4. LYKKEN ER…?
4.4 H VA SIER INFORMANTENE OM LYKKE ?
8.1 Protocolos do teste AT-9: análise e interpretação dos dados míticos registrados
nos protocolos do teste.
8.1.1 - AT-9 - Protocolo n° 01
Dados de identificação:
Idade: 28 anos Sexo: feminino
Instrução: 8° série Estado civil: casada
Tempo de trabalho no asilo: 3 anos
A - Você tem 30 minutos para fazer um desenho com os seguintes elementos:
Uma queda, uma espada, um refúgio, um monstro devorante, alguma coisa cíclica (que gira, que produz, ou que progride), um personagem, água, um animal (pássaro, peixe, réptil ou mamífero), fogo.
B - Escreva aqui a história do seu desenho.
Um dia lá no sítio do meu pai, encontrei um lugar muito especial onde eu vi muitas paisagens que me deram muita paz e tranqüilidade, árvores com muitas frutas, mas lá tinha uma menina perdida que estava em cima da árvore, de onde levou uma queda e ficou desacordada no chão. Corri para ‘socorrer’, mais ela não se machucou, foi só um susto. Então ficamos ali, conversando e olhando as paisagens, então achamos uma espada, perto de uma árvore, derrubamos algumas laranjas, peguei a espada e comecei a derrubar. Nós duas fomos caminhar pela estrada, quando avistamos um monstro muito bravo, só que ele era um leão que estava passando perto da caverna. Ele foi embora para outro caminho, só que estava chegando a noite aí nós entramos na caverna para passar a noite. Colhemos algumas lenhas e fizemos uma fogueira para nos esquentar, e na fogueira colocamos os peixes que pescávamos para assar, e algumas frutas que nós colhemos, quando amanheceu o dia, acordamos com o barulho de uma cachoeira muito bonita, então fomos para casa e foi um lindo dia que nó passamos no sítio.
C - Responda de modo preciso às seguintes questões:
A. Sobre que idéia você centrou sua composição? “De um passeio muito bom”.
B. Você foi eventualmente inspirado? “Sim, coloque alguns sentimentos”.
C. Entre os nove elementos do teste de sua composição indique:
1. Os elementos essenciais em torno dos quais você construiu o desenho: “De todos aqueles que eu me espirei”.
2. Os elementos que você teria vontade de eliminar. Por quê?
“Do monstro que era um leão. Porquê eu não quero sentir medo”. D. Como acaba a cena que você imaginou?
“Acaba quando acordamos, com um barulho de uma cachoeira muito bonita”. E. Se você tivesse que participar da cena composta, onde você estaria? O que faria?
“Em baixo da árvore. Ficava ali só olhando as paisagens linda que a natureza nós proporciona”.
D- No quadro seguinte você deve especificar:
1. Por meio de que você representou os 9 elementos do teste (coluna A).
2. O papel, a função, a razão de ser de cada uma de suas representações (coluna B).
3. O que simboliza, para você, cada um dos 9 elementos do teste (coluna C).
Elemento A. Representado
por B. Função/Papel C. Simbolizando
Queda Menina caindo Assustar Queda
Espada Espada Derrubar as
laranjas
Uma arma
Refúgio Caverna Foi de nos
esconder
Um lugar para esconder
Monstro Leão Assustar Medo
Cíclico Árvore Produzir Frutas
Personagem Duas crianças Fazer um passeio Uma linda aventura
Água Cachoeira De uma linda
paisagem
Natureza
Animal Leão Assustar Medo
Fogo Fogueira Foi de nos
esquentar
Fogo
Análise do Protocolo N° 1
No desenho aparecem palavras escritas. O sujeito autor desse protocolo dramatiza uma história onde se projeta em duas crianças, dois personagens que têm a função de “passear”, simbolizando “linda aventura”. Não há luta na dramatização; o elemento monstro, assim como o elemento animal, com função de assustar simbolizando medo estão representados com a imagem de um leão “muito bravo”, mas que só estava passando perto da caverna e foi embora para outro
caminho. (o medo se expressa, assusta – “monstro muito bravo” – mas o ataque não se atualiza – “ele vai para outro caminho”). Na entrevista esta cuidadora diz ter medo em todos os lugares do asilo, o que conferiu com o dado no AT-9. Refere-se a um monstro muito bravo no protocolo e diz ter paciência frente às questões no asilo, mas não luta. Frente aos maus tratos se diz “nervosa, chateada”. Esta fala contém laivos de impureza neste imaginário místico. A espada, elemento colocado no teste por Y. Durand para estimular o arquétipo da defesa ou ataque, se desfuncionaliza na imagem de uma espada para colher frutas, mas é simbolizada como “arma” (mas na história não agride nem fere, “derruba laranjas”, numa função utilitária). O elemento
refúgio, representado pela caverna, era habitado pelo monstro que representa a
angústia, pois o “lugar para se esconder” e repousar estava aparentemente, impossibilitando o descanso, a paz, mas o monstro só estava por ali passando e desocupou o refúgio que se atualiza como tal: “entramos na caverna para nós passar a noite”. O ato de entrar remete ao regime noturno das imagens, que se exacerba com a imagem semântica, no discurso, “colhemos algumas lenhas e fizemos uma fogueira para nós esquentar” e cozinhar peixes – “e na fogueira colocamos os peixes que nós pescamos para assar e algumas frutas que nós colhemos”. O fogo é um fogo bom, positivo que não agride, dito no questionário “fogueira” para “esquentar”, simbolizando, misticamente: “fogo”.
