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A utilização das tecnologias – calculadora gráfica e computador – na sala de aula muda de uma forma radical o papel do professor e o do aluno. O professor, deixa de ser o detentor e transmissor incontestável do conhecimento e passa a ser co- aprendente com os seus alunos (Ponte, 2000, p.77). Com a introdução das novas tecnologias na aula de matemática o professor tem de mudar a atitude em relação ao seu conhecimento que deixou de ser fixo e definitivo. A ideia de professor como alguém que teve uma formação superior em determinado momento e que a admitia como suficiente ao longo da sua vida profissional está hoje aniquilada. O professor, no presente, é um sujeito que tem de procurar actualizar-se quase diariamente. Mas não lhe basta ter conhecimento das novidades tecnológicas, ele precisa também de aprender a seleccionar as mais adequadas às suas aulas. Mas o mais difícil é decerto encontrar uma forma eficaz de utilização na sala de aula, de modo a promover a aprendizagem dos seus alunos. Em suma, o professor tem de estar atento às mudanças que surgem, tem de aprender a perceber o que é mais adequado às suas práticas e encontrar formas produtivas e viáveis de integrar novos recursos no processo de ensino-aprendizagem da matemática. Tem de estar preparado para aprender continuamente e muitas vezes com os seus alunos. Esta situação cria, de modo natural, uma maior aproximação entre professor e aluno. O professor deixa de ser quem domina todo o conhecimento para passar a ser aquele que em determinados momentos também é capaz de ter dúvidas, tal como os seus alunos, e de aprender com eles. Esta nova forma de encarar o papel do professor é talvez uma das maiores dificuldades que se lhe colocam. Nem todos os professores estão preparados para aceitar esta mudança no seu papel. Ponte (2000) considera que a relação professor-aluno pode ser profundamente alterada pela utilização

das tecnologias, particularmente, quando elas são usadas com alguma regularidade. Os professores e, em particular os estagiários, são mais sensíveis e sentem mais dificuldade em lidar com esta mudança que é tendencialmente sentida como fraqueza ou insegurança: chegar perto dos alunos e não saber dar resposta imediata a uma dúvida ou não conhecer exaustivamente o funcionamento de uma determinada ferramenta é para o professor um sinal de inferioridade. A utilização das tecnologias conduz frequentemente ao surgimento de situações na aula que não tinham sido pensadas inicialmente, porque a aula deixa de estar totalmente nas mãos do professor e passa a ser também dominada pelo computador e pelo próprio desempenho dos alunos (Santos, 2000). Desta forma, o professor é obrigado a investir mais na preparação das suas aulas, o receio da necessidade de ter de recorrer à improvisação só pode ser aliviado “com grande reforço no que diz respeito à preparação, nomeadamente de uma maior fluência computacional da sua parte e de uma planificação mais detalhada” (Santos, 2000, p.77-78).

Ponte (2000) refere que professor e aluno passam a ser parceiros de um mesmo processo de construção de conhecimento. O domínio de uma qualquer ferramenta tecnológica é algo de verdadeiramente impossível por parte de qualquer professor, especialmente, nos dias de hoje em que diariamente somos bombeados com o surgimento de novas actualizações.

A utilização das tecnologias na sala de aula veio trazer ao aluno um maior protagonismo na sua própria aprendizagem, de um papel passivo de ouvinte atento do saber do professor, passou a ter um papel activo de participante na construção do conhecimento. Quando a tecnologia está presente na aula de matemática o aluno tem um campo de experiência no seu horizonte e é nesse ambiente que ele poderá desenvolver conjecturas, testá-las, eventualmente refutá-las e comunicar as suas conclusões (Matos, 1991b). A utilização do computador influencia não apenas a forma como a matemática é

aprendida mas as concepções dos alunos sobre esta disciplina e sobre o papel que atribuem às próprias ferramentas tecnológicas. A este propósito Smith (2002) alerta para o facto de existir uma certa tendência dos alunos para adoptarem o uso específico de determinada ferramenta e as expectativas que o professor tem acerca da sua utilização. Um ambiente marcado pela utilização dos computadores pode facilitar a aprendizagem dos alunos, porque há uma maior quantidade de exemplos e contra- exemplos num pequeno espaço de tempo, os alunos são encorajados a observar e a conjecturar, há a possibilidade de trabalharem com múltiplas representações, há um desenvolvimento de atitudes positivas relativamente à aula de matemática e uma redução da ansiedade e do medo de cometer erros. Um uso mais sistemático das tecnologias na sala de aula tem como consequência que os alunos discutem mais entre si mas a comunicação incide essencialmente na actividade que estão a desenvolver e há menos dispersão por assuntos externos à aula. De acordo com os resultados de um estudo de Pierce e Stacey (2001), sobre a utilização do computador, os alunos sentiram que a tecnologia os tinha ajudado a compreender a Matemática, a ganhar confiança e que era uma ferramenta útil na resolução de problemas.

Shaffer e Kaput (1999) defendem que os meios computacionais tornam possível pensar na Matemática de uma forma mais indutiva e naturalística. Isto não significa que se deva abandonar o raciocínio dedutivo; pelo contrário, os alunos podem tirar um maior proveito da matemática como uma actividade experimental que os levará a sentir a necessidade e o desejo de uma justificação formal. Nesta cultura virtual, no campo da educação matemática, os alunos chegam às ideias matemáticas através da manipulação de fenómenos e expõem as relações matemáticas que os sustentam. Por exemplo, no artigo de Shaffer e Kaput (1999) é apontado o caso de alunos que ao

usarem um ambiente de geometria computacional, mostraram maior disposição e necessidade de obter uma prova ou demonstração para determinados resultados.

Em suma, as tecnologias permitem colocar o aluno em situações matemáticas fortemente interactivas, deixando-o “jogar” com as várias representações e manipulações como um meio para o desenvolvimento da compreensão matemática, porque os ciclos de feedback são mais rápidos e menos dependentes da capacidade do aluno de dominar linguagens simbólicas. É também possível facultar ao aluno a exploração matemática de simulações e com isso ajudá-lo a compreender uma situação problemática e a matemática que lhe está subjacente.

Os meios computacionais têm o poder de transformar a forma como abordamos a matemática do mesmo modo que acontece com outras áreas da cognição e da cultura. Embora não se consigam prever todas as futuras transformações que terão lugar numa cultura virtual, parece claro que nesta cultura, os alunos terão cada vez mais meios de partilhar novas experiências matemáticas, novas formas de representação e, finalmente, de compreensão matemática.