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Historical overview of linguistics in learning theories, curriculum and SLA

5. DISCUSSION

5.1 Historical overview of linguistics in learning theories, curriculum and SLA

Os jovens apresentam em seus discursos as produções simbólicas da sexualidade construídas nas redes de interação e comunicação da instituição eclesiástica. A igreja lhes fornece novos sistemas de significados que garantem a ancoragem e objetivação das representações sexuais, em vigor no ambiente religioso. O quadro representacional da igreja que define a moral sexual torna-se familiar e já está tão consolidado e objetivado que parece algo natural, fruto da vontade divina. Os fiéis não o contestam, pois sua naturalização o torna inquestionável, favorecendo a dominação e a resignação, como declarou Moscovici (2004)75. A sexualidade prescrita pelos líderes religiosos é naturalizada e, por isso, facilmente aceita. Os jovens a reproduzem simbolicamente, mas demonstram certa resistência, quando suas práticas cotidianas não seguem fielmente o modelo cristão de relacionamento afetivo e sexual. Conforme os depoimentos dos sujeitos, as representações do desejo estão relacionadas à idéia de pecado, cuja gravidade depende do grau de intensidade da libido. O desejo, mesmo quando se manifesta sutilmente nos pensamentos e sonhos, é tratado como pecado de natureza sexual.

Marcos: A gente evita ao máximo estar pecando. O certo é não pecar. Pecar a gente peca todo dia

no falar ou em pensamento. Muitas das vezes você está dormindo e você começa a ter um sonho,

75 A naturalização dos sistemas representacionais da igreja convence os fiéis de que toda a estrutura normativa

da instituição eclesiástica é algo pronto. Não se trata de criação humana e sim de determinação divina. Nada foi construído, tudo foi dado e revelado por Deus. Nesse sentido, fica difícil contestar um código cujo autor não é humano. A igreja não se responsabiliza por sua elaboração e, dessa forma, garante a obediência da membresia. Os cristãos, não conhecendo a origem das regulamentações institucionais, se submetem a elas, acreditando que são injunções naturais.

por exemplo. Você está lá no maior ato. Às vezes quando acontece isso comigo, eu acordo à noite e já repreendo, porque eu sei que não é coisa de Deus76.

Lucas: Não vale a pena perder a salvação por uma hora de prazer.

O desejo é um perigo constante do qual cada cristão deve esquivar-se. A “carne”, manifestação intrínseca do desejo, parece estimular continuamente os apetites sexuais e intensificar a libido, que os fiéis insistem em combater.

Raquel: Tem um amigo meu que é músico, que ele mora no Rio, na verdade ele nem mora aqui. A

gente é amigo há um tempão já e algumas das últimas vezes que a gente se encontrou, ficou uma coisa meio, um clima assim, sabe? Mas ainda bem que ele mora no Rio, porque daí eu não corro nenhum risco, sabe? [Risos]. Mas eu não quero. Eu sei que a minha carne dentro às vezes sente assim, sabe? E vem o diabinho e fala: “Mas qual é o problema? É só um beijinho, não vai fazer mal”. Mas eu sei que no fundo isso pode acarretar um envolvimento, uma paixão, uma coisa que..., sabe? Então, eu não quero. Não quero. É por decisão mesmo.

A paixão é considerada um problema para o qual o sujeito precisa encontrar uma solução de natureza espiritual. Normalmente, os cristãos buscam eliminá-la por completo. Fazem uso de alguns rituais religiosos para desvanecer o desejo e pôr fim à força da paixão.

Raquel: Mas eu pedi para Deus também não deixar eu me apaixonar por ninguém, se não fosse da

vontade dEle. E eu não me interesso mais por ninguém. Impressionante! Não me interesso por ninguém. Às vezes até me interesso, olho o menino e falo: “Humm! Que menino bonitinho!”. Penso no menino num dia e no dia seguinte, eu esqueci. Aí, eu encontro o menino e não sinto nada, sabe? Porque eu entreguei muito isso na mão de Deus porque eu sou uma pessoa muito impulsiva. Então, se eu for pelo meu coração, eu sou imediatista. Eu conheço, eu fico junto, eu já quero casar, entendeu? Eu sei que Deus sabe que eu tenho esse problema e que Ele está me tratando e que por isso Ele deu uma esfriadinha no meu coração para não deixar nada entrar, enquanto Ele não terminar de fazer o que Ele tem para fazer.

