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3. E MPIRICAL F INDINGS

3.4. Company Level – CEZ Group

3.4.1. Group’s value chain

De maneira voltada para a operacionalidade do conceito, embora reconhecendo a dificuldade de se formular uma definição precisa, Altenburg e Meyer- Stamer, citados por Suzigan et al. (2001, p. 273-274), definem que “Um cluster é uma aglomeração de tamanho considerável de firmas em uma área espacialmente delimitada com claro perfil de especialização e na qual o comércio e a especialização interfirmas é substancial”. Nas palavras de Britto e Albuquerque (2001, p. 19): “O conceito de

clusters industriais refere-se à emergência de uma concentração geográfica e setorial de

empresas, a partir da qual são geradas externalidades produtivas e tecnológicas indutoras de um maior nível de eficiência e competitividade”.

A complexidade do cluster calçadista de Franca manifesta-se através do entrelaçamento das cadeias produtivas locais de máquinas e equipamentos, do couro e do calçado (ateliês ou bancas, fornecedores de insumos e fábricas). Meu interesse recai sobre a última cadeia que, segundo Suzigan, Garcia e Furtado (2003), concentra cerca de 10% da produção de calçados do país.

Ao analisar o cluster produtor de calçados de Franca, tomando por base os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) para o ano de 1997, Britto e Albuquerque (2001) encontraram alta densidade no número de firmas de calçados, 708 firmas no total, associadas a um menor tamanho médio dos estabelecimentos, se comparadas a outras localidades produtoras de calçados (Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga e Parobé identificadas, junto com Franca, como sendo os clusters produtores de calçados). Para esses autores, do ponto de vista de relacionamentos entre as empresas, clusters mais densos oferecem uma maior possibilidade de interação, mas também, de interdependência, entre seus membros. Suzigan et al. (2001, p. 286) calculam que “o tamanho médio dos estabelecimentos produtores de calçados de couro de Franca é de 13,1 empregados”.

Aqueles mesmos autores, Britto e Albuquerque (2001, p. 41), calculam a distribuição do número de estabelecimentos em função do número de empregados para os clusters produtores de calçados e concluem que “o maior número de empresas concentra-se nas faixas de menor tamanho”. De 0 a 49 funcionários são 88,6% dos estabelecimentos; de 50 a 99 funcionários são 5% dos estabelecimentos; de 100 a 249 funcionários são 3,8% dos estabelecimentos; de 250 a 499 funcionários são 1,7% dos

estabelecimentos; de 500 a 999 funcionários são 0,7% dos estabelecimentos; por fim, de 1000 ou mais funcionários são 0,2% dos estabelecimentos.

Com relação à distribuição do emprego por tamanho de estabelecimento, Britto e Albuquerque (2001, p. 41) constatam que os clusters produtores de calçados “apresentam uma distribuição mais equilibrada do emprego nas diversas faixas de tamanho de empresas, o que evidencia maior densidade de relacionamentos e maior complexidade institucional”. Estabelecimentos de 0 a 49 funcionários representam 19,2% do emprego; de 50 a 99 funcionários representam 11,4% do emprego; de 100 a 249 funcionários representam 19,5% do emprego; de 250 a 499 funcionários representam 19,7% do emprego; de 500 a 999 funcionários representam 13,6% do emprego; por fim, de 1000 ou mais funcionários representam 16,6% do emprego. Os mesmos autores também constataram um número de empregos na casa dos 13.843.

No entanto, Suzigan et al. (2001) identificaram um contingente total de trabalhadores de 12.830 diretamente ligados à indústria de calçados da região de Franca, equivalentes a 7,02% no emprego total das regiões selecionadas e com elevada participação (89,91%) do emprego utilizado na especialização de calçados de couro. Tomando apenas a participação do município de Franca no emprego dentro da microrregião de mesmo nome, significa 98,28% do total. Com relação à participação da microrregião de Franca no total de estabelecimentos da indústria calçadista brasileira, representa 20,42% do total destas na fabricação de calçados de couro. Amato Neto (2000, p. 128) reforça dizendo: “o pólo coureiro-calçadista de Franca, maior produtor de calçados do Estado, é especializado na produção de calçados masculinos de couro”.

Ao comentarem que os clusters de calçados dos municípios acima citados (incluindo Franca) apresentam elevada participação no emprego industrial do município, de 38,3%, e no emprego setorial, de 22,2%, Britto e Albuquerque (2001) classificam o nível de sofisticação tecnológica como “baixa”. Por sua vez, Vendrameto (2002) também entende que a cadeia de calçados apresenta “fraca base tecnológica”.

Amato Neto (2000, p.124) comenta que a “modernização tecnológica do setor” ocorre de forma restringida dentro do processo produtivo, beneficiando algumas etapas de produção: “a modelagem e o corte”. Nas etapas de “costura” e “montagem”, o caráter da produção se mantém “bastante artesanal e intensivo em mão-de-obra”, o que evidencia que o custo do trabalho ainda é fator de vantagem competitiva. Para o autor,

as barreiras técnicas à entrada na indústria de calçados continuam “relativamente baixas”, o que confere maior relevância às “barreiras não técnicas” (diferenciação de produto no design e nas técnicas de comercialização). Numa pesquisa realizada em 1998, pelo Sebrae regional de Franca, constatou-se que a grande maioria das empresas (pequenas e médias) utilizava “equipamentos antigos”. Isso cria a percepção de que há facilidade de imitação dos produtos, valorizando a concorrência via preços.

Na avaliação de Britto e Albuquerque (2001, p. 42) quanto à qualificação da mão-de-obra, os clusters produtores de calçados “apresentam emprego mais concentrado nas faixas inferiores de qualificação da mão-de-obra”. Da força de trabalho contratada para a produção de calçados, naqueles municípios acima citados, 72,8% dela não tinha a 8a série completa e apenas 3,1% dos funcionários tinham curso superior ou estavam freqüentando algum. Ainda correlacionado à qualificação, o estudo dos mesmos autores mostra que “o emprego apresenta-se mais concentrado em faixas inferiores de remuneração, em particular entre 1,5 e 3 salários mínimos” (BRITTO; ALBUQUERQUE, 2001, p. 43), perfazendo 69% da mão-de-obra. Isso não quer dizer que a mão-de-obra não esteja qualificada às necessidades requeridas pela indústria calçadista local, ao contrário, ela está.

A conclusão do trabalho de Suzigan et al. (2001, p. 318) sobre a indústria alçadista francana é que economias externas de aglomeração conferem vantagens competitivas aos seus agentes produtores. Isso decorre de três motivos básicos: “amplas inter-relações produtivas (linkages) dentro da cadeia produtiva”; “forte concentração de mão-de-obra” qualificada e “contínuos spillovers de conhecimento, que caracterizam o que Alfred Marshall chamou de ‘atmosfera industrial’”.

Posso concluir minha percepção sobre a estrutura produtiva do cluster calçadista francano, reconhecendo a alta densidade de empresas concorrentes no próprio município, com grande participação de pequenas e médias no número de estabelecimentos, mas com o conjunto das poucas grandes empresas tendo razoável representatividade na participação do emprego. Devo reconhecer também que as barreiras tecnológicas à entrada na indústria são baixas e a existência de mão-de-obra qualificada abundante e de baixo nível de escolaridade, o que implica baixo nível de rendimento à grande maioria dos trabalhadores. Por fim, o alto grau de especialização local destaca-se na produção de calçados masculinos de couro.