Øvre Eggevatn
ØVRE EGGEVATN
Diferentes autores escreveram sobre o surgimento e desenvolvimento da consciência do ego. O livro Retorno da Deusa de Edward C. Whitmont (1990) descreve o desenvolvimento da consciência humana, enfatizando como o patriarcado do Deus-pai dominou o matriarcado da Grande Deusa e como este fato se relaciona com a vida psíquica do homem. Whitmont (1990) tem uma perspectiva analítica junguiana e acredita que devemos reconquistar os aspectos femininos que existem em nosso inconsciente, como instinto, sentido, intuição e emoção, já que estes desempenharão um papel muito importante na nossa sociedade patriarcal atual, dominada pela agressão e pelo poder.
2.1 – O surgimento da consciência
Para a psicologia analítica, além da evolução física do homem, a consciência também evoluiu e por esse motivo Whitmont em Retorno da Deusa (1991) diz que o desenvolvimento desta reproduz a história evolutiva da humanidade; além disso, fala que por baixo de nossa mente racional estão adormecidos meios primitivos com intencionalidade própria, que interferem e opõem-se à postura racional. Estes meios referem-se aos recursos mágicos,
mitológicos e femininos de lidar com a existência, sendo que, atualmente,
estamos caminhando para uma nova dimensão da consciência em que estes recursos, aparentemente, estão sendo recuperados. Para isto, a consciência precisará ter mais autopercepção, liberdade e maior clareza.
Podemos comparar os estágios da psicologia primitiva e suas formas de culto com os estágios de desenvolvimento infantil: a fase mágica corresponderia ao período dos três aos setes anos; por sua vez, a fase
mitológica representaria entre os sete e ou doze anos; e, por fim, a fase mental
corresponderia à adolescência e à vida adulta.
A primeira fase de evolução da consciência é denominada por Whitmont (1991) de fase mágica, cuja orientação era ginecolátrica, ou seja, havia a
referentes ao arquétipo da Grande Deusa, já que o ego ainda estava muito imerso no inconsciente. Segundo Neumann (2000), essa fase é chamada de
ciclo matriarcal quando consciência e inconsciente estão muito próximos,
predominando as atividades do inconsciente. Este período se estende desde a Idade da Pedra até a Idade do Bronze. Segundo Whitmont (1991):
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' (Whitmont, 1991, p.
58).
A “mágica” deve ser entendida como uma forma particular da consciência e dinamismo; esta consciência expressava a dinâmica das energias instintivas e afetivas em um período onde o campo de realidade era unitário. Já a Grande Deusa representava ser e tornar-se; ela é descrita por Whitmont (1991) da seguinte maneira:
1 # ) ) & $ F & ) ) & "# D (Whitmont, 1991, p. 60).
O feminino, reverenciado na era mágica, segundo Whitmont (1991), não se interessa pelo poder, pelo pensar, não é heróico e nem rebelde, não luta contra oposições. Ele existe no aqui e agora em um fluxo infinito, valorizando a continuidade e o rumo das ordens naturais. É uma forma global funcional que não expressa a atitude de uma pessoa em particular e sim a vontade da natureza. Muito diferente deste está o masculino que representará a descontinuidade, o contraste, a oposição, numa fase posterior de evolução da consciência. Deve-se lembrar que no ciclo matriarcal não há dominância das
mulheres sobre os homens; o que existia era a atuação do coletivo com a valorização do feminino e das mulheres.
No nível mágico só existe o aqui e agora; não há diferenciação entre passado, presente e futuro. Da mesma maneira, não existe dentro e fora, corpo, mente ou psique e eu e outro; sujeito e objetos estão adaptados num todo sistemático e, portanto, não há polaridades. Segundo Whitmont (1991), os eventos ocorridos neste período não eram causados ou planejados racionalmente; eles aconteciam devido a forças poderosas e desconhecidas que estão além do controle do homem:
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(Whitmont, 1991, p. 64).
Além disto, nesta era não existia ética e responsabilidades como conhecemos; tratava-se de um período amoral, sendo que o comportamento humano dessa época pode ser visto como cruel, brutal e destrutivo, assim como de uma criança de, aproximadamente, três anos, cuja relação com a mãe e com a família ao seu redor é simbiótica. Whitmont (1991) acrescenta que não existia regra, lei e as atividades eram dirigidas pelo instinto, por padrões de ação fixos, por saber e por imitação. Esse comportamento mágico era pré- consciente; o indivíduo faz parte de um grupo, de um processo não-pessoal e, portanto, a consciência era grupal, a vontade é do grupo e não do individuo. A perda da identificação com o grupo leva a perda da alma, da identidade, assim como acontece com a criança pequena.
