RECÉM-NASCIDO: A INVESTIGAÇÃO, A CLINICA E A FORMAÇÃO”
Coordenação: João Carlos Gome-Pedro, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa;Discussante: João Manuel Rosado de Miranda Justo, Faculdade de Psicologia da
Universidade de Lisboa ([email protected])
Neste simpósio, a equipa da Fundação Brazelton/Gomes Pedro pretende apresentar as várias vertentes em que as suas actividades se consubstanciam. Em primeiro lugar, será abordado o paradigma do recém-nascido e as suas implicações na comunicação com os seus cuidadores, muito em especial com a família. Seguidamente, proceder-se-á a uma revisão da pesquisa realizada ao longo do primeiro ano de vida sobre a auto-regulação do bebé humano face a situações stressantes. Seguidamente, serão contextualizadas as questões relacionadas com a formação de técnicos de todos os quadrantes profissionais ligados ao bebé e à família através do Curso Pós-Graduado de Aperfeiçoamento nas Ciências do Bebé e da Família. Serão apresentados projectos de investigação relacionados com a intervenção pré e pós-natal e as suas consequências sobre a percepção materna do comportamento do bebé, a relação mãe-bebé, o investimento parental e a vinculação materna pós-natal. Finalmente, termina-se com uma discussão acerca dos desafios oferecidos pela prática da avaliação do recém-nascido.
Palavra chave- recém-nascido; família; relação mãe-bebé;
A DESCOBERTA DO RECÉM-NASCIDO E A PARTILHA COM A FAMÍLIA: O PARADIGMA DA OBSERVAÇÃO, DA INTERVENÇÃO E DA FORMAÇÃO COM
FAMÍLIAS CENTRADAS NO BEBÉ. J.C. Gomes-Pedro
Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; Fundação Brazelton /Gomes Pedro A descoberta do recém-nascido e a partilha com a família constituem, nos dias de hoje, a base consensual relativamente ao paradigma das ciências do bebé e da família. Não só, a observação do comportamento do recém-nascido é uma fonte de inspiração científica continuamente renovada, como a respectiva partilha com a família permite expandir horizontes nos vários domínios em causa nas ciências do bebé e da família. Entre estes domínios, temos a investigação, a intervenção e a formação. No que respeita à investigação, tem sido possível evoluir para uma compreensão da linguagem, das competências e das capacidades do bebé humano que nos reenviam constantemente para a organização neuro-comportamental do bebé recém-nascido enquanto pessoa e ser social bem como para a sua vida comportamental e social pré-natal. Derivados desta actividade de reconhecimento e diálogo com o recém-nascido e com a sua família, foram estruturados princípios (princípios “Touchpoints”) que enformam práticas de intervenção nas várias etapas do ciclo de vida. A prática de estes princípios, partilhada com especialistas e formandos de todas as profissões relacionadas com o bebé e a sua família, tem permitido organizar experiências formativas especificamente dedicadas ao equacionar da importância do paradigma presente nos mais diversos contextos de trabalho e de pesquisa. Palavras-chave: descoberta do recém-nascido, partilha com a família, ciências do bebé e da família, princípios “Touchpoints.
AUTOREGULAÇÃO INFANTIL E VINCULAÇÃO NO PRIMEIRO ANO DE VIDA: INVESTIGAÇÃO E CONTRIBUTOS DO MODELO TOUCHPOINTS.
M. Fuertes1,2,4,5, P. L. dos Santos2, M. Barbosa3,4, J. L. Gonçalves2, & J. C. Gomes-Pedro4 1Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Lisboa; 2Centro de Psicologia,
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade do Porto; 3Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa; 4Fundação Brazelton/Gomes-Pedro; 5 Child Development
Unit, Harvard Medical School.
(Agradecimentos- Os autores agradecem à Fundação para a Ciência pelo financiamento atribuído através do projecto PTDC/PSI-EDD/110682/2009 que suportou o trabalho de investigação.)
