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Håndteringskapasitet: Stående eller mobiliserbar, spesialisert eller generell?

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6 Trusler og mangler

6.4 Håndteringskapasitet: Stående eller mobiliserbar, spesialisert eller generell?

A história da indústria calçadista brasileira tem como primeiro marco a chegada dos imigrantes alemães à região conhecida como Vale do Rio dos Sinos, em 1824. Além de novas técnicas de agricultura e criação de gado, os imigrantes também se mostraram hábeis no artesanato, passando a produzir de forma caseira para consumo próprio.

A incipiente produção artesanal rapidamente cria um comércio local, principalmente em povoados maiores. A grande disponibilidade de couro, proporcionada pelas criações de gado locais, impulsiona o artesanato de produtos que o tomam por matéria prima, sobretudo os calçados (SCHNEIDER, 1999).

Outro importante marco na gênese da produção de calçados no país se dá por volta de 1850, quando imigrantes de origem italiana instalaram-se em Franca, interior de São Paulo, para trabalhar no cultivo de café. Trazendo consigo a tradição do artesanato de sapatos, os italianos dão início a uma produção que logo se destaca na região (GUIMARÃES, 2012).

A Guerra do Paraguai, ocorrida no período de 1864 a 1870, demandou um grande desenvolvimento na produção de calçados e artigos de couro para equipar o exército. A

produção aumenta e, com a adoção da máquina de costura, na década de 1870, acelera-se. Os avanços proporcionados pela Revolução Industrial na Europa começam a chegar ao país já no final do século XIX. A produção artesanal entra em uma fase de transição para a atividade fabril (GUIMARÃES, 2012).

A região do Vale dos Sinos foi a pioneira na implantação de uma fábrica de calçados no país, em 1888. Formada pelo filho de imigrantes alemães Pedro Adams Filho, também proprietário de um curtume e de uma fábrica de arreios. A demanda e a produção de calçados aumentaram consideravelmente no Rio Grande do Sul, formando, com o passar do tempo, um dos maiores clusters de calçados em todo o mundo (ABICALÇADOS, 2013). Já na década de 1920, começam as exportações.

Contudo, foi apenas a partir da década de 1960, com o crescimento do comércio com os EUA, que o setor calçadista começa a se desenvolver de forma mais consistente. Os dois polos produtivos se especializam, com a região do Vale dos Sinos (RS) destacando-se na produção de calçados femininos e a região de Franca (SP) concentrando-se na produção de calçados masculinos. É apenas no ano de 1968 que ocorre a primeira exportação de calçados brasileiros em larga escala, realizada pela empresa Strassburguer com destino aos EUA.

Durante a década de 1970, com a adoção de uma política de forte estímulo às exportações, o Brasil desponta como um importante ator no cenário global de produção de calçados, com o produto ganhando relevância na pauta de exportações do país.

De 1975 a 1980, a produção em volume cresceu aproximadamente 108%, em decorrência do aumento das vendas externas, que cresceram 117%, e também das vendas do mercado doméstico, que acompanharam o crescimento da produção. De 1980 a 1985, novamente, houve um aumento da quantidade produzida, agora da ordem de 29%, resultado, em grande medida, das exportações, que cresceram 118% (implicando um salto considerável da relação exportações/produção, que passou de 13% para 22%), dado que as vendas domésticas cresceram apenas 15% no período. Finalmente, no período 1985-90, verificou-se um decréscimo de cerca de 16% no volume de produção, em virtude de uma diminuição da ordem de 23% no mercado interno e de um pequeno aumento nas exportações de 7%. A relação exportações/produção passou de 22% para 28%. Em suma, ocorreu um crescimento sistemático das exportações de calçados a partir da segunda metade da década de 70. Nos últimos anos da década de 80, ocorreram pequenas oscilações no volume exportado, com uma relativa estabilização em torno de US$ 1,2 bilhão (BOTELHO; XAVIER, 2006, p. 328).

Entretanto, o modelo de exportações brasileiro, tendo como base calçados de baixo custo comercializados por traders, passa a enfrentar sérias dificuldades a partir da década de 1990, com mudanças no padrão de concorrência do mercado externo (GUIDOLIN;

COSTA; ROCHA, 2010) e com a valorização cambial no período 1994-1998 decorrente das políticas adotadas pelo Plano Real.

Apesar da abundância de mão de obra, o que, em tese, baratearia o custo de produção, a internacionalização da economia brasileira desfavorecia as exportações a preço baixo por conta da taxa de câmbio, além do crescimento da carga tributária e da redução de políticas de subsídio às exportações. Somando-se a tais dificuldades, o mercado internacional de calçados passa a se dividir em dois segmentos: (i) calçados que concorrem por marca, design e qualidade e (ii) calçados que concorrem por preço, baseados em baixos custos de produção (BOTELHO; XAVIER, 2006).

A inserção da indústria brasileira de calçados no mercado global, na década de 1970, deu-se no segundo grupo, isto é, a concorrência por baixos custos de produção. Não foram privilegiados no país, no decorrer das décadas de 1970 e 1980, evoluções do ponto de vista de qualidade ou inovação nos processos fabris. Ao mesmo tempo, o país não fez investimentos consideráveis em sua infraestrutura, sobretudo na década de 1980, o que ocasionou diversos gargalos logísticos e, portanto, mais custos à indústria (GREMAUD, 2008).

