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Era característica na República Velha a política de conciliação entre as bases locais, estaduais e nacionais. Uma camada sustentava a outra do qual os Estados mais ricos lideraram o destino do governo federal. Tratava-se primordialmente de dois estados fortes, São Paulo e Minas Gerais e outros estados de poder mediano como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco.

O Estado republicano protegia os cafeicultores e era por estes dirigidos. Logo, na sucessão presidencial, havia uma alternância entre Minas Gerais e São Paulo para assumir a vaga presidencial. São Paulo devido ao seu poder econômico, Minas Gerais por ter um amplo “curral” eleitoral.

A “imprudência” do Presidente paulista Washington Luís em escolher para sucessor também um paulista, Júlio Prestes, enquanto deveria escolher um mineiro, contribuiu para a formação de um partido de oposição denominado Aliança Liberal. Formado pela aliança de três Estados – Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul,a chapa propôs o gaúcho Getúlio Vargas como presidente da República e o presidente da Paraíba, João Pessoa, como vice. As eleições ocorreram em 1° de março de 1930.

O pleito, com todos os vícios da República Velha41, deu vitória ao presidente paulista Júlio Prestes. Mas em 30 de março do mesmo ano, um mês após a derrota, Vargas se manifestou ao acusar as fraudes eleitorais e os maus costumes da política nacional. Semanas depois, radicais como Oswaldo Aranha e Lindolfo Collor contataram descontentes que residiam na Paraíba, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Um esperava pelo outro para ter alguma iniciativa, até que um fato inusitado ocorrido em 26 de julho mudou a situação: a morte de João Pessoa (SKIDMORE, 1982, p.22-23).

O projeto de tomada do poder das mãos de oligarcas paulistas já vinha sido planejado durante a Campanha da Aliança Liberal. Devido aos costumes fraudulentos do processo eleitoral, a vitória de Júlio Prestes era esperada, assim, a conspiração para o golpe começou a ser planejado em plena campanha. Na caravana da Aliança Liberal pelo Nordeste, conspiradores como José Américo de Almeida e o gaúcho Batista Luzardo42, tentaram convencer João Pessoa a aderir ao movimento “revolucionário”, mas este recusou. Segundo José Américo de Almeida (apud RODRIGUES. I, 1981, p.68):

João Pessoa foi bem categórico em não aceitar aderir ao movimento revolucionário: “Seus olhos enchiam-se de brilho e sua voz dominadora alterava-se (...) avolumando a voz, com calor, o entorno, a rebeldia do temperamento indomável, gritou para quem quisesse ouvir, um tanto rouco: - Prefiro mil vezes Júlio Prestes a uma revolução!”.

Foram realizadas duas tentativas para convencer João Pessoa, ambas falharam. Assim, o ânimo “revolucionário” foi diminuindo até que Borges de Medeiros, líder aliancista do Rio Grande do Sul, reconheceu a vitória de Júlio Prestes. As conspirações continuaram, mas sem expectativa. O que reavivou a “revolução” foi a morte de João Pessoa. Quatro meses depois o movimento tomou forma e ganhou os quartéis (RODRIGUES. I, 1981, p.69-70).

Iniciado o Movimento “revolucionário”, primordialmente na Paraíba, como demonstra o ataque ao casarão da família Gaudêncio, a morte de João Pessoa trouxe enorme comoção que tomou conta do Brasil, até chegar ao Rio de Janeiro, ondas de

41O judiciário não exercia função no alistamento eleitoral, e sim os chefes locais. As eleições eram falsas e forçadas por estes chefes. Os eleitores não sabiam nem em quem votavam, apenas respeitavam as ordens do coronel. Era prática comum “o coronel” dar a totalidade de votos aos seus candidatos. Famoso caso foi a do coronel José Pereira que em 1915, deu vitória unânime a chapa de Epitácio Pessoa, e que, no ano de 1930 o mesmo ocorreu em favor dos perrepistas, característica das eleições a bico de pena. (TRIGUEIRO, 1982. p.111)

protesto tomaram o país. Em 3 de outubro, o movimento estourou e vários quartéis generais foram tomados com a ajuda dos tenentes , inclusive o 22° Batalhão da Paraíba. Dez dias depois Getúlio Vargas tomou posse.

