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Hammerdammen/Næs Jernverk

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Realizar este trabalho foi muito satisfatório e gratificante para mim. É nítida a minha mudança de opinião e de visão pessoal em relação ao divino na vida do homem. Hoje, consigo perceber como a falta da alma e, assim, do divino, afeta na vida de cada um e como é importante o resgate do feminino. Muitas vezes, percebi que me perdia no tempo ao ler sobre o assunto, pois estava mergulhada neste contexto e, inevitavelmente, foi um exercício de reflexão. Este trabalho proporcionou-me um contato pessoal com meu mundo interior que não era atingido há algum tempo. O processo foi difícil, afinal, sou um ser humano que vive no mundo patriarcal, que foi culturalmente educado com a força do masculino. Muitas vezes, me faltavam palavras para descrever algumas situações relativas ao matriarcado. Mas espero ter conseguido proporcionar ao leitor um pouco do que senti com este encontro com o divino. Com isso, creio que este trabalho poderá ajudar àqueles que não percebem ou se negam a perceber a importância do fator religioso, por ter algum tipo de preconceito com isso, como era o meu caso.

Este trabalho é apenas uma visão deste contexto. Com a leitura das mesmas bibliografias feita por outra pessoa, outros aspectos interessantes podem surgir. O mito do Graal, por exemplo, apresenta inúmeros símbolos o que o torna impossível de se analisar em um trabalho. Além disso, dependendo da visão do autor, esta leitura se modifica. Portanto, o entendimento do divino na vida do homem não está acabado. É fato que ele é importante e que o feminino deve ser reintegrado, porém, pesquisas futuras poderão contribuir com as minhas conclusões. Penso que uma boa contribuição para entender melhor o sentimento que o homem tem em relação a Deus é realizar uma pesquisa sobre a imagem de Deus.

Um primeiro aspecto importante a ser lembrado é que a religião que vimos até agora neste trabalho é diferente da religião do senso comum. Ela não se resume em Cristianismo, Judaísmo ou Espiritismo. É o modo como o Divino interfere e faz parte da vida da humanidade. Envolve o modo como nos

relacionamos com os outros, como vemos a vida, como reagimos ao mundo externo.

O homem moderno está sem religião e, como vimos, Deus está morto. Ele não saber lidar com ela e a evita pensando que não quer ser religioso, já que isto implicaria em privar-se de muitos desejos e instintos seus. Não aceita a religião do Deus que define o que é certo e errado, o que é bom e o que é pecado. Com isso, o indivíduo prefere sentir-se desamparado e sozinho a ter esse Deus vigiando-o e controlando sua vida.

Penso que este Deus controlador tenha contribuído para o desenvolvimento do egoísmo do homem moderno. Esse Deus diz “tu deves” e “tu não deves”. O ego o vê como ameaçador e, muitas vezes, parece decidir agir apenas para provar a ele “quem manda”. Com isso, o ego toma força e se afasta cada vez mais de Deus.

Esse desamparo é a grande causa de como o homem está vivendo na modernidade. Ele, sem perceber o Divino em sua vida, vive à mercê do ego. Prefere escutar dele o que deve ou não fazer. Porém, o homem percebe que não vê sentido ou significado na vida. Por que vivemos? Por que estamos aqui? Para que? Não conseguimos responder essas perguntas sem sentir o Divino em nós.

O sentido da vida para o homem moderno e seu ego exigente resume-se aos bens materiais adquiridos por ele durante sua vida. Portanto, o homem procura este sentido entre os bens materiais, as produções, que ele obtém durante sua vida. Esta é a maneira que ele encontra para buscar a felicidade e o significado da vida. Além disso, percebemos na clínica essa angústia do homem em busca do significado das coisas. Muitos chegam reclamando que nada parece dar certo em suas vidas, ou que todos conspiram contra eles, ou até mesmo que não agüentam mais viver em um mundo de stress como o mundo moderno.

Sem a presença do Divino na vida do homem patriarcal, o ego ganha espaço para agir como bem entender. Hoje parece que podemos fazer tudo o que quisermos, pois, apesar de sermos julgados por nossas atitudes pela sociedade, parece que tudo é aceito e justificável. Encontramos nas notícias diárias ações absurdas que o ser humano pratica pelo simples fato de cansar- se de algo ou não concordar com alguma coisa. Violências contra crianças impotentes e atentados terroristas podem exemplificar esse fato.

O homem hoje contesta mistérios, crenças religiosas, “milagres”. Porém, ele acredita fielmente na Ciência. Algo que é comprovado cientificamente é visto como algo certo. Não há dúvidas sobre a Ciência. Isto afeta muito a vida da humanidade. Hoje, por exemplo, os cientistas provam a qualidade de certos alimentos para a vida humana. A cada alimento que entra na lista dos “saudáveis”, uma nova dieta é exposta na mídia e, mais e mais pessoas aderem este estilo. Perceba que não estou criticando o estilo de vida, mas sim, a falta de crítica, a plena confiança. A Ciência tomou o lugar de Deus e, de uma maneira ou de outra, diz para a humanidade o que “deves” e o que “não deves” fazer.