Na representação pictórica, aparece a seqüência descrita no discurso com todos os elementos representados. As personagens estão de mãos dadas como que submersas na cachoeira. Estão de pé, o que poderia remeter à presença de uma estrutura heróica, mas todo o discurso remete a uma antifrasia, com exceção do início da dramatização quando sozinha a menina ergue a espada e socorre a outra que está caída. Essa situação imagética de se representar duplamente, desdobrada
em duas, em uma representação com a espada na mão desenhada em riste (heróica) e em outra representação no chão, desacordada (mística), leva a perceber a possibilidade de uma impureza na estrutura mística; impureza que parece não ser suficiente para atualizar uma estrutura sintética.
O desenho mostra situações imaginadas de forma diferente: na primeira, a coragem de socorrer alguém caído no chão e depois usufruir a beleza da natureza em companhia da amiga encontrada. Como no teste, ela, a cuidadora /sujeito, levanta os caídos e lhes dá segurança na caverna (refúgio) desocupada pelo monstro/morte. Ela, projetada no personagem da dramatização explicitada no protocolo do teste, não expulsa o monstro, mas imagina que ele se afaste por outro caminho. Assim ela carrega o mundo: convive com o monstro, não afronta ou enfrenta diretamente, mas acredita que ele, apesar de muito bravo, tomará outro caminho. Quando preciso, reage heroicamente e socorre. Convém considerar que o sujeito-autor diz ter-se inspirado em “alguns sentimentos”; ele não quer “sentir medo”: eufemiza o perigo, o medo da morte e a angústia do passar do tempo. Seu discurso acaba “com barulho de uma cachoeira muito linda”. O sujeito estaria “sob a árvore, olhando as paisagem linda que a natureza nos proporciona”. Não luta, deleita-se com o que lhe é dado, mas socorre quando preciso. A espada existe desfuncionalizada, mas o imaginário de socorrer existe como uma impureza na tranqüilidade da cena quebrada pela presença do monstro que não ataca, mas assusta e gera medo. Esta impureza não é aumentada a ponto de expressar outra estrutura. Portanto trata-se de um Micro-Universo Mítico Místico Impuro.
Apesar de dizer “que todo o asilo lhe inspira angústia”, parece que esta angústia é positiva, pois a leva a ter paciência e resolver as questões: “a gente tem que ter muita paciência e tolerância e eu tenho o máximo a distribuir amor, carinho e
dar alguma segurança”. Isso descreve a forma como essa cuidadora age com os idosos: prestativa, cuidadosa e sempre pronta a ajudar, socorrer e, na maioria das vezes, seu vínculo é tão forte que se torna amiga deles, reverenciando a natureza da vida humana, “um passeio muito bom”.
8.1.2 - AT-9 - Protocolo n° 02
Dados de identificação: Idade: 28 anos
Sexo: feminino
Instrução: 1° grau completo Estado civil: casada
Tempo de trabalho no asilo: 2 anos e 7 meses
A - Você tem 30 minutos para fazer um desenho com os seguintes elementos:
Uma queda, uma espada, um refúgio, um monstro devorante, alguma coisa cíclica (que gira, que produz, ou que progride), um personagem, água, um animal (pássaro, peixe, réptil ou mamífero), fogo.
B - Escreva aqui a história do seu desenho.
