporcionalidade direta. Os alunos evidenciaram compreender a noção na resolução de problemas e não recorreram a técnicas (que não tinham sido ensinadas). As autoras constataram ainda que os alunos usaram estratégias cada vez mais sofisticadas e mostra- ram interesse em encontrar situações mais complicadas, sugerindo que o significado matemático das situações reais do projeto servia de motivação para avançar. Um outro

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estudo desenvolvido por Monteiro (2003) com futuros professores, constatou que as dificuldades com que estes se defrontaram na resolução de problemas de proporcionali- dade direta podem estar relacionadas com a experiência que tiveram no ensino básico e secundário que dá ênfase ao algoritmo e não à oportunidade de usar o algoritmo em situações apropriadas. Neste estudo, segundo a autora, os futuros professores “reapren- deram” conceitos matemáticos estudados anteriormente, tiveram oportunidade de esta- belecer conexões e de dar sentido a noções abstratas e ainda desenvolveram o seu saber pedagógico para ensinar proporcionalidade direta.

Os estudos realizados permitiram conhecer aspetos do raciocínio proporcional de alunos de vários níveis de ensino, isto é, no ensino básico (Cabrita, 1998; Costa, 2007; Monteiro, Serrazina & Barros, 2002; Rocha, 2007; Silvestre, 2006), no ensino profis- sional (Sousa, 2010) e no ensino superior (Monteiro, 2003). O estudo de Marques (2006) contribuiu para o conhecimento sobre a estrutura e contexto das tarefas presentes nos manuais escolares.

Com o presente estudo pretendo aprofundar o conhecimento sobre raciocínio proporcional, dos alunos do 6.º ano de escolaridade, quando o tópico da proporcionali- dade direta é ensino de modo formal. A unidade de ensino, de cunho exploratório, con- sidera o conhecimento sobre vários aspetos que envolvem raciocínio proporcional, o ensino-aprendizagem da proporcionalidade direta e as orientações do Programa de Matemática do ensino básico (ME, 2007). Este estudo tem a particularidade de envolver um grupo de trabalho colaborativo constituído por mim e por duas professoras, que desenvolveram a unidade de ensino nas suas aulas.

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