1. Camada ENUNCIAÇÃO.
2. Leitura a partir da questão que se quer responder: quais as relações interpessoais e como elas ocorrem?
3. Identificar as regiões de sentido, no caso deste estudo: as posições “jurídicas”, “técnica”, “concepção” e “contrato”.
4. Dentro de cada região de sentidos, identificar as posições SUJEITO por meio da MEMÓRIA DISCURSIVA.
5. A partir das posições do sujeito, fazer a ANÁLISE DA PRÁTICA: chega-se à prática a partir dos índices do texto.
Para se proceder à análise, foi necessário fragmentar o processo em subprocessos como demonstrados na figura a seguir.
Figura 4 – Procedimento de desmembramento das ações discursivas para análise (elaborado pela autora)
DEMANDA PRODUÇÃO DO
PROGRAMA POSIÇÕES SUJEITO NAS ETAPAS DO PROJETO
PILOTAGEM CONCEITUAL
Cada triângulo representa as relações entre as três instituições em cada momento do projeto e dentro de cada momento, por assunto específico.
Optou-se pela nomenclatura “partes” para fugir da linearidade inerente ao conceito de etapas – que diz de algo seqüencial. As relações que se estabelecem no decorrer do projeto não são lineares, mas existem regras (informais, mas de certa forma institucionalizadas) para reger a ocupação dos lugares.
Para compreender como as relações entre os atores ocorrem e as posições ocupadas por eles no decorrer do projeto, foi necessário retirar as camadas superiores – o macro, para conseguir montar o quadro contextual e situacional onde essas relações se desenvolvem até chegar ao cerne – o micro, em que se trata das relações entre os sujeitos.
5.2.2.1. Categorias lexicais: marcas lingüísticas
Uma forma de ver a movimentação das posições sujeito no discurso é a identificação e análise de como são utilizadas as marcas lingüísticas (ANJOS, 2003).
Categorias lexicais que de acordo com Charaudeau (1993, 1995) contribuem para a compreensão do sentido do discurso:
1. Discurso de racionalização:
a. contém modalizadores como realmente, obviamente, de fato ou comentários meta-enunciativos, como o ‘deixe-nos dizer que’, ‘uma sorte de’;
b. uso dos pronomes como nós ou a gente (coloquial). 2. Discursos em que a subjetividade emerge:
a. contêm escolhas lexicais que são inconsistentes com a inter-subjetividade necessária para a troca verbal;
b. os pronomes em primeira pessoa;
c. os aspectos negativos são relacionados “aos outros", e os aspectos positivos endossados pelo locutor sozinho;
d. nas modalidades enunciativas do enunciado, a unicidade explícita corresponde à positividade, enquanto o paralelismo ou a oposição estão ligados à negatividade.
Figura 5 – Categorias lexicais que contribuem para a compreensão do sentido do discurso (CHARAUDEAU, 1993, 1995)
Estilo Principais indicadores linguageiros
Explicação
Argumentativo Verbos estativos Modalização de negociação Modalização de intensidade Conectores de objetivos Conectores de adição
O locutor argumenta, explica ou critica para ensaiar, agir sobre seu interlocutor.
Enunciativo Verbos declarativos Verbos estativos Utilização do EU Modalizações de afirmação Modalizações de intensidade Conectores de adição Conectores de causa
O locutor estabelece uma relação de influência sobre seu interlocutor, revelando seu ponto de vista.
Narrativo Verbos factivos Modalizações de tempo Modalizações de lugar Modalizações de maneira Modalizações de afirmação Conectores de adição Conectores de disjunção Conectores de comparação
O locutor expõe uma sucessão de acontecimentos que se desenrolam a um momento dado, em um lugar dado.
Descritivo Verbos factivos
Modalizações de temo Modalizações de lugar Adjetivos objetivos
O locutor identifica, descreve ou classifica coisas ou pessoas.
Figura 6 - Principais indicadores linguageiros utilizados para distinguir e explicar os estilos de discurso (WOLFF; VISSER 2005)
Sette e Ribeiro (1984) identificaram, nas interações analisadas, marcas lingüísticas características e responsáveis pela relação simétrica ou assimétrica interna, ou seja, marcas que poderiam ser consideradas produto da interação lingüística.
Essas marcas foram agrupadas em quatro itens:
1. O tema da negociação, principalmente o periférico, proposto por um dos sujeitos tornava-se uma marca importante de simetria (quando a proposta é aceita, possibilitando novos diálogos) ou assimetria (negação do tema periférico).
2. Os tipos de perguntas, as “fechadas” apontam para uma direção, marca de assimetria, as “abertas” permitindo maior flexibilidade, abrindo-se para a opinião do outro, marca de simetria.
3. Formas de tratamento através dos quais os interlocutores se colocam como diferentes ou como iguais; formas de pedido assinalam assimetria ou simetria como uma ordem ou interrogação;
4. Reversibilidade nas posições entre falante e ouvinte, podendo apresentar-se em diferentes graus, desde um mínimo em que não há qualquer expressão de tratamento introdutório até a possibilidade de interações que marcam simetria.
Figura 7 - Marcas lingüísticas para caracterização do tipo de relação quanto à simetria e à assimetria (SETTE e RIBEIRO, 1984)
Essas marcas lingüísticas que ajudam a caracterizar a interação evidenciam os indícios de como cada sujeito está se posicionando e tomando o outro.
CAPÍTULO VI – APRESENTAÇÃO DOS DADOS
A apresentação dos dados foi organizada em três partes. A descrição geral do quadro, que consta da apresentação da situação, a constituição da equipe, os sujeitos envolvidos enquanto instituições e enquanto individualidades; uma segunda parte que trata da dimensão relacional do processo e uma terceira parte da apresentação dos dados que se focalizou especificamente na dinâmica da sistemática de posicionamento.
Vale ressaltar que essas denominações não dizem respeito a uma determinação espaço-temporal específica neste estudo, mas que elas encampam as atividades que lhes dizem respeito, independentemente do momento temporal ocorrido. O que não quer dizer que o tempo foi abstraído, pois o contexto de aparecimento de cada situação foi conservado nas descrições.