Logo após o nascimento, os bebés apresentam comportamentos instintivos de Autoregulação. Com efeito, o recém nascido é capaz de controlar as suas respostas motoras e vegetativas isolando-se de estímulos perturbadores, organizando-se face ao stress, e iniciando ou terminando a interação com os pais. Estes comportamentos evoluem ao longo do primeiro ano de vida. Aos 3 meses, estes comportamentos parecem organizar-se em estilos comportamentais e ter um peso moderado na qualidade da vinculação mãe-filho(a). No intuito de compreender melhor os processos de Autoregulação do bebé e da vinculação mãe-filho(a) e de perceber o seu impato, procurámos rever a pesquisa realizada ao longo do primeiro ano de vida do bebé. Apresentamos o modelo Touchpoints como uma intervenção na área da saúde capaz de apoiar a família na tarefa de lidar com os periodos críticos do desenvolvimento e com os problemas de Autoregulação do bebé, discutindo a importância de uma relação estreita e recíproca entre a prática e a investigação.
Palavras-chave: Crianças, Família, Coping, Prevenção Primária
FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS DO BEBÉ E DA FAMÍLIA: O PARADIGMA DO RECÉM-NASCIDO COMO ESTEIRA PARA UMA FORMAÇÃO CENTRADA NA(S)
PESSOA(S) A.T. Brito
Fundação Brazelton/Gomes-Pedro para as Ciências do Bebé e da Família
CEDAR, Warwick University; UIED, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Em Janeiro de 2013, a Fundação Brazelton/Gomes-Pedro para as Ciências do Bebé e da Família (FBGP) deu início ao primeiro Curso Pós-graduado de aperfeiçoamento neste domínio científico. Este curso nasce de um processo de maturação científica e pedagógica inerente à própria constituição da Fundação, aos seus fundadores, e ao desejo de partilhar, divulgar e desenvolver um novo paradigma do Bebé e da Família, edificado de forma rigorosa e apaixonada ao longo das últimas décadas.
A visão do Recém-nascido como Pessoa e a escala NBAS que a viabiliza foram justamente a esteira para o desenvolvimento de um novo paradigma de intervenção, sustentado num modelo relacional que, fortalecendo o vínculo do Bebé à sua Família, potenciará o (seu) Desenvolvimento ao longo da vida.
No curso de formação que construiu, e que aqui apresentamos, a FBGP assume esta visão e paradigma a diferentes níveis, esbatendo fronteiras disciplinares, integrando conhecimentos nas diversas áreas científicas do Bebé e da Família e propondo uma renovada prática clínica/educacional contingente com a evidência científica dos modelos e conceitos neste domínio.
Sustentados numa ampla análise documental, que inclui as reflexões críticas dos formandos realizadas ao longo do curso, evidenciaremos como este devir está transversalmente presente (1) na criação do curso e nas suas finalidades, (2) nas parcerias criadas para a sua realização, (3) na equipa de docentes e (4) no grupo de formandos, provenientes de várias áreas disciplinares e do saber, particularmente considerando a repercussão desta formação na sua acção junto de Bebés, Famílias e outros profissionais com quem trabalham.
Palavras-chave: curso pós-graduado de aperfeiçoamento, crianças, família, recém-nascido como pessoa, escala NBAS.
NBAS: ESPECIFICIDADES NA ESTRATÉGIA E NA COTAÇÃO M. Barbosa1,2,3, M.Fuertes2,4, J.Moreira3, & J.C.Gomes-Pedro1,2
1 Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; 2 Fundação Brazelton/Gomes-Pedro; 3
Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa; 4 Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Lisboa
O desenvolvimento da Neonatal Behavioral Assessment Scale (NBAS), em 1973, revolucionou a concepção sobre o recém-nascido humano, sendo reconhecida como um dos avanços mais importantes no estudo e na avaliação de bebés. A NBAS tem sido amplamente utilizada em diversos países como instrumento de investigação ou como ferramenta clínica ou educacional em intervenções com os pais. Nesta comunicação iremos apresentar a nossa experiência de aplicação da NBAS no âmbito de uma investigação em curso, discutindo as adaptações necessárias para a sua aplicação num hospital público em Portugal e propondo um conjunto de alternativas no sistema de cotação da escala.
Palavras-chave: crianças, hospital, prevenção primária.