Interdisciplinares e Transdisciplinares de Viseu (ISEIT/Viseu) – Campus Universitário de Viseu – Instituto Piaget
Através de cinco comunicações que apresentam estudos empíricos resultantes de diferentes projetos de equipa e individuais de diferentes instituições de ensino universitário (projeto I&D- FCT no Departamento de Educação da Universidade de Aveiro, projeto I&D na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, um Doutoramento na Escola de Psicologia na Universidade do Minho; uma Dissertação ISEIT/Viseu do Instituto Piaget) o presente simpósio pretende divulgar e discutir contributos em diversos focos da psicologia no âmbito saúde e da doença, especificamente nos primordiais agentes parceiros dos profissionais de saúde na promoção da qualidade de vida: a família.
Na nossa sociedade a família, tal como salientado na Convenção Internacional dos Direitos da Criança (ONU, 1989) é considerada um sistema extremamente importante ao nível do desenvolvimento afetivo, cognitivo e social do indivíduo, onde o sentimento de pertença se liga ao sentimento de segurança que favorece o desenvolvimento do indivíduo e sua resiliência, compondo assim um fator do ambiente próximo com papel de proteção ou vulnerabilização ao nível da saúde, tal como concebida pelo modelo ecológico da saúde, dentro dos modelos interacionistas e multifatoriais. Assim apoiar a criança em particular e o indivíduo em geral implica apoiar a família, assim como assumi-la como o parceiro de excelência para a promoção da saúde e no lidar com a doença.
Desta forma, neste espaço de partilha e reflexão conjunto ao redor do conhecimento em construção do papel a atuação da família na promoção da saúde, iniciamos com a apresentação de um modelo de intervenção familiar inovador em Portugal (Vídeo Hometraining) no âmbito da intervenção precoce, analisando os seus benefícios no reforço das competências parentais e saúde mental; seguimos com a avaliação do impacto e eficácia da educação parental no comportamento externalizante e parentalidade positiva ao nível da intervenção precoce; passamos pela análise das qualidades psicométricas de um instrumento que identifique estratégias e competências de comunicação utilizadas pelos pais para abordar a sexualidade com os filhos adolescentes; de seguida temos o estudo da vinculação na situação de perda parental na adultez emergente, relacionando-a com o fenómeno da parentificação; e finalizamos com a análise das mudanças psicológicas nos níveis de insucesso verificado nas situações de cirurgia bariátrica onde o apoio da família pode surgir como facilitador. Os contributos das cinco comunicações permitirão explorar a extrapolação de conhecimento empírico entre os diferentes estudos, assim como ensaiar implicações nas intervenções e desenvolvimentos que estão envolvidos no diálogo entre as investigações e a prática na psicologia da saúde, tanto nas situações de promoção da saúde como nas de doença crónica, passando pelas situações de risco.
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BENEFÍCIOS VERIFICADOS NAS FAMÍLIAS PORTUGUESAS EM INTERVENÇÃO COM O VIDEO HOMETRAINING (VHT) Fátima Feliciano 1, Paula Santos 2, Sandra Agra 2 & Carlos Silva 2
1ISEIT/Viseu – Campus Universitário de Viseu – Instituto Piaget; 2Departamento de
Educação da Universidade de Aveiro
As famílias com crianças em risco defrontam-se com desafios relacionais que podem dificultar o seu funcionamento, expresso nos seus recursos, necessidades e níveis de depressão. O reforço
das competências na interação diádica apresenta potencialidades na redução de suas dificuldades, enquanto intervenção precoce (IP). No presente estudo pretende-se verificar se as famílias da IP-Aveiro, alvo de intervenção com o VHT, apresentam resultados benéficos nos sintomas depressivos, na capacidade para identificar necessidades e nos seus recursos, em comparação com as famílias da IP-Coimbra e da IP-Portalegre (ambas intervenção VHT). Assim o objetivo traduz-se na verificação de existência de diferenças estatisticamente significativas entre as famílias com intervenção VHT, em comparação com as que não são alvo de intervenção com este método. Ao avaliar os sintomas depressivos, capacidade para percecionar recursos familiares e necessidades, poderemos estabelecer a adequação do VHT como método a utilizar na IP. Para alcançar os objetivos desenhámos um estudo experimental de campo, envolvendo um grupo de intervenção (IP-Aveiro) e dois grupos de comparação(IP de Coimbra e Portalegre). O projeto tem duração de três anos e três períodos de recolha de dados (T0 – 2001, T1 – 2012 e T2 – 2013). As variáveis e dimensões identificadas na família
medem os sintomas depressivos, recursos familiares e necessidades da família. Foram tidas os cuidados éticos exigidos. Os dados de T0 e T1, apresentam diferenças estatisticamente
significativas com benefícios na IP-Aveiro em comparação com os de Portalegre, nos sintomas depressivos e no fator ‘orgulho’ dos recursos familiares. Estes resultados ainda preliminares levam-nos a questionar sobre possíveis variáveis parasitas no estudo, como a formação base dos técnicos, que poderá apresentar diferenças nos diferentes grupos do estudo.