A dinâmica mágica está apenas reprimida e imersa pela mente racional, porém ela continua funcionando e influenciando nossos sentimentos e condutas. A magia da raça-sangue e do dinamismo grupal devem ser levados em conta e não reprimidos para serem integrados. Devemos confrontar de
regressão ao primitivo, ou seja, a um nível superado e, portanto, inferior. Deste modo, o arquétipo da Deusa ressurgirá, sem que haja um retrocesso, mas sim uma nova interação, para nos guiar a níveis mais elevados do desenvolvimento humano.
O desenvolvimento máximo do culto da Grande Deusa acontece na era
mitológica, conhecida também como Idade do Bronze. Neste período a palavra
Homem não se restringia apenas ao gênero, mas sim ao humano. É a fase de transição do nível mágico de funcionamento para o nível mental, isto é, entre a decadência do matriarcado e a ascensão do patriarcado; por esse motivo, a consciência oscila entre o campo unitário e as abstrações do pensamento, além de ser a transferência de um mundo ginecolátrico para um mundo androlátrico.
A evolução da consciência neste período, segundo Whitmont (1991) aparece com a primeira noção de interiorização e da diferenciação do pessoal com o mundo externo. O indivíduo sente em si uma identidade separada do mundo em geral e surge o eu sou, sendo este o primeiro passo para a percepção consciente da alma.
No início deste estágio os opostos são inclusivos e não excludentes. Tudo faz parte de uma manifestação do sagrado. Nesta consciência, o espaço e o tempo estão separados, mas limitados ao aqui e agora, isto é, o espaço deve estar acessível ao agora para existir. Não há senso de história, de continuidade; o tempo é hoje, ontem e a eternidade. Os fatos do passado são materiais de fantasia que enriquecem o presente. Desta maneira, o mito representa a subjetividade exposta, aquilo que a alma percebe como existência. Com essa interiorização implica-se o eu e, posteriormente, o tu, tornando possível o aparecimento de diferentes grupos sociais além da família imediata. Esta organização social impõe ordem, expressa em ritos e danças comuns a todos os elementos do grupo. Outro fator que surge na vida estruturada em grupo é a ética e a moralidade; embora ambas sejam coletivas e não individuais, existem obrigações sociais elementares. No nível mitológico existe o isolamento e a rejeição de uma pessoa em relação ao grupo devido à
violação dos costumes, sendo que esta, diferente do nível mágico onde o isolamento ameaçava sua própria vida, sente vergonha pelos seus atos, perdendo sua dignidade.
Whitmont (1991) explica que neste período de transição surgem os sacrifícios para evitar o mal, sendo este um aspecto fundamental para os primeiros rituais religiosos. Deste modo, existia uma auto-oferta quase voluntária em nome da transformação à sua fonte geradora, representando renúncia ao pretenso controle e superioridade e a admissão de suas necessidades. Na perspectiva ginecolátrica a vida precisava ser destruída para que a mesma se renovasse, além de que nada poderia passar a existir sem que algo equivalente tivesse deixado de existir. Para a psique não pessoal deste período o sacrifício é uma condição fundamental para o desenvolvimento da vida, para que possa haver transformações. Quando surge o eu, este se recusa a entregar-se para a morte; exige-se então substitutos para a oferenda voluntária como, por exemplo, prisioneiros de guerra ou animais, aquele que carregava um estigma, e o sacrifício ganha outra função: torna-se uma cerimônia com caráter de penitência. Essa alteração no comportamento reflete um desenvolvimento psicológico de sensação pessoal de responsabilidade pelos próprios atos, proporcionada pela sensação de vergonha e culpa, sendo este aspecto fundamental para a individualidade e autocontrole.