A Paraíba teve papel decisivo no movimento de 1930, não somente pela morte de João Pessoa, como também pelas transformações na relação com os coronéis – sujeitos que sustentavam a República oligárquica. As causas da morte de João Pessoa são indicadores das mudanças políticas que ocorreram no Estado, das quais as famílias Brito e Gaudêncio foram coadjuvantes.

A política paraibana, como era característica da República Velha, foi dominada por duas oligarquias que tinham como chefes políticos Álvaro Lopes Machado e Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa. Machado perdurou no poder de 1892 a 1912, ano de sua morte. Entre 1912 e 1915 a chefia do Estado ficou dividida entre o padre Walfredo Soares dos Santos Leal e Epitácio Pessoa e, de 1915 a 1930 o domínio do Estado ficou nas mãos, somente, de Epitácio Pessoa. Era prática comum da “política dos governadores” instaurada por Campos Sales43 erradicar a oposição nos Estados. Assim, a oligarquia alvarista sobreviveu durante 20 anos. Como Epitácio Pessoa era oposição a Álvaro Machado, este teve que buscar brechas no Governo Federal para chegar ao poder na Paraíba. Epitácio foi aliado da família Fonseca44 e Ministro da Justiça do governo de Campos Sales. Na presidência de Hermes da Fonseca, (1910-1914) ocorreu a política da “salvação”, onde o presidente substituiu as oligarquias nos Estados. Na Paraíba, Epitácio Pessoa – após a morte de Álvaro Machado em 1912 – se dispôs com Hermes da Fonseca a manter a oligarquia alvarista, sob a chefia de Walfredo Leal. O preço cobrado por Epitácio foi a sua participação no partido45, efetivada num acordo com Walfredo Leal. Assim, foi escolhido para presidente do Estado da Paraíba Castro Pinto que equilibrou a tênue balança de poderes entre epitacistas e walfredistas.

Em janeiro de 1915, ocorreu a cisão dentro do partido, devido à escolha de candidatos para vagas no Congresso Nacional. Com vícios “naturais” das eleições, os dois lados – Epitacistas e Walfredistas – se declararam vencedores. Coube ao Congresso Nacional escolher os vitoriosos: os epitacistas. A partir deste momento, Epitácio passou

43A política dos governadores “consistia em sustentar as situações estabelecidas nos Estados, em troca do apoio incondicional ao Governo da União, através das representações que os governadores elegiam para o Congresso Nacional.” (TRIGUEIRO, 1982, p.25)

44Que tiveram como maiores representantes os presidentes Marechal Deodoro da Fonseca e o Marechal

Hermes da Fonseca.

45Os partidos políticos na Paraíba eram formados pela política de parentela. Prevalecia o unipartidarismo. Na Paraíba tratava-se do Partido Republicano Conservador Paraibano (PRCP).

a assumir a chefia suprema no Estado, consolidada com sua chegada a Presidência da República em 1919.

Em 1928, Epitácio Pessoa escolheu, para presidir a Paraíba, seu sobrinho João Pessoa. Epitácio doou liberdade total a João Pessoa para governar, a quem não doara a outros presidentes anteriores46. João Pessoa não possuía vocação política, antes de assumir o cargo de Presidente de Estado, ele foi Ministro Civil do Superior Tribunal Militar, totalmente alheio aos costumes da vida política paraibana. O resultado da administração de João Pessoa pode ser resumido na frase de Oswaldo Trigueiro: “Não houve um dia de seu governo em que ele não houvesse feito pelo menos um inimigo” (1982, p.102). João Pessoa buscou moralizar o Estado, limpar a sujeira do mandonismo e reformar a administração posta por seus antecessores.

Para moralizar a política estadual, João Pessoa atuou principalmente nos municípios. Destituiu prefeitos, demitiu ou removeu juízes e substituiu chefes de confiança. Para combater o cangaceirismo, iniciou uma política de desarmamento, o que atingiu diretamente os honrados “coronéis”, donos da violência privada. Vale salientar, que a principal fonte de riqueza do sertão era o algodão, e que este era exportado a partir do porto de Recife, fato que desprestigiava a capital do Estado. Daí a iniciativa de criar um porto de águas profundas no Estado. Mas antes deste, João Pessoa optou por uma reforma tributária, que cobrava impostos mais caros a produtos exportados por Recife. O imposto prejudicava no transporte das mercadorias no interior do Estado, o que encarecia o produto. Assim como prejudicava justamente o comércio de Recife, que tinha como representantes os Pessoa de Queiroz, primos de João Pessoa. O desentendimento no seio da família Pessoa ocasionou num levante armado na cidade de Princesa, liderado pelo Coronel José Pereira. A Revolta de Princesa e a presença de João Pessoa na Aliança Liberal contribuíram para o desfecho dramático que facilitou o movimento de 1930.