76 Na tradição cristã, os sonhos eróticos geravam apreensão. Os monges dos primeiros séculos, enclausurados

em mosteiros, acordavam de madrugada para combater os sonhos e as poluções noturnas que lhes atormentavam.

O sistema de controle do desejo é com freqüência acionado. Os jovens parecem esforçar-se para domesticar as paixões e renunciar aos apetites sexuais. Buscam disciplinar os impulsos eróticos e resistir aos desejos.

Lucas: A gente está descendo do palco, você tem que esperar uma coisa séria, uma menina certa

para você e aí vem uma menina linda, que muitas vezes todos os moleques que você conhece gostam daquela menina e vem uma menina se oferecendo para você. Como é que você vai falar não? (...) Você tem que falar não. Não pode nem pensar. É assim: você fala não e depois você pensa, porque se você pensar antes...

Lucas: Já cheguei muitas vezes... Já aconteceu assim de a menina chegar e querer que eu faça

alguma coisa e eu falo assim: “Meu, não precisa, tá ligado?”. De a menina chegar e a menina se entregar mesmo, sabe? Falou assim: “Olha, pode fazer isso ou aquilo”. Já aconteceu de eu falar assim: “Não. Não. Deixa quieto. A gente não se gosta tanto. Então, a gente não precisa fazer isso”.

Mateus: Eu sei que ela gosta de mim, ela me liga, a gente conversa. Quando a gente se encontra

assim, eu sinto que ela tenta uma aproximação, mas não tem condições. Não tem condições. EU NÃO POSSO. Agora, eu não posso ter mais nada com ela assim.

Marcos: Não importa mais as vontades do mundo, não importa mais nada.

Raquel: Quando eu resolvi terminar com o meu namorado... Eu namorava um cara aí quatro

anos. Nossa! Eu entrei em depressão, eu queria morrer. O Rina falou: “Meu, segura, porque é luta, porque você renunciou do cara por Deus, porque Deus mandou. Deus vai te honrar. O diabo vai, sim, te judiar. Mas, meu, segura”.

Portanto, recomenda-se que cada cristão domine seus desejos mais ocultos por meio de rituais religiosos. Os fiéis se preparam espiritualmente para enfrentar as paixões mais ardentes, como se fossem participar de uma guerra contra seu principal inimigo. Eles parecem travar um combate cotidiano contra um adversário íntimo, há muito conhecido, porém imprevisível e astuto, que surge de forma sorrateira nos gestos mais simples, nos

olhares mais ingênuos e nas ocasiões mais inesperadas77. Trata-se, pois, de uma relação de embate com as próprias necessidades sexuais. Prescreve-se aos jovens lutar permanentemente contra si mesmo. Nessa batalha, são utilizados expedientes religiosos para conter a “carne”, considerada a principal e mais próxima adversária do cristão, que o acompanha em todas as circunstâncias, nos movimentos mais sutis e nas expressões mais delicadas.

Marcos: A luta é contra a carne, meu. Porque é assim: a sua carne... Você está na igreja, mas...

Por exemplo, no meu serviço, poxa, as meninas olham e ficam te... Na academia... O mundo fica comprimindo você, entendeu?

Rebeca: [Existe alguma coisa contra a qual você luta mais, espiritualmente?] Eu acho que a luta

da gente contra o carne, da carne contra o espírito, é constante. (...) Então, isso é direto. Você lutando pela santidade, por tudo. É uma luta diária, constante.

Ester: (...) afinal de contas nós somos espírito, mas também somos carne. Por isso que a gente fala

que existe essa luta da carne contra o espírito. Porque ao mesmo tempo que você quer, você tem o Espírito Santo com você, você tem uma vida com Deus e você sabe que se você fizer algo que vai desagradar a Deus, você pode ter conseqüências, não porque Deus castiga, mas porque aquilo não vai ser bom para você. Então, essa é a luta da carne. (...) Então, a carne acaba sendo derrotada mesmo e o Espírito Santo de Deus sempre vence na nossa vida. [Mas o que eu estou entendendo é

que de alguma forma a carne está presente...] Sim, com certeza. Isso é na vida de todo mundo.

Não tem como você ser só espiritual o tempo todo, entendeu? Vai ter momentos em que sua carne vai falar mais alto. E aí? Você tem que estar preparado.