Durante a era mitológica a atividade externa era percebida sob a forma dos Deuses Gêmeos, causando a sobreposição destes sobre a Deusa; Apolo e Dioniso representavam diferentes aspectos: o primeiro era a luz, a vida, a permanência; já o segundo a escuridão, a morte, a interrupção. Os Deuses Gêmeos, que no início da era faziam parte de uma polaridade, ou seja, existia a dualidade, já que ambos faziam parte de um Grande Círculo intacto, ao final dela se tornaram excludentes, isto é, cada um fazia parte de uma polaridade, fazendo com que a dualidade tornasse dualismo. É neste momento que surge a era androlátrica, onde os opostos se excluem e as formas patriarcais de organização e de vivência religiosa assumem o primeiro plano e, por isso, eram as divindades apolíneas e olímpicas masculinas que governavam, sendo que
banidos com o surgimento da era mental. Deste modo, as realidades mágica e mitológica ficam cada vez mais distantes, sendo estas recuperadas pela capacidade do homem moderno de ter vivências simbólicas.
Com o começo da era heróica, isto é, com o início da fase mental, em algum momento do segundo milênio antes de Cristo, caracterizada pelo surgimento e fortalecimento do ego consciente sobre o inconsciente, sendo possível o desenvolvimento intelectual, houve o declínio da era mitológica e as divindades masculinas substituíram a imagem da Grande Deusa como objeto de adoração. O ego passa a admirar o Deus único que está no céu pressionado a evitar o mal, já que o passo seguinte da consciência ética, que faz parte de uma organização androlátrica, precisa de limites e vê a era da Deusa como escuridão, como caos. Este período é dominado pela mente, o ego e o espírito, sendo que esta abstração leva à perda dos deuses e da alma. O recém-formado eu pessoal pode agora obedecer e desobedecer aos mandamentos divinos e corre o risco de ser punido, já que o mal é um ato de desobediência, seguido pela vergonha diante dos outros.
Durante a fase egóica mental existe a lei, a ética, que controla a agressividade e os desejos do homem; a mente é quem decide, já que violência e sexualidade são coisas más e, portanto, proibidas. O controle é do ego e isto representa o patriarcado e o referencial androlátrico, onde existe a desvalorização da divindade feminina, dos impulsos naturais e das emoções e desejos espontâneos.
Neste estágio os cinco sentidos são os responsáveis pela existência das coisas. Se algo é perceptível num espaço tridimensional, então tem existência e o que for imaterial e não puder ser percebido não existe. Deste modo, o que não pode ser observado, torna-se cada vez mais imaginário. A existência é encerrada com a morte e o fim do corpo visível. Uma idéia não é tão legítima quanto um objeto, já que ela não é visível, e as coisas são vistas como parte do espaço, são divisões espaciais. Com isso, o ego se conscientiza de que é um corpo espacial e torna-se capaz de afetar os outros de acordo com suas vontades. Além disso, é através de suas vontades que a força do ego é
medida; esta vontade tem um propósito egóico de permanência e conforto e, ao mesmo tempo, de controlar seus impulsos, sendo contra a vontade da natureza.
A alma perdeu seu sentido por não ser espacial e costuma ser vista como superstição e sentimentalismo. O dualismo característico desta era não vê ligação entre o mundo subjetivo dos pensamentos e o mundo externo objetivo. O pensamento não tem efeito sobre uma ação física direta por ser um produto da mente, do cérebro. Deus também passa a ser abstrato e o divino, que antes estava presente no objeto, torna-se pensamento. Assim, Deus é entendido como um meio de diminuir a ansiedade ou de exercer certo controle. A energia toma o seu lugar, sendo a capacidade trabalhar e surtir efeito; com ela o homem trará ordem a um mundo de causas sem sentido que poderia acabar em caos. A fase anterior foi associada à desordem, já que neste período as polaridades mantinham a ordem e a cultura ganhou espaço. O indivíduo passa a se ver superior à natureza, se separando da divindade e do caráter sagrado do mundo. O Deus da fase patriarcal é a Ciência. As representações simbólicas desse período são referentes ao arquétipo do Pai.
Diferente do período matriarcal, quando não havia o domínio das mulheres sobre os homens, no patriarcado há o domínio do homem sobre as mulheres, reprimindo tudo o que tem relação como o feminino. Tudo o que se refere ao feminino é inferior enquanto o masculino é visto como o bem. Parece haver a preocupação de o feminino ameaçar a consciência patriarcal emergente e, por este motivo, deve ser eliminado, reprimido.
