A norma ISO/TS 22367:2008, define erro laboratorial como a falha de uma ação planeada ou a utilização errada de um plano para atingir um objetivo, possível de ocorrer em qualquer fase do procedimento laboratorial (ISO/TS 22367, 2008).
As características mais relevantes dos estudos sobre erros nos laboratórios clínicos, são escassos e de natureza heterogênea. Ou seja, os diferentes estudos realizados e publicados apresentam diferentes abordagens na recolha dos dados e investigam secções ou atividades diferentes dos laboratórios (Plebani, 2006).
Apesar das grandes diferenças em quantificar corretamente o valor do erro laboratorial, os estudos recentemente disponíveis, mostram que a percentagem de erros no laboratório mais elevada ocorre nas fases pré e pós-analítica, com menor número de erros a ocorrer na fase analítica (Lippi, et al., 2009; Kazmierczak, 2003; Kalra, 2004; Plebani, 2002).
A Tabela 2.1 denota um intervalo da percentagem de erro associado a cada fase de procedimento analítico no laboratório.
Tabela 2.1 – Intervalo percentual de erro laboratorial, de acordo com a fase de procedimento (Plebani, 2006)
De acordo com as percentagens de erro presentes na literatura, seria mais importante o foco, por parte do laboratório nos erros pré-analíticos e pós-analíticos, ao invés dos erros analíticos. No entanto, apesar de a percentagem de erro ser mais reduzida nesta fase, os erros analíticos continuam a ser a maior causa para a existência de tratamentos inadequados aos pacientes, com uma percentagem de 52% (Westgard, 2010). Além do mais, apesar da menor percentagem de erros analíticos, Westgard (2010) refere que a qualidade laboratorial deve começar na fase analítica pois esta é a característica essencial de um teste laboratorial, se a qualidade analítica não é atingida, a qualidade nas restantes fases de procedimento deixam de ter relevância.
Muitas vezes, é difícil estabelecer uma relação causal entre erros laboratoriais e a evolução do estado do paciente. No entanto, os erros laboratoriais podem ter graves impactos nos cuidados do paciente. Plebani & Carraro (1997) concluíram num estudo sobre monitorização de erros laboratoriais que cerca de 74% dos erros laboratoriais não afetam os pacientes. No entanto, nos pacientes afetados pelos erros, 19% estavam associados a outras investigações inadequadas e aumentos injustificáveis de custos, enquanto 7% dos pacientes foram associados a cuidados inadequados e alterações de terapia inapropriadas.
Os erros que ocorrem nos laboratórios concentram-se em diferentes tipos, tais como erros aleatórios (imprecisão), erros sistemáticos (exatidão) e o efeito de ambos os erros na qualidade
Fases de procedimento Percentagem de erro
Fase Pré-analítica 46-68%
Fase Analítica 7-13%
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geral de um resultado, ou seja, o erro total analítico. Westgard, (2010) orienta os laboratórios para a utilização de sistemas de medição da qualidade, tais como o controlo interno da qualidade e a participação em programas de avaliação externa da qualidade para a minimização dos erros nos laboratórios.
São enumerados os erros presentes em cada uma das fases de procedimento laboratorial, ou seja, fase pré-analítica, fase analítica e fase pós-analítica.
2.5.1
Erros pré-analíticos
De acordo com a norma (ISO/TS 22367, 2008), os erros pré-analíticos incluem: o Identificação incorreta do paciente.
o Incorretas ou insuficientes informações de diagnóstico. o Interpretação incorreta da requisição médica.
o Preparação incorreta do paciente.
o Recipiente ou conservante da amostra incorreto. o Rotulagem incorreta.
o Preparação da amostra incorreta. o Tempo de recolha incorreto.
o Tempo e condições de transporte incorretos.
A identificação correta do paciente é uma das primeiras garantias do laboratório obter os resultados corretos. Um erro na identificação dos pacientes e das amostras pode ter consequência graves.
A qualidade da amostra recolhida pode ser um fator crítico na exatidão do resultado do teste. Amostras coaguladas, hemolíticas, concentrações insuficientes, podem levar a uma incorreta manipulação da mesma. Em detalhe, o manuseamento incorreto de recipientes ou conservantes, reforça a cooperação que deve existir entre secções, para a melhoria da qualidade na recolha das amostras e consequente manipulação.
Relativamente à preparação da amostra, esta fase envolve todas as atividades necessárias para processar uma amostra adequada para a análise, podendo incluir centrifugação, aliquotagem, pipetagem, diluição, distribuição da amostra para cada aliquota e disposição das aliquotas para posterior introdução nos equipamentos. A etapa de preparação da amostra tem atraído considerável atenção nos últimos anos, pois contribui em cerca de 19% do custo total da análise de uma amostra e por se tratar de um processo moroso (Plebani, 2006).
2.5.2
Erros analíticos
De acordo com a norma (ISO/TS 22367, 2008), os erros analíticos incluem: o Resultado discrepante do controlo da qualidade.
o Procedimento não conforme.
o Equipamento, reagente ou calibrador incorreto. o Tempo tardio para conclusão do procedimento.
Dados recentes evidenciam a importância da precisão analítica. O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) refere que o impacto do erro de calibração na tomada de decisão médica demonstra que este, devido à sua influência na exatidão analítica, é um parâmetro chave que afeta o número de pacientes que atingem os limites de decisão de diagnóstico (Plebani, 2006).
Nas últimas décadas, os avanços na automatização dos equipamentos têm melhorado significativamente a fiabilidade dos resultados laboratoriais e consequentemente diminuído as
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taxas de erro na fase analítica. A automatização dos laboratórios torna o fluxo de trabalho uniformizado e ajuda na eliminação de alguns erros humanos (Kazmierczak, 2003).
Plebani (2006) sugere que os laboratórios clínicos devem identificar as áreas em que o envolvimento humano pode ser reduzido em prol da utilização da robótica. Refere em maior detalhe, que a utilização da automatização, juntamente com a gestão de informação, garante ao laboratório, um controlo da qualidade sofisticado. A automatização é responsável pelo tratamento da amostra, desde o início do processo analítico enquanto a gestão de informação envolve processos de acesso, controlo das amostras, registro da informação e elaboração de relatórios e documentação de controlo da qualidade.
2.5.3
Erros pós-analíticos
De acordo com a norma (ISO/TS 22367, 2008), os erros pós-analíticos incluem: o Resultados incorretos.
o Transcrição do resultado incorreta. o Relatório ambíguo.
o Resultado atribuído ao paciente errado. o Relatório enviado ao paciente errado.
o Informações insuficientes sobre as restrições na interpretação do resultado.
A transcrição incorreta dos resultados incluí a introdução da informação no sistema informático e a comunicação do resultado, através da criação de um relatório.
Outra fonte de erro reconhecida da fase pós-analítica é a variabilidade interlaboratorial dos intervalos de aceitação das análises, que são um marco importante na interpretação clínica dos resultados dos testes laboratoriais. O uso de incorretos intervalos de aceitação pode afetar significativamente a interpretação clínica de dados laboratoriais, levando a erros na tomada de decisão clínica.