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1 Introduction

1.1 Background

1.1.4 Health sector in Kerala

Antes de se iniciar qualquer processo de recolha de CVs há que dimensionar o universo em estudo. Para se quantificar o número de equipas de investigação e investigadores em causa, para este estu- do, foi utilizado o website institucional do IGC. Em 2007, o IGC era composto por 46 grupos de inves-

43 Relativamente às variáveis codificadas dos CVs, há que ter em conta que os investigadores seguem padrões de vida diferenciados, opor-

tunidades e realidades distintas, que os próprios reflectem na estrutura e conteúdo dos seus CVs, de acordo com as projecções e impactos desejados na sua utilização. Pesará, portanto, o facto de a informação ser construída em função de um objectivo concreto (emprego, fi- nanciamento para investigação, etc.), que visa atender, ou superar, expectativas de terceiros (marketing pessoal) podendo enviesar a pró- pria biografia pessoal que se retira deste, num momento preciso.

tigação, de dimensão e caracterização variável44. Para este estudo retiveram-se apenas os investiga- dores com actividades de investigação activas no IGC, sendo o grau mínimo de qualificação o douto- ramento. Foi identificado45 o universo de 136 investigadores cujo CV, se procurou recolher, de forma indirecta, usando exclusivamente a internet como ferramenta de pesquisa.

Não obstante a extensa pesquisa realizada através dos motores de busca, esta acabou por se revelar infrutífera, dada a obtenção de apenas 18% do total de CVs. Este primeiro resultado não era expec- tável, dada a profusão do uso do CV pelos profissionais da ciência46. Dos CVs recolhidos de forma in- directa, apenas 1 estava disponível no website institucional do IGC, 3 no website do grupo de investi- gação de pertença 47, tendo os restantes 10 sido recolhidos em websites como papaformigas48 ou li- gados a aulas e seminários.

A recolha passou então a ser mediada por um representante institucional do IGC que liderou a co- municação, via e-mail, com os investigadores, apresentando sucintamente o projecto de investigação e solicitando a todos os investigadores do laboratório, a participação no estudo pelo envio do seu CV. A resposta a esta iteração ocorreu com grande brevidade e em elevado número. Porém, as respostas elegíveis apenas representavam 40% do total de CVs da amostra. Foi feito novo contacto e-mail aos investigadores principais, de cada grupo de investigação, solicitando, não só o envio dos seus CVs, como ajuda na colecta dos CVs dos doutorados do seu grupo de investigação. No primeiro dia, foram recebidos 17 CVs (2 homens e 15 de mulheres), mas a evolução da recolha estagnou de novo. A ac- ção foi retomada, sendo, desta vez, enviado e-mail apenas aos pós-doutorados do laboratório. Esta nova recolha traduziu-se apenas na duplicação de alguns elementos já coleccionados.

Numa terceira fase da recolha, optou-se por fazer a recolha de forma directa, solicitando aos investi- gadores que gravassem directamente o seu CV no dispositivo de armazenamento informático (pen

44 As equipas de investigação têm um número de elementos variável que pode oscilar entre os 2 e 17 investigadores e uma composição he-

terogénea, com um número variável de estudantes de mestrado, estudantes de doutoramento, investigadores doutorados e pós- doutorados.

45 A informação retirada do website institucional e dos relatórios anuais 2005 e 2006, também disponíveis no website, foi agregada numa

lista de nomes, e-mails e grupo de pertença dos investigadores elegíveis, utilizada para a realização da pesquisa na internet.

46 Bolsas de investigação, conferências, bases de dados de CVs de investigadores, website institucional do laboratório de investigação, da

universidade ou do centro de investigação da universidade com quem tem relação académica ou de investigação, de instituições host em conferências, do grupo de investigação, páginas pessoais ou blogs.

47 Um website mais pequeno com ligação à pagina institucional do IGC, que abre em janela própria e tem conteúdos mais aprofundados so-

bre a investigação do grupo.

drive), disponível no momento da interacção. Para esta recolha, a autora deslocou-se, pelos vários open spaces, acompanhada por um interlocutor institucional de referência. Nesta última etapa da re-

colha constatou-se que todos os investigadores dispunham do seu CV, tendo, alguns, solicitado al- guns minutos para o actualizar. Desta forma foram recolhidos os últimos 25% dos CVs da amostra. A distribuição dos 101 CVs recolhidos, e que definem a amostra, é descrita de seguida no quadro 2:

Quadro 2: Taxa de sucesso na recolha de CVs por tipologia de investigador

Tipologia do investigador Nº de investigadores Nº de CVs recolhidos

% de resposta por tipo- logia de investigador

Investigadores principais internos 34 28 82%

Investigadores principais externos 12 11 92%

Pós-doutorados internos 55 47 85%

Pós-doutorados externos 24 12 50%

Investigadores visitantes 11 2 18%

Ex- investigadores do laboratório 0 1 -

Total 136 101

Em notas finais, tecem-se algumas considerações relativas ao processo de recolha de CVs:

 As pesquisas baseadas na recolha de CVs são normalmente apresentadas como uma forma práti- ca e relativamente pouco onerosa de recolha de informação. Tal é possível quando existem siste- mas centralizados de CVs padronizados ou quando as instituições gestoras destes sistemas dispo- nibilizam os dados para a investigação. No presente caso, não houve possibilidade de acesso aos CVs dos investigadores do IGC pela base de dados da FCT, sendo que o próprio laboratório não dispunha de uma plataforma interna de CVs dos seus investigadores. A ausência de padronização dos currículos é corroborada por um recente estudo europeu, EURO-CV, que, partindo de vários sistemas nacionais de CVs, explora a possibilidade de utilizar os CVs dos investigadores, em for- mato electrónico, como uma forma de combater a falta de dados relativos à mobilidade e trajec- tórias científicas dos investigadores europeus (EURO-CV Final Report, 2009).

 Nos casos de inexistência de sistemas centralizados de CVs, a sua recolha está necessariamente associada à entrada em campo do investigador. A descrição aqui exposta mostra que, na comuni- dade científica, é muito provável não se obter resposta a um e-mail que solicite o CV. Por conse- guinte, recomenda-se a combinação de aproximação directa e indirecta, para a recolha de CVs junto dos investigadores.

 Finalmente, embora não se tenha procedido desta forma, recomenda-se, neste tipo de estudos, a realização de uma apresentação pública inicial do projecto e da equipa de investigadores nele en- volvidos. Esta etapa, serve, não só, de veículo de formalização institucional da investigação como assegura o envolvimento do público-alvo no projecto, fornecendo-lhes um enquadramento mais exacto do intuito da pesquisa.