Nossas mentes não estão estruturadas para acolher com facilidade as atitudes dos níveis mágico e mitológico, já que estes estão inconscientes na psique após o aparecimento da consciência racional. Porém, nossa percepção não é a mais válida e devemos aceitá-las como potencialidades e capacidades vitais, já que essas atitudes inconscientes modificam e complementam nosso pensar. Segundo Whitmont (1991):
E # ( & ) "( "( "( !& ) ' 0 (Whitmont, 1991, p. 92).
A evolução da consciência aconteceu devido às mudanças da qualidade das vivências íntimas e sociais. Todo período de transições significativas traz agressão e conflitos, mas se isto não acontecer, ou seja, se não as integrarmos em nosso pensamento racional, é provável que regridamos em vez de darmos o próximo passo na evolução da consciência. Whitmont (1991) ainda acredita que apesar do poder ser indispensável para o desenvolvimento do ego patriarcal ele é responsável pela alienação, sendo pouco compatível com o mundo natural e comunitário e acrescenta:
"# "# '$ # 7 & $ "# ! 4 "# (Whitmont, 1991, p. 93).
Atualmente parecemos estar caminhando para a alteridade, talvez vivendo um período de transformação que possa levar à vivência de características do matriarcal e do patriarcal em conjunto, em harmonia. A alteridade não nega nem o matriarcal nem o patriarcal e sim integra a convivência das polaridades. Esse dinamismo é regido pelos arquétipos de anima e animus, sendo que as polaridades devem integrar-se, sem predomínio
de uma sobre a outra em uma composição nova, diferenciada do que vimos até o presente.
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2.2 – A consciência e o reinado do Deus único
A partir da era patriarcal podemos definir o eu como centro da consciência do ego, sendo aquele que controla, que racionaliza. Além disso, nesse período a força controladora do universo é personificada como um regente masculino que age através de suas vontades e intencionalidades. Ele é o Senhor dos Senhores, vencendo seus inimigos e esperando de seus súditos uma fidelidade heróica. Crê-se que ele criou o mundo e o governa como seu território, sendo que a ordem social reflete essa ordem mítica, isto é, as leis da comunidade resultam da vontade divina e são administradas por um regente humano visto como a encarnação do divino.
A autonomia pessoal e a vontade consciente aparecem nesse reinado como sendo própria de Deus. Com o tempo, reis, líderes, a nobreza e, posteriormente, todos os homens (machos) passaram a possuir essa qualidade divina, ou seja, passaram a possuir ego. Whitmont (1991) afirma que esta foi a característica mais importante deste período no plano psicológico, isto é, a primeira noção de individualidade e, assim, de intencionalidade racional e vontade pessoal. Com isso, passou a ser responsabilidade do eu defender a ordem e, desta maneira, eliminar suas qualidades femininas e seus impulsos para o inconsciente.
Em mitos e fantasias, o eu aparece em imagens masculinas, referindo- se a uma atitude patriarcal que é focalizada, divisiva e acentua a existência, em detrimento da inexistência; e o feminino surge como sendo ambivalente, conectivo, desfocado, considerando a existência e inexistência como uma coisa só. Desta maneira, do ponto de vista da lógica racional, o feminino parece ser irracional e é inconsciente, já que seus fundamentos estão, em grande parte, reprimidos. “Aceitar o mundo feminino é regredir à inconsciência, do ponto de
vista do ego masculino. Assim, o ‘eu sou’ opõe-se à adoração do feminino, aos cultos em honra da mãe e da Deusa tripla e seu consorte” (Whitmont, 1991, pg.
O reinado egóico resultou num monoteísmo, acabando com a pluralidade de forças, poderes e personalidades características das visões de mundo mágica e mitológica. Deste modo, determinou-se a imposição do ego de fazer suas vontades para defender e incentivar a ficção de ser o regente supremo da totalidade psíquica. Como Whitmont (1991) afirma:
1 D G 2 1 $ $ (Whitmont, 1991, p. 98).
Na Idade Média a mente moderna decretou a lealdade exclusiva ao deus único, do mesmo modo que exigiu uma só maneira de ver as coisas, frente à religião, política ou psicologia. Essa tendência aparece nas três grandes religiões ocidentais: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Além disso, o judaísmo e o cristianismo foram indispensáveis à criação da cultura e da ética do mundo ocidental.