Páginas da nossa vida
Hoje vivemos em sociedade cruel, violenta, onde corremos o risco de perder nossa vida em uma primeira esquina. A nossa justiça é lenta. Procuramos um refúgio a cada dia para todos os problemas. Mas o inimigo de nossas almas, é o que nos persegue a cada dia, tentando destruir lares, matar e roubar, é o monstro que fica ao nosso redor.
Mas tem um que sempre produz em nossa vida, produz amor, perdão, compaixão, compreensão e etc... Não só produz, mas nos dá a vida, o sol que brilha, nos dá as flores, as árvores que produz o ar. Enfim tudo é nosso pai celestial.
C - Responda de modo preciso às seguintes questões:
A. Sobre que idéia você centrou sua composição? “Fala do nosso dia a dia”.
B. Você foi eventualmente inspirado? “Sim”.
C. Entre os nove elementos do teste de sua composição, indique:
1. Os elementos essenciais em torno dos quais você construiu o desenho: “A espada e o refúgio”.
2. Os elementos que você teria vontade de eliminar. Por quê? “O monstro - porque infelizmente ele existe”.
D. Como acaba a cena que você imaginou? “Acaba em um descanso em paz”.
E. Se você tivesse que participar da cena composta, onde você estaria? O que faria?
“Refúgio - pescava no rio”.
D- No quadro seguinte você deve especificar:
2. O papel,a função, a razão de ser de cada uma de suas representações (coluna B).
3. O que simboliza, para você, cada um dos 9 elementos do teste (coluna C).
Elemento A. Representado
por B. Função/Papel C. Simbolizando
Queda Personagem caindo Morrer Morte
Espada Arma Matar Morte
Refúgio Floresta Descanso Paz
Monstro Luta Destruir Morte
Cíclico Sol Iluminar Luz
Personagem Menino Queda Morte
Água Rio Vidas marinhas Vida
Animal Pássaros Voar Liberdade
Fogo Inferno Queimar Dor
Análise do Protocolo N° 2
Nesse protocolo toda a ação está narrada na primeira pessoa do plural. Mas, no quadro-síntese do teste, o personagem está representado por um menino com função de queda, simbolizando também a morte. O negativismo está ressaltado no imaginário registrado nesse protocolo. O medo da morte está bastante acentuado, a cuidadora diz ter “medo dos quartos vazios”.
Os nove elementos estão nominados no desenho, o que remete a uma possível desestrutura.
A espada, no quadro do teste, tem função de “matar”, simbolizando a “morte”; no desenho o personagem/menino está caído, atingido (atacado) pela espada, que parece estar nas mãos do monstro/diabo ou caído de cima do prédio.
Na narrativa, o sujeito autor (cuidadora) enfatiza “uma sociedade cruel, violência onde corremos o risco de perder nossa vida”. Isso nos coloca frente a um imaginário catastrófico - violento/ negativo: “o combate é verdadeiramente ou potencialmente desfavorável ao personagem” (DURAND, Y., 1988: 123).
Em mãos do monstro zoomórfico/animal, a espada não está colocada na dramatização para defender o personagem, conforme o elemento espada foi colocado no teste pelo seu criador Y. Durand (1988).
Duas imagens de monstro aparecem no protocolo - no desenho e no discurso - e no quadro do teste é considerado com a função de destruir, simbolizando a morte: uma vez o monstro está representado com imagem do homem violento da sociedade, empunhando a espada que, na luta com o personagem, leva a melhor: a imagem do personagem caído (queda) faz supor que foi morto. Noutro momento, um local separado no desenho, o monstro está representado pela imagem do “diabo - inimigo de Deus”. Tem-se presente, assim, uma representação antropomórfica do monstro no desenho e outra representada por um quadrúpede animal com cabeça humana com chifres. Esta representação reforça o negativismo deste imaginário sempre envolvendo subsídios da morte. O elemento
fogo é representado no quadro do teste pela imagem do inferno/queimar/dor. Mais
uma vez reafirma-se o grande medo da morte, desse sujeito autor (cuidadora de idosos asilados), que se projeta em um menino talvez para não demonstrar tal fragilidade como adulto. Como na entrevista obteve-se na escuta. Esta cuidadora diz sentir “angústia nos quartos vazios” e frente aos maus tratos apresenta-se com reação violenta.
A espada no desenho encontra-se “desfuncionalizada”, pois que está nas mãos do monstro, o que evidencia um imaginário heróico negativo.
