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2. THEORETICAL BACKGROUND

2.3. Historical overview of second language learning theories

O neopentecostalismo gerou o surgimento de novos padrões estéticos e comportamentais entre os evangélicos, desenvolveu novos estilos musicais e práticas litúrgicas e promoveu a flexibilização dos costumes de santidade e a liberalização do código de conduta. As igrejas neopentecostais assumiram uma postura mais liberal e flexível em relação aos hábitos e à aparência dos fiéis. Atualmente, não definem a identidade estética dos jovens nem impõem um perfil para os cristãos seguir. Não há restrição quanto ao tipo de roupa, ao corte de cabelo e ao uso de maquiagem e jóias. Não é proibido ouvir rádio, assistir televisão, praticar esportes, freqüentar cinemas e teatros, ir à praia, fazer passeios, participar de competições esportivas e torcer por times de futebol.

Nesse sentido, a Igreja Bola de Neve mostra-se liberal. Os jovens que freqüentam seus cultos possuem estilos variados, usam tatuagens e piercings, vestem roupas descontraídas que exibem o corpo, utilizam artigos da moda, pertencem a diferentes “tribos” e apresentam os mais diversificados perfis estéticos. Não há, pois, regulamentação

das vestimentas nem padronização de estilos. Além disso, eles praticam esportes radicais, participam de torneios esportivos promovidos pela própria igreja, fazem churrasco, saem para passear, vão regularmente à praia e assistem a shows de bandas gospel, cujos ritmos e melodias musicais são tão semelhantes à música secular que fica difícil distingui-los.

A música neopentecostal correspondeu a uma das maiores rupturas do novo movimento religioso com o tradicionalismo dos segmentos pentecostais. Novos instrumentos, antes condenados e considerados demoníacos, foram incorporados às cerimônias religiosas. Guitarra, contrabaixo, bateria e percussão passaram a compor o novo ambiente eclesiástico. Novos ritmos, em vigor na sociedade moderna, começaram a fazer parte do repertório evangélico. O movimento gospel, que criou diversos sons e assimilou melodias provenientes do mundo profano, subverteu a tradição musical pentecostal, ao adotar diferentes ritmos, como rock, punk, pop, hap, samba, pagode, funk e reggae.

Na Igreja Bola de Neve, a música é central nos cultos. Os estilos musicais são variados. Ao som do rock, do reggae e do pop, gêneros musicais apreciados pelo público jovem, os fiéis dançam sem inibição. Balançam corpos e movimentam braços, animados pela cantora. Não há objeção a nenhum ritmo musical. Todos são bem-vindos, desde o rock

até o funk. No culto do dia 16 de fevereiro de 2006, a pastora Priscila, imitando a melodia do funk carioca, ensinou à platéia novas canções religiosas e os passos da moda que acompanham o novo ritmo. A audiência reproduzia os movimentos e cantava com entusiasmo as novas músicas.

A flexibilização dos costumes é notável nos grupos neopentecostais. Transformações nos rituais religiosos, nas formas de pregação, na linguagem empregada e na aparência dos fiéis redefinem os novos movimentos pentecostais. Entretanto, apesar do liberalismo estético e musical, as igrejas preservam e reproduzem orientações doutrinárias de caráter moralista e conservador, como a proibição ao consumo de bebidas alcoólicas, ao uso do tabaco, à freqüência a bares e boates, à participação no carnaval, ao homossexualismo e ao sexo pré-nupcial. Especialmente quando o assunto é sexualidade, as denominações neopentecostais avançaram pouco. Mantiveram códigos anacrônicos para regular a vida sexual e fizeram algumas concessões a fim de garantir o cumprimento do sistema normativo.

A sexualidade é um dos temas mais abordados, discutidos e regulamentados nas instituições pentecostais. Conjuntos de regras foram elaborados para definir o que é consentido e o que é interditado no âmbito da experiência sexual. A convivência entre os prazeres sexuais e a moralidade religiosa não é pacífica. Os desejos parecem incompatíveis com as prescrições morais. “A ética fraternal da religião de salvação (...) está em tensão

profunda com a maior força irracional da vida: o amor sexual. Quanto mais sublimada é a sexualidade, e quanto mais baseada em princípio, e coerente, é a ética de salvação da fraternidade, tanto mais aguda a tensão entre o sexo e a religião” (Weber apud Mariano,

1999: 191). Talvez, por essa razão, as discussões em torno da questão sexual fazem parte da história do cristianismo desde sua origem. Nas pregações cristãs, sempre houve espaço para a sexualidade.