No final do período egóico e mental a consciência individual será definida, não sendo mais como uma ordem externa e projetada. Esta qualidade pode ser revelada com a frase “Eu sou o que sou” que aparece no Êxodo 3:14, quando Moisés pede para deus identificar-se, revelando “uma existência que é
consciente de si como um eu. Aqui a experiência essencial da identidade irrompe na consciência, trazendo consigo também os mandamentos ‘tu deves’ e ‘tu não deves’” (Whitmont, 1991, p. 99). Porém, no início desta fase os
mandamentos divinos não eram dirigidos às pessoas enquanto indivíduos, mas sim ao coletivo, que estipula padrões de crença e comportamento. Neste momento, Whitmont (1991) considera que o ego em formação tem características de um superego freudiano ou da anima ou persona junguiana, pois tende ao autocontrole e a auto-responsabilidade.
A obediência individual em relação a padrões coletivos de valor e conduta é definida pela auto-responsabilidade, já que as regras e tabus ainda estão extrínsecos ao indivíduo e, em grande parte, são contra sentimentos e impulsos pessoais. Os padrões de certo e errado são defendidos e postos em prática por um sistema onde existem penas, humilhações e o uso de bodes expiatórios. # & % ! ) & & " "# / " D ) 5 0 , - ( ' (Whitmont, 1991, p. 100).
Outra característica importante deste período de reinado do Rei Divino é que tudo deve estar de acordo com o ideal egóico aprovado pelo coletivo, caso contrário, deve ser reprimido. Apesar da auto-manifestação ser a meta da disciplina do ego, dar preferência às necessidades pessoais, estando elas contra ou não as necessidades coletivas, é rotulado como egoísta e maligno. O ego patriarcal é heróico, orientado para a conquista de si mesmo e do mundo com o poder de sua vontade e bravura. Seus impulsos, prazeres pessoais, desejos, sentimentos e dores devem ser reprimidos.
' 0 . D % "# # ! 5 4 ! (Whitmont, 1991, p. 101).
Os fundamentos que determinam a nova era mental, e pelos quais ela se desenvolve, são a idéia da lei e o mito do legislador. Tudo deve ser baseado em regras, sendo que a lei deve ser obedecida pelo homem que se a desconsiderar será punido e terá sentimento de culpa. A relação causa-efeito deve explicar todos os problemas. Deus, apesar de ser proclamado como amor, é conhecido como o vingador das desobediências, pois é a fonte do “tu deves”, e o amor é imposto pela vontade. Para que haja disciplina e obediência às regras é necessário que necessidades, como agredir, e ânsias espontâneas, como a ânsia sexual, sejam reprimidas e temidas. Esses são aspectos da Deusa, que passam a ser poderes do Diabo, causando sentimento de culpa naquele que possui tais desejos.
Devido à imposição de restrições, exigências e proibições, o centro consciente é que controla a energia psíquica espontânea. O ego se desenvolve segundo regras que dizem “tu deves” e “tu não deves”. Desta maneira, obedecer a regras e tabus torna-se um exercício mental que educa a vontade e pratica a autodisciplina. Além disso, através da vergonha e da culpa sentidas pela desobediência, surge a conscientização e, também, o incentivo à submissão ao coletivo e à disciplina, fazendo com que o ego seja executor do padrão coletivo.
O julgamento e o autocontrole são resultados da vergonha e da culpa, do “tu deves” e “tu não deves”. É a lei que define o que é certo e o que é errado e a vontade individual defende essas exigências contra as ânsias naturais e instintivas. O espírito deve domar a natureza animal do homem com um esforço heróico.
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# # (Whitmont, 1991, p.104).
Somente no final da era mental, ou seja, depois que o ego já concretizou sua disciplina e firmeza, é que ele pode começar a se relacionar com um centro mais profundo, mais individual, sendo este o Self que leva o ego a tornar-se o que ele realmente é. Porém, somente nos tempos atuais é possível que o Self tome o lugar de uma persona ou até mesmo de um ego direcionado pelo superego, já que na fase patriarcal poucas pessoas conseguiram viver conforme sua consciência individual, correndo o risco até de serem queimadas vivas, como se pode constatar pela caça às bruxas. “A autoridade coletiva
externa e a vergonha e a culpa superegóicas internalizadas são, por isso, fases