Segundo os depoimentos de alguns sujeitos, o cristão deve esforçar-se para atingir o estado de “santidade”, que corresponde ao domínio do desejo pela via espiritual. A “santidade” é condição sine qua non para que o jovem consiga constituir uma família

77 Na literatura monástica dos séculos IV, V e VI, surge a idéia de que é preciso proteger-se dos desejos,

especialmente daqueles cujas manifestações são discretas. Eles são considerados perigosos, sobretudo, por sua capacidade de esconder-se, disfarçar-se e camuflar-se. Os monges eram persuadidos a enfrentá-los com coragem a fim de combatê-los. Desenvolveu-se, desde então, a concepção de que o indivíduo deve travar uma guerra contra a libido, concepção que se perpetuou e ocupou o centro da moral protestante.

estável. Acredita-se que o desejo inviabiliza a relação afetiva e impede que o indivíduo obtenha a garantia divina de um relacionamento indissolúvel. Por isso, é imprescindível controlar os apetites sexuais e dedicar-se à “santidade”.

Ester: Olha! O mais difícil eu acredito que é você manter a santidade. Porque a santidade é algo

que você precisa lutar dia-a-dia. Porque as pessoas no mundo não estão acostumadas. As pessoas fazem as coisas da forma como elas acham que devem fazer e o que der na cabeça elas fazem. E na vida com Deus, não. Você tem que ter uma santidade não somente no lado... Quando a gente fala em santidade, as pessoas acham que é somente a parte da relação sexual e não é só isso. A santidade está envolvendo atitudes. A santidade envolve caráter. Então assim, se você não tem cuidado, alguns cuidados, você acaba se corrompendo. Porque você tem que manter uma vida em santidade com Deus, porque Deus diz que sem santidade ninguém verá a Deus, porém você enfrenta o mundo no seu dia-a-dia e as coisas são muito diferentes. Então, eu acho que isso é a maior guerra, é você estar em santidade mesmo. Só que Deus sempre nos ajuda nessas coisas, sempre nos fortalece.

Ester: (...) na parte da área sentimental, às vezes eu estava envolvida ainda com algumas pessoas.

Até que um dia, eu falei: “Não. Agora, eu vou ter uma vida em santidade porque eu quero me casar, eu quero ter um marido, eu quero ter filho”. Então, a partir daí, foi que eu resolvi realmente estar em santidade mesmo para Deus poder me dar um esposo.

A “santidade” é, pois, a expressão do controle sexual. A fim de pôr limites à sexualidade, os jovens tentam promover uma espécie de espiritualização do desejo e dessexualização da relação amorosa.

Marcos: Importante também é o jeito de se relacionar com mulheres. Foi bastante importante. Pô,

num dia você está dando em cima de um monte, você está ficando com quatro, cinco, já fiquei com oito numa noite. Aí, chega no outro dia, você olha para uma mulher, em vez de você querer dar um beijo e passar a mão nela, você quer dar uma rosa. Essa foi a mudança.

Raquel: Porque na presença de Deus, o amor é muito mais verdadeiro que no mundo. No mundo é

mais paixão, aquela coisa de pele, tal. Quando você está na presença de Deus, é espiritual, é uma união que vai além do nosso entendimento. Então, eu quero experimentar isso.

A espiritualização de si é um exercício constante que serve para reduzir a força dos impulsos sexuais, os quais não podem ser o motor do relacionamento amoroso. O desejo representa um obstáculo ao início e à permanência do namoro. O jovem prefere não dar continuidade a uma relação que começou pela via do desejo.

Ester: Hoje, a questão sexual não pega. Não pega, porque Deus me ensinou muitas coisas. Lá na

Renascer, eles têm culto para casais, eles têm encontro de mulheres, eles têm encontro de homens. Então, nessas ministrações muitas coisas são faladas, muitas coisas a gente aprende. Então, eu tenho uma bagagem disso até que bastante grande, entendeu? Hoje se eu namorar alguém, eu vou lembrar de muitas coisas e vou lembrar também da palavra de Deus. Então, não pega mais. Comigo, eu acredito que não vai pegar. Porque hoje eu tenho um nível espiritual muito maior do que eu tinha antes. Hoje, não pega porque eu sei mais da palavra de Deus, já sei de muita coisa, experiências de outras pessoas. A gente acaba levando isso como uma bagagem.