A morte está simbolizando nesse protocolo, no quadro do teste, quatro dos nove elementos; a queda, a espada, o monstro e o personagem, o que mais uma vez confirma a presença de um imaginário negativo. Apesar disso, ressalta no protocolo tanto no desenho como no discurso, como no quadro, à vontade de se refugiar: “procuramos um refúgio a cada dia para todos os problemas...” e, no desenho, uma parte do cenário remete à presença mística do aconchego com flores, árvores, pássaros e até mesmo a transposição da vida (conservação) na presença de um beija-flor carregando pólen para outras flores. E um rio com peixes.
O elemento água/rio tem função de vidas marinhas, o que representa novamente a possível presença de uma desestrutura, pois no rio não é possível encontrarmos vidas marinhas. Mas a água está simbolizando a vida e a referência a vidas marinhas talvez tenha sido um engano ou falta de vocabulário para se referir à vida aquática.
A presença mística aparece nas respostas dadas pelo sujeito autor às questões D e E do pequeno questionário do teste: a cena imaginada “acaba com um descanso em paz” e se tivesse que participar da cena, estaria: “no refúgio – pescava no rio”.
O medo está muito presente nesse protocolo, “hoje vivemos em sociedade cruel violenta”(...) onde corremos o risco de perder nossa vida...”. O personagem imagina a possibilidade do perigo e de refúgio, representado no desenho e no quadro do teste por uma “floresta” , com função de “descanso”, simbolizando misticamente “paz”; na narrativa fica implícito o refúgio de cunho religioso;“mas tem um que sempre produz, amor, perdão, compaixão, compreensão (...) mas nos dá a vida, (...) tudo é o nosso pai celestial” . Apesar de a personagem não lutar, sabe que existe a violência e se demonstra como tal dizendo que reagiria frente à violência,
(entrevista). A meta desse sujeito é, misticamente, alcançar o refúgio, a paz; “procuramos um refúgio a cada dia para todos os problemas...”
O elemento animal está representado no quadro do teste por pássaros, com função de voar (asa) simbolizando a liberdade, o que remete ao heroísmo. Nesse protocolo o fogo, no desenho, tem aspecto destruidor, negativo, diabólico, representado pelo inferno, com função de queimar, simbolizando a dor, reforçando o negativismo. Trata-se de um Sintético diacrônico – Duplo Universo
Existencial/DUEX - negativo como expressa Loureiro (2006), “laivos de desestrutura”. A coerência mítica, de difícil identificação, emerge no protocolo.
8.1.3- AT-9 - Protocolo n° 03
Dados de identificação: Idade: 51 anos
Sexo: feminino
Instrução: 3° grau incompleto Estado civil: solteira
Tempo de trabalho no asilo: 6 anos
A - Você tem 30 minutos para fazer um desenho com os seguintes elementos:
Uma queda, uma espada, um refúgio, um monstro devorante, alguma coisa cíclica (que gira, que produz, ou que progride), um personagem, água, um animal (pássaro, peixe, réptil ou mamífero), fogo.
B - Escreva aqui a história do seu desenho.
Era uma vez um menino que gostava muito de banhar-se em uma linda cachoeira, seu nome? Pedro. Certo dia Pedro tomou muito sol, pois o dia estava lindo e ele não saia da cachoeira, á noitinha, resolveu ir para sua casa, pois já estava muito cansado. Tomou um banho e foi descansar em sua cama, teve um pesadelo horrível, pois sonhou com um bando de piratas ‘desenbaiando’ a espada e fazendo o pular o trampolim do navio. Logo, logo seu sonho mudou, ao invés de piratas, era um enorme monstro que corria atrás dele, isto, para ele durou séculos, mas depois, para sua felicidade, conseguiu encontrar um lago. Ele mergulhou nesse lago e como num passe de mágica, o cenário mudou. Pedro viu seu gatinho Mimi sentada em cima do móvel do seu quarto, resolveu abrir a janela e viu que o cata-vento estava girando, girando, isto, pensou ele: é um bom sinal, e aí lembrou se que era junho, mês de festas.juninas e das fogueiras, e ao longe, viu um fogo; era a fogueira de Santo Antônio.
Pedro acordou feliz, ao ver que tudo não passava de um pesadelo; foi logo ajudando ás pessoas a chegarem perto da fogueira.
Ufa! Que sorte! – pensou Pedro. Sol demais. Nunca mais!