Percebe-se que a estrutura política oligárquica na Paraíba, presente na República Velha, estava baseada no coronelismo e no municipalismo. Os chefes políticos estaduais tal como Álvaro Machado e Epitácio Pessoa necessitavam de cabos eleitorais nos municípios para garantir sua permanência no poder. Esses cabos eram os chefes das famílias, tais como, os Dantas em Teixeira, os Targinos em Araruna e os

46A oligarquia epitacista teve como presidentes do Estado da Paraíba: o irmão de Epitácio, Antônio da Silva Pessoa (1915-1916); Francisco Camilo de Holanda (1916-1920); seu primo distante Sólon Barbosa de Lucena (1920-1924); João Suassuna (1924-1928) e seu sobrinho João Pessoa (1928-1930).

Suassunas do Catolé do Rocha. O caso de São João do Cariri demonstra bem a atuação destes coronéis.

Segundo Tarcízio Medeiros e Martinho Medeiros (1989, p. 14), as famílias de maior prestígio político do Cariri47 eram descendentes diretos da união entre o Capitão- mor Domingos de Farias Castro e Isabel Rodrigues de Oliveira48, que viveram em Cabaceiras durante o século XVII49.

São João do Cariri surgiu a partir da instalação de uma missão jesuíta durante o século XVIII. A freguesia foi o principal centro populacional do Cariri e deteve sempre uma liderança política participante no cenário provincial. A família que prevaleceu no poder, em São João do Cariri durante o Império foram os Costa Ramos. O chefe da família durante o Segundo Império foi Elias Eliáco Eliseu da Costa Ramos. Foi Promotor Público entre 1863 e 1878, Curador Geral entre 1866 e 1878 e Juiz de Direito entre 1894 e 1895. Na política, assumiu o cargo de Deputado Provincial cinco vezes e ajudou a eleger para o mesmo cargo seu irmão, o padre José Ambrósio, e seu filho, Abdias da Costa Ramos. Elias Eliáco chegou a assumir até mesmo a vice-presidência do Estado. Nota-se que a riqueza da família era predominantemente rural, pois este herdou as fazendas do Major Domingos da Costa Ramos através do casamento com sua prima, filha do Major50.

Todos os membros da família que tiveram cargos legislativos eram provenientes do poder judiciário, influência que perdurou até a República Velha. Como afirma Trigueiro (1982, p. 42):

Na Primeira República, a Paraíba foi um dos Estados em que era mais visível a confusão da magistratura com a política. Transitava-se facilmente de uma para outra, sendo praticado e tolerado, sem objeções, o exercício simultâneo de mandatos políticos e da atividade partidária com as funções da magistratura.

47Destacam-se entre as famílias os Farias Castro, Castro Farias, Farias Cavalcante, Brandão (tronco que originou os Maracajás), Barros Leira, Romeu, Costa Ramos, Correia de Queiroz (tronco que originou os Britos e os Gaudêncios) e Sousa Varjão.

48Isabel Rodrigues de Oliveira era filha de Pascácio de Oliveira Ledo. Os Oliveira Ledo foram as famílias que conquistaram o sertão paraibano durante o século XVIII.

49Sobre a conquista do Cariri, ver dissertação de Entre a Pré-História e a História: em busca de uma cultura histórica sobre os primeiros habitantes do Cariri Paraibano de Adriana Machado Pimentel de Oliveira (2009).

50Major Domingos da Costa Ramos era genro de José da Costa Romeu, herdeiro primordial de Domingos

de Farias Castro. Assim, observamos que desde a conquista do Cariri, o capital simbólico (família) e o capital econômico (fazendas) foram passados por gerações na mesma família.

Um exemplo de político magistrado da família Ramos foi Abdias da Costa Ramos. Este foi juiz de Direito da Comarca de Soledade e de Monteiro e em 1904 foi juiz em Cuité. Foi deputado da Assembleia da Paraíba entre 1891 e 1892 e prefeito de São João do Cariri entre 1915 e 1922.