Palavras chave: intervenção precoce, Video Hometraing (VHT), recursos e necessidades familiares, sintomas depressivos
Maria de Fátima Feliciano
ISEIT/Viseu – Campus Universitário de Viseu – Instituto Piaget Estrada do Alto do Gaio, Galifonge – 3515-776 Lordosa Viseu 964845163
A EDUCAÇÃO PARENTAL E A PROMOÇÃO DE TRAJETÓRIAS DE VIDA DE SAÚDE: O PROGRAMA ANOS INCRÍVEIS PARA MÃES/PAIS E EDUCADORES DE
INFÂNCIA DE CRIANÇAS COM PERTURBAÇÕES DE COMPORTAMENTO EXTERNALIZANTE
Mª Filomena Fonseca Gaspar, Mª João Seabra Santos, Andreia Azevedo, João Guerra, Mariana Pimentel, Sara Leitão, Tatiana Homem, Vânia Martins, & Vera Vale
Projeto “Prevenção/intervenção precoces em distúrbios de comportamento: eficácia de programas parentais e escolares” (PTDC/PSI-PED/102556/2008) da Faculdade de Psicologia e
de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
As Perturbações Disruptivas do Comportamento, e o aumento da sua prevalência na população infantil e juvenil, constituem um problema que tem vindo a crescer e a preocupar cada vez mais as sociedades atuais. Numa perspetiva de saúde individual e pública, os resultados das investigações mostram-nos que, se não forem alvo de intervenção, estas perturbações persistem ao longo da trajetória de desenvolvimento do indivíduo, podendo levar a comportamentos de risco na adolescência e adultez (Campbell, Shaw, & Gilliom, 2000; Patterson, Reid, & Dishion, 1992; Shaw, Lacourse, & Naguin, 2005). Para além destas implicações, as referidas perturbações têm custos sociais e económicos para o indivíduo, as famílias e a sociedade (Hutchings et al., 2006). A investigação nesta área põe também em evidência, de forma bastante saliente, a intervenção precoce em crianças com problemas de comportamento como via preferencial para a prevenção de comportamentos antissociais e agressivos mais graves no futuro (Gardner, Shaw, Dishion, Supplee, & Burton, 2007; Hutchings et al., 2007; McMahon, 2006; Posthumus, Raaijmakers, Maassen, van Engeland, & Matthys, 2011; Webster-Stratton & Reid, 2010). Entre as formas mais eficazes de intervenção encontra-se a Educação Parental
enquanto um tipo de intervenção familiar que visa aumentar a qualidade da parentalidade. Aqui descrevemos alguns dos principais resultados de um estudo experimental com o programa de intervenção parental Anos Incríveis, de Carolyn Webster-Stratton, em que um dos objetivos é testar o impacto e a eficácia do programa em figuras parentais, de crianças dos 3 aos 6 anos de idade, com problemas de comportamento identificados; envolvendo 125 mães, pais e outros cuidadores (avós), de Coimbra e do Porto, indicados por pediatras, psicólogos e jardins-de-infância. Adicionalmente pretende-se analisar vantagens de esta intervenção ser feita simultaneamente com as mães/pais e os educadores de infância das crianças com estas caraterísticas. O programa parental Anos Incríveis Básico é uma forma de intervenção eficaz para a redução de problemas de comportamento externalizante nas crianças e aumento da parentalidade positiva. Estes resultados são reforçados quando a esta intervenção se adiciona o programa para educadores de infância.