O surgimento dos produtores asiáticos foi talvez o grande entrave para as exportações brasileiras, como atestam Guidolin, Costa e Rocha (2010, p. 165):

A mudança nas condições de produção e no padrão de concorrência do mercado internacional, ocorrida na década de 1990, acarretou sérias dificuldades para a indústria brasileira. O Brasil, que se havia especializado na produção de calçados de baixo custo, não conseguia competir com a produção asiática em termos de preço, principalmente por causa do baixíssimo custo da mão de obra em países como China, Indonésia e Tailândia.

Incapaz de concorrer com os preços asiáticos, o Brasil passou a operar em um segmento intermediário, “entre os calçados italianos e os chineses” (BOTELHO; XAVIER, 2006, p. 332), mas com a mão de obra barata ainda como um importante diferencial competitivo.

Uma interessante pesquisa conduzida por Schmitz e Knorringa (2000) comprova a posição intermediária do calçado brasileiro no cenário global. Os autores conduziram entrevistas com importantes compradores dos EUA e Reino Unido para identificar pontos fortes e pontos fracos de China, Índia, Brasil e Itália, que eram, à época, os quatro mais importantes produtores de calçados no mundo. Os compradores entrevistados avaliaram os

países produtores com notas entre zero e cinco para os seguintes atributos: (i) qualidade; (ii) preço; (iii) tempo de resposta; (iv) pontualidade; (v) flexibilidade no atendimento de pequenos pedidos; (vi) flexibilidade no atendimento de grandes pedidos; e (vii) capacidade de inovação em design. A Tabela 8 apresenta os resultados da pesquisa:

Tabela 8 – Escores médios atribuídos aos produtores de calçados por grandes compradores

Critérios China Índia Brasil Itália

Qualidade 3,8 2,0 3,9 3,7

Preço 4,7 4,1 2,8 1,9

Tempo de resposta 2,8 2,1 3,5 3,4

Pontualidade 4,1 2,4 3,6 3,1

Flex. Pequenas encomendas 1,8 2,9 3,5 4,1 Flex. Grandes encomendas 3,6 2,8 3,7 3,0 Inovação em Design 1,7 1,4 2,5 4,8

Fonte: ABICALÇADOS, 2012.

Os resultados mostraram uma notável semelhança entre a Itália e o Brasil (exceto para a superior capacidade de inovação em design da Itália). No entanto, o Brasil se mostrou melhor em qualidade, tempo de resposta, pontualidade e flexibilidade. Comparado com os outros países em desenvolvimento, o Brasil é, contudo, fraco no critério preço. Claramente, o preço é o principal motivo pelo qual compradores priorizam Índia e China. Notam-se, em particular, os altos escores da China no que diz respeito à qualidade do produto e entrega pontual.

Levando-se em conta que a pesquisa foi realizada já há mais de uma década, e que nesse ínterim o Brasil perdeu várias colocações no ranking de países exportadores, o estudo é importante porque apresentou como o país, mesmo visando competir através de mão de obra barata, não conseguia se destacar no mercado através de preços baixos de seus produtos. Os autores teceram o seguinte comentário a respeito da produção brasileira:

O Brasil tem sido capaz de compensar sua fraqueza em preço com qualidade, rapidez e flexibilidade. Embora possa superar a Itália nesses parâmetros, o Brasil continua muito atrás da Itália no design inovador. Sem o desenvolvimento de seus próprios projetos, é difícil para o Brasil progredir de seu status atual como fabricante (SCHMITZ; KNORRINGA, 2000, p. 198, tradução nossa).

Ou seja, ainda que não possua o poder de marca da indústria italiana ou a capacidade produtiva da indústria chinesa, os produtores nacionais apresentam

elevada capacidade de “imitação” dos produtos lançados no mercado internacional, que são fornecidos ao mercado internacional a custos relativamente mais baixos (em

comparação com os similares italianos) e com elevados padrões de qualidade. Além disso, uma competência importante da indústria nacional é a sua flexibilidade, dado que os produtores são capazes de atender a volumes relativamente baixos de pedidos. Nesse sentido, a inserção da indústria brasileira no mercado internacional está relacionada com elevadas capacidades técnico-produtivas, mas que não são acompanhadas pelo domínio de capacidades tecnológicas ou comerciais (GARCIA, 2008-2009, p. 63).

A indústria brasileira, portanto, alia uma qualidade considerável em seus produtos a flexibilidade no atendimento de grandes e pequenas demandas como fatores competitivos que o diferenciam no mercado, tudo isso aliado a um preço consideravelmente menor que produtos de fabricantes tradicionais e de marca reconhecida, como as indústrias italianas. No entanto, o avanço da tecnologia de fabricação chinesa elevou consideravelmente a qualidade dos produtos asiáticos, que se tornaram semelhantes ou mesmo superiores aos brasileiros (ALMEIDA, 2009), mas com um custo bastante inferior.

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