Marcos: Você se empolga com a pessoa e você nem ora nem nada, acaba ficando. Acabei,

entendeu? Mas depois vem o arrependimento. A conseqüência é pior. Pior pelo seguinte: de você olhar para a pessoa e falar: “Meu, não era ela. Não era assim que devia acontecer, não era dessa maneira”. [Houve alguma diferença em relação ao que acontecia antes?] HOUVE. Houve diferenças. Você se contém mais, né? Você está ali no momento, mas a sua cabeça não está ali quando você está fazendo o que não está certo, entendeu? Sua cabeça está em Jesus. Você fica imaginando Jesus do seu lado e você lá beijando sem ter orado, sem ter um sentimento, sem ter nada, só para satisfazer a sua ansiedade ou a sua vontade. [Você conseguiu satisfazer?] Não. Nenhuma das vezes. (...) Eu decidi agora, não importa o que acontecer, esperar em Deus. [Como

foram esses três casos?] Foi assim: um dia, naquele momento de fraqueza, porque nem sempre a

gente está forte e aconteceu naquele momento, um momento de carência, aquele momento que você queria um carinho, que você queria um abraço, que você queria... Aí, você confunde.

O desejo, porém, por mais que se tente reprimi-lo, é uma presença gritante. Sua força é incontestável. Os sujeitos parecem assustar-se com tamanha intensidade. O sistema

de controle a que recorrem para dominar-se potencializa a sexualidade, os pensamentos eróticos e os desejos sexuais78.

Marcos: A minha maior luta é contra essa sedução do mundo. Eu sinto. É muito forte, pelo menos

em mim, a influência que tem. Às vezes, eu passo, uma mulher passa por mim, é um perfume diferente, é uma coisa que você vê que não é normal. Às vezes, a mulher está com uma roupa toda folgada, parece que está de calça de moletom e você sente aquela coisa. [O que você sente?] Ah, aquela coisa. Dá vontade de você rolar em cima da mulher, entendeu? Você fala: “Nossa!”. Na hora vem o pensamento na cabeça, mas você não pode deixar ir adiante.

Marcos: Porque é fogo. Você está na praia, você olha aquele monumento. Aí, você vai, num certo

momento você olha. A pessoa vai e ela se demonstra, ela se abre para você assim. Você fala: “Meu, e agora?”. Na hora, vêm ‘n’ pensamentos. Os pensamentos que vêm na hora, você fala: “Ah, meu. Vou pegar ela, vou sair de lado. Sei lá. Vou inventar alguma coisa e vou chegar lá”. (...) Mas aí você contém isso. Não é mais forte do que você.

Mateus: [Como foi o retorno de sua ex-mulher, quando você entrou na igreja?] Foi difícil.

Porque ela tinha... Eu sempre tive também vontades, né? Essa parte de relação sexual, a gente... Nós moramos juntos três anos, de dois para três anos. Tivemos uma filha juntos e... Foi assim: eu me converti, voltei para ela. (...) Ela foi morar em casa logo que eu me converti. Ela foi morar em casa comigo. Nós moramos juntos mais uns dois meses. Ela ia em alguns cultos comigo. Às vezes, ela não queria ir; às vezes, ela ia. A gente saía juntos, ela bebia, eu não. Então, era uma coisa bem estranha. Era uma coisa... Ela queria relação sexual sempre e eu sempre... , né? Não é que eu não queria, mas eu colocava para ela: “Não é direito, entendeu?”.

Ester: Você tem que olhar para a pessoa e falar: “Nossa! É bonito”. Mas e daí? Pára por aí,

entendeu? Porque se você ficar olhando e já começar a imaginar um monte de coisa, você já cai. O próprio pensamento já te faz pecar. Você já cai em pecado. Então, eu acho assim... É muito difícil também lidar com essa parte. Mas eu também não tenho muitas dificuldades em relação a isso,

78 Referindo-se às freiras reclusas nos conventos, Miranda (1998) afirma que “a interdição sexual teve a função de afrodisíaco”, pois ao submeter a sexualidade ao poder da repressão, as monjas intensificaram sua

sabe? (...) Mas eu vou falar, não é fácil, às vezes. Você também tem seus desejos, você também tem vontades.