A família Costa Ramos apoiava Álvaro Machado, e defendeu a oligarquia alvarista contra Augusto Santa Cruz de Alagoa de Monteiro51, que revoltado, buscou conquistar São João do Cariri pelas armas em 1912, para pressionar Hermes da Fonseca a depor João Machado52 da presidência do Estado53. (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, p.261). Neste período, os Costa Ramos deram liberdade de atuação na vida política no município para famílias que ajudaram no conflito tal como os Brito e os Gaudêncio (BRITO. F, 1989, p.28).

Abdias da Costa Ramos foi o último baluarte da família Ramos. Seus filhos não seguiram carreira política, alguns migraram para o distrito do Congo, outros para Campina Grande, e outros para o Rio de Janeiro. Como Epitácio Pessoa foi o chefe absoluto do PRCP (Partido Republicano Conservador da Paraíba), este reformulou o partido e instituiu delegados em cada município do Estado. Em São João do Cariri, Epitácio Pessoa escolheu José Gaudêncio Correia de Queiroz (RODRIGUES. I,1989 p.205). Aos poucos, Abdias da Costa cedeu o poder para a família Gaudêncio.

Britos e Gaudêncios possuem uma mesma origem familiar, descendente de Pascácio de Oliveira Lêdo, sobrinho de Teodósio de Oliveira Ledo, “o conquistador dos sertões da Paraíba”. Observa-se que na descendência da família54, os Correia de Queiroz e os Brito Maciel – uma única família – se separaram com a formação de novas duas famílias, uma encabeçada por Higino da Costa Brito e outra por Joaquim Correia de Queiroz: ambos proprietários da fazenda Uruçu.

Segundo Rego (2008, p.45) “não eram raros as querelas intestinas” no seio das famílias. “Ambições de mando ou de posse constituíam quase sempre o motivo dessas separações”. Ou seja, nos laços de parentelas havia tanto solidariedade quanto

51 Sobre a revolta de Augusto Santa Cruz ver o livro Guerreiro Togado: fatos históricos de Alagoa do Monteiro de Pedro Nunes Filho (1997) e a dissertação A Revolta de Augusto Santa Cruz: drama e política na Paraíba (1911-1912) de Giulianne Barros dos Anjos (2009).

52Irmão de Álvaro Machado.

53Segundo José Brito (1989, p. 27) “Tudo começou no dia 31 de maio de 1912 às três horas da tarde. O

ataque foi maciço. 400 homens a atirar em tudo e em todos por dentro das ruas, com raiva de índio e grande berreiro. Ansiosos por entrarem e caírem lá dentro e dar expansão aos instintos, destruir as autoridades e depois marchar sobre Soledade e Campina Grande, municípios vizinhos. Mas, foram em vão os seus esforços”.

rivalidades que levavam a cismas no seio familiar. Britos e Gaudêncios são famílias exemplares de união, separação e conflitos.

O berço das duas famílias localizava-se na fazenda Uruçu. A fazenda - que até os dias atuais é dividida entre as duas famílias – pertenceu a José da Costa Romeu. A propriedade foi dividida entre seus filhos, uma parte ficou com os Britos, e pertenceu a Antônio da Costa Romeu, Higino Brito e Inácio da Costa Brito respectivamente; a outra parte ficou com Joaquim Correia de Queiroz, que repassou como herança para Maria José de Queiroz (Dona Mariquinha),esposa de Manoel Gaudêncio Correia de Queiroz.

Fotografia 1 - Fazenda Uruçu

Fonte: Arquivo pessoal de Aldo Gaudêncio

José Gaudêncio Correia de Queiroz era filho de Maria José de Queiroz e Manuel Gaudêncio Correia de Queiroz, ambos primos, proprietário da fazenda Uruçu em São João do Cariri. A família adotou o sobrenome Gaudêncio Correia de Queiroz, mas sua ancestralidade na região tem origem com os Correias de Queiroz, pois “Gaudêncio” era nome próprio. (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, pp.67-208).