No caso do pentecostalismo, a experiência sexual só é considerada legítima quando se encontra circunscrita à esfera da vida conjugal. Embora não se restrinja apenas à procriação, a erotização da atividade sexual não é permitida. O prazer deve ser evitado, protegido por pudores e prescrições morais. O neopentecostalismo, no entanto, mostra-se menos legalista e conservador, quando o tema é a sexualidade. Valoriza a prática sexual, associando-a diretamente ao prazer25. Os desejos sexuais não são mais concebidos como pecados em si mesmos. Localizados no matrimônio, não são apenas autorizados, mas também estimulados.

Normalmente, os líderes neopentecostais dão às mulheres casadas orientações sexuais, buscando convencê-las a satisfazer os desejos dos seus cônjuges. Os pastores da Igreja Universal do Reino de Deus atribuem às esposas os problemas sexuais do casal e acreditam que a frigidez feminina é responsável pelas dificuldades da vida conjugal. Por essa razão, aconselham as mulheres a compreender as necessidades sexuais de seus maridos e estimulam-nas ao exercício da sexualidade a fim de reduzir os conflitos afetivos, preservar o matrimônio e consolidar a união amorosa. O sexo torna-se uma poderosa arma utilizada pela igreja para conservar a estabilidade da relação conjugal, evitando sua dissolução.

25 O bispo fundador da igreja Universal, Edir Macedo, fez a seguinte declaração: “(...) sexo é para você ter prazer. Dentro do casamento, é claro. Penso que Deus criou o sexo também para você tirar a sua ansiedade, descarregar sua carga um com o outro e, assim, ficar aliviado” (Campos, 1996: 74).

O casamento, que surgiu para proteger o sexo da promiscuidade, agora é protegido pela prática sexual da ameaça de ruptura. Não obstante a liberalidade dos neopentecostais, a vivência sexual continua restrita ao casamento monogâmico e heterossexual. Os solteiros devem abster-se do ato sexual, esperando o momento oportuno – o matrimônio – para iniciar sua vida sexual. “Os pentecostais de todas as matizes

postulam que os jovens solteiros de ambos os sexos devem se comportar como eunucos, seres assexuados. Pois, aos solteiros, descasados e viúvos não se lhes permite o exercício de atividades sexuais” (Mariano, 1999: 193).

Em algumas denominações evangélicas fundamentalistas, a mulher, mesmo casada, é “temida” por sua sensualidade26 e, por isso, lhe são recomendados o recato, a discrição e o silêncio. Gouveia (1986), ao analisar a construção da sexualidade feminina no universo do pentecostalismo, constata que algumas congregações pentecostais conservadoras ainda prescrevem “a morte metafísica do corpo e dos desejos femininos” (Gouveia, 1986: 127). Nicolau (2002), por sua vez, observa que, numa igreja protestante renovada de São Paulo, as experiências sexuais das fiéis não são conduzidas apenas por

“pressupostos bíblicos”, anteriormente considerados “a total regra de fé e prática”. Os

comportamentos das cristãs se remodelaram e se redefiniram informalmente conforme as mudanças sociais e históricas, não se distanciando, porém, das premissas religiosas, cuja ênfase se volta para a questão da austeridade sexual. Logo, há uma cisão entre o discurso eclesiástico oficial e a experiência cotidiana das mulheres crentes.

A igreja, segundo Nicolau (2002), faz algumas concessões em relação à conduta sexual, autorizando as fiéis a não observar criteriosamente a moral sexual bíblica, incompatível com as rápidas mudanças da sociedade contemporânea. Entretanto, há limites para a flexibilização doutrinária do corpo clerical. O casamento continua sendo a união mais valorizada no contexto religioso, pois sacraliza o prazer, proibido em outros tipos de relação. Privilegia-se, pois, os casados, protegidos de cometer graves pecados sexuais. “As

mulheres solteiras e divorciadas se sentem rejeitadas pela política de ação adotada pela

26 Algumas agremiações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus, preservam a idéia de

que a mulher, por natureza, é sedutora e, por isso, ameaça a integridade sexual do homem. O bispo Edir Macedo afirmou, sem reservas, que “(...) a mulher é perigosa. É um perigo! Tem de tomar cuidado com ela.

igreja. (...) ainda não há espaço e lugar para os novos modelos familiares” (Nicolau, 2002:

175).

Assim como as demais denominações pentecostais, a Igreja Bola de Neve preconiza o casamento monogâmico e heterossexual, valoriza a virgindade pré-nupcial, repudia as relações extraconjugais e condena a homossexualidade. Enquanto a maioria das congregações demonstra preocupação com a vida conjugal dos fiéis, a Igreja Bola de Neve dedica-se à sexualidade dos solteiros, regulamentando-a e disciplinando-a. Na área sexual, apesar do sistema doutrinário da igreja ter se flexibilizado, prevalece a tradição cristã de controle das práticas sexuais. A moral da igreja surfista mostra-se conservadora. Em meio à liberalização dos costumes, da imagem dos fiéis e dos estilos musicais, sobrevive e se fortalece o conservadorismo sexual27.