Os sujeitos entrevistados muitas vezes não conseguem resistir à força do desejo e terminam em algumas ocasiões satisfazendo-o, apesar das rigorosas prescrições eclesiásticas79. Alguns jovens adotam em certas circunstâncias a prática do “ficar” para satisfazer momentaneamente os impulsos sexuais e, desse modo, reduzir sua intensidade. É uma forma paliativa de extravasar a energia sexual retida e disciplinar o desejo. Trata-se de um envolvimento pontual que não deve tornar-se um compromisso sério, visto que tem como função suprir necessidades de ordem sexual80.

Raquel: Depois que eu terminei com ele [antigo namorado], eu ainda fiquei uns meses meio assim

e tal. Aí, namorei mais um menino que eu tive, transei com ele algumas vezes, mas não senti nada assim, sabe? Aí, chegou uma hora que eu falei: “Não. É isso mesmo. Não dá”.

Raquel: Eu fiquei com o Tiago que era um ex-namorado que vai na igreja também. É esse que eu

falei que é do meio, que é DJ, que vai na igreja. Mas é um pé lá e outro cá também. (...) A gente ficou, mas foi para suprir carência assim. Na verdade, era para eu ter ficado sozinha. Mas eu acabei não conseguindo, mas ao mesmo tempo eu não dei muita continuidade assim. Foi uma coisa de momento, só para suprir um vazio que estava naquela hora. (...) a gente ficou mais umas vezes quando bateu uma carência, mas agora a gente é amigo.

Ester: Então, a gente vacila, sabe? Naquele momento que você está ali com a pessoa e de repente

entrando até na carne em alguns momentos, você dá umas vaciladas. Fala: “Poxa, Deus. Perdoa, porque não era para ter acontecido tal coisa e tal coisa”. Mas graças a Deus não aconteceu nada de muito anormal. Mas você dá umas vaciladas. Não adianta. Por mais que você esteja ali nos pés do Senhor, vai ter momentos em que você vai dar umas vaciladas. Mas assim, quando você dá umas

79 Desde o século XV, quando o clero católico elaborou os manuais de confissão e as práticas penitenciais, a

igreja oferece possibilidades de burlar a norma e driblar o imperativo moral. Conforme Machado (1996), além das regras, a instituição eclesiástica constrói mecanismos de tolerância à transgressão, como se soubesse de antemão que as prescrições serão violadas.

80 Na pesquisa realizada por Carvalho (1999), alguns jovens pentecostais apresentam o “ficar” como “uma alternativa às regras rígidas de conduta às quais estão submetidos” (p. 115).

vaciladas, o Espírito Santo de Deus mesmo, Ele já te incomoda na hora. Ele fala assim: “Meu, você pisou no tomate”. Aí, já vem aquela coisa em você: “Nossa, meu. Preciso agora pedir perdão para Deus”. Então assim, vai ter momentos mesmo.

Normalmente, logo após a realização do desejo, surge a culpa. O arrependimento e a culpa são os mais eficazes instrumentos de controle do desejo. As técnicas de culpabilização desenvolvidas pela igreja contribuem para disciplinar os prazeres e anseios sexuais. A culpa transforma o prazer do ato sexual em desprazer.

Marcos: (...) o verdadeiro arrependimento é quando a pessoa pára de fazer aquilo, entendeu? Não

adianta você chegar “ai, Senhor, me perdoa”, chorar e fazer de novo. Foi o que aconteceu comigo, entendeu? Mas acho que no último foi aquele chacoalhão. Você fala: “Ôôôôôôhhhh. O que é que você está fazendo?”.

Mateus: No começo, foi mais difícil de segurar. Inclusive, foi uma das últimas coisas que eu

larguei assim, entendeu? Eu tinha ainda uma namoradinha, tive a Rute, depois da Rute eu tive uma outra namoradinha, que ela era da igreja, saiu, entrou e aí nós tivemos algumas vezes relação, tal... Mas depois chegou o momento que não tinha mais condições porque não tinha... Eu depois ficava muito arrependido, entendeu? Era assim um prazer de quinze minutos, vinte minutos e um arrependimento de um dia inteiro. Então, é complicado, porque acaba... O prazer não é um prazer real. Eu aprendi. Isso foi difícil para mim, mas eu aprendi, aprendi mesmo, aprendi, já sei como me portar, eu sei o que eu posso fazer e o que eu não posso fazer, eu sei quando fazer e quando não