Manuel Gaudêncio batizou todos os seus filhos com o nome “Gaudêncio” como sobrenome. Assim, o sobrenome foi utilizado como capital simbólico pela família em vez de Correia de Queiroz. Devido a Manuel Gaudêncio ter sido o primeiro a possuir o “nome/sobrenome” “Gaudêncio”, ele é tido como o primeiro patriarca da família. Manuel Gaudêncio possuía o titulo de Coronel da Guarda nacional e era detentor de vasta propriedade agropecuária.

A família Correia de Queiroz chegou de Pernambuco para o Cariri na segunda metade do século XVIII, com o casamento entre Joana Batista do Sacramento55 e o pernambucano João Batista Correia de Queiroz. O filho de João Batista, o Capitão e Comandante João Crisóstomo Correia de Queiroz (1779-1849) casou com Ana Felícia de Brito Maciel, bisneta paterna de José da Costa Romeu56 e neta materna de José de Brito da Câmara57. O filho de João Crisóstomo, Joaquim Correia de Queiroz, casou-se com uma prima, Teresa Maria das Virgens, bisneta de José da Costa Romeu – observa- se que a riqueza da família se sustenta pelo casamento endogâmico. Joaquim Queiroz foi o avô do “nobre” senador José Gaudêncio que teve sua casa destruída durante o fatídico 26 de julho de 1930 (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, p.206-209).

O nome Gaudêncio passou a ser capital simbólico da família devido à influência de José Gaudêncio na política do Estado durante a oligarquia epitacista. Antes dele, ao observarmos a genealogia política dos Gaudêncio, o último que obtivera uma carreira política foi José da Costa Romeu em meados do século XVIII. José Gaudêncio levou a família à política e destituiu os Costa Ramos do domínio de São João do Cariri.

Oswaldo Trigueiro (1982, p.90) afirma que José Gaudêncio se separou do Juiz de Direito Inácio da Costa Brito para apoiar Epitácio Pessoa no racha de 1915 dentro do PRCP, como explicaremos adiante. Assim como José Gaudêncio, Inácio da Costa Brito foi o patriarca da família Brito na política durante a República Velha. O mesmo pertencia à família Correia de Queiroz, mesmo sem carregar o sobrenome.

Ambos foram formados na Faculdade de Direito do Recife. Tratava-se da única instituição de ensino de nível superior disponível para os filhos das elites nordestina. Colegas de turma formavam amizades que perduravam durante suas carreiras políticas, como foi o caso posteriormente de Álvaro Gaudêncio com Argemiro de Figueiredo.

Inácio da Costa Brito era filho de Higino da Costa Brito e Cândida Felícia de Queiroz Brito. Higino da Costa Brito era filho de Antônio da Costa Romeu, neto de José da Costa Romeu. Higino adotou o nome Brito devido à ancestralidade de sua esposa que

55Neta do Capitão-mor Domingos de Farias Castro.

56José da Costa Romeu era português da região de Cheleiros, multiplicou os bens de seu sogro Domingos de Farias Castro – e passou a ser o homem mais rico e poderoso do Cariri paraibano durante a primeira metade do século XVIII. Seus sobrinhos patrocinaram o petitório para que a Instalação da Vila

Nova da Rainha fosse na povoação de Nossa Senhora dos Milagres do Cariri – atual São João do Cariri.

Mas o Ouvidor Andrada Brederodes, por questões pessoais, instalou na atual Campina Grande. José da Costa Romeu casou-se duas vezes e manteve parte da riqueza concentrada no seio familiar, nas mãos de seu primogênito. Tanto Brito quanto Gaudêncio são descendentes diretos de Costa Romeu.

57Nota-se que na 3° geração da família de Domingos de Farias Castro, a família Brito e a família Gaudêncio era a mesma. (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, p.206)

também era prima. Cândida Brito era filha de Ana Felícia de Queiroz Brito e neta de Ana Felícia de Brito Maciel, a mesma que era casada com o Capitão e Comandante João Crisóstomo Correia de Queiroz, que descrevemos anteriormente como ancestral da família Gaudêncio. Os Brito são naturais do Recife, o sobrenome veio parar no Cariri a partir do casamento de José de Brito da Câmara, de Recife e Inês Ferreira de Oliveira, do Cariri. O nome Brito passou a ter relevância na região com o casamento de José da Costa Romeu (o filho) com Cosma de Brito Maciel e Câmara, filha de José de Brito (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, p.67).

Em 1905, Inácio da Costa Brito era juiz de direito na cidade de Areia, onde se

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