A Ciência é um fazer humano carregado, portanto, de valores, representações, normas, que devem passar por reflexão a fim de não vincularmos de maneira “cega” princípios com os quais não nos identificamos. O paradigma positivista, que via a Ciência como neutra, objetiva, à procura de uma verdade única, está sendo substituído por outro, contextual e que olha para a complexidade, sendo o pesquisador/cientista co-construtor da realidade, buscando uma possibilidade de compreensão, e não “a” verdade absoluta. Nós, psicólogos, somos agentes ideológicos. Precisamos, portanto, “olhar para o nosso olhar”, fazendo ciência de maneira crítica e comprometida.

A natureza, tão importante durante o período matriarcal, hoje sofre com o egoísmo do homem, que gera agressividade e poder. A crise ambiental acontece pois o homem, com suas vontades e exigências, sente poder sobre tudo. Ele se esquece da beleza, poder e grandiosidade da Natureza e usa

O egoísmo moderno leva à deposição de conteúdos negativos em bodes expiatórios. Isso acontece pelo fato do homem não viver mais coletivamente. Apesar de a teoria nos dizer que o indivíduo precisa da sociedade para sobreviver, parece-me que não se sabe viver em uma. O homem se vê perfeito, sem defeitos. A culpa deve ser evitada, já que ela afeta o ego forte e onipotente do indivíduo. Com isso, a culpa, inevitável nos dias de hoje, precisa ser projetada no outro. Não podemos nos esquecer que a perfeição do ego não aceita defeitos; aquelas características que não estão na sombra, e sim no ego, ou, que apesar de serem aparentes e características, são consideradas negativas, sempre são projetadas no outro.

O homem da alteridade precisa mudar essa característica egoísta. Precisamos retomar aspectos do período matriarcal em relação à vida coletiva. Somos todos responsáveis por tudo que acontece no mundo e por todos ao nosso redor. Desta maneira, a responsabilidade, característica do patriarcado, se unirá ao aspecto coletivo do matriarcado. Se percebermos que a nossa responsabilidade vai além das atitudes do nosso próprio ego, não haverá a necessidade da presença de bodes expiatórios entre nós. Assim, nos sentiremos responsáveis por tudo que acontece, sem a necessidade da projeção no outro. Este fato não inclui apenas “coisas negativas” para o homem. Aspectos positivos, ao invés de endeusarem alguma celebridade ou instituição serão percebidos também como responsabilidade do “homem comum”. Somos capazes de tudo, temos em nós, como Jung afirmou, a potencialidade de sermos tudo. Por que não aceitar os nossos mais profundos defeitos e as mais belas qualidades? Por que a necessidade de endeusarmos ou satanisarmos os outros ao invés de percebemos que nós mesmos somos tudo?

O homem precisa voltar a sentir o Divino para não sentir-se tão só, tão desamparado e, com isso, realizar ações sem sentido para tentar entender ou justificar o significado da vida.

Podemos perceber que algumas religiões orientais e muito antigas estão na moda. Além disso, yoga e o uso de mantras já fazem parte da vida

moderna. O que justifica essa febre mundial? A procura do homem moderno pelo significado das coisas. Este fato nos mostra a necessidade do Retorno da Deusa, como vimos na teoria do Whitmont (1990).

Apesar desta força negativa que o ego pode exercer, existe também a procura dele pelo sentido da vida. Essas antigas seitas e religiões proporcionam ao homem algo novo, uma visão diferente do mundo. Com isto, ele pode sentir o Divino nele mesmo, mesmo sem denominá-lo como tal. A procura do processo terapêutico também é resultado desse desamparo espiritual. Parece-me que fazer terapia hoje está na moda. As pessoas perceberam que não têm tempo de pensarem em si mesmas, não têm tempo para conhecerem seus mundos interiores. Cinqüenta minutos por semana com seus analistas satisfazem muitas delas. Apesar deste o tempo não representar quase nada na vida corrida do homem moderno, ele é precioso e muito significativo, pois neste momento seu egoísmo ganha um aspecto positivo, já que ele pára para pensar e refletir sobre ele mesmo de uma maneira que capacita a integração de conteúdos inconscientes à consciência. Penso que pode haver uma contrapartida daqueles que fogem da terapia. Estes parecem temer o que irão descobrir. Não estou me referindo a características negativas da personalidade, mas sim, ao fato deles poderem perceber que suas vidas não tem o sentido que achavam que tinha, que, na realidade, o desamparo em relação a Deus é a causa de todo o seu comportamento.

O feminino envolve a continuidade, fertilidade, beleza e natureza. Essas características fazem falta ao homem moderno e são necessárias à continuação da humanidade. Estamos a caminho do caos. Precisamos retomar alguns aspectos, hoje reprimidos e vistos como malignos. Esta mudança é lenta, difícil e dolorosa. O ego patriarcal lutará fortemente contra os aspectos inconscientes do homem. Mas já percebemos que estamos a caminho da alteridade, ou seja, da união e harmonia dos aspectos dos períodos matriarcal e patriarcal numa nova integração. O homem procura uma nova dinâmica e tem ânsia de achar o sentido da vida. Ele busca a explicação fora da Igreja, já que não quer ter aquele Deus-rei por perto, impedindo suas ações de serem

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