1 Introduction
1.1 Background
1.1.2 Glimpse of Kerala
Após a possível caracterização da realidade dos RHAQ em C&T em Portugal, segue-se a caracteriza- ção e análise da comunidade científica a fazer investigação em Biomedicina em Portugal. A Biomedi- cina constitui área científica de complexa circunscrição, dado o seu carácter intrinsecamente multi- disciplinar onde campos científicos como Química, Física, Medicina, Ciência Animal e Vegetal, Biolo- gia e Bioquímica, Microbiologia, Matemática, Biologia Molecular e Genética, Neurociências e Com- portamento, Ciências Computacionais, Imunologia e até Psicologia e Psiquiatria, entre outras, têm uma contribuição relevante. Esta composição científica diversificada abre desafios para o trabalho de caracterização e análise, pelo que foi necessário fazer um agrupamento dos dados estatísticos dispo- níveis31 e passíveis de serem tratados analisados neste ponto.
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Agrupamento dos domínios científicos em Ciências da vida que incluem: Ciências Biológicas, Ciências Agrárias e Veterinárias, Ciências da Saúde, Engenharia Bioquímica.
Tendo como cenário uma base de informação abrangente, que data de 1970 a 2007, pode verificar- se que foram realizados ou reconhecidos por universidades portuguesa em áreas relacionadas à bi- omedicina 4000 doutoramentos (GPEARI, 2008). Isto significa que, um quarto do total do esforço na- cional em formação foi feito nesta área, ondes as Ciências Biológicas são a área com maior cresci- mento e com um franco destaque face às restantes.
Do tratamento dos dados dos Programas de Financiamento Europeu CIENCIA (1990-1993), PRAXIS XXI (1994-1999), POCTI e POSI (2000-2004) com vista a analisar o agrupamento de domínios científi- cos em Ciências da Vida32, pode verificar-se que esta é uma das áreas onde o investimento público foi maior. Foram atribuídas 3.127 bolsas (29% das totais, atribuídas pelos três programas em todos os domínios científicos) das quais 53% no estrangeiro ou mistas (OCES, 2006). Ao longo dos três pro- gramas houve um crescente investimento em número de bolsas de doutoramento e pós- doutoramento, verificando-se um aumento significativo das bolsas para investigação em Portugal e, principalmente, para investigação em Portugal e no estrangeiro (mistas). A percentagem de bolsas de doutoramento, para investigação exclusiva no estrangeiro, passou de 34% do programa CIENCIA (1990-1993) para 22% POCTI e POSI (2000-2004). Um dado relevante é o aumento da percentagem de bolsas mistas que passou de 5% para 33% nos referidos programas, na área das Ciências da Vida (OCES, 2006). Denota-se também uma aposta crescente nas bolsas de pós-doutoramento que dupli- caram do Programa PRAXIS XXI (1994-1999) para POCTI e POSI (2000-2004), sendo atribuídas neste último um total de 548 bolsas, (39% das totais, atribuídas pelo programa em todos os domínios cien- tíficos), das quais apenas 18% no estrangeiro, verificando-se o mesmo fenómeno da crescente repre- sentatividade das bolsas mistas (OCES, 2006). Este dado pode representar, não só, que o tecido cien- tífico em Ciências da Vida em Portugal está a ser capaz de dar resposta a este aumento de exigência ao nível da formação, como também, a aposta em bolsas mistas, representar uma forma de evitar que os investigadores permaneçam no estrangeiro, no fim das suas bolsas, regressando a Portugal
32 Agrupamento de domínios científicos que excluem as bolsas dos seguintes domínios científicos: Matemática, Física, Química, Ciências da
Terra e do Espaço, Engenharia Mecânica, Ciências e Engenharia dos Materiais, Engenharia Civil e de Minas, Engenharia Química, Engenha- ria Electrotécnica e Informática, Economia, Gestão, Ciências Jurídicas, Ciências Políticas, Sociologia, Demografia, Antropologia, Geografia, Ciências da Educação, Psicologia, Linguística, Ciências da Comunicação, Filosofia, História e Arqueologia, Arquitectura e Urbanismo, Estudos Literários, Estudos Artísticos.
dotados de competências distintas. O aumento significativo das bolsas de pós-doutoramento pode corroborar ainda com a situação que os investigadores doutorados parecem enfrentar em Portugal, na impossibilidade de encontrarem outras formas de emprego, os investigadores permanecem de- pendentes de bolsas de pós-doutoramento para prosseguir as suas carreiras na ciência e, ou nelas encontrarem mecanismos para sair do país.
Nos inquéritos aos bolseiros de doutoramento supracitados, não é possível aceder a informação rela- tiva a um campo científico específico, logo não é possível ter dados relativos à permanência ou não no país de destino da bolsa. A única informação relativa aos ex-bolseiros diz respeito à área das Ciên- cias Naturais, que representam uma fatia menor relativamente às Ciências da vida. O que o relatório refere é haver um número menor de ex-bolseiros de Ciências Naturais a desenvolver actividade pro- fissional, apresentando um maior número de bolseiros de pós-doutoramento (Gonçalves et al, 2005). Outro indicador expressivo na caracterização destes investigadores é o número de publicações cientí- ficas. Dados relativos ao período de 1990 a 2006 revelam que as Ciências da Vida são a segunda área com mais publicações (sendo a primeira Agricultura, Biologia e Ciências do Ambiente com 20.939 publicações), destacando-se das restantes com 18.225 publicações, sendo 17.809 (98% das totais) em revistas classificadas (GPEARI, 2007). Estes dados indicam uma produtividade crescente e de qua- lidade, onde as publicações referenciadas praticamente duplicaram entre 2000 e 2006 nesta área. O número de publicações em co-autoria com instituições de outros países é 8.291, o que revela que a colaboração internacional é responsável por 45% do total de publicações nesta área. A colaboração internacional é uma realidade com resultados concretos, estando entre os países com quem estes in- vestigadores mais publicam em co-autoria os EUA, Inglaterra, França, Espanha, Alemanha, Itália, Ho- landa (GPEARI, 2007). Pode com isto dizer-se que esta área tem uma dinâmica produtiva internacio- nal, o que demonstra a natureza multidimensional das relações dos investigadores e poderá indiciar a existência de mobilidade.