Palavras-chave: comportamento externalizante, promoção de saúde, educação parental, Anos Incríveis
Mariana Pimentel Sara Leitão
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra Rua do Colégio Novo, 3001-802 Coimbra
O QUESTIONÁRIO DE ESTRATÉGIAS E COMPETÊNCIAS COMUNICACIONAIS NA EDUCAÇÃO SEXUAL - VERSÃO FAMÍLIA: ESTUDOS PRELIMINARES NUMA
AMOSTRA DE PAIS DE ADOLESCENTES Maria do Rosário Pinheiro& Cristiana Carvalho
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
Introdução: As recentes evidências científicas da influência parental nos comportamentos de risco e proteção dos adolescentes mostram que a comunicação positiva entre pais e filhos ajuda os jovens a definirem os seus valores em relação à saúde sexual e a tomarem decisões saudáveis. Objetivos: O Questionário de Estratégias e Competências Comunicacionais na Educação Sexual - Versão Família (QECCES-VF) (Carvalho & Pinheiro, 2012) foi desenvolvido com a finalidade de identificar as estratégias e competências de comunicação utilizadas pelos pais para abordar a sexualidade com os filhos. Este estudo avalia as qualidades psicométricas do QECCES-VF. Metodologia: Participaram 138 pais (44 do género masculino e 94 do feminino) entre os 32 e os 59 anos de idade. O QECCES-VF (secção 1-17 itens) é composto por três fatores que explicam 55,5% da variância total: estratégias de comunicação baseadas na atenção emocional (F1), estratégias de comunicação de controlo (F2) e competências de comunicação assertiva (F3). A secção 2 do QECCES-VF (11 itens) é composta por três fatores que explicam 62,5% da variância total: estratégias de comunicação assertivas (F1), de controlo (F2), de ameaça e defesa (F3). Conclusões: O estudo permite identificar que os pais se percecionam com dificuldades na comunicação com os filhos em diversos temas de sexualidade e que têm dificuldade em utilizarem as diversas estratégias possíveis. Conclui-se apresentando-se o Programa COPAS Comunicação Pais-Adolescentes sobre Sexualidade, um programa de promoção da literacia parental em saúde sexual, que visa aumentar as competências dos pais para comunicarem com os filhos sobre temas da saúde sexual.
Palavras-chave: comunicação pais-adolescentes, sexualidade, literacia parental em saúde sexual
Maria do Rosário Pinheiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra Rua do Colégio Novo, 3001-802 Coimbra
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A PARENTIFICAÇÃO EM JOVENS ADULTOS: PERDA, VINCULAÇÃO E GRATIDÃO NA ADULTEZ EMERGENTE
Sónia Oliveira & Fátima Feliciano
Instituto Piaget – ISEIT/Viseu – Campus Universitário de Viseu
A partir de posições científicas na área da vinculação, considerámos pertinente estudá-la na adultez emergente (estabelecimento de autonomia), associando o fator “perda” (pais), o fenómeno da parentificação [inversão de papéis entre pais e filho(s)] e o conceito de “gratidão”. A pertinência deste estudo prendeu-se com os conceitos supramencionados e suas relações e, com a comparação das distintas dimensões entre o grupo de adultos emergentes “com perda” e “sem perda”. Neste estudo pretendemos: verificar a existência de diferenças nas várias dimensões da vinculação (QLE, IEI e AS) e ao nível da gratidão, entre os dois grupos; descrever as relações existentes entre as mesmas dimensões e o nível de gratidão; verificar a existência de diferenças quanto à perceção de parentificação entre os grupos e caraterizar os sujeitos parentificados. Para alcançar os objetivos desenhámos um estudo de tipo descritivo- comparativo e descritivo-correlacional e utilizámos três instrumentos de avaliação: Questionário Sócio Demográfico; “Questionário de Vinculação ao Pai e à Mãe”; “Escala da Gratidão”. Os resultados mostraram que a maioria dos sujeitos que referiram sentir-se parentificados sofreu a perda de um dos pais, podendo considerar-se que o mesmo fenómeno, na adultez emergente, poderá agravar ainda mais as dificuldades sentidas na autonomização dos filhos. Deste modo, considera-se extremamente relevante estudar este fenómeno nos jovens adultos portugueses, por ser uma etapa marcada por um conjunto de desafios que poderão ser dificultados devido a este processo (modelo subjacente de funcionamento familiar), sendo a nosso ver pertinente estabelecer futuramente um programa de prevenção destas situações, bem como de intervenção psicoterapêutica.
Palavras-chave: adultez emergente, vinculação, parentificação, perda, gratidão. Sónia Correia Oliveira
Instituto Piaget – ISEIT/Viseu – Campus Universitário de Viseu Rua Principal, nº83, Vila Cova, 3560-193 Sátão, Viseu
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