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F3: Har tilsynspersonane i NSO tilstrekkelege eigenskapar og kompetanse til å utøva tilsyn av

Outro tema que transparece como decorrente da maior flexibilidade da carreira e da possibilidade de um protagonismo de escolha do indivíduo sobre os caminhos que percorrerá, é a dualidade do perfil generalista vs especialista do profissional.

Em estudo sobre esta dualidade, a partir da visão dos profissionais na carreira EPPGG, Godoy e Teixeira (2009) realizaram uma pesquisa de campo na qual entrevistaram 10 integrantes e ex-integrantes da carreira. Os autores identificaram 3 “caminhos” ou possibilidades de carreira para os profissionais, gerados por aquela dicotomia e pela forma como lidam com ela: (1) o profissional consegue se manter como um generalista, possuindo “capital pessoal” e formando sólidas redes de contato, tendo um perfil técnico-político; (2) o profissional encontra um nicho no governo e se especializa naquele assunto ou atividade, suas redes de contato são menores que a dos generalistas, tendo um perfil técnico; (3) o

116 profissional acaba subaproveitado em seu papel estratégico em algum órgão do governo desempenhando atividades diversas, em nível não-estratégico, e “frequentemente se frustra com a carreira” (GODOY; TEIXEIRA, 2009, p. 12).

Tomando esta análise de Godoy e Teixeira (2009) como referência, podemos encontrar uma relação entre estes 3 caminhos diagnosticados pelos autores como consequência da dualidade generalista/especialista, com as competências da carreira sem fronteira de que tratam Defillippi e Arthur (1994): know-how, know-why e know-whom. Como vimos no referencial teórico, a primeira diz respeito ao conhecimento e experiência nas atividades, à capacidade de buscar novos conhecimentos e aprimorar os existentes; a segunda diz respeito à motivação do indivíduo em fazer o que faz e sua autoconsciência sobre isso, bem como à identificação disto com seus valores; já a terceira competência simboliza os aspectos de habilidade social e de formar redes de contatos dentro e fora da organização. Assim, o quadro abaixo traz uma relação que entendemos ser possível assumir entre os 3 caminhos propostos por Godoy e Teixeira (2009), supramencionados, e as competências previstas no modelo de carreira sem fronteira:

Quadro 8: Relação das competências da carreira sem fronteira com os caminhos de carreira dos profissionais EPPGG identificados por Godoy e Teixeira (2009).

Competências da carreira sem fronteira

Possíveis consequências na forma dos caminhos de carreira diagnosticados

por Godoy e Teixeira (2009)32

Know-whom

Habilidades interpessoais de criação de contatos e formação de redes ou networking, denominada de “capital pessoal” por Godoy e Teixeira (2009)

permitem ao profissional saber de oportunidades de mudança intra e interorganizações e de crescimento em sua

carreira com antecipação aos demais e criam uma situação privilegiada para

32 Sabemos que as combinações da ausência ou presença, e intensidade de expressão, das 3 competências, bem como sua eventual interrelação, podem resultar em inúmeras consequências ou possibilidades para o caminho de carreira dos profissionais, mas ocupamo-nos aqui apenas com os 3 caminhos propostos por Godoy e Teixeira (2009) em seu estudo. Outras possibilidades de caminho relacionadas ao perfil dos profissionais são exploradas mais adiante nesta Seção.

117 Competências da carreira sem fronteira

Possíveis consequências na forma dos caminhos de carreira diagnosticados

por Godoy e Teixeira (2009)32 receber propostas de trabalho atrativas. Isto permite maior mobilidade física e a permanência do profissional EPPGG como um generalista, sem atuar muito tempo em uma única organização a ponto

de especializar-se num só tema (caminho 1 descrito por Godoy e Teixeira (2009))

Know-how

O profissional que expressa mais a competência do know-how, tenderá a

especializar-se em um tema e a movimentar-se menos entre organizações,

encontrando um nicho no governo que domine tecnicamente e estabelecendo-se profissionalmente ali (caminho 2 descrito

por Godoy e Teixeira (2009))

Know-why

O profissional que não souber identificar seus valores pessoais, suas preferências vocacionais e os elementos que o fazem sentir ter sucesso em sua carreira, e/ou que

não agir movido por estes para suas escolhas na carreira, poderá acabar subutilizado em suas capacidades e em

atividades com as quais não possua afinidade ou interesse em função da ampla

gama de possibilidades de atuação do EPPGG, frustrando-se com a carreira (caminho 3 proposto por Godoy e Teixeira

(2009)).

118 Este ponto parece-nos importante, pois permite perceber que a dicotomia entre generalismo/especialização pode ser abordada sobre um prisma diferente. A ampla gama de possibilidades de atuação que a carreira EPPGG possui pode trazer tanto oportunidades de desenvolvimento, quanto frustração e sentimentos de inadequação para o profissional. Estes comportamentos e reações dos indivíduos, como unidades, repercutirão, quando observados em conjunto, para a carreira EPPGG como um todo institucional. É o que podem demonstrar as observações de Goldsworthy (2009) sobre as impressões de alguns órgãos a respeito da carreira.

Foi possível observar no relato dos entrevistados na pesquisa para este trabalho a presença na realidade cotidiana da carreira EPPGG dos três tipos de caminho profissional propostos por Godoy e Teixeira (2009). Ao mesmo tempo, ficou evidenciado que os entrevistados entendem ser importante que o profissional não fique superespecializado, que siga a vocação generalista da carreira, pois a excessiva especialização limitaria a visão global que a carreira foi desenhada para possuir. Os fragmentos dos relatos transcritos abaixo permitem ilustrar estas situações:

“Por isso que eu defendo que o gestor também não pode ficar muito tempo no mesmo lugar. Por quê? Porque a tendência do ‘cara’ quando fica muito tempo num lugar é verticalizar. O ‘cara’ perde essa visão da Administração, do todo. Ele ganha um conhecimento verticalizado, mas ele perde a visão do todo; ele se burocratiza.”

“(...) eu acho que devia ter tempo máximo [de permanência do gestor num órgão], não sei se no Planejamento que é órgão de casa, mas eu acho que em alguns ministérios. Porque você termina criando o gestor do Ministério da Fazenda, e o cara não é gestor do Ministério da Fazenda ele é gestor: então ele tem que circular, transitar.”

“Existem perfis diferentes também. Existe aquele profissional que entra numa área e vai permanecer naquela área na carreira, ao longo da sua carreira. E eu acho que é a questão das pessoas se situarem também - qual é a contribuição que elas tem a dar em cada área também. Porque eu acho que o cargo de gestor é um cargo generalista, mas que a maioria das pessoas se especializa em uma área do conhecimento. Agora, a visão generalista também ajuda, a visão de gestão pública é uma visão generalista; ajuda muito em qualquer área. (...) Para a administração pública é um benefício muito grande, esse profissional que tá rodando ele traz essa bagagem. Então aonde ele for ele já está mais imbuído do contexto da administração pública para entender aquela realidade.”

Perceba-se que a tendência maior à necessidade de uma visão ampla e de conhecimentos abrangentes também está em linha com os modelos mais contemporâneos de

119 carreira, tanto o sem fronteira quanto o proteano, nos quais o conhecimento do profissional é menos específico que os do modelo de carreira tradicional (BRISCOE, 2009).