C - Responda de modo preciso às seguintes questões:
A. Sobre que idéia você centrou sua composição? “a cachoeira”.
“não sei”.
C. Entre os nove elementos do teste de sua composição, indique:
1. os elementos essenciais em torno dos quais você construiu o desenho: “cachoeira – menino – lago”.
2. os elementos que você teria vontade de eliminar. Por quê?
“monstro. Porque monstros são os nossos medos, os nossos problemas, e isto, eu tenho vontade de eliminar para sempre”.
D. Como acaba a cena que você imaginou?
“Acaba com uma linda festa junina com direitos a fogueira e tudo o mais”.
E. Se você tivesse que participar da cena composta, onde você estaria? O que faria? “no lago, observando a natureza”.
D- No quadro seguinte você deve especificar:
1. Por meio de que você representou os 9 elementos do teste (coluna A).
2. O papel,a função, a razão de ser de cada uma de suas representações (coluna B).
3. O que simboliza, para você, cada um dos 9 elementos do teste (coluna C). Elemento A. Representado
por B. Função/Papel C. Simbolizando
Queda Cachoeira Energia Liberdade
Espada Espada Coação Medo
Refúgio Cama Dormir Sono
Monstro Monstro Dormir Meus medos
Cíclico Catavento Amedontrar A vida de um
menino
Personagem Menino Ornamentar O ser humano
Água Lago Personagem
principal
Tranqüilidade
Animal Gato Companheira Caminho, amor
Análise do Protocolo N° 3
A narrativa trata de um menino que gostava de se banhar em uma cachoeira e, em belo dia, tomou sol demais e, ao dormir, teve pesadelos – uma história de um menino (Pedro - personagem) “que gostava de se banhar em uma cachoeira”. Na hora de dormir, após ter tomado muito sol, teve um pesadelo confuso: ora “um bando de piratas, desembainhando a espada e fazendo-o pular o trampolim do navio...”, noutra, “um enorme monstro que corria atrás dele”: monstro hiperbolizado. Isso foi representado em um desenho explodido, não deixando ver coerência mítica. O personagem imagina duas situações; uma do menino Pedro, que gostava de banhar-se na cachoeira: situação positiva de paz, alegria; outra, negativa, de pura angústia e medo, em um pesadelo ao dormir. Diante desse medo, o personagem reage jogando-se em uma lagoa. Não luta, foge: não mata o monstro nem os piratas que o assombram. O cenário mudou totalmente: de negativo passa a positivo; de medo passa a satisfação; seu imaginário o traz para a cama (refúgio/dormir/sono) vendo a gata Mimi (companheira/carinho/amor) e da janela o catavento e a fogueira da festa de São João.
O monstro, nesse protocolo, é quem tem a espada. Segundo Y. Durand (1988), o elemento espada está desfuncionalizado, com função negativa – pois o monstro possui a espada, representada no quadro do teste como espada, com função de coação, simbolizando o medo, medo por estar com o monstro; medos seus, conforme registrado como simbolismo no quadro do teste “meus medos”, ao referir-se ao monstro. A espada, como os demais elementos do teste, está solta no ar – o desenho é explodido – e está pictoricamente representada com a ponta para baixo, o que não remete ao heroísmo. O sujeito autor não acredita em monstro e narra: “e como num passe de mágica, o cenário mudou”, há uma atitude mística;
tudo que assusta e causa medo no personagem passa a ser pesadelo/sonho – eufemiza o monstro. O adulto sujeito/cuidadora de idosos asilados se projeta em uma criança/personagem/menino; seus medos são eufemizados e atribuídos a uma criança: tem medos e angústias e foge deles no seu imaginário. No imaginário, pode-se tudo e assim ele, adulto, se livra da verdade de ter medo. No desenho, o personagem/menino/criança está de costas para todo o resto desenhado, para todos os acontecimentos. Pela escuta registra-se sua fala: “não tenho medo ou angústia em nenhum lugar do asilo”.
Chevalier (2002:302), no dicionário dos símbolos comenta: “a criança é o símbolo da inocência (...) da espontaneidade (...) pode, também, indicar (...) a conquista da paz interior e da autoconfiança”, o que remete a uma atitude antifrásica.
O elemento água, na narrativa e no quadro do teste, é representado por um lago (tranqüilidade); no desenho aparece tanto a cachoeira (energia) como o lago (personagem principal). O personagem, no sonho, foge com medo da morte, pula no lago, que tem função de vida e simboliza a tranqüilidade: